Pelos Caminhos de Westeros: King’s Landing e as Cidades Livres

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiato, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os personagens de King’s Landing, as Cidades Livres e o mapa conhecido.

King’s Landing

Varys – Varys é um inteligente e enigmático lorde pertencente ao Pequeno Conselho de King’s Landing e o Mestre dos Segredos para o Trono de Ferro.

É um eunuco, um homem castrado. A maior parte dos eunucos não o são por opção, a maior parte das vezes são escravos. Embora em Westeros seja um acto de castigo, em Essos são muito mais comuns, considerados mesmo escravos populares. Exemplo disso são os Unsullied – exército que Daenerys comanda – que não possuem nem pénis nem testículos, queimados no altar da Lady of Spears – Dama das Lanças, também conhecida como Noiva da Batalha é divindade dos Unsullied. O seu nome verdadeiro só é conhecido por aqueles que queimam a sua masculinidade no altar. Os Unsullied não podem falar dela com outras pessoas.

Descrito como sendo um homem roliço, completamente depilado e efeminado, com mãos suaves e com pó de maquilhagem na cara, gosta de roupas confortáveis, sedas finas com cores berrantes e chinelos suaves que lhe permite andar sem ser ouvido. Embora com maneiras servis, é um homem misterioso capaz de mudar a sua aparência, cheiro e costumes até se tornar irreconhecível.

A sua arte é a espionagem e aperfeiçoou-a de tal modo que tem fama de ser omnipresente. Crucial para o seu negócio é uma rede extensa de crianças que espiam por ele, ao qual denomina de “pequenos pássaros”. Com fama de fornecer informação a ambos os lados, de ajudar inimigos, de incitar guerras e manipular as pessoas para atingir os seus objectivos, é uma pessoa non grata na corte, no entanto diz ser uma pessoa que valoriza a ordem, estabilidade e a paz acima de tudo, prometendo lealdade aqueles que desejam o mesmo.

Embora nada que Varys diga possa ser considerado completamente verdade, afirma que nasceu escravo na Cidade Livre de Lys. Vendido a um grupo de actores que viajava pelas Cidades, Oldtown e ocasionalmente King’s Landing. Durante a estadia em Myr, um homem fez uma oferta por Varys ao seu Mestre que este considerou irrecusável. O homem deu a Varys uma poção que o impediu de mexer e falar, mas que manteve as sensações. Cortou-lhe os genitais e queimou-os num brasão num ritual de magia sangrenta e desde então que Varys odeia tudo que é mágico. Com o ritual cumprido, o homem abandonou-o na rua e quando Varys lhe perguntou o que era suposto fazer agora, o feiticeiro disse-lhe que deveria morrer. Para o contrariar, Varys prometeu sobreviver. Completamente abandonado, recorreu a uma vida de pedinte, prostituição e ladroagem. Tornou-se tão bom ladrão que em breve seria reconhecido como o melhor da cidade e foi obrigado a fugir para Pentos, por ameaça de um rival.

Em Pentos conheceu um mercenário de Illyrio Mopatis que o protegeu e de quem se tornou muito amigo. Juntos criaram um negócio: Varys roubava objectos a outros ladrões e Illyrio revendia-os aos donos originais. Em breve tornaram-se famosos, com os ricos a procurarem-nos em busca de bens roubados e com ladrões a procura-los para lhes roubar a vida, ou lhes vender o produto roubado antes que Varys os tirasse. Escusado será dizer que ficaram ricos com relativa rapidez. Com o tempo Varys percebeu que informação era bem mais valiosa que qualquer objecto e começou a treinar os seus “pequenos ratos” para adquirir cartas e livros de conta dos ricos e poderosos (comprava órfãos que fossem pequenos, rápidos e silenciosos e treinava-os na arte). Este novo negócio fez aumentar a riqueza dos sócios exponencialmente, assim como a sua fama. De tal modo que chegou aos ouvidos do Rei Louco em King’s Landing, nomeando-o para o cargo que ocupa actualmente.

Rapidamente construiu a sua rede local de espionagem e os seus passarinhos foram obrigados a decorar todas as passagens secretas no Red Keep. Os seus achados de traidores aumentaram ainda mais a paranóia do rei: foi ele que alertou Varys para uma eventual intenção de Rhaegar em reunir apoio no Torneio de Harrenhall para usurpar o trono ao pai, obrigando o rei a sair pela primeira vez do Red Keep em anos para assistir ao torneio. Ainda alertou o rei para não abrir as portas da cidade a Tywin Lannister, mas desta vez Varys seguiu o conselho do Grand Maester Pycelle. Quando Robert Baratheon subiu ao poder, a “Aranha” manteve o seu título de Mestre Espião, mas acredita-se que a sua lealdade permanece com a dinastia Targaryen.

Petyr Baelish – Um homem pequeno, de estrutura magra e feições bonitas, Petyr nasceu numa Casa pequena e quase insignificante, os Baelish dos Fingers.

O pai de Petyr era o mais insignificante lorde de um punhado de lordes que dominavam a mais pequena porção de terra dos Fingers. No entanto tornou-se grande amigo de Hoster Tully durante a Guerra dos Ninepenny Kings, o que levou a que Petyr fosse recebido na corte de Riverrun e educado juntamente com as outras crianças Tully. Foi Edmure quem lhe deu o apelido de “Littlefinger” pela sua estatura e origem. Com os anos apaixonou-se por Catelyn, num amor não correspondido, e quando Brandon Stark ia casar com a sua prometida, Petyr desafiou-o para um combate. Foi humilhantemente derrotado e só sobreviveu porque Cat suplicou pela sua vida.

