Pelos Caminhos de Westeros: Os Lannister e o Rei Louco

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: os Lannister e o Rei Louco:

Os Lannister

No lado Ocidental do Continente, sobre um penhasco rochoso, situa-se Casterly Rock, trono ancestral da Casa Lannister, donos das Westerlands e regentes do Ocidente. Devem a sua riqueza às minas de ouro e prata do território (uma delas localiza-se debaixo do próprio forte), tornando-a na família mais rica e influente de todo Westeros. Quase todas as outras Casas lhes devem dinheiro, inclusive o próprio Rei. Descendem do casamento entre os Andals e as filhas de Lann, The Clever, fundador da família e cuja lenda relata que “conquistou” o trono ao Rei de Casterly, usando apenas a sua astúcia e inteligência (e que roubou ouro ao Sol para meter no cabelo, daí os Lannisters terem o cabelo dourado).

Os Lannister governaram as Westerlands durante milhares de anos até à chegada de Aegon, o Conquistador. O Rei Loren I e o seu aliado, Rei Mern do Reach (num território que agora é governado pelos Tyrell), acompanhados de 65 mil homens, enfrentaram os invasores em campo aberto. Aegon libertou os seus Dragões e quatro mil foram queimados vivos. O evento ficaria conhecido como “Field of Fire”. O Rei Mern morreu nesse dia e com ele a Casa Gardener.

Percebendo a ameaça que os Targaryen representavam, Loren fez jus à astúcia da sua Casa e rendeu-se, auxiliando os invasores na conquista de Westeros. Em recompensa, Aegon deu-lhes os títulos que ainda hoje ostentam. Outras Casas rotulam os Lannisters como preguiçosos e opulentos, mas eles preferem pensar em si próprios como sábios e calculistas.

Tytos Lannister quase levou a Casa à falência com os seus maus investimentos e até houve quem se tentou aproveitar dessa fraqueza, mas o seu filho, Tywin, assumiu o comando das tropas e derrotou os rebeldes. A vitória deu origem à canção “The Rains of Castemere”, relatando a vitória sobre a Casa Reyne em Castemere, e servindo de aviso a quem tentar atravessar-se no caminho desta Grande Casa. O seu dom implacável valeu-lhe também a nomeação como Mão do Rei Aerys II.

Todas as Casas têm uma espada de aço valiriano, excepto os Lannister. Eles tinham a “ Brightroar”, mas o Rei Tommen II navegou até ao arquipélago da antiga Valyria e desapareceu sem deixar rasto, juntamente com a espada. Mais tarde, o irmão mais novo de Tywin, Gerion, fez o mesmo esforço mas também desapareceu no “Triangulo das Bermudas” de Essos. Tywin tentou convencer outras Casas menores a vender a sua espada Valyriana, propostas essas que eram prontamente rejeitadas. Uma espada de aço valyriano é, na falta de melhor palavra, priceless. Mais do que o seu valor monetário, é o valor simbólico de ter uma espada quase mítica, que já não pode ser replicada porque o conhecimento perdeu-se quando Valyria foi engolida pela mar. São objectos de imenso poder que oferecem à Casa que as detém imenso prestígio. É aqui que entra a genialidade de construção de personagens de George RR Martin: os Lannisters, a família mais orgulhosa de Westeros, a mais rica e influente, é também a única que não tem este símbolo de poder e prestigio. Algo que “atormenta” a famíliae em especial Tywin. Neste momento, após o aprisionamento e posterior execução de Ned Stark, detêm a “Ice”, espada dos Stark.

O leão dourado da Casa Lannister é hoje temido e respeitado por todos os reinos de Westeros. O seu lema oficial é “Hear Me Roar”, ou “Ouçam-me rugir”, mas têm um oficioso: “Os Lannister pagam sempre as suas dívidas”, remetendo para a sua capacidade monetária mas servindo também de lembrança de que qualquer boa acção/agressão contra a sua nobre Casa nunca ficará esquecida.

