Pelos Caminhos de Westeros: Os Greyjoy e a sua Rebelião

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Greyjoy e a sua Rebelião.

Os Greyjoy

A Casa Greyjoy é uma das Grandes de Westeros. Governa sobre as Iron Islands em Pyke, ao largo do Sunset Sea no Oeste de Westeros. O seu sigilo é o Kraken dourado, um monstro aquático na forma de lula gigante, capaz de “engolir” navios inteiros. O seu lema é “We Do Not Sow” ou “Nós Não Semeamos”. O povo das Iron Islands não é virado para a construção de raiz, para a lavoura, para trabalhos forçados ou honestos, são antes um povo de pilhagem, escravidão, de tomar pela força e brutalidade. Uma espécie de piratas com hierarquia e reinado. Os nascidos do ferro podiam ter varias concubinas escravas (Esposas de Sal), mas apenas uma mulher ironborn (Esposas de Rocha).

A Casa Hoare governava sobre as Iron Islands. Nessa altura era realizado uma cerimónia (kingsmoot) na ilha de Old Wyk, em que se escolhia o líder entre os capitães dos navios. Mas quando a Casa Hoare se sentou no Seastone, o trono das Iron Islands, acabou com esse método e implementou uma sucessão por hereditariedade. Durante o seu reinado, o “império” de Ferro atingiu o máximo de expansão e uma grande parte da costa Oeste de Westeros estava sobre o seu domínio. Com os anos, esse poderio foi-se perdendo (Bear Island foi conquistada por Rodrik Stark durante uma luta de wrestling e oferecida aos Mormonts) até se reduzir às suas ilhas e costa das Riverlands. Numa nova onda de expansão, conquistaram as Riverlands por completo e Harren Hoare, O Negro, mandou construir Harrenhal, o maior castelo dos Sete Reinos (a sua construção demorou 40 anos e foi acabado no dia em que Aegon desembarcou em Westeros). Quando Harren viu como os outros réis foram derrotados pelos Targayen, em campo aberto, permaneceu refugiado no castelo. Aegon e o seu dragão mataram-no na torre, juntamente com os seus filhos, encerrando assim a linhagem Hoare. Os Targaryen expulsaram os ironborn das Riverlands mas permitiram que escolhessem o seu líder, recaindo a responsabilidade sobre Vickon Greyjoy.

A Casa Greyjoy descende do rei Grey, mais uma lendária figura da Idade dos Heróis. A lenda conta que o Drowned God (Deus Afogado) abençoou o Rei Grey e ajudou-o a matar o dragão marinho Nagga. Dos seus ossos, construiu o Grey King’s Hall, em Nagga’s Hill, aquecido pelo fogo do dragão. Era aqui que se realizava o conselho de kingsmoot. Durante 400 anos reinou e tomou para sua mulher uma sereia enquanto planeava a guerra contra o Storm God (Deus da Tempestade), inimigo do Drowned God. Diz-se que usava um robe de algas e uma coroa feita dos dentes de Nagga. Quando morreu o mar roubou-lhe o trono e o Storm God roubou o fogo de Nagga.

Desde o reinado dos Greyjoy que as Iron Islands permaneceram à parte dos assuntos do Continente (que eles apelidam de “greenlands”), mas por várias vezes tentaram voltar aos velhos costumes de pilharem na costa Oeste. Seis anos após a Rebelião de Robert, o Lorde Balon Greyjoy liderou a sua própria rebelião contra o Trono de Ferro, declarando as ilhas independentes e proclamando-se rei das Iron Islands. A revolta falhou, Balon perdeu os dois filhos mais velhos e o mais novo, Theon, foi feito refém dos Stark. Falhada a revolta, os Greyjoy fecharam-se novamente nas ilhas, como é seu costume.

Balon Greyjoy IX – Capitão do navio “Grande Kraken”, Lord Balon é o Lorde máximo das Iron Islands. Seguidor dos velhos costumes, deseja que as Iron Islands retomem à grandiosidade de outrora. Teimoso, destemido e conflituoso, é intransigente até no que toca à sua família. Desde cedo se tornou um marinheiro competente, aos 15 anos matou o seu primeiro homem e tomou as duas primeiras esposas de sal e aos 17 já era capitão do seu próprio navio. Balon é casado com Alannys Harlaw, com quem teve três filhos e uma filha: Rodrik, Maron, Asha/Yara e Theon.