Já Lysa estava loucamente apaixonada por Baelish e numa noite em que este estava bêbado e em sofrimento pelo rejeite de Catelyn, Lysa deitou-se na sua cama. Dessa noite resultou a gravidez de Lysa. Quando Hoster Tully descobriu obrigou Lysa a beber o Chá da Lua para abortar e baniu Petyr de Riverrun, já que a família Baelish era demasiado insignificante para casar com uma Tully.

Lysa e Petyr mantiveram o contacto e a Tully convenceu o seu novo marido a dar o controlo da alfandega em Gulltown, no Vale de Arryn, a Petyr. Foi tão bem sucedido nas finanças que subiu ao posto de Mestre da Moeda no Pequeno Conselho sob o reino de Robert Baratheon. A sua influência cresceu e comprou muitos bordeis por toda a cidade.

Petyr passou grande parte da sua vida de adulto a lutar contra o seu baixo estatuto, desejando poder. Dono de uma considerável aptidão para o comércio e moeda, e um mestre em intrigas da corte, o seu brilhantismo só é equiparado à ambição e capacidade em antever movimentos políticos. Muitas vezes menosprezado por outros lordes, Petyr faz questão em lhes provar o quanto estavam errados.

Barristan Selmy – É o mais próximo de um herói dos tempos modernos em Westeros. Considerado por muitos um guerreiro sem igual, esteve presente em quase todos os momentos de batalha na história recente, sendo reconhecido pela sua valentia em todos eles. Quando a série começa já tem 60 anos, mas mantém a sua postura forte e a mesma destreza da juventude.

Filho de Lyonel Selmy, cavaleiro de Harvest Hall nas Stormlands, entrou no seu primeiro torneio aos 10 anos, em Blackhaven. Fazendo-se passar por um cavaleiro misterioso, todos se riram da sua pequena estatura excepto o príncipe Duncan Targaryen que lutou com ele. Foi nomeado cavaleiro aos 16 após derrotar o mesmo príncipe e o Lord Commander da Kingsguard em King’s Landing. Após lutar na Guerra dos Ninepenny Kings e ter morto Maelys o Monstro foi nomeado para a Kingsguard, com 23 anos. Com o juramento abdicou do seu título e da noiva que lhe estava prometida.

No torneio de Harrenhal ficou impressionado com a beleza de Lady Ashara Dayner, irmã do famoso cavaleiro Arthur Dayne (Espada do Amanhecer), embora soubesse que nunca poderia acontecer nada entre eles devido ao seu voto. Planeava nomea-la Rainha da Beleza e do Amor caso vencesse mas foi derrotado pelo príncipe Rhaegar que nomearia Lyanna Stark como Rainha. Selmy culpa-se de não ter vencido o Torneio e assim evitado os eventos que levaram à Rebelião de Robert.

Durante a Rebelião lutou na Batalha dos Sinos do Tridente do lado dos Targaryen, onde ficou gravemente ferido. Apesar do próprio Robert ter também ficado com lesões da batalha, e contrariando a opinião dos seus conselheiros, mandou que os seus Maesters atendessem primeiro Barristan. Robert admirava-o tanto que apesar de ter lutado no lado do inimigo, lhe concedeu o título de Lord Commander da Kingsguard. Barristan não aprovou que Jaime Lannister continuasse a servir a guarda real por aquilo que fez ao Rei Louco. Selmy tinha reservas morais sobre servir o Usurpador, mas fê-lo lealmente na mesma. Recorda no entanto ver Robert a sorrir quando Tywin Lannister lhe apresentou os corpos dos filhos de Rhaegar e Selmy odeia ver mortes de crianças.

Durante a Rebelião Greyjoy liderou o ataque a Old Wyk e manteve toda a sua proeza de combatente com o passar dos anos. Venceu um torneio em King’s Landing com 57 anos ao derrotar Sandor Clegane.

Sandor Clegane – Irmão mais novo do actual Lorde Clegane, Gregor, tem a alcunha de “The Hound” pela sua natureza selvagem e obediência inquestionável aos seus mestres. Considerado um dos mais perigosos lutadores em Westeros, Sandor é, à semelhança do irmão, um homem enorme e muito musculado.

Na infância viveu à sombra do irmão Gregor e da sua brutalidade. Quando tentou brincar com um brinquedo que o irmão mais velho não queria, este colocou a sua cara num brasão quente, queimando toda a face do lado direito. O pai disse que as queimaduras se tinham devido ao facto da sua cama ter pegado fogo. Desde então Gregor odeia fogo, o seu irmão e a hipocrisia do título de cavaleiro em geral. No dia em que o seu pai morreu num acidente de caça misterioso e Gregor herdou a Casa Clegane, Sandor jurou lealdade aos Lannister e mudou-se para Casterly Rock.

Grand Maester Pycelle – Pycelle é o Grande Mestre da Cidadela e o representante máximo da ordem em King’s Landing.

Pycelle forjou a sua corrente durante o reinado de Maekar I e há 40 anos que é o Grand Maester dos Sete Reinos, servindo um total de cinco reis. Apesar de servir o reino, a sua lealdade cai sobre os Lannister, prova disso é que convenceu o Rei Louco a abrir os portões de King’s Landing para que Tywin a conquistasse e tem protegido os interesses da família enquanto serve no pequeno conselho.

Syrio Forel – Um mestre de esgrima que no dia em que o First Sword de Braavos morreu, o regente da cidade mandou-o chamar. Quando questionado sobre o gato que repousava no colo do regente, que afirmavs ser de uma terra distante, Syrio contrariou-o e disse que já viu muitos gatos como aquele nos becos de Braavos. Por Syrio ter reconhecido a realidade, foi nomeado para o Cargo de First Sword de Braavos. É um mestre na arte de combate denominado de “Dança da Água”.

Ros – Ros é uma prostituta dos arredores de Winterfell, e teve casos com Theon Greyjoy e Tyrion Lannister. Ao contrário da quase totalidade das personagens, Ros não aparece nos livros de George R.R. Martin, apenas na série de televisão. No entanto, ela é um conjunto de outras personagens, como a “prostituta ruiva”, Chataya e Alayaya. GRRM disse que deverá incluir Ros nos livros, como cameo.