A Família

Loren I – Famoso por ser o último King of the Rock, encerrando uma dinastia de milhares de anos, quando se ajoelhou perante Aegon O Conquistador. Apesar da renúncia, foram-lhe entregues os títulos que a Casa Lannister ainda hoje mantém.

Tytos – Pai de Tywin, descrito como sendo amável mas fraco. Não inspirava qualquer medo nos seus bannermen: Quando os Tarbeck se revoltaram contra ele, Tytos aprisonou o Lord da família. Em resposta, a mulher do Lord Tarbeck prendeu três Lannisters. Quando Tywin sugeriu ao pai que cortasse o prisioneiro em três e enviasse à mulher, em resposta à afronta, o pai simplesmente deixou-o partir. Mais tarde os Tarbeck revoltaram-se novamente e aliaram-se à Casa Reyne em disputa pelo poder. Foi quando Tywin tomou conta dos acontecimentos e chacinou as famílias de tal modo que deu origem à canção “Rains of Castamere”. Um dia, Tywin estava entre uma leoa e a sua cria e quando atacado, o seu mestre do canil foi em auxílio e perdeu três cães e uma perna. Tytos recompensou o homem com terras, criando a Casa Clegane (os três cães são o sigilo da Casa). Viria a morrer de ataque cardíaco enquanto subia umas escadas (até na morte, embaraçou Tywin, com uma morte inglória).

Tywin – Patriarca da família, Lord de Casterly Rock e Regente do Oeste. Tem quatro irmãos, Kevan, Tygett, Gerion e Genna Lannister (casada com o segundo filho de Walder Frey). Considerado o homem mais poderoso dos sete reinos depois do Rei, serviu como Mão durante 20 anos no reinado de Aerys Targaryen. Tywin é descrito como o homem que não ri, porque na juventude, todos os súbditos se riam do pai e ele “aprendeu” a não confiar naqueles que se riem. Basicamente, “odeia” o riso e o que ele representa. Considerando o legado do pai, e de como este deixou o status da família,  Tywin pôs em si o peso de restaurar a honra da família, custe o que custar. Quando descobriu que o Rei tinha ordenado Jaime para a Kingsguard como acto de inveja para impedir que houvesse descendentes Lannister, renunciou ao cargo. Impiedoso e astuto, manteve-se neutro durante a Rebelião de Robert e só após a derrota do Príncipe Rhaegar no Tridente, percebendo que a balança de poder ia mudar, é que se juntou à rebelião. Tywin irá fazer tudo para elevar o nome da família, fazendo questão de que todos os membros trabalhem para esse fim. Estes “standards” que criou para a família, no entanto, fizeram um certo efeito retroactivo. Ele quer tanto elevar a honra familiar que acaba por ser cruel com a própria descendência, afastando-a e fragmentando a união que tanto deseja fermentar. Mais um exemplo da dualidade que GRRM faz questão de ter em todas as personagens: aspectos positivos e negativos, fortes e fracos. Por vezes, como é o caso de Tywin, a mesma característica que torna um personagem um brilhante táctico, torna-o “cego” a outros aspectos igualmente importantes.

Joanna – Mulher de Tywin e mãe dos gémeos Cersei e Jaime, viria a morrer durante o parto do terceiro filho, Tyrion. Diz-se que Joanna tinha grande influência sobre Tywin, que este respeitava os seus conselhos e que Tywin sorriu no dia do seu casamento, um acontecimento raro. Gerion, irmão de Tywin, disse mesmo que a melhor parte dele partiu com Joanna.