Euron Greyjoy – Euron é um dos irmãos de Balon que foi exilado por violar a mulher do irmão Victarion. Desde então, Euron navega pelo mundo no navio “Silence”, pilhando o que encontra, impossibilitado de voltar às ilhas enquanto Balon for vivo. Um outro irmão de Balon, Aeron Damphair, marcado pela experiência de naufrágio durante a batalha de Fair Isle, tornou-se padre do Drowned God.

Victarion Greyjoy – Lorde Capitão da Frota de Ferro, é um comandante competente e um guerreiro destemido em batalha, mas também calmo que reconhece e respeita a bravura dos inimigos. Um homem religioso que usa armadura completa quando navega porque não tem medo de se afogar. Reconhecendo a grandiosidade de Balon, segue o irmão lealmente. Foi ele que comandou a frota durante a rebelião e foi um dos responsáveis por incendiar a frota dos Lannister ainda ancorada em Lannisport (plano delineado pelo irmão Euron). Viria a ser derrotado na batalha de Fair Isle por Stannis Baratheon. No final da rebelião continuou a servir Baron e quando Euron violou a sua esposa foi forçado a matá-la para reter a sua honra. Em Westeros acredita-se que matar um familiar é ficar amaldiçoado aos olhos dos deuses e homens, e só isso impediu Victarion de matar Euron. Não casou mais, nem perdoou o irmão.

Rodrik Greyjoy – Filho mais velho de Balon. Durante a Rebelião dos Greyjoy, Rodrik atacou a cidade de Seagard nas Riverlands e morreu às mãos de Lord Jason Mallister, falhando a ofensiva. Theon não nutria grande sentimento pelo irmão mais velho, chegando mesmo a dizer que não tinha hostilidade pelos Mallister por o terem morto.

Maron Greyjoy – Segundo filho de Baron. Morreu durante o ataque de Robert Baratheon a Pyke, quando a fenda criada na muralha o esmagou. Tal como Rodrik, também Maron não ocupava um lugar no coração de Theon, lembrando-o apenas pelas piadas cruéis e mentiras compulsivas.

Asha / Yara Greyjoy – Descrita como pouco atraente na juventude, Yara foi criada por Balon como herdeira de Pyke após Theon ser levado pelos Stark. Yara desafia o tradicional papel das mulheres ironborn e comanda o seu próprio navio, o Black Wind. Com a idade tornou-se uma mulher destemida, valente e atraente, capaz de comandar uma frota inteira e liderando homens em combate. Na série, o seu nome foi alterado de Asha para Yara, para evitar confusão com a wildling Osha.

Theon Greyjoy – Theon tinha dez anos quando o pai foi derrotado por Robert Baratheon e os seus dois irmãos foram mortos. Agora herdeiro da Casa Greyjoy, foi levado como refém por Eddard Stark para impedir que o seu pai se revoltasse novamente. Permaneceu em Winterfell durante nove anos, onde foi criado juntamente com as crianças Stark. Desenvolveu uma amizade forte com Robb mas entrava muito em conflito com Jon Snow. Procurava muitas vezes a aprovação dos Stark mas não se sentia satisfeito com a atenção que tinha. Theon é um arqueiro competente.

As Iron Islands

As Iron Islands são um arquipélago em Ironman’s Bay, a Oeste de Westeros (ao largo das Riverlands) e constituem a mais pequena e menos densa região dos Sete Reinos. As principais ilhas são: Pyke, Great Wyk, Old Wyk, Harlaw, Saltcliffe, Blacktyde e Orkmont. A oito dias de viagem para Noroeste de Great Wyk fica Lonely Light, a mais distante das ilhas. Pequenas, pouco férteis e com poucos portos seguros, pois o mar é tempestuoso e cria muitos naufrágios.