Ilyn Payne – Comandante da guarda de Tywin Lannister quando este era Mão do Rei. Quando o Rei Louco soube que ele tinha dito que o Lord Lannister era o real regente do reino, Aerys II mandou cortar-lhe a língua pelo comentário. Como prenda de casamento de Robert, Payne é nomeado executor real, responsável pela execução dos prisioneiros. Arte que aperfeiçoou com mestria. Devido à sua postura e silêncio, muitos consideram-no aterrador. Diz-se que vive apenas para matar.

Janos Slynt – Filho de um talhante, Janos é líder da Casa Slynt e Comandante da City Watch de King’s Landing. Capitão do Iron Gate, um dos sete grandes portões da capital, subiu de posto após a morte de Manly Stokeworth. Durante o seu “reinado” nos Gold Cloaks ficou conhecido por aceitar subornos e vender promoções. Numa altura em que metade dos seus oficiais lhe davam partes do salário, Jon Arryn conseguiu encontrar dois homens que testemunhassem contra ele. Apareceram mortos pouco tempo depois. Segundo Stannis Baratheon, Slynt mantém o seu posto por apoio de Littlefinger, que também lucra com os “negócios” do Comandante.

Beric Dondarrion – A Casa Dondarrion serve os Baratheon há séculos e Beric participou no Torneio da Mão, que celebrou Ned Stark como novo Mão do Rei e é derrotado por Thoros de Myr. Permance em King’s Landing Ned Stark odena-lhe que capture Gregor Clegane, acusado de crimes contra o reino por distúrbios nas Riverlands após a captura de Tyrion. Apesar de já ter sido “morto” algumas vezes, tem sido ressuscitado por Thoros de Myr e tornou-se líder de um grupo de bandidos conhecidos por Irmandade Sem Bandeira. Na primeira temporada é representado por David Michael Scott, mas na terceira temporada é Richard Dormer que lhe dá vida.

The Kingsguard – Também conhecidos como “White Swords” ou “White Cloaks” são os guarda-costas reais. Supostamente são os melhores cavaleiros dos Sete Reinos e juram proteger o rei e a sua família com as próprias vidas, obedecer as suas ordens e guardar os seus segredos. São proibidos de possuir terras ou formar família. A ordem foi criada por Aegon Targaryen e era historicamente constituída por sete cavaleiros. A sua história é narrada no Livro dos Irmãos, onde cada membro ao longo dos tempos teve direito a uma página para escrever a sua própria historia. O título de Lord Commander é escolhido pelo rei, quer por senioridade ou habilidades como guerreiro.

Marillion – É um musico habilidoso, atraente e vaidoso de apenas 18 anos. Fez muito dinheiro com a sua arte durante o Torneio que celebrava o décimo segundo Name Day de Joffrey, mas perdeu tudo quando apostou em Jaime Lannister para vencer o confronto com Loras Tyrell. Cruza caminhos com Catelyn Stark na estalagem de Crossroads e viaja com ela quando leva o Tyrion para o Eyrie. Na série de televisão é Marillion aparece na presença de Joffrey por ter cantado uma canção sobre Robert Baratheon, onde afirma que os Lannisters são culpados pela sua queda. Joffrey diz para ele escolher se quer ficar sem dedos ou sem língua e como o músico não escolheu, Sir Ilyn Payne corta-lhe a língua. Nos livros isto acontece a um outro cantor de taverna.

Mapa Mundi

Depois de vermos com pormenor cada local de Westeros e de abordarmos algumas zonas de Essos, falta o restante território. Enganem-se aqueles que pensam que a Saga do Gelo e do Fogo tem apenas dois continentes. Embora a acção decorra maioritariamente em Westeros e tenhamos a história de Daenerys em Essos, o mundo é ainda maior. Vamos então conhecer melhor Sothoros e Ulthos.

Westeros: Localiza-se no canto Oeste do mundo conhecido, tem o seu ponto mais a Norte bem junto ao “Polo Norte”, estende-se para Sul ao longo de quase cinco mil km e tem cerca de 1500 km de Este a Oeste no ponto mais largo. A servir de fronteira com as zonas gélidas temos a Muralha (com quase 500 km de largura). O Continente separa-se então em nove regiões: o Norte da Muralha, o Norte, as Riverlands, o Vale, as Iron Islands, as Westerlands, o Reach, as Crownlands (onde se localiza King’s Landing), as Stormlands e o Dorne.

A nível climático varia do gélido ambiente nas Terras do Inverno Constante a Norte (que impossibilita que o território seja devidamente cartografado), aos desertos áridos do Dorne a Sul. A nível de estações, é bem diferente do mundo real. Normalmente cada estação prolonga-se durante dois anos cada, mas pode variar muito. Os Maesters tentam fazer essa previsão (para ver a melhor altura para as colheitas), mas devido à natureza aleatória das temporadas é difícil. No início de “Game of Thrones”, o Continente está no final de um bizarro longo Verão que se prolonga há dez anos, fazendo prever que se avizinha um longo e duro Inverno, com os dias mais curtos. George R.R. Martin afirmou que a irregularidade das estações tem como base a magia e a natureza dela será revelada no final da saga.

Essos: É o maior Continente do mundo, perto do tamanho da Eurásia. Separado de Westeros pelo Narrow Sea, Essos estende-se para Este por vários milhares de quilómetros. Limitado a norte pelo Shivering Sea e a Sul pelo Summer Sea, a zona Oeste é controlada pelas nove Cidades Livres, outras cidades-estado controlam a Baía dos Escravos no canto Sul e a grande maior parte do terreno interior, conhecido como o Mar Dothraki, é governado pelos guerreiros tribais Dothraki. Mais a Sudeste temos a cidade Qarth, banhada pelo Mar de Jade. A parte mais Este é inexplorada e denomina-se de Shadow Lands, onde se encontra a cidade portuária de Asshai. Illyrio Mopatis diz que os três ovos de dragão que oferece a Daenerys no casamento com Khal Drogo são originários das Shadow Lands, para lá de Asshai (de onde se acredita que os dragões são originários).