Jaime – Irmão gémeo de Cersei, dono de uma grande beleza (com um “sorriso que corta como uma faca”) e sem interesse em políticas e intrigas, apenas uma vida de guerreira e um dia morrer no campo de batalha.  Jaime é um guerreiro nato: aos 11 anos foi para Crakehall, a sul de Lannisport, para ser treinado. Aos 13 vence o primeiro torneio e aos 15 é nomeado cavaleiro no final de uma batalha. Foi também com essa idade que conquistou o lugar na Kingsguard, tornando-se no membro mais novo de sempre na guarda especial do Rei. Durante a Rebelião de Robert, Tywin ordenou que todos os Targaryen fossem mortos (para mostrar lealdade a Robert) e Jaime ganhou a alcunha de Kingslayer ao assassinar o Rei Aerys. Inicialmente descrito como arrogante e imoral, Jaime vai mudando a sua personalidade, usando as adversidades como uma oportunidade para se reinventar. Inseparável da irmã (mais velha) Cersei, mantêm uma relação de incesto desde novos. Certa vez foram apanhados por uma serva e a mãe ordenou a mudança dos aposentos de Jaime para o lado oposto do castelo. Com a morte da progenitora aos nove anos, a relação dos gémeos ficou ainda mais próxima. Quando Tywin o tentou casar com Lysa Tully, Cersei sugeriu ao irmão que se tornasse membro da Kingsguard e assim pudesse ficar junto dela. O plano de ambos saiu furado quando Tywin, abandonando o cargo de Mão do Rei, levou Cersei para Casterly Rock, deixando Jaime sozinho na capital. Jaime, como todas as personagens neste mundo com relevância, não é unidimensional. É um homem que teve de ver e fazer muitas coisas em nome do cargo que ocupa: uma vez, enquanto guardava os aposentos do Rei (como o vimos fazer com Robert na primeira temporada – teve de ouvir através da porta o Rei Aerys a violar a mulher Rhaella). Quando Tywin saqueava King’s Landing, Aerys enviou um mensageiro para que o wildfire fosse libertado sobre toda a capital, e toda a gente fosse queimada (porque preferia que ardesse do que cair nas mãos do Usurpador) e Jaime matou o mensageiro e de seguida o próprio Rei. Mas quando Ned Stark chegou à sala de trono formou um juízo imediato e errado da situação, que levou à alcunha de Kingslayer, em vez de “salvador” de King’s Landing.

Tyrion – Marcado desde a nascença por ter nascido anão, longe da imagem “élfica” da família, Tyrion nasceu no entanto com o dom da inteligência e astúcia, características de um verdadeiro Lannister. Por ser responsável pela morte da mãe e pelo aspecto físico, o pai despreza-o completamente, culpabilizando-o pela partida prematura do amor da sua vida. Embora Cersei também não morra de amores por ele, Jaime nutre um carinho muito especial pelo irmão e protege-o. Quando tinha treze anos, resgatou, juntamente com Jaime, uma jovem de nome Tysha. Ficou tão apaixonado que casou em segredo. Quando Tywin descobriu, ordenou que Jaime dissesse que se tratava de uma prostituta que tinha comprado para o irmão “usufruir” e ordenou que toda a sua guarda a violasse por uma moeda de prata cada um. No final, ordenou que Tyrion fosse o último, mas por uma moeda de ouro, porque um Lannister vale mais. Tywin ainda chegou a sugerir Tyrion como alternativa de casamento com Lysa Tully, mas Hoster Tully disse que a filha merecia “um homem inteiro”. Quando se tornou um homem aos 16, um homem aos olhos do mundo, quis ir em viagem pelas nove cidades livres, como é tradição nos Lannisters, mas o pai recusou e nomeou-o regente das cisternas e drenos de Casterly Rock (porque tinha vergonha que os povos associassem o deformado Tyrion aos Lannisters). A piada da situação é que Tyrion não amuou com isso, ao invés, fez um trabalho excelente na remodelação do sistema sanitário, tornando-o muito mais eficiente! Com alcunhas menos lisonjeadoras como “The Imp” (Diabinho) ou “The Halfman”, Tyrion destaca-se pela sua educação, língua ácida, calculismo, devorador de livros, conhecedor e estudioso de história, assim como amante profundo da bebida, prostituição e deboche. Amante dos “deformados” e menos favorecidos e cruel para os seus inimigos, o facto de ser Lannister ainda lhe prejudica mais a imagem junto do povo de Westeros. Ao contrário da personagem representada por Peter Dinklage, nos livros Tyrion é retratado como sendo ainda mais feio, com olhos díspares de cor (um verde, outro preto) e a cicatriz que “ganhou” após Blackwater desfez-lhe o nariz.