Colonizadas há milhares de anos, a lenda conta que os First Men encontraram o que viria a ser a Cadeira de Seastone (trono dos lordes das Iron Islands) em Old Wyk. Durante grande parte da sua história, cada ilha tinha um rei e era governada por um rei de Rocha (que governava a terra) e um rei de Sal (que governava o mar). Um High King, rei máximo, era escolhido em kingsmoot por estes réis. Cinco mil anos antes da Rebelião dos Greyjoy, Urron Greyiron assassinou todo o conselho que elegia o sucessor e estabeleceu uma sucessão por hereditariedade. A sua dinastia durou mil anos, até à chegada dos Andals.

No centro do poder da região, encontra-se Pyke, local do trono da Casa Greyjoy. Pyke sustenta um antigo forte construído no topo de várias torres de pedra que saem do mar. As torres estão ligadas por traiçoeiras pontes de corda, oferecendo grande desafio a invasores. Antigamente Pyke era uma massa de terra unida, mas com o tempo ruiu e restaram apenas três formações rochosas.

Devido à pobreza da terra, os ironborn têm muita dificuldade em fazer cultivo, sendo obrigados a fazê-lo sem a ajuda de animais. As suas minas não produzem materiais preciosos e apenas o ferro é aproveitado. Com tão pouca riqueza, entende-se porque é que o povo se virou para a pilhagem do continente. Conhecidos como ironmen, mas auto-apelidados de ironborn, são pessoas que vivem do mar, independentes, destemidos e por vezes cruéis. Não nutrem carinho pelos povos da “terras verdes” e o seu estilo de vida “mole”.

Ao contrário dos restantes First Men, os Andals que invadiram as ilhas renegaram as religiões dos Sete e dos Velhos Deuses. São antes seguidores do Drowned God, uma fé que precede a invasão. Tal como o seu povo, o Drowned God é uma entidade dura, que criou os ironborn para pilhar, violar e moldar os reinos pelo fogo e sangue. O seu inimigo é o Storm God, uma entidade que vive nas nuvens e cujas criaturas são os corvos. Diz-se que os dois deuses estão em conflito há milénios e quando se encontram em batalha o mar agita-se em raiva. Quando um ironborn se afoga, diz-se que o Drowned God precisava de um servidor forte e por isso o levou, profere-se a frase “O que está morto nunca morre”. O povo acredita que os afogados serão recebidos num banquete pelo Deus e os seus desejos cumpridos por sereias.

Enquanto o afogamento é o método de execução nas ilhas, é também considerado algo divino e os mais religiosos não o temem. Os recém-nascidos são “afogados” de forma breve, submergidos ou untados por água salgada para serem abençoados, comprometendo os seus corpos ao mar. Os Drowned Men, o clérigo da religião, são afogados uma segunda vez como método de iniciação e ressuscitados com um tipo de massagem cardiopulmonar, mas nem todos regressam. Os padres não podem derramar sangue dos ironborn, mas o mesmo não se aplica no que toca ao afogamento.

Os bastardos das Iron Islands têm o apelido de Pyke.

A Rebelião Greyjoy

A Rebelião Greyjoy decorreu nove anos antes do início da saga. Decidido a recuperar o prestígio e os velhos costumes das Iron Islands, perdidos há 300 anos, Balon Greyjoy anunciou a independência das ilhas em desafio directo ao novo rei, Robert Baratheon.

Apenas seis anos tinham passado desde que Robert se sentou no poder e Balon acreditava que o reinado estava inseguro e que Robert não tinha o apoio da nobreza, logo, não conseguiria reunir apoio para lhe fazer frente. Durante a Rebelião de Robert, os Greyjoy permaneceram neutros para que não sofressem perdas mas tal como outras Casas oportunistas, também se prepararam para a guerra caso Robert saísse vencedor.

O primeiro ataque foi em Lannisport, quando Victarion, Lorde Capitão da Frota de Ferro, cumpriu o plano do irmão Euron em incendiar a frota de Tywin Lannister ainda ancorada. Essa vitória fez com que todo o mar a Oeste de Westeros ficasse à mercê das Iron Islands. O próximo passo foi invadir a cidade de Seagard, uma cidade nas Riverlands construída e fortificada especialmente para avisar o continente dos ataques dos ironborn. Pela primeira vez em 300 anos, o sino de bronze que avisava da ameaça fez-se ouvir. O filho de Balon, Rodrik, liderou o ataque mas foi repelido pelas defesas da cidade. Rodrik viria a morrer às mãos de Jason Mallister, Lorde da Casa regente da cidade.