Embora tenha o mesmo tipo de estações que Westeros, sofre muito menos variações climáticas. A zona Oeste tem um clima mais tropical e à medida que nos dirigimos para Sul fica mais seco e árido. O Mar Dothraki é caracterizado por vários quilómetros de prados e à medida que nos aproximamos de Yunkai, Astapor e Qarth a terra torna-se desértica e infértil. A Sul, onde se encontra Volantis e onde o império de Valyria floresceu, o clima é mediterrânico. A dividir a zona Oeste do Continente (mais familiar para o povo de Westeros) do Este, estão as Bone Mountains.

Sothoryos (ou Sothoros): Relativamente desconhecido, o Continente encontra-se a Sul de Essos, no lado Este do Summer Sea. Um grande continente formado por desertos e selvas que se acredita ser lar de animais perigosos e pragas.

Não foi explorado para além da zona costeira mais norte, onde se encontram as cidades em ruína de Zamettar, Yeen, Gogossos e Gorosh. Denomina-se de Ponto Wyvern à zona mais Nordeste do Continente. A Sul da antiga Península de Valyria encontram-se muitas ilhas (Ilha das Lágrimas, Ilha dos Sapos, e as Ilhas de Basílisco, etc). Diz-se que nas selvas de Sothoryos há animais únicos, entre eles, um tipo de macacos peludos…

Ulthos: É um Continente localizado bem para lá de Asshai e das Shadow Lands, a Este de Sothoryos. Saffron Straits é o nome que se dá à passagem que limita o Mar de Jade, onde se localiza Asshai. A Norte de Ulthos encontra-se a ilha de Ulos.

Não se sabe praticamente nada sobre este pedaço de terra, apenas a sua localização e que é coberto por uma densa floresta. Ulthos não é mencionado na Saga do Gelo e do Fogo, apenas aparece na colecção extra de mapas “The Lands of Ice and Fire”, editada em 2012 e desenhada pelo cartografo Jonathan Roberts, com aprovação de George R.R. Martin.

O autor faz questão de salientar que os mapas não pretendem ser fidedignos. A ideia é que representem o conhecimento que os Maesters da Cidadela têm do mundo, assim como os monges da era medieval descreviam o continente asiático, por exemplo. O próprio Martin não tem tudo delineado sobre este mundo: referiu há uns anos que a acção se desenrola numa suposta “Super-Terra” e mais recentemente que tudo acontece no planeta Terra, mas numa outra dimensão…

Seja de que maneira for, estes mapas só vêm aumentar o nível de detalhe que é “impresso” a este mundo, muito para lá do que seria necessário para contar a história, dando asas a uma grande quantidade de especulação.

As Cidades Livres

Entende-se como Cidades Livres, as nove Cidades Estado localizadas ao longo da costa Oeste de Essos: Braavos, Lorath, Norvos, Pentos, Qohor, Myr, Tyrosh, Lys e Volantis.

Após o Doom, a calamidade que acabou com o Freehold de Valyria e o seu domínio em Essos, seguiu-se o período conhecido como “Century of Blood” ou “Bleeding Years”. Uma altura de caos que durou um centenário em que as colónias de Valyria se separaram e se lançou a confusão. As nove Cidades foram criadas e declaram guerra entre si.

Delimitadas pelas montanhas a Este, pelo Shivering Sea a Norte, pela Baía dos Escravos a Sul e o Narrow Sea a Oeste, as Nove têm diferenças entre si a nível geográfico (as florestas densas de Qohor, as colinas de Norvos, as pequenas ilhas de Braavos) mas todas partilham a origem ancestral de serem colónias de Valyria (excepto Braavos). Algumas evoluíram individualmente para diferentes culturas (Braavos) e outras mantiveram rituais mais ancestrais (Pentos e Myr). Embora em todas se fale Valyriano, o dialecto ramificou-se para quase nove dialectos independentes.

As Disputed Lands é uma região do continente de Essos que é contestada pela cidade de Myr, Tyrosh e Lys desde a queda de Valyria. Governada e devastada por pequenas guerras, mercenários são contratados pelas diversas cidades para lutarem pelo seu controlo.

Braavos: A única cidade que não era uma colónia de Valyria, mas um refúgio daqueles que fugiam à expansão. Fundada 500 anos antes do Desembarque de Aegon em Westeros, a cidade permaneceu um segredo durante 400 anos e é muitas vezes denominada de Filha Bastarda de Valyria. Composta por muitas pequenas ilhas, é conhecida pelos seus homens fanfarrões, pela Liga de Assassinos (Homens Sem Face) e o Titã de Braavos, uma estátua fortificada que serve de farol e se localiza na entrada do canal que dá acesso à cidade. A maior e mais poderosa das Nove é governada por um Sealord, já que é do mar que todo o poder e riqueza vêm. A cidade em si é formada por cerca de 100 ilhas ligadas entre si com pequenas pontes de pedra. Não são vistas quaisquer árvores e tem uma aquitectura à base da pedra e granito. Existe um enorme aqueduto que fornece água potável à cidade, dois portos (um para os locais e outro para comércio externo), a Ilha dos Deuses (em que todos os Deuses podem ser venerados) e o Banco de Ferro de Braavos, que empresta dinheiro a outras nações, incluindo Westeros. Syrio Forel é um Bravoosi conhecido e praticante de uma arte de espadachim única da cidade, a Dança da Água.

Pentos: Contém o maior porto da costa Oeste do Continente. Formada por torres de tijolo, é liderada por um príncipe escolhido pelos líderes da cidade, conhecidos como magistrados. Os homens usam barbas pintadas e pontiagudas e, tal como em muitas Cidades Livres, a escravatura é ilegal. Mas os mais ricos e poderosos membros da cidade têm a capacidade de “contornar” estas leis ao manter servos. Os Khalasars ocasionalmente passam na região, mas não fazem pilhagens nem invasões a troco de tributos da cidade ao Khal. Varys, Illyrio Mopatis são dois Pentoshis conhecidos.

Lys: É outra cidade que se encontra rodeada por uma série de ilhas e é das mais densamente populacionais. Os Lysene têm tendência a ser altos, com pele mais clara do que os restantes habitantes das Cidades Livres. Famosa pelas suas casas de prazer, treino de escravos na arte do amor para a venda como concubinas. Salladhor Saan (pirata amigo de Davos) e Doreah são Lysenis conhecidos. Também Varys foi escravo em Lys.

Qohor: A cidade mais a Leste das Nove. Reconhecida pela sua tapeçaria e ferreiros, donos da rara capacidade em reforjar aço valyriano, conseguindo dar varias cores ao material. A Cabra Preta é a divindade proeminente numa cidade protegida pelos Unsullied desde a Batalha dos Três Mil, quando três mil Unsullied defenderam a cidade frente a 25 mil Dothraki.

Norvos: A cidade está dividida em duas partes, uma no cimo de uma alta colina (alta sociedade) e outra no leito de um rio. Contém três grandes sinos (Noom, Narrah e Nyel), cada um com som diferente. A área circundante é formada por colinas, campos de cultivo e aldeias de estuco branco. Os Nervosi podem ser reconhecidos pelos seus bigodes pintados e orientados para cima e são governados por um conselho de magistrados. Norvos é também conhecida por uma Ordem de padres barbudos que treinam guardas de elite. Estes guardas fazem juramentos de dever e consideram-se casados com os seus longos machados.

Myr: A cidade costeira de Myr é reconhecida pela sua tapeçaria. Os Myrmen, de pele e olhos escuros, têm um sistema semelhante as Norvosi e Pentoshi, já que são governados por magistrados e pagam contributos aos khalasar. Um centro de comércio onde há trocas variadas, de escravos a vinhos verdes. Thoros, padre de R’hllor e fundador da Irmandade Sem Bandeiras é de Myr.

Tyrosh: A mais ocidental das Cidades é governada por um Archon e é famosa pela avareza. Comercializando escravos e aguardente de pêra, a cidade abunda em casas de prazer, embora não tão famosas como as de Lys. Para além de ser casa de ferreiros capazes de construir armaduras fantásticas, capacetes ornamentados e engenhosas máquinas de tortura é também um centro popular para a contratação de mercenários. Tyrosh é uma das cidades envolvidas na luta pelas Disputed Lands e são conhecidos pela ganância. Os Tyroshi gostam de pintar o cabelo e a barba com cores brilhantes. Daario Naharis, a nova personagem da terceira temporada, é originário daqui.

Volantis: A cidade mais Sudeste das Nove situa-se perto da Baía dos Escravos e faz muito comércio de pessoas, vinhos e objectos de vidro. A mais antiga e orgulhosa das Nove é governada por um conjunto de três regentes e os mercenários Volantenes são facilmente reconhecidos pelas suas tatuagens faciais (proibidas em escravos). Diz-se que a sua baía é tão vasta que conseguia conter totalmente as ilhas de Braavos. A Black Wall é uma fortificação oval com 60 metros de altura que protege a zona mais alta e antiga da cidade. Construída nos tempos de Valyria, organizam-se lá corridas de carruagens celebrando a fundação da cidade. Nenhum estrangeiro é permitido no seu interior a não ser por convite. Apenas os Old Blood, os que conseguem traçar a sua linhagem até Valyria, podem viver dentro do perímetro. Tem ainda um templo dedicado ao Lord of the Light que tem quase três vezes o tamanho do Grande Septo de Baelor em King’s Landing, uma estalagem que rivaliza com muitos castelos de Westeros e uma enorme ponte que liga as duas partes da cidade sobre o rio Rhoyne. No centro da ponte são exibidos as mãos dos ladrões e as cabeças dos condenados executados.

Lorath: A vizinha de Braavos é a menos mencionada das Cidades Livres. Jorah Mormont acredita que é insignificante a nível monetário e a cidade nunca é mencionada na descrição dos conflitos entre as outras cidades. Há uma possibilidade de Jaqen H’ghar ser Lorathi, mas não há maneira de confirmar se é realmente a sua origem verdadeira.

Quarth

“Qarth é a maior cidade que já existiu e que irá existir”

Pelo menos, é nisto que acreditam os locais desta incrível cidade no Sul do Continente de Essos. Com a Great Moraq a Sul, o deserto Red Waste a Noroeste, as Bone Mountains a Nordeste, banhada pelo Mar de Jade e a Este de Meereen, Astapor e Yunkai, é um centro de comércio entre o Este e o Oeste. Fazendo a ligação entre Westeros, as Cidades Livres, a Baía dos Escravos e as distantes Asshai e Yi Ti não é de admirar que seja considerada o centro do mundo. A riqueza demonstrada na arquitectura é prova disso e quando Daenerys entra na cidade não consegue negar a sua magnificência. Os edifícios têm coloração rosa, violeta e umbra, estátuas de bronze, fontes de água na forma de criaturas fantásticas e estradas com arcos de bronze decorados com pedras preciosas embelezam ainda mais a paisagem.

