Os 1001 problemas com a Batalha de Winterfell…

Antes que acendam a pira para queimar aqueles mortos todos em Winterfell (aquela zona vai ser rica em petróleo), permitam-me pensar sobre a Batalha de Winterfell. Não quero ser maçudo ou bater nos mortos (pun intended!), por isso vamos por pontos:

Produção…

  • Mais dinheiro não é sinal de maior qualidade. Se é verdade que a série nunca foi “pobre”, também é verdade que conseguiu momentos incríveis sem que fosse preciso atirar dinheiro para a fogueira (pensem no dinheiro gasto naquela viagem de dragões no primeiro episódio).
  • Se a defesa contra as acusações do episódio estar muito escuro é “o problema é das televisões/da fraca qualidade com que viu/da compressão do streaming… a culpa é não é do espectador, nunca. Uma série não pode nem deve depender do hardware com que se visualiza. O facto de ter uma televisão 4K pode melhorar a minha experiência, mas o meu portatil não pode ser impeditivo para digerir um episódio.
  • Mais, melhor, mais além! Todos os episódios têm sempre que aumentar a escala em relação ao anterior! Ás vezes não é preciso. Este episódio não precisava de ter mais do que uma hora. Se excluírmos a chegada de Melisandre e o ataque dos Dothraki, a batalha começa aos 15 minutos! Não precisamos de mil e um planos de tensão de todos os envolvidos, já sabemos que o ambiente é tenso.
  • A série já teve batalhas à noite. Blackwater foi de noite e percebemos perfeitamente o que está a acontecer. Miguel Sapochnik trouxe-nos Hardhome e a Batalha dos Bastardos, não foi por não saber o que estava a fazer. O problema é que é uma batalha tão longa e segmentada, com close-ups constantes, escuridão e nevoeiro… não se percebe a “direcção artística”. A série já mostrou ser capaz de fazer bom CGI de dia por isso nem sequer isso é uma explicação. Teria sido muito porreiro ver uma luta entre dragões, afinal de contas não teremos outra possibilidade, mas só vi vários tons de preto. O episódio chama-se “Long Night” e percebo que a noite induz um medo inerente, mas tudo teria sido melhor como nos foi mostrado na Batalha dos Bastardos.

Estratégia de guerra…

  • Qual foi mesmo a estratégia? Se nos vão dar tanto tempo de batalha, pelo menos ilucidem-nos e envolvam-nos no que está aacontecer. Brienne e Jaime até tiveram uma conversa sobre uma elevação do terrenos no episódio anterior… aquele foi o plano de batalha mais plano que já vi!
  • Nesta “estratégia” de guerra, as catapultas estão na linha da frente…
  • Qual a intenção daquele ataque dos Dothraki inicialmente?! Eles são impulsivos? Verdade, mas Jorah está lá para os comandar. Querem dispensá-los para Dany não os ter contra Cersei? Havia maneiras menos evidentes. Para ser evidente que a ameaça é terrível? Isso já estava mais do que provado!
  • Melissandre precisava de tocar numa espada para a acender, mas não nas outras todas?!
  • Claramente não havia qualquer plano para fazer frente a Viserion. A ideia era ser um dois contra um quando ele aparecesse no céu?
  • Porque é que o primeiro plano de acção não é Dany incendiar logo a primeira embuscada? Porquê a demora? Sim, o Night King podia matar Drogon com mais uma lança, mas é claramente um risco durante toda a batalha!
  • Qual foi mesmo o papel de Daenerys e Jon neste episódio? Planos a mais deles perdidos no nevoeiro. Escondidinhas e apanhada nos céus…
  • Porque é que O NK não usa o Viserion contra a muralha de Winterfell mais cedo. Claramente só precisava de uma passagem…
  • O Night King atira uma lança a Drogon e falha, mas continua com uma lança às costas. Em algum momento mostrou ter mais do que uma?!
  • Os lugares comuns, ou clichés, são-no por uma razão: resultam. Mas isso não faz com que sejam bons de se usar. Sauron, perdão, o Night King morrer e todos morrerem com ele é um deus ex-machina conveniente de mais.
  • Em relação ao ponto anterior, bastava o NK não ter aparecido na batalha para a vitória ser 100% garantida.
  • Concluida a ameaça, digam-me, para que serviram os White Walkers mesmo? Não me refiro ao Night King nem aos wights (zombies), refiro-me aos outros velhotes da boys band. Não foram determinantes para nada nestas oito temporadas, nem sequer se revelaram bons guerreiros já que um morre com Sam e outro com alguma facilidade às mãos de Jon.
  • Temos aquele plano em que Arya faz corrente de ar a um White Walker… Arya nunca teve poderes do Flash e permanece a questão de como conseguiu passar um cerco de wights e White Walkers.
  • Theon atacar em “seco” é só parvo. É tentar dar um “urrah!” de coragem a uma personagem com necessidade de se vindicar. Theon deveria ter atacado como diversão para Arya dar o golpe final.
  • Um dos meus ódios de estimação em The Walking Dead é o facto dos zombies terem velocidades diferentes de acção conforme é conveninente ao enredo. Aqui temos a versão “World War Z” dos zombies, uma espécie de tudo ao molho e fé em Deus… então porque é que quando estes chegam à biblioteca respeitam as regras da sala e não fazem pio? Há tanta gente para matar no pátio, que estão aqueles ali a fazer na paz do Senhor?! E com tanto barulho da batalha, como é que há tanto silêncio no interior do castelo? As pedras têm insonorização de origem?!
  • A morte de Lyanna é fixe e tal… mas os wights não têm qualquer descriminação. Vêem vivos e atacam! Porque é que o gigante interrompe a sua chacina para pegar na pequena Lyanna e se pôr a jeito?!
  • Quantas vezes é que Brienne, Jaime, Tormund e Sam “morreram” na batalha?! Está mais do que provado que é George R.R. Martin o verdadeiro homicida nesta história porque se dependesse dos produtores da série… Numa batalha desta dimensão morrer apenas Theon e Jorah (Edd e Lyanna, são personagens menores) é das coisas mais mágicas do episódio.
  • Desculpem, mas colocar os fracos e vulneráveis numa cripta quando Jon está farto de saber que o NK consegue reanimar mortos não é só estúpido, é querem fazer-nos uma colonoscopia a frio… usando uma mangueira.

Outras coisas que me fizeram comichão no céu da boa…

  • Melisandre é de Essos, viveu uns dois séculos, querem convencer-me que ela não sabe falar Dothraki?!
  • O Night King não deveria ter sorrido para Dany quando esta o tenta incendiar. Durante toda a série ele nunca mostrou qualquer emoção ou reacção, porquê agora?! Não faz sentido.
  • Bran consegue ver o passado e o presente. Só. Esta ideia de ele dar a adaga a Arya e ela a usar para matar o NK é dar-lhe uma espécie de poder de premonição que ele simplesmente não tem. Por falar em Bran, o que estava ele a ver enquanto Theon dava as últimas? Ainda com os corvos?!

Eu não compro aquela teoria de que não é possível a série cumprir as expectativas de todos os fãs ao mesmo tempo. Eu só “exijo” é que a série seja igual a si mesma e fiel ao que as personagens foram até agora. A verdade é que nesta temporada há uma vontade enorme de bater “recordes” e encher o peito de ar, como se houvesse ainda algo a mostrar. Isso foi bastante evidente aqui. Naquela que deveria ser a batalha mais marcante de toda a série, fica em quarto lugar para mim, depois da Batalha dos Bastardos, Hardhome e até Blackwater.

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