Pelos Caminhos de Westeros: Os Arryn e o Saque de King’s Landing

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Arryn e o Saque de King’s Landing:

A Casa

Nas montanhas da Lua, no território do Vale, encontra-se a Casa Arryn, uma das mais antigas nobres famílias de Westeros. O seu sigilo é um falcão a pairar sobre um lua crescente e o seu lema é “As High as Honor”, ou “Tão Alto Quanto a Honra”.

Os Arryn são descendentes directos dos invasores Andals, que desembarcaram nos Fingers. Segundo a lenda, Artys Arryn, conhecido como o Winged Knight atravessou os céus montado num falcão gigante e pousou no pico da mais alta montanha, onde venceu o Rei Griffin (grifo) em batalha, há seis mil anos. Foi a primeira grande vitória dos Andals sobre os Primeiros Homens. Sir Arryn foi recompensado com o título de Rei da Montanha e do Vale e a região onde se localiza o Eyrie mudou de nome para Vale de Arryn. Como normalmente casam com outros nobres da mesma descendência, a Casa Arryn mantém a mais pura linhagem de nobreza Andal.

Quando Aegon chegou a Westeros, encarregou a sua irmã Visenya e o dragão Vhagar de submeter o Vale e a Casa Arryn ao domínio Targaryen, que após uma resistência inicial, curvaram-se. Mantendo o controlo da região como Lordes do Vale e Regentes do Este.

A família Arryn esteve envolvida no conflito denominado “Dança dos Dragões”, uma guerra civil entre Targaryens que pôs frente a frente Rhaenyra (única filha sobrevivente do casamento entre Viserys I e a Rainha da Casa Arryn) e Aegon II. Quando a Rainha Arryn faleceu, Viserys casou com um membro da Casa Hightower de quem teve mais quatro crianças. Apesar do Rei deixar bem assente que Rhaenyra seria a sua descendente, o Lord Commander da Kingsguard, Criston “Kingmaker” Cole, desafiou os seus desejos e coroou o príncipe Aegon como Rei, filho do segundo casamento de Viserys. O Reino ficou dividido em dois, Targaryens lutaram com Targaryens e dragões com dragões, resultando na morte da maior parte das “míticas” criaturas. Rhaenyra viria a morrer pelo dragão do irmão mais novo mas os seus seguidores continuaram a apoiar o seu filho. Quando o outro pretendente, também morreu, o filho de Rhaenyra, Aegon III subiu ao trono. Do conflito saiu uma alteração às leis, em que uma mulher na linha de sucessão fica atrás de todos os herdeiros masculinos, por muito distantes que sejam.

Os descendentes de Jasper Arryn sofreram uma variedade de calamidades que deixaram a Casa quase sem herdeiros. O seu filho, Jon Arryn, casou-se algumas vezes para tentar deixar descendência. A primeira mulher, Jeyner Royce, morreu resultante de complicações no parto da primeira filha. A segunda, a prima Rowena Arryn, morreu de uma gripe sem gerar herdeiros. A irmã de Jon, Alys, deu à luz nove filhos que ou morreram ou entraram em ordens religiosas, o seu sobrinho e herdeiro Elbert Arryn foi morto quando acompanhou Brandon Stark a King’s Landing. O terceiro casamento de Lord Jon Arryn com Lysa Tully assegurou um herdeiro, assim como a lealdade de Hoster Tully e Riverrun na Rebelião de Robert. Quando Robert se sentou no trono e nomeou o Lord Jon Arryn como Mão do Rei, foi Nestor Royce, alto camareiro do Vale, que governou a região.

O casamento de Lord Jon com Lady Lisa esteve longe de ser feliz. Nunca foram especialmente próximos e só depois de alguns abortos é que nasceu Robert, o último Arryn. Apesar dos esforços de Jon em ensinar liderança ao filho, a esposa protegeu-o imenso, mimando-o em demasia. Quando a Mão do Rei morre, Tywin Lannister oferece-se para criar o jovem Robert em Casterly Rock. Desconhecendo as verdadeiras intenções do Lord Lannister, o Rei Robert aceita o pedido e o plano não se concretiza porque Lysa foge com o filho para Eyrie. Os lordes da região permanecem leais a Lady Lysa mesmo quando Robert Baratheon atribui o título de Regente do Este a Jaime Lannister, em vez do jovem Robert Arryn. Catelyn Stark, durante a visita à irmã (com Tyrion Lannister como prisioneiro), propõe à irmã levar o filho para ser educado em Winterfell. Lisa fica tão furiosa que ameaça lança-la pela Moon Door.

A Família

Sharra Arryn – Rainha Regente da Montanha e do Vale durante a invasão de Aegon, no lugar do seu filho Ronnel. Sharra era considerada uma das mulheres mais bonitas de Westeros e enviou um retrato seu a Aegon oferecendo a mão em casamento. Aegon recusou. O Rei Aegon enviou uma frota para conquistar o Vale, mas a frota de Arryn, sobre ordens de Sharra, derrotou os invasores. Visenys e o seu dragão queimaram a frota em resposta. Como ambos os lados perderam as embarcações foi considerado um empate, mas foi uma derrota maior para os Targaryen que não conseguiram invadir o Vale. Quando Sharra reuniu as suas tropas no Bloody Gate para impedir a invasão por terra, Visenya Targaryen viajou com o seu dragão directamente para o Eyrie. Quando Sharra regressou encontrou o filho no colo de Viserya a pedir para montar o dragão. Sharra rendeu o reino, a Casa manteve os seus títulos e Ronnel conseguiu o seu desejo de andar no dragão.

Jon Arryn – Não se sabe muito sobre a juventude do tutor de Robert Baratheon e Ned Stark. Teve um irmão mais novo (Ronnel) e uma irmã (Alys) e comandou o Gates of the Moon enquanto o pai foi vivo (o seu irmão e posteriormente o primo sucederam-lhe no cargo). Lutou na Batalha de Gulltown e mais tarde na Batalha dos Sinos e do Tridente durante a Rebelião. Casaria com Lisa Tully na mesma cerimónia que uniu Ned Stark e Catelyn Tully, para cimentar a aliança de Riverrun e segurar a linhagem Arryn.

Como Mão do Rei Jon teve a missão inicial de apaziguar os ânimos entre o Trono e a região de Dorne, revoltada pela morte da esposa de Rhaegar Elia Martell e os seus filhos, assim como Lewyn Martell, membro da Kingsguard. Jon devolveu os ossos de Lewyn e conseguiu criar uma ténue paz com Dorne, que mesmo assim não aceitou de bom grado que Gregor Clegane e Armory Lorch, responsáveis pelos crimes, não tenham sido castigados. Orquestrou o casamento entre Robert e Cersei para fermentar a posição do novo Rei no trono e dissuadiu Robert de assassinar Viserys e Daenerys. Foi responsável por grande parte das responsabilidades de governação, no entanto não conseguiu dissuadir o protegido Robert de gastar montantes avultados em torneios e festins. Viria a morrer envenenado.

Lysa (Tully) Arryn – Quando era nova, a jovem e esbelta Lysa só queria casar com o homem dos seus sonhos. Irmã do meio de Catelyn e Edmure, perdeu a mãe quando esta dava à luz o seu quarto filho (que também morreu). Apaixonada por Petyr Baelish, não via o seu amor correspondido. Quando Littlefinger desafiou Brandon Stark pela mão de Catelyn e perdeu, foi Lysa que cuidou dele e, aproveitando-se da situação, “deu-lhe conforto” na cama, engravidando. Quando o pai de Lysa descobriu, ordenou que abortasse e expulsou Petyr de volta para os Fingers. Perdida a virgindade, não foi fácil encontrar pretendente com o mesmo escalão social. Ainda esteve para casar com Jaime Lannister, mas este ingressou na Kingsguard e Tyrion também foi uma possibilidade, negada prontamente por Lord Hoster. Jon Arryn já era um homem com idade quando Lysa casou com ele e a diferença de idade, aliado ao estado “impuro” de Lysa, levaram a um casamento frio e distante. Assim como a sua mãe, também ela teve muitos abortos (dois no Eyrie, três em King’s Landing e dois partos com os bebés já mortos). Quando finalmente teve Robert ficou paranóica com a sua segurança, mimando-o em demasia. Jon tentou que o filho fosse enviado para Dragonstone para que Stannis servisse de tutor e o Rei Robert pensou envia-lo para Tywin Lannister depois da morte de Lord Jon, mas Lysa manteve a cria sempre por perto.

Robert/Robin Arryn – Descrito como sendo uma criança pálida, doente, desesperadamente mimada e irritante. Herdou o título de Lord do Eyrie depois da morte de Jon Arryn. Sofre de uma doença que lhe causa constantes convulsões e apesar de já ter seis anos, continua a ser amamentado pela mãe. Na obra literária chama-se Robert, em homenagem ao Rei, mas na série televisiva, para evitar a confusão, mudou de nome para Robin.

Vardis Egen – Capitão da guarda do Eyrie, Vardis foi também capitão dos guardas do Lord Jon durante a estadia em King’s Landing. Regressou ao Eyrie quando Lysa fogiu de King’s Landing. Durante o julgamento por combate de Tyrion é ele que defende a Casa Arryn, mas é morto por Bronn.

Hugh of the Vale – Era mordomo de Lord Jon há quatro anos e quando este morreu teve uma ascensão estelar a cavaleiro, levantando suspeitas sobre o seu envolvimento na morte do Lord. No entanto, o seu momento de glória foi curto, ao morrer no torneio de celebração de Ned como Mão do Rei, quando Ser Gregor Clegane o derrubou do cavalo.

Mord – Carcereiro do Eyrie, responsável pela manutenção das sky cells.

O Mapa

Localizado a Este do Continente de Westeros, na tranquila e rica terra de rios lentos, solo de terra preta e dezenas de pequenos lagos com água cristalina, situa-se o lar da Casa Arryn. Limitada pelo The Bite a Norte, Bay of Crabs a Sul e o Narrow Sea a Este, o Vale é uma região relativamente isolada do resto do Continente, visto que os caminhos pelas montanhas a Oeste estão inacessíveis durante os árduos Invernos.

No alto da maior montanha do Vale do Arryn, ergue-se o Eyrie, uma fortaleza célebre e impenetrável mandada construir pelos Reis da Idade dos Heróis. Apesar de ser o mais pequeno dos grandes castelos de Westeros, a sua imponência é lendária. Construída com pedra branca, suporta até 500 homens e, dentro das suas sete torres, encontra-se um jardim. O quartel e os estábulos estão esculpidos na própria montanha e apesar do tamanho tem um armazém maior que os restantes castelos.

Dentro do castelo encontra-se o High Hall, um local de refeição que contém a sala do trono, (trono esse feito de weirwood). Ainda na High Hall situa-se a Moon Door, uma porta que abre para dentro, com acesso directo ao céu do Eyrie. A maior parte das execuções do Eyrie fazem-se aqui, com uma queda de quase 200 metros até ao Vale. As Sky Cells são masmorras esculpidas na montanha, com “acesso directo” ao precipício do Vale. Muitos dos prisioneiros, levados pela loucura do frio e vento, preferem suicidar-se do que permanecer presos. Embora o castelo seja o principal símbolo do poder, a nobre Casa Arryn detém outras propriedades.

Ainda na montanha, no lado oeste, localiza-se a Alyssa’s Tears, uma cascata que deve o seu nome a Alyssa Arryn, uma semi-lendária figura que viveu há 600 anos que viu toda a sua família a ser massacrada e não derramou uma única lágrima. Como consequência, os Deuses condenaram-na a chorar até que as suas lágrimas inundassem o Vale. Algo impossível porque a cascata nasce do alto do Eyrie e a água nunca chega ao solo, dispersada pela altura e vento. No jardim do Eyrie há uma estátua de mármore de uma mulher que chora, que Catelyn está convencida ser uma representação de Alyssa.