A cidade tem um dos maiores portos do mundo, cheio de cores e inúmeros cais de pedra. Rodeada por três espessas muralhas de nove, dez e onze metros de altura, respectivamente: a primeira feita de arenito e gravada com imagens de animais, a segunda de granito cinzento e com imagens de guerra e heróis e a terceira, e a mais alta e interior, com imagens da arte do sexo e amor. As muralhas são uma das Nove Maravilhas construídas pelo Homem (segundo o livro “Wonders Made by Man” de Lomas Longstrider, um famoso viajante de origem desconhecida – outras Maravilhas são as Estradas de Valyria, o Titã de Braavos e a Muralha). Em cada uma há um portão: de cobre, ferro e a mais interna com olhos feitos de ouro. As muralhas não são usadas em defesa da Cidade há séculos, mas permanecem imponentes representando o poder da cidade.

– A cidade assume abertamente a escravatura. Xaro diz mesmo que é essencial para a sua civilização, já que “para alguns homens serem grandes, outros têm de ser escravos”.

– Alguns barcos de especiarias podem ser tão grandes como palácios.

– O povo Qartheen é alto e de cor pálida (os Dothraki chamam-lhes de “Homens de Leite”). Orgulham-se da sofisticação e consideram que chorar em alturas de grande emoção é um sinal de civilização. As mulheres usam vestidos que expõem um seio (nos livros Dany adopta esta tradição) e os homens usam saias de seda. Sentam-se em almofadas no chão e os mercantes usam joalharia no nariz.

– Qarth é casa de uma liga de assassinos conhecidos como Sorrowful Men, porque sussurram “Lamento” antes de matarem as suas vítimas. Os Qartheen são, de facto, muito educados…

– Nos casamentos, os noivos mantém as suas posses individuais, mas cada um pede um objecto ao outro, que não pode ser negado, e que passa a ser seu depois da cerimónia. É visto como um sinal de devoção.

A cidade é governada pelos Pureborn, ou Enthroned, descendentes dos reis antigos de Qarth que governaram a cidade desde o Hall of a Thousand Thrones (uma sala com vários tronos enormes, incrivelmente trabalhados e dotados de pedras preciosas, tentando cada um ser mais imponente que o próximo). Os Pureborn são ainda responsáveis pela guarda da cidade, onde se inclui a Civic Guard e uma frota enorme. Para além de ser casa dos Warlocks (dos quais falarei na próxima edição), existem três grandes grupos de comerciantes que lutam com os Pureborn pelo controlo da cidade: os Thirteen (formada por treze membros, onde se inclui Xaro Xhoan Daxos), a Ancient Guild of Spicers (controlam cerca de 1300 barcos e segundo Xaro são um grupo de fanfarrões enganadores) e a Tourmaline Brotherhood (controlam 800 barcos e também segundo Xaro são um bando de piratas). Os Pureborn são famosos por envenenarem o vinho daqueles que consideram perigosos e a sua avareza é lendária. Os mercantes dizem que “é mais fácil ordenhar a Vaca de Pedra de Faros que tirar ouro a um Pureborn”. Para ter uma audiência com os Pureborn, uma pessoa tem de fazer um sacrifício no Temple of Memory, oferecer um suborno ao Keeper of the Long List e enviar um tradicional diospiro ao Opener of the Door… se tudo correr bem, a pessoa receberá uns chinelos azuis, significando que a audiência foi concedida.

Free Folk

Entende-se como Free Folk (Povo Livre), a raça de pessoas que vive para lá da Muralha, mais conhecidos como wildlings.

Estima-se que haja dezenas ou até centenas de milhares divididas entre culturas, tribos, clãs, aldeias e nómadas. Alguns são mais cultos, outros puramente selvagens. Auto designam-se como Povo Livre para se diferenciarem dos que “se ajoelham e subjugam a lordes e réis”. Vêem os sulistas como povo que não conhece a verdadeira liberdade e ao invés, são vistos como sem-lei, primitivos, assassinos, violadores e ladrões.

Tudo começou com a construção da Muralha e esta acaba por definir o povo. Quando foi construída, quer por decisão própria ou por ordem de exílio dos reinos sulistas, a Muralha criou um isolamento entre este povo e o resto de Westeros. Assim mantêm-se um livres de estados, nobres e seguem apenas as leis e o rei que desejam seguir. Embora muitas tribos estejam em constante estado de agressão, defendem que a palavra de honra é muito importante. Acreditam que os deuses criaram a Terra para que todos pudessem partilha-la e quando os réis vieram, com as suas espadas, roubaram a Terra e a liberdade.

É seguro dizer que desde a construção da Muralha não houve avanços tecnológicos nem grandes alterações ao modo de vida. Carregam o que podem, mantêm o que conseguem defender e matam o que precisam. Raramente vivem em grandes aglomerados e não existem leis de propriedade. O mais perto que houve de existir uma cidade propriamente dita foi Hardhome, a Noroeste da Muralha. Há 600 anos uma inexplicável calamidade arrasou a cidade durante a noite. Há quem diga que tudo ardeu em chamas tão grandes que eram visível da Muralha, há quem diga que todo o povo foi levado como escravo, há quem defenda que cinzas caíram do céu durante meio ano após o fogo. Teorias à parte, o mais provável é que a devastação tenha sido causada por uma erupção vulcânica, tal como o Doom de Valyria, ou Pompeia no Império Romano. Ainda hoje é possível ver-se as ruínas e a terra não foi mais habitada, dando origem a mitos de monstros, demónios e fantasmas que lá habitam.

A nível de idiomas, e embora haja muitos, o dos First Men é comummente falado por todo o lado. Aliás, o Povo Livre não odeia os Nórdicos que vivem a sul da Muralha, pelo menos não tanto como os “corvos” da Night’s Watch que a guardam e que representam os “guardas prisionais” que os mantêm para lá da Muralha. O Free Folk não perdoa a vida a nenhum corvo, a não ser que eles quebrem o juramento e o provem. No entanto, os dois grupos não são totalmente independentes, já que alguns “irmãos” perdidos já foram ajudados Além da Muralha e alguns filhos do Povo Livre foram aceites para serem criados como membros da Night’s Watch.