Kevan – Conformado com a ideia de viver na sombra do irmão mais velho, Tywin, é-lhe eternamente fiel e um verdadeiro braço direito. Tyrion chega a dizer que o tio foi formado pelos Deuses e por Tywin para ser um seguidor, não um líder.

Lancel – Filho de Kevan, o jovem de 16 anos é comparado em beleza a Jaime e é descrito como um rapaz tímido. Como escudeiro de Robert Baratheon é directamente responsável pela sua morte, sob ordem de Cersei.

Gregor “The Mountain” Clegane – O “monstruoso” cavaleiro é regente da Casa Clegane, bannermen dos Lannister, e é chamado para as missões mais impiedosas e depravadas. Descrito como tendo mais de dois metros e vinte, a sua valentia em batalha é apenas equiparada à brutalidade (capaz de cortar um homem ao meio com apenas um golpe). Em criança queimou a cara do irmão num brasão, marcando-o para a vida, por brincar com um brinquedo do qual Gregor se tinha fartado. Durante a Rebelião, sob ordens de Tywin, violou a mulher do Príncipe Rhaegar Targaryen e assassinou os dois filhos mais pequenos. Diz-se que tem enxaquecas constantes (talvez devido ao gigantismo) e que uma vez matou um homem sob o seu serviço por ressonar. É conhecido como “The Mountain That Rides”. Curiosidade: na série é interpretado por Conan Stevens na primeira temporada e por Ian Whyte na segunda. Este último representou um White Walker na primeira temporada. A mudança deveu-se ao facto de Stevens estar a trabalhar no filme “Hobbit”.

Bronn – Um mercenário com moralidade flexível e alto ordenado. Bronn é freguês da estalagem na qual Catelyn ordena a prisão de Tyrion, e, juntamente com o colega Chiggen, acompanha Cat até ao Eyrie por recompensa monetária. Depois de proteger Tyrion durante o julgamento, fica sob o seu serviço.

Hill Tribesmen – As Mountains of the Moon, nos arredores do Eyrie são a casa de muitos clãs: Stone Crows, Burned Men, Black Ears e Painted Dogs. A maior parte odeia a Casa Arryn e os seus bannermen. Alguns aliaram-se à Casa Lannister depois de Tyrion lhes prometer o Vale.

Shae – Resgatada por Bronn de um bannerman dos Lannister, e oferecida a Tyrion como companhia. Tyrion mantém uma relação amorosa com ela apesar do desdém do pai, que não quer ver a história a repetir-se. Sabe-se que tem origem em Essos e que fugiu de casa porque o pai queria fazer dela uma moça da cozinha e prostituta pessoal.

As Westerlands

As Westerlands são a Casa dos Lannister. Uma terra rica em minas, dominada por colinas e montanhas. Fazendo fronteira a Sul com o Reach (da Casa Tyrell), as suas características de terreno tornam-na num território difícil de conquistar por terra, sendo bem mais vulnerável por mar. A Este encontra-se o Golden Tooth, ou “The Tooth”, um forte governado pela Casa Lefford que defende a passagem entre as Westerlands e as Riverlands.

A maior cidade é Lannisport, um centro de comércio, de cultura e da frota dos Lannister. É também onde se localiza Casterly Rock, um forte formidável (o segundo maior de Westeros, depois de Harrenhall) construído pela Casa Casterly e esculpido na montanha com vista para a cidade e para o Sunset Sea. Golden Gallery, Lion’s Mouth e Hall of Heroes são algumas das salas descritas dentro do Forte, este último sendo o último local de repouso para os Lannister que morreram valentemente.

Os bastardos desta região têm o nome “Hill”.

