O Cisne Encarnado…

[NÃO CONTÉM SPOILERS DE “RED SPARROW”] Não é muito habitual sair da sala de cinema e não ter uma opinião 99% formada sobre um filme. O problema aqui é que não sei se o bom é bom para mim. Este não é só mais um filme de espiões, não é apenas o tradicional jogo entre potências numa eterna guerra fria. Quase tudo o que vemos já foi retratado noutras películas mas este deixa um sabor diferente na boca.

Jennifer Lawrence dá vida a uma ex-bailarina que faz tudo para alcançar o seu objectivo, e embora esses objectivos mudem ao longo do filme, podemos sempre contar com a qualidade da actriz para tornar a viagem consistente. Sem dúvida que o filme depende dela e lhe dá a dimensão humana necessária para que o que aconteça tenha um efeito no espectador. Somos expostos a nudez, sensualidade, sexualidade, fragilidade, coragem e medo de uma maneira bastante crua. Apesar de estarmos a ver o corpo de uma das mulheres mais desejadas do mundo, a sensação é de desconforto. Aliás, é bastante claro que o filme nos quer chocar e há pelo menos umas três ocasiões em que o faz com sucesso (digamos que nunca mais vou olhar para Ramsay Bolton nem para um descascador de batatas da mesma maneira). Jennifer mostra todo o espectro destas emoções com a ajuda da frieza das cores da cinematografia. Dominika passa de uma cena de terror a uma leve cavaqueira sem que o filme nos transporte e quem é o faz é uma muito competente actriz (mas não é uma cruz que devesse carregar sozinha).

O problema principal é que o filme se prolonga 20 minutos acima do necessário (2h20). Há uma altura ali no meio que… se não tivermos cuidado… passamos pelas brasas. Depois somos despertados por mais uma cena violenta e lá encarreiramos novamente. Posso dizer que me senti impressionado em algumas situações mas em outras foi algo ao “desbarato”. Há quem vá achar que essas cenas só servem para chocar e quem pense que são necessárias para nos transportar para a mente da personagem. Quem veja o final como previsível ou que embora previsível, é recompensador. Pode-se alegar que o filme tenta ser de tudo um pouco sem se comprometer. Deixo ao critério de cada um se isso é bom ou mau para o resultado final.

“Red Sparrow” é um filme que depende do espectador. Depende da capacidade em entrar na mente de uma inocente mulher obrigada a crescer num mundo de homens maus. Depende se estão fartos de ver este enredo com caras novas (um “Salt” com mamas) ou se gostam de tudo o que JLaw faz. Poderá ser demasiado lento para alguns ou demasiado abrangente para outros. Há quem vá na esperança que esta seja uma séria abordagem à luta das mulheres nos tempos actuais e quem desejasse ver carros a explodir. É daqueles filmes de “sim ou sopas” que provocará uma reacção e o que posso dizer é que o filme faz bem o que se propõe fazer. Devia ter perdido mais tempo na escola (com a fantástica Charlotte Rampling) e menos tempo no geral. Tanto Lawrence como Edgerton brilham e a cinematografia capta bem o sentimento que o guião pretende transmitir.

Pergunta para queijo: Se desde o inicio vemos russos a falar inglês, qual a necessidade em lhes dar um sotaque russo?
Cisma para queijo: Para quem detesta penteados com repas como eu, este filme chocará a dobrar!

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