Após o ataque a Lannisport, Robert Baratheon, furioso com a humilhação, ordenou que o seu mestre da frota e irmão, Stannis, navegasse ao redor de Westeros e lidasse com a rebelião. Stannis armou uma armadilha para a frota inimiga e conseguiu derrotá-la na batalha de Fair Isle. Como as embarcações de Stannis eram maiores e mais pesadas, Stannis literalmente “abalroou” a Frota de Ferro. O poderio naval dos Greyjoy ficou seriamente diminuído e o irmão de Balon, Aeron, foi também capturado e permaneceu o resto da guerra em Casterly Rock.

Com esta vitória e com o Sunset Sea novamente sobre controlo, Robert pode navegar até às Iron Islands. Stannis subjugou Great Wyk, Sir Barristan Selmy liderou e conquistou Old Wyk e Robert e Ned Stark ficaram encarregues da mais “honrosa” Pyke.

Antes de lançar o ataque directo a Pyke, Robert destruiu o forte de Botley e a cidade de Lordsport. Quando atacou a casa dos Greyjoy, fê-lo pela muralha a sul, destruindo-a e matando o segundo filho de Balon, Maron. Thoros de Myr foi o primeiro a entrar pelos destroços, seguido por Jorah Mormont (viria a receber o título de cavaleiro pela sua bravura nesse dia). A batalha no castelo foi difícil mas eventualmente o forte foi tomado.

Balon Greyjoy foi obrigado a ajoelhar-se e a jurar novamente lealdade a Robert. Para assegurar que a história não se repetia, o rei ordenou que Theon, o único herdeiro de Balon, fosse levado como refém e Ned Stark voluntariou-se para receber a criança.

A ironia de todo o conflito é que Balon acreditava que Robert não tinha o apoio dos restantes reinos de Westeros, mas foi esta rebelião que reuniu a confiança à volta do rei e cimentou a sua posição no trono. Pyke ficou severamente danificada e foi necessária uma reconstrução e como seria de esperar, Robert organizou um grande torneio em Lannisport para celebrar a sua vitória.

Os Greyjoy por Theon e Yara

“Enquanto o Norte tem a sua honra e o Sul o cavalheirismo, as Iron Islands têm a força. Nós proclamamo-nos “nascidos do ferro” e somos guerreiros temidos em todos os Sete Reinos… ou costumávamos ser.

Ao contrário dos primos do continente, os First Men das Iron Islands nunca se curvaram aos velhos deuses. O nosso Deus é o Drowned God, que fez os nascidos do ferro saquearem e escreverem os seus nomes em sal e aço, mas o seu inimigo, Storm God, não era esquecido. Nós tirávamos os nossos réis do exército e escravizamos inimigos derrotados para trabalharem nas minas e lavoura… ou esposas de sal, se a mulher fosse bonita. Assim era o nosso costume, enquanto o seguimos fomos fortes contra todas as ondas.

Quando Aegon veio pedir lealdade, o rei Harren O Negro governava no leste até ao Tridente. Outros réis, como os Stark, podiam ajoelhar-se, mas Harren era ironborn e os nascidos do ferro têm de ser derrotados. Em Harrenhal ele tinha o melhor castelo de Westeros e um exército para defendê-lo, mas Aegon não quis um cerco. Montou no seu dragão e queimou Harren e os seus filhos na torre, e com ele os velhos costumes. Devido à rebeldia de Harren, Aegon fez-nos voltar para as Iron Islands e deu as Riverlands à Casa Tully, mas permitiu aos ironborn que escolhessem o seu líder.

A Casa Greyjoy sempre foi uma das grandes Casas nas Iron Islands. Descendemos da Idade dos Heróis e do lendário rei Grey, que se casou com uma sereia e lutou contra o Storm God durante mil anos. Abençoado pelo Drowned God, Grey lutou e matou Nagga, o dragão do mar, e tomou o seu fogo para si. Esta história tornou o nosso ancestral, Vickon Greyjoy, a escolha natural para liderar os ironborn após a conquista de Aegon.