O Rei Louco por Robert Baratheon

Quase 300 anos depois de Aegon, O Conquistador ter reunido os sete reinos com os seus dragões (Balerion, Meraxes e Vhagar), Aerys II encerrou a dinastia dos Targaryen em Westeros. Apesar da resistência inicial, a verdade é que Westeros teve momentos de glória sobre a alçada desta família, mas os Targaryen tanto estão destinados à grandeza, como à loucura. A versão muda de Casa para Casa. Há quem afirme que a revolta de Robert foi justificada e quem afirme que foi uma traição, mas independentemente disso, no final, Westeros não seria o mesmo depois do reinado deste Rei Louco…

“Aerys II foi o último do seu nome, com um reinado marcado pela instabilidade e terror. Sim, o início do seu reinado prometeu grandes feitos, mas deveu-se principalmente aos conselhos do seu círculo mais próximo, liderado por Tywin Lannister. Era ele que governava realmente o reino, enquanto o Rei enlouquecia aos poucos.

Os Targaryen têm predisposição para a loucura, é o preço a pagar pelos séculos a manter “a linhagem pura”, tradição de incesto que Aerys continuou com prazer. Com os anos, o seu comportamento ficou exponencialmente pior. Passava tanto tempo no trono que lhe chamavam o Rei Crosta e desenvolveu um fascínio perverso por Wildfire, queimando os seus inimigos vivos. Chegou a tal ponto que o próprio Tywin rescindiu do cargo de Mão. Ao menos partiu com vida, ao contrário dos seus sucessores.

Isto durou e durou, até que os Targaryen passaram todos os limites, quando o príncipe Rhaegar raptou Lyanna, irmã de Ned e Brandon Stark, e minha noiva. Bela e espirituosa… amava-a mais do que a própria vida. O desgraçado levou-a para o Dorne a Sul e sabe-se lá os terrores que ela passou lá. Brandon, que ia a caminho de Riverrun para casar com Catelyn Tully, soube e, revoltado, cavalgou para Sul exigindo o regresso em segurança da irmã, mas o Rei prendeu-o. Quando Rickard se dirigiu à corte teve o mesmo fado. Ambos foram mortos. Não havia muito mais a discutir depois disso.

Aerys não perdeu tempo em pedir a minha cabeça e a do irmão de Brandon e Lyanna, o meu amigo de infância, Ned. Juntamente com Jon Arryn do Vale, o homem que nos criou de infância, Baratheons, Starks e Tullys uniram-se e os dias do Louco estavam contados…”

O Rei Louco por Tywin Lannister

“À medida que o comportamento do Rei ficava mais problemático, o governo do reino recaía sobre mim. Durante 20 anos servi como Mão do Rei e como resultado o reino prosperou, os cofres estavam cheios e a paz imperava. Mas Aerys ficou cada vez mais invejoso, pelo crédito do sucesso que muitos me atribuíam. O meu poder e influência irritavam-no.

Quando o capitão da minha guarda pessoal, Ilyn Payne, foi ouvido a proferir palavras sobre quem seria o verdadeiro governante de Westeros, o Rei mandou que a sua língua fosse arrancada com pinças quentes.

Era minha intenção unir a Casa Targaryen e Lannister com o casamento entre a minha filha Cersei e o príncipe Rhaegar. A união fazia sentido, mas o bom senso do rei já o tinha abandonado e em vez de se unir aos seus mais leais e poderosos aliados, insultou a minha família e recusou, indicando que tal casamento era “inferior” ao prestígio de Rhaegar. Preferiu antes casa-lo com Elia Martell, de Dorne.

Como que a esfregar sal nas minhas feridas, nomeou o Jaime para a Kingsguard. Embora seja um cargo de honra para famílias menores, é um comprometimento vitalício que o obriga a renunciar aos bens familiares e à sua capacidade em criar descendentes… e o Rei sabia disso. Cansado das provocações do Rei, abandonei o cargo de Mão e regressei a Casterly Rock, com as minhas consideráveis forças militares.

Quando Robert Baratheon se revoltou, Aerys receou que me juntasse a ele e, julgando-se esperto, manteve Jaime próximo, como um aviso para mim. Mergulhou cada vez mais na ilusão, paranóia e violência. Ouvi dizer que estava cