Netflix também emite Carbono…

[SPOILERS] Podemos ver alguns monóxidos e muitos dióxidos de carbono…
Houve vários aumentos no buraco do ozono…
Esta série gasta mais de 50 minutos por episómetro…
As emissões de carbono da Netflix estão em alta…
Ortega arranjou uma mão que faz mais quilómetros e gasta menos…

Já está?! Já mandou os trocadilhos todos?! Vamos então ao…

Kovacs fez emitir muito COOOOOOOOOOOOOO2…
Muita gente não sabe, mas os abdominais do Kovacs são em fibra de carbono…
O símbolo do Carbono é o C, mas o da Ortega é um bom D…
Kovacs trocou um Toyota por um BMW mais espaçoso…
A Ortega consegue transformar o Carbono em estado sólido…
O carbono vem do latim “carbo”para carvão ou brasa… quem é brasa é a Ort…

Bom, vamos “arrancar” com isto antes que descarrile mais.

“Altered Carbon” é o mais recente “hit” da Netflix, e quando digo hit refiro-me à bomba de marketing à qual é praticamente impossível escapar. O serviço de stream aprimorou este formato (embora nem sempre destaque as séries que merecem) e considerando o dinheiro investido aqui é mais do que óbvia a aposta. Como principal cabeça de cartaz temos Joel Kinnnaman, que depois de “Robocop” e “Suicide Squad” torna a incorporar um projecto com grandes visuais e… pouco mais. Eu lembro-o principalmente por “House of Cards” onde deu bons sinais de ser um actor competente. A premissa, muito basicamente, é a de um futuro próximo onde o corpo humano não é mais que carne descartável para fazer download de DNA. A “morte real” é algo que não assiste os mais ricos que podem “virtualmente” ser imortais. Takeshi Kovacs, um ex-polícia tornado rebelde, é colocado num novo corpo para ser detective privado de um dos maiores magnatas da sociedade, que lhe pede nada mais nada menos que resolva o seu “homicídio”. O trama desenvolve muito, vários conceitos futuristas são explorados (por vezes atropelados e mal explicados), vários dilemas sociais abordados e vários corpos desnudados.

Se o Deadpool pode ter uma mochilinha eu também posso!

A serie começa por pegar no fio que tece o trapo menos bonito. Considerando a riqueza potencial, limitar isto a um caso de homicídio parece a definição de desperdício e é onde a série mais sofre. Do quarto ao oitavo episódio deixa de tentar apanhar todos os novelos que caiem do céu e foca-se naquilo que deveria desde inicio, mas considerando o resto da temporada, estes episódios são a excepção não a regra. A história da temporada é como uma teia de aranha que tenta cobrir a árvore toda e encontra no passado de Kovacs e na relação com a irmã o centro. A união entre os flashbacks, a acção e os ambientes mais ricos a nível de luz (para desenjoar dos neons e flares) acrescentam muito à beleza da série e adicionam camadas que a tornam realmente boa de acompanhar.

No entanto, é no final que se torna a perder no tear e tudo se “desmorona”. Na historia dos videojogos, o conceito que mais me tira do sério é o de “bosses”: de que tudo é decidido por um embate com uma entidade multi-poderosa, com um estranho ponto fraco. De todas as manias que o cinema e a televisão podiam copiar, esta é dos piores. A temporada começou torta, endireita-se e depois cai na tentação juntar tudo no mesmo pote com um boss que não excita. Não há verdadeiros riscos no embate final (sabendo que Kovacs tem o duplo no paraíso e a irmã tem certamente de ser derrotada), todos os confrontos físicos são coordenados para se juntarem os pares lógicos e toda a narração, o noir e desenvolvimentos interpessoais perdem-se na cacofonia de arcos que se tentam resolver e edição entre as várias arenas.

A mesma série que tapa cirurgicamente o Matias Nicolau do protagonista, passa a vida a mostrar nudez para cumprir a quota do rating.

Não deixem no entanto que o meu alongamento pelo pior que a serie oferece ser detrimento para darem uma oportunidade. Há pouca oferta no que toca a sci-fi de qualidade hoje em dia e esta é uma boa entrada, no entanto, não esperem algo que vos desafie muito ou que vá preencher um buraco negro no vosso ADN. Tem um bom protagonista, tem um conceito interessante e acima de tudo um visual que merece todos os milhões que a Netflix desembolsou. Infelizmente tudo isso é uma “sleeve” oca que não fascina o mais exigente. “Altered Carbon” tem pitadas de “Blade Runner” + “Westworld” + “Matrix” + “Ghost in the Shell”, mas infelizmente nem sempre o melhor destes mundos.

Coisas que prontos…

– Aquela coincidência fantástica do protagonista ter um nome que é meio asiático e meio nórdico e ser um asiático no corpo de um nórdico… what are the odds?!
– Nunca nos é explicado como Quell se torna aquela figura de líder-rebelde. Mais, durante muito tempo pensei que todos naquele grupo tinham a intuição de Kovacs (daí o nome de Envoys”).
– Por falar nela… é preciso odiar muito um filho para lhe chamarem Quellcrist Falconer.
– Tudo que envolveu Lizzie Elliot está como um novelo na minha memória. No topo da confusão está aquela transformação de menina quebrada em super-heroína com “poderes”.
– A tecnologia de stealth usada por Mr. Leung é outra daquelas coisas que me passa a mil. Seria de esperar que uma tecnologia daquelas fosse usada mais vezes, mas não…
– A arma de pregos que regressam apareceu e não regressou…
– Como é que se faz a fotocopia de um corpo na máquina?! Não é preciso mostrar… acreditem, eles sabem como é…

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