No espírito de liberdade, as mulheres podem pegar em armas e lutar lado a lado com os homens. Denominam-se de spearwives e são tão ferozes e capazes como os companheiros. No casamento é esperado que o homem seja duro com a mulher, ao ponto de a roubar do clã a que pertence. Um homem pode roubar as filhas, mas não as mulheres de outro homem. Já às mulheres é esperado que dêem sempre luta e acredita-se que um verdadeiro homem roubará sempre uma mulher que consiga fortalecer mais o seu próprio clã.

Em Westeros identifica-se sete wanderers (vagabundos) no céu. Estrelas que viajam (planetas) e que a religião dos Sete considera sagrados, atribuindo a cada um deles uma face do seu Deus. Quando o wanderer vermelho (provavelmente Marte) se encontra numa certa constelação (Moonmaid), é um tempo propício para um homem roubar uma mulher. Embora longe da cordialidade do reino de Westeros, estes costumes assumem a força e determinação do homem e a independência e capacidade de defesa da mulher para lá da Muralha. Diz-se que as mulheres que casam com parentes ou membros do mesmo clã estão a ofender os deuses e serão amaldiçoadas a ter filhos fracos e doentes. Como a mortalidade infantil é alta em ambiente tão hostil, é considerado azar dar-lhe um nome antes dos dois anos. É dado um nome temporário ou então uma alcunha entretanto.

“Invadir” o Sul é uma grande parte da cultura deste povo. Desde os doze anos que tentam escalar a muralha ou então atravessar a Bay of Seals em pequenos barcos. A escalada pode durar quase um dia e muitas vezes os Rangers encontram corpos caídos junto à muralha, fruto de tentativas falhadas. Para escalar usam escadas gigantes de linho, botas de pele com pontas de ferro ou osso, martelos de cabeça de pedra e estacas de ferro. Com o passar das décadas, e com o enfraquecimento da Night’s Watch, estas tarefas tornaram-se mais fáceis e atrevem-se a pilhar cada vez mais a Sul (por vezes até à Bear Island) ao invés da habitual área entre a Muralha e 250km a Sul conhecida como Gift, protegida em parceria por Winterfell e Night’s Watch. A pilhagem inclui armas, peles e qualquer coisa de valor que consigam encontrar, até mulheres.

A maioria do Povo Livre ainda usa armas forjadas de pedra, madeira e bronze, lanças e arcos de madeira e corno. Não fazem minério nem fundição e há poucas forjas a Norte da Muralha. As únicas coisas de metal que usam são pedaços de armaduras de Rangers que matam. Vestem peles e usam escudos redondos com figuras desenhadas, como caveiras, ossos, serpentes, garras de urso, caras demoníacas e cabeças decapitadas. Os cavalos são escassos. Os Thenn são os mais bem armados, com capacetes, machados, armaduras e escudos com bronze.

Os Thenn reclamam ser os últimos First Men e são liderados por um lorde, um Magnar, que é visto mais como um Deus entre o seu clã. Como têm outros lordes e leis, são vistos como mais civilizados. Fazem mais negócio com os Gigantes do que quaisquer outros homens e são lutadores selvagens, mas a crença em Magnar torna-os mais obedientes e disciplinados que o resto do Povo Livre.

Os Gigantes têm mais de três metros e são extremamente fortes, ao ponto de dobrar as barras de ferro dos portões. Estão cobertos de pelo, mais na zona inferior do corpo, e têm uma cabeça projectada para a frente em relação aos ombros. Dotados de uma visão fraca, baseiam-se mais no olfacto e têm braços maiores que as pernas, não existindo diferenças físicas entre machos e fêmeas. Montam mamutes como se fossem cavalos, usam um bastão (toros) como arma e falam Old Tongue, a língua dos First Men. Acredita-se que já houve muitos mais gigantes, mas foram caçados por homens e expulsos para o extremo norte. Actualmente existem apenas algumas centenas.

As Cidades Livres por Jorah Mormont

“No seu auge, o Freehold de Valyria controlava metade do mundo conhecido. Nada mau para antigos pastores. Mas o Doom caiu sobre eles e afundou a sua capital no mar. Agora Volantis é a brasa da antiga Valyria, garantindo que a sua chama não desaparece deste mundo, como qualquer volantine lhe dirá. Os pentoshis dizem o mesmo sobre Pentos, os lysenis sobre Lys, e assim por diante. Mas após tempo suficiente nas nove Cidades Livres, é difícil vê-las como algo além de cinzas da glória. Volantis é a mais antiga, a primeira colónia de Valyria. Após o Doom, os volantines tentaram reconstruir o império sob seu comando. Falharam. Também porque o último valyriano com dragões, Aegon Targaryen, entrou em guerra com eles. Agora estão contentes em dominar somente as suas classes mais baixas. Ou assim eles dizem.

Braavos é a mais estranha. Uma cidade erigida não pelo Freehold mas contra ela. Um labirinto de ilusão ara esconder os refugiados dos escravistas de Valyria. Após o Doom, a cidade emergiu das sombras para se tornar um dos maiores centros bancários do mundo. Pode-se ter tudo em Braavos, por um preço, especialmente a morte. A sua, se ofender um dos espadachins que poluem a cidade ou, se for muito rico, ou muito desesperado, a de qualquer outro.

Lys é a mais tranquila das Cidades Livres, ceia de casas do prazer para todos os gostos, não importando o quão peculiares. Muitos homens perdem-se em Lys e nunca são encontrados, ao menos vivos. Quando um homem fica sem dinheiro, os lysenis podem-lhe dar a sua outra especialidade, como cortesia, veneno.