As Mountains of the Moon são um conjunto de montanhas que fazem fronteira entre o Vale e as Riverlands (Tullys) na zona do Tridente. É normal haver derrocadas e a região é habitada por clãs da montanha.

Bloody Gate é um conjunto de acampamentos militares situados na estrada de acesso ao entre as Mountains of the Moon e o Vale de Arryn. Onde o caminho se estreita nas montanhas, duas torres erguem-se de cada lado, unidas por uma ponte de pedra em arco. Knight of the Gate é o título dado ao comandante da guarnição (durante a Rebelião de Robert, Jon Arryn nomeou Brynden “Blackfish” Tully Lord Commander). Depois de ultrapassar o Bloody Gate, qualquer exercito invasor tem ainda de passear por Gates of the Moon, um conjunto de três fortificações (Stone, Snow e Sky) que demoram meio-dia a percorrer. É também o local de residência dos Arryn durante os árduos Invernos.

A Norte, situam-se as Three Sisters (Sweetsister, Longsister e Littlesister), um arquipélago situado no The Bite (mar entre o Vale e o Norte). Antes dos Andals chegarem era um local de pirataria e foram muito disputadas entre o Norte e o Vale durante um milénio. Desprezando o Norte, os governantes ajoelharam-se perante o Vale para expulsar os invasores. Um local favorito para contrabandistas governada pela Casa Sunderland que mantém uma ligação muito ténue com o Eyrie, sendo apenas realmente leais a si próprios.

Entre as Sisters e o Vale encontram-se as Fingers. Governada pela Casa Baelish, a zona estende-se pelo Narrow Sea, dando o efeito de “dedos” rochosos. A Oeste das Fingers encontram-se as pequenas ilhas: The Paps e Pebble.

A Este do Eyrie temos Gulltown, o principal porto do Vale do Arryn, que devido ao seu ponto estratégico recebe embarcações de King’s Landing, Braavos e do Norte, permitindo o abastecimento da região durante o Inverno.

Além da Casa Arryn, a região é lar das Casas Hunter, Corbray, Redfort e Royce. Existem ainda clãs da montanha que renegam a autoridade do Eyrie e vivem sobre as suas próprias regras. Os bastardos da região recebem o apelido “Stone”.

Saque de King’s Landing por Robert Baratheon

Na recta final da Rebelião, só as forças de King’s Landing separavam Robert do Trono de Ferro. A versão dos acontecimentos que levaram à queda da capital e o seu respectivo saque variam ligeiramente de Casa para Casa. Durante esta última temporada Jaime revelou o seu ponto de vista, em que foi obrigado a matar o Rei Louco antes que este libertasse o wildfire sobre a capital. Vejamos a versão dos restantes intervenientes.

“Para que a nossa rebelião fosse bem-sucedida, King’s Landing tinha de ser tomada à força. Ninguém seria tolo a ponto de acreditar que Aerys entregaria a coroa sem luta e o reinado do Rei Louco tinha de acabar.

O que as forças de Tywin Lannister fizeram foi lamentável, mas necessário para tomar o trono e restaurar a paz e justiça aos Sete Reinos. A minha vitória no Tridente deixou-me ferido, mas enviei o meu Maester pessoal para cuidar de Sir Barristan Selmy, os seus ferimentos eram mais graves. Embora Barristan fosse membro da guarda de Aerys e tivesse lutado contra mim, a bravura e lealdade daquele homem eram de louvar. Por causa disso demorei mais a recuperar dos ferimentos e não pude ir em pessoa a King’s Landing. Enviei o homem em que mais confio, Ned Stark, no meu lugar.

Se pudesse cavalgar talvez tivesse chegado mais cedo a King’s Landing e evitado alguma da violência que ocorreu quando os Lannisters chegaram à cidade. Mesmo assim, o que o Lord Tywin fez foi para o bem maior, inclusive o que aconteceu à Princesa Elia e aos seus filhos. Bebés ou não, tinham o mesmo sangue maldito que corria nas veias do Rei Louco, eram crias do dragão e não podiam sobreviver. Iam crescer e tornar-se o quê? Súbditos leais?!

Ned e a sua maldita honra do Norte! Tivemos a nossa primeira verdadeira zanga por causa da morte das crianças Targaryen. Ned chamou-lhe assassinato. Assassinato?! Era guerra! Lorde Stark exigiu que os Lannisters fossem responsabilizados pelos seus crimes… É crime dar um fim a uma família de loucos nascidos do incesto?! Não culpei na altura e continuo a não culpar Tywin. Em vez disso, enviei o Ned para Sul para acabar com os últimos homens leais aos Targaryen.

Só a morte de Lyanna nos reconciliou. Ned perdeu uma irmã, eu perdi a minha noiva e amada. Compartilhamos esse triste laço e através dele a nossa amizade fortaleceu novamente.

Quanto aos herdeiros Targaryen sobreviventes, os que conseguiram fugir à minha fúria, vivem algures do outro lado do Narrow Sea… e é melhor que permaneçam por lá, porque se voltam a pôr os pés em Westeros, enfrentarão a justiça do Rei.”

Saque de King’s Landing por Tywin Lannister

“Rhaegar Targaryen morreu nos bancos do Tridente e o seu exército real foi destruído e bateu em retirada. Os dias dos Reis dragões estavam contados. Até esse momento teria sido tolice comprometer Casterly Rock com a coroa ou com a rebelião. O que ganharia a nossa família ao apoiar um louco ou em ajudar a colocar Robert Baratheon no trono.

Mas o caos não beneficia ninguém e tinha chegado a hora da Casa Lannister fazer o possível para garantir a paz e prosperidade do Reino.

Eu levei dez mil homens aos portões de King’s Landing para tentar colocar um ponto final decisivo e rápido. Há meses que o Rei enviava mensagens a pedir o meu apoio para acabar com a revolta, de certa forma os seus desejos foram concretizados. Como esperado, os portões abriram-se para acolher os meus homens. O plano era simples: eliminar os bannermen ainda leais ao rei e destituir a família Real o mais rápido e eficiente possível. Caso contrário teríamos longos anos de guerra com os Sete Reinos fragmentados. Os nossos métodos foram sangrentos, mas os resultados falam por si.

Quanto a Aerys, é verdade que o seu fim foi obra do meu filho. Aerys manteve Jaime por perto durante a rebelião, achando-se esperto em ficar com o meu filho refém caso eu decidisse aderir à causa rebelde. Revelou ser o seu maior erro. Quando a hora chegou, Jaime cumpriu o seu dever de Lannister e enfiou a espada nas costas do Rei Louco.

Assim, a coroa de Robert Baratheon foi garantida e o novo Rei reconheceu o nosso papel na sua ascensão ao trono, assim como a utilidade do poder e riqueza de Casterly Rock se quisesse mantê-lo. Para isso ofereci a mão da minha filha Cersei em casamento. Se Aerys não tivesse rejeitado a mesma oferta anos antes, talvez as coisas tivessem sido diferentes.”

Saque de King’s Landing por Viserys Targaryen

“A batalha do Tridente pode ter sido uma vitória importante para o Usurpador, mas foi a traição e barbaridade de Tywin Lannister que selaram o destino da dinastia Targaryen.

O meu pai, Rei Aerys, sempre fora amigo dos Leões do Rochedo. Aerys levou gentilmente o leão para a corte, tornando-o na mais jovem Mão do Rei da história. Deu-lhe poder, respeito e permitiu que restaurasse a glória da Casa Lannister. Governaram, lado a lado, por 20 prósperos anos. Mesmo assim, quando o Usurpador convocou os seus homens para a rebelião, Tywin ignorou os pedidos de ajuda do seu rei e escondeu-se na fortaleza de Casterly Rock.

Logo, o príncipe Rhaegar foi morto, o reino entrou em tumulto e as forças do Usurpador partiram em direcção a King’s Landing…

Que visão gloriosa deve ter sido quando uma força de dez mil homens Lannister chegou aos portões da capital, com o Lord Tywin à cabeça, declarando apoio ao seu rei! Aerys abriu os portões para o seu velho amigo… mas Tywin e os seus homens começaram a saquear e destruir a cidade à qual, durante décadas, ele chamara lar. Enquanto as ruas da capital eram assoladas e a sua gente aterrorizada, Jaime Lannister mostrou ser tão traiçoeiro quanto o pai e matou o meu Aerys aos pés do Trono de Ferro. Os Lannisters entraram no Red Keep e Tywin ordenou a morte do resto da família real. Dizem que eles encontraram a princesa Rhaenys debaixo da cama do pai e enfiaram-lhe uma espada. Era apenas uma criança. Quanto à viúva de Rhaegar, Elia, foi forçada a assistir enquanto os brutamontes Lannister esmagavam a cabeça do seu bebé contra a parede, antes de ser violada e morta.

Como era herdeiro do trono do meu pai, fui levado às escondidas para Dragonstone com a minha mãe, Rainha Rhaella, que estava grávida. Enquanto a fortaleza era assolada por uma tempestade de Verão, que destruiu a frota Targaryen ancorada na costa, a minha irmã Daenerys nascia. A minha mãe morreu durante o parto.

Agora, 17 anos depois, o legítimo Rei ainda vive em exílio. Mas o dia de ajuste de contas aproxima-se. Navegarei em direcção ao Oeste, como Aegon fez séculos antes, e retomarei o trono do meu pai com sangue e fogo… e punirei os cães traiçoeiros que quiseram destruir a minha família. E o povo rejubilará…”

Saque de King’s Landing por Maester Luwin

“A vitória de Robert Baratheon no Tridente foi um ponto de viragem na luta pelo Trono de Ferro. Embora fosse evidente que os deuses sorriam sobre as forças rebeldes, Aerys Targaryen ainda mantinha o seu forte em King’s Landing. Como Robert ficou ferido e impossibilitado de montar, coube a Eddard Stark partir para a capital e forçar o Rei Louco a entregar o trono. Quando o Lorde Stark chegou aos portões, percebeu que Tywin Lannister, Senhor de Casterly Rock, já tinha saqueado a cidade em nome de Robert. Até então a Casa Lannister tinha permanecido neutra, ignorando os apelos de ajuda tanto da Coroa como dos rebeldes. Agora que a vitória era certa, Lorde Tywin tomou finalmente um partido.

Lord Eddard ficou horrorizado com o que viu quando entrou na cidade: lares saqueados e queimados, mulheres estupradas, inúmeros cidadão inocentes mortos. Enojado, levou os seus homens directamente para o Red Keep. Ao entrar na sala do trono encontrou o Rei deposto sob uma poça do seu próprio sangue, morto pelas mãos do seu guarda jurado, Jaime Lannister, que estava descaradamente sentado no trono.

Ao exigir saber do paradeiro da rainha Rhaella, foi informado que ela e o seu filho Viserys já tinham partido para Dragonstone antes da chegada dos Lannister, mas outros membros da família real não tiveram a mesma sorte. Elia Martell de Dorne, esposa de Rhaegar, foi violada e morta por Sir Gregor Clegane e os filhos mais novos do príncipe mortos, sob ordens de Tywin Lannister. Quando Robert melhorou e partiu para a capital, Lord Eddard exigiu que os Lannister pagassem pelos seus crimes odiosos, Robert recusou e enviou Ned para Storm’s End, lar dos Baratheon, que ainda estava cercada por forças leais à Coroa. As palavras proferidas entre os grandes amigos só eles sabem, mas diz-se que Lorde Eddard saiu irado de King’s Landing.

Quando Robert foi coroado, nomeou Jon Arryn como Mão do Rei e a primeira ordem de Lord Arryn foi estabelecer uma trégua com os Martell, de Dorne, indignados pelo assassinato brutal da princesa Elia e dos seus filhos. Após a morte de Lyanna Stark, prometida de Robert, as Casas Baratheon e Lannister uniram-se em matrimónio e Eddard Stark voltou a Winterfell, para sempre atormentado pela morte da irmã e pelo modo vergonhoso como Robert conquistou o trono.”

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