Por 300 anos, a Casa Greyjoy governou os ironborn. Proclamamo-nos Lordes das Iron Islands, rei do Sal e Rocha, filho da Brisa do Mar, lorde Ceifeiro de Pyke… mas na verdade somos servos. O nosso povo ainda diz “o que está morto não pode morrer”, mas os velhos costumes morreram. Até que a Casa Targaryen seguiu os seus dragões para o túmulo e o nosso pai, Balon Greyjoy, se ergueu contra o novo rei, Robert Baratheon. Tomou a nossa antiga coroa e enviou a frota de Ferro contra os Lannister em Lannisport, queimando todos os seus navios antes que pudessem levantar âncora. Embora Robert e Eddard o derrotassem depois, eles não nos entendiam melhor que Aegon.

O emblema dos Greyjoy é o Kraken, que quando prende nunca larga… O que está morto não pode morrer, mas ergue-se novamente, mais forte e poderoso.”

Rebelião por Robb Stark

“Eu era um miúdo quando veio o corvo que levou o meu pai, Lorde Eddard Stark, para mais uma guerra. Balon Greyjoy começou uma rebelião nas Ilhas de Ferro e queimou a frota dos Lannister ancorada no porto, o rei Robert Baratheon precisava novamente do seu velho amigo.

A minha mãe, Catelyn, não ficou contente por perder o marido de novo para Robert. Seis anos antes, ele tinha-a deixado para vingar o seu pai e irmão contra o Rei Louco, mas agora, ela tinha os seus próprios filhos e filhas, sem mencionar o outro filho que não era dela, o meu irmão Jon Snow. Mas ela sabia que ao casar-se com o meu pai se tinha casado com o Norte também. Veneramos a honra e o dever tanto quanto os nossos deuses e quando chegou a hora, Lorde Eddard rumou a sul para restaurar a paz e ordem no reino.

O meu pai sempre disse que as Iron Islands eram um lugar estranho e perigoso. O seu povo, os nascidos do ferro, não adoram os velhos deuses nem os Sete e desprezam o trabalho honesto. Os seus ancestrais devastaram a costa Oeste, violando, escravizando e incendiando… e as canções dos seus feitos ainda soam nos salões dos nascidos do ferro, enquanto nos outros lugares são sussurradas como aviso às crianças na hora de dormir. Talvez o Lorde Balon achasse que Westeros não recuperara da guerra contra o Rei Louco e estivesse tão fragmentado e desconfiado como os reinos antigos que os seus ancestrais aterrorizaram.

A marinha de Robert corrigiu-o em Fair Isle quando destruiu a orgulhosa frota de Ferro. Robert e o meu pai corrigiram-no em Pyke, no seu próprio castelo, quando derrubaram as suas torres e invadiram as muralhas. O meu pai nunca gostou de falar das suas batalhas, mas eu soube delas por outras pessoas. Thoros de Myr foi o primeiro a entrar com a sua espada flamejante, logo atrás, Jorah Mormont da Bear Island, bannerman do meu pai que mereceu o título de cavaleiro que mais tarde desonraria, e lordes de cada canto dos Sete Reinos. O dia todo, em cada passagem no castelo, eles lutaram lado a lado. O meu pai com a nossa ancestral espada Ice e Robert com o seu martelo de guerra, contra o bando de nascidos do ferro e os seus machados. No final, Lorde Balon rendeu-se.

O Rei Robert generosamente permitiu que Balon mantivesse o seu título e castelo. O preço da paz foi definido: o único filho de Balon a sobreviver à sua ridícula rebelião seria levado como refém contra futuras traições. O meu pai até se voluntariou para criar o menino. Eu acredito que foi com o objectivo de tornar Theon Greyjoy num homem diferente do pai, que traria honra e dever às ilhas de Ferro quando voltasse como herdeiro. Então, o receio da minha mãe tornou-se realidade e o meu pai voltou com outra criança. Theon comia, brincava e lutava connosco.

No passado, a forte ligação entre o meu pai e Robert Baratheon uniu o reino contra o Rei Louco e levou-o à justiça pelos seus crimes. Agora, outro monstro está no Trono de Ferro e a minha família tem outra dívida de sangue. Theon é o protegido do meu pai assassinado e eu sou seu filho. Como o meu pai e Robert, unidos pelo sangue sem sermos do mesmo sangue, somos irmãos…”

Rebelião por Stannis Baratheon

“Apesar de Robert ter arriscado as nossas vidas para conquistá-lo, o Trono de Ferro entediava-o. Não ligava muito à justiça e muito menos às regras. Se não tivesse mulheres e vinho, nada mais o interessava. Sem o forte Jon Arryn como Mão do Rei, o desafio à coroa de Robert teria acontecido muito antes do que aconteceu. As ilhas de Ferro sempre tiveram traição de sobra, só respeitam a força e a honra é algo tão desconhecido para eles quanto a Fé dos Sete.

Após seis anos como governante, Lorde Balon Greyjoy concluiu que o rei Robert não tinha conquistado o apoio das Casas de Westeros. Muitas delas ainda o chamavam de “usurpador”. Lorde Balon declarou a independência das Ilhas de Ferro e mandou a sua frota e ferro a Lannisport. Lorde Tywin Lannister descuidou-se e os nascidos do ferro capturaram e queimaram os seus barcos ancorados. Lorde Balon e os seus homens controlavam o Sunset Sea. Robert ordenou-me então que tivesse sucesso onde o seu sogro tinha falhado. Sob a fúria de Robert, senti alívio: a guerra era algo que ele conseguia entender e esmagaria Lorde Balon como tinha feito com Rhaegar.

Levei a frota de Robert e naveguei ao redor de Westeros para as Ilhas de Ferro e armei uma armadilha para a frota inimiga perto de Fair Isle. Como marinheiros e guerreiros, os nascidos do ferro são inigualáveis, mas não são soldados. Não têm disciplina, estratégia ou união e numa batalha cada homem luta pela sua própria glória. Os seus barcos são construídos para ataques leves e invasões por terra. Quando os capitães atacaram, esmaguei os seus barcos com as nossas galés de guerra. A força dos nascidos de ferro está nas suas embarcações e com a frota destruída eu tinha assegurado a vitória de Robert. Ele poderia agora transportar tropas e armas para invadir as Ilhas de Ferro e, ao contrário das esperanças de Balon, Robert tinha ambos em fartura.

Eu nunca tinha visto tamanha lealdade inspirada por Robert na guerra. Inimigos que tentavam matá-lo num dia, bebiam com ele no dia seguinte sob os seus estandartes caídos. Ao rebelar-se contra o Trono de Ferro, Lorde Balon fez mais para fortificar o governo de Robert do que ele próprio.

Quando Robert foi às Iron Islands, trouxe consigo todo o poder de Westeros. Sir Barristan Selmy da Kingsguard liderou o ataque contra a Old Wyk, enquanto eu subjuguei Great Wyk, a maior das Ilhas de Ferro, mas Robert deixou o lugar da Casa Greyjoy, Pyke, para si mesmo e para Lorde Eddard. Mais tarde, Robert gabar-se-ia da crueldade da batalha e de como poderia ter destruído a ilha se Lorde Balon não se tivesse rendido. Mas se eu tivesse liderado o ataque, o pescoço de Balon ter-se-ia rendido à minha espada.

Pois eu não esqueço, eu não perdoo. A sua hora chegará, a hora de todos eles chegará…”

Rebelião por Theon Greyjoy

“Quando Aegon e os seus dragões queimaram Harren O Negro e todos os seus filhos em Harrenhal, os dias em que os homens temiam os nossos barcos chegaram ao fim. Aegon não permitia saqueadores e invasores no seu reino. O nosso império e costumes morreram com Harren, mas o que está morto nunca morre…

Seis anos após Robert Baratheon ter conquistado a sua coroa, o meu pai, Balon Greyjoy, procurou restaurar os nossos direitos ancestrais. Proclamou a independência das Ilhas de Ferro, declarou-se rei e mandou a Frota de Ferro atacar Lannisport, onde incendiaram os navios Lannister ancorados, tornando-nos imbatíveis no Sunset Sea. Essa foi a semente da nossa ruína.

O meu irmão, Rodrik, liderou um ataque frontal à Seagard, uma cidade construída para proteger o continente de nós. Após lutas ferozes aos pés dos muros da cidade, foi morto pelo Lorde Jason Mallister e os seus homens foram vencidos. A essa hora, já Stannis Baratheon tinha trazido a frota de Robert a Westeros e conseguido prender a Frota de Ferro em Fair Isle, esmagando-a. A vitória de Robert estava agora assegurada, mas fizemo-lo sangrar por cada ilha.

Stannis Baratheon capturou Great Wyk, a maior das Iron Islands e o próprio Sir Barristan Selmy subjugou Old Wyk. Robert e Lorde Eddard Stark lideraram o ataque principal à ilha de Pyke. Destruíram a cidade de Lordsport antes de Robert lançar a sua fúria contra a fortaleza da nossa família. Quando quebraram as muralhas, o primeiro a passar foi Thoros de Myr com a sua espada flamejante, seguido pelos lordes sem importância de Westeros, famintos de glória.

O meu irmão mais velho, Maron, foi morto quando as máquinas do cerco derrubaram uma torre na sua cabeça. Eu era agora o único filho vivo do meu pai e herdeiro das Iron Islands. Ao ver que a sua causa estava perdida, o meu pai sabiamente rendeu-se a Robert que, caso contrário, teria destruído o nosso castelo pedra a pedra, connosco dentro. Como o meu pai me disse na altura: “Nenhum homem jamais morreu por se ajoelhar. O que se ajoelha levantar-se-á de novo, de espada em mãos. Aquele que não se ajoelha, morre por completo”.

Assim, Robert deixou que meu pai ficasse com as suas terras e títulos como Lorde das Ilhas de Ferro, Rei de Sal e Rocha, filho do Vento do Mar, Lorde Ceifeiro de Pyke… por um preço.

O seu último filho e herdeiro foi mandado para Winterfell, como “convidado de honra”. Eu comia à mesa dos Stark e brincava com os seus filhos e se o meu pai se rebelasse de novo, Lorde Eddard Stark pegaria na sua espada e cortar-me-ia a cabeça. Seria o seu dever…”

O Deus Afogado por Yara Greyjoy

“Os Sete são deuses da fraqueza e da derrota, belas correntes que os Primeiros Homens puseram ao serem destruídos pelos Andals, excepto nas Ilhas de Ferro.

Desde a Dawn Age, os ironborn seguem o Deus Afogado, que arrancou fogo do mar e nos fez destruir, saquear e gravar os nossos nomes em sangue e música. Quando os Andals chegaram às Ilhas de Ferro encontraram um Deus que era Pai, Guerreiro e Estranho, que pegou a Mãe, a Dama e a Idosa quando quis e manteve o Ferreiro como escravo.

Os seus sacerdotes são os Homens Afogados, que são vestidos e armados pelo próprio mar. Eles consagram-nos ao Deus Afogado por meio do nosso direito mais sagrado, o afogamento, e pedem ao Deus que nos erga do mar tal e qual ele era, mais duro e mais forte. Os ironborn não temem batalhas sangrentas nem as ondas mais duras, pois o Deus Afogado ensinou-nos há muito tempo que o que está morto nunca morre. Quando um ironborn cai, dizemos que o Deus precisava de um remador forte e o levou para o fundo para festejar nos salões molhados dos deuses, frequentados por sereias.

Mas até na morte os ironborn são guerreiros. Lutamos contra o Deus da Tempestade, que possui um castelo nas nuvens e envia os ventos para tirar os ironborn do seu curso ou destruir os nossos navios. Dizem que o meu ancestral lendário, o Rei Grey, travou uma guerra contra o Deus da Tempestade durante mil anos. Com a ajuda do Deus Afogado, matou o grande dragão do mar, Nagga, e usou os seus ossos para o seu salão. Após a sua morte, o Deus da Tempestade tentou esquecer esse terrível inimigo, mas as suas canções enchem os nossos salões até aos dias de hoje.

Foi o Deus da Tempestade quem primeiro assoprou os Andals para as Ilhas de Ferro, para nos subjugar e nos desviar da nossa fé. É verdade que dominaram e mataram o nosso rei, mas com o tempo renunciaram aos seus septos pela praia e os seus Grandes Septons pelos Homens Afogados. Os Andals vieram até nós como vencedores, mas no final afogaram-se. Os ironborn são do mar, como o nosso Deus nos fez, e dados a ele, como o nosso Deus nos ensinou. Não tememos os ventos do Deus da Tempestade nem as suas ondas, mas vocês deviam, pois eles levam-nos até vocês…”

Harrenhal por Catelyn Stark

“Nas margens do Olho de Deus, a norte da Ilha das Faces, ergue-se um monumento à arrogância e crueldade, Harrenhal.

Para um povo orgulhoso dos seus navios, os ironborn do passado agarraram qualquer chance de sair deles e esculpiram um reino vasto a partir dos pacíficos senhores dos rios. O seu impérioalcançou o apogeu com o rei Harren Hoare, chamado de “o Negro” por quem aterrorizava e pelos seus próprios homens, embora esses o chamassem com orgulho.

O rei Harren escravizou as Riverlands para erguer a fortaleza mais poderosa que Westeros já viu. Um castelo que poderia guarnecer um milhão de homens, com muros tão grandes que o inverno ia e vinha e os exércitos no seu interior envelheceriam antes que o castelo ruísse. “Cinco torres”, ordenou ele, “alcançando os céus como dedos ávidos”. Uma monstruosidade que ele forçou o nosso povo a construir para nossa própria submissão.

Mas no dia em que os escravos colocaram a última pedra, Aegon Targaryen e as suas irmãs chegaram ao Sul. Quando chegaram com o seu pequeno exército, Harren riu e fechou os portões. Harrenhal teria o seu primeiro teste e um bastante fácil… e falhou. Harrenhal poderia ter resistido a ataques de todos os exércitos de Westeros juntos. Mas Harren descobriu que os muros mais altos e densos não eram nada para dragões, pois os dragões voam. Com Harren e os seus filhos mortos, Harrenhal rapidamente se rendeu a Aegon. A Casa Tully então ergueu os senhores dos rios em revolta contra as Ilhas de Ferro, e com Aegon empurramos os ironborn para o mar.

Devíamos ter destruído o castelo, pedra por pedra, mas Harrenhal parecia ser um prémio tão magnifico que Aegon o deu a um dos seus comandantes, cuja linha então se extinguiu… assim como toda as famílias que o possuíram depois. Quando muitos falam de Harrenhal, as suas vozes viram sussurros, sobre a louca Lady Lothston, que dizem ter mandado um morcego pegar crianças para as suas panelas, se banhar em sangue e servir banquetes de carne humana. Sobre os fantasmas de Black Harren e seus filhos, que ainda vagueiam pelo castelo à noite, todos em chamas. Sobre os servos que foram dormir saudáveis e foram encontrados de manhã reduzidos a cinzas.

Poderiam pensar que são apenas histórias para assustar crianças teimosas e animar jovens raparigas. Não estariam inteiramente enganados. Harrenhal é um prémio, um castelo quase invencível com terras e renda suficientes para tornar um homem, imediatamente, um dos maiores senhores de Westeros. Mas também não estariam inteiramente certos também…

Digamos que pela graça de um rei, Harrenhal se tornava seu. Agora deve guarnece-lo, consertá-lo e mantê-lo. Mesmo usando todos os seus meios, não pode ocupar e administrar o castelo todo. Então reduz a sua casa a quatro das cinco torres… depois três, duas, depois o último terço delas. Fecha o Salão das Cem Fornalhas e faz as suas refeições nos seus aposentos e mesmo aí não se livra do sentimento de desolação de que Harrenhal e a sua vastidão o estão a devorar. Anos depois, enquanto estiver a enterrar um neto ou bisneto, o último da sua linhagem, perceberá que ele o devorou mesmo…”

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