Pentos é a mais brutal. OS magistrados dão um show ao escolher o principie de Pentos nas grandes famílias e concedendo-lhe os poderes do comércio, da justiça e da guerra. Desde que confira com eles primeiro. No Ano Novo, para trazer boa sorte a Pentos, o príncipe deve deflorar a Donzela dos Campos e a Donzela dos Mares. Devo confessar que não sei como são escolhidas, ou o que é feito delas após servirem o objectivo, mas se a colheita for ruim, ou a guerra for perdida, os magistrados cortarão a garganta do príncipe e escolherão outro.

As outras Cidades Livres são conhecidas pelo que produzem. Myr pelas suas lentes e objectos finos. Norvos pelos seus machados. Qohor pelos seus ferreiros que podem reforjar aço valyriano. Tyrosh pelas suas cores. De certeza que Lorath dá algo ao mundo, mas não me lembro agora… Francamente, as nove são mais próximas entre si do que admitem. Contratam os mesmos soldados para lutarem as mesmas guerras, para os mesmos governantes, os ricos. Mas são chamados magistrados, arcontes ou o que preferir. Quando um khalasar Dothraki se aproxima, dão o mesmo tributo para evitar o mesmo saque. Por milhares de anos, os desgraçados de Westeros têm saído do leste para encher as Cidades Livres, em que um homem de honra não vale nada a menos que aumente o seu preço. Homens melhores que eu aprenderam que o que um homem vende por ouro não consegue comprar de volta. Deve ganha-lo pelo fogo e pelo sangue.”

Qarth por Xaro

“Qarth sempre pertenceu aos Qartheens. Nunca fomos parte do império de Valyria nem caímos numa horda Dothraki. Os nossos muros e o Deserto Vermelho lá fora protegem-nos de tal perturbação. Muitos chamam o acesso à nossa cidade de Jardim dos Ossos. Ele precisa de poucos cuidados para crescer…

A nossa cidade, no entanto, seria um prémio para qualquer império. Qarth abrange dois mundos: um Oeste mesquinho e curioso e um leste misterioso e rico. As maravilhas de Yi Ti e Asshai passam pelos nossos mercados e dividem instalações com os ricos das Cidades Livres e Westeros. Os nossos portos realizaram muitos dos sonhos de um comerciante. Quase tantos quanto os que eles destruíram. Chamamos a Qarth a “melhor cidade que já existiu ou existirá”. Uma afirmação fácil de se fazer se alguém conhece apenas as docas e alfandegas das nossas outras cidades. Uma mentira fácil de se engolir se as pessoas virem apenas o ouro e as joias dos seus governantes, as quais nós, os Treze que governam a cidade, cuidadosamente garantimos.

Os orgulhosos Qartheens livraram-se da subjugação de reis injustos há muito tempo, ou assim contam os Pureborn em festivais, os descendentes directos do rei que têm controlado os Treze desde então. Apenas agora, ao invés de ceptros, eles usam navios. Um comerciante apenas permanece entre os Treze até que os outros não tenham mais medo de nega-lo ou tenham medo demais de negar a sua substituição.

Excepto para os Warlocks, só eles mantêm um lugar hereditário. Uma relíquia de quando tinham poderes, ou pelo menos quando o mundo era mais jovem e mais facilmente ludibriado. Com o passar dos anos desenvolvemos um “entendimento” com eles: serão sempre bem-vindos nos nossos conselhos e em assuntos de estado, contando que nunca venham. Raro é o problema civil que possa ser resolvido com disparates ocultos e sombras da noite. Felizmente, eles precisam de pouco incentivo para se confinarem na sua Casa do Imortais.

Ainda assim, talvez nós Qartheens, sejamos confinados demais. Sentimo-nos seguros atrás dos nossos muros e das nossas leis que visitantes não podem seguir, e que qualquer cidadão que se responsabiliza por um convidado paga sempre com a vida. Mas como um navio nos mares de verão, uma cidade brilha na calmaria sem vento fresco. “A melhor cidade que já existiu ou existirá”? um epifário. Eu prefiro; “A melhor cidade que existe”.”

Free Folk por Ygritte

“Dizem que há muito tempo, um velho rei do sul escravizou os nossos gigantes com magia e forçou-os a construir a famosa Muralha. Depois chutou todos os meus para o outro lado e criou um exército para nos manter lá… e nós é que somos os incivilizados, selvagens.

Pode ser que o sir rei fosse sábio. Até um gigante pode ajoelhar, mas só se quiser quebrar a vossa cabeça melhor. O Povo Livre não segue um homem porque o seu pai manda. Se o filho do rei for bravo e forte, nós seguimo-lo como seguimos o pai, se não for…

Mas parece-me que assim como a Muralha nos mantém do lado de fora, mantém-vos, sulistas, do lado de dentro. Vocês seguem leis que não criaram, curvam-se diante réis que não escolheram e rezam a deuses que não conhecem. Mercadores falam sobre os vossos Sete… além da Muralha as estrelas brilham claramente, nenhum Deus dá ouvido às vontades dos homens. Os nossos deuses são da floresta, protegem-nos nas árvores e alimentam-nos nos rios. Deram-nos a terra para partilharmos entre nós. Para pescar e caçar quando quisermos, quando precisarmos. Se um homem quer uma mulher, deve provar que lhe dará filhos fortes e espertos, quando ela tenta cortar-lhe a garganta, ele impede-a. O Povo Livre ganha o que puder tomar e fica com o que puder guardar. Não mais que isso.

Pergunto-me: se o meu povo não tivesse saltado a vossa Muralha, vocês teriam montado a Patrulha da Noite para a guardar? Vocês sulistas são ricos, sempre tiveram mais aço, ouro e filhas. Penso que têm medo. Se sempre se ajoelharam, então não sabem o que é liberdade. E se nunca foram além da Muralha não sabem o que é o medo. Saberão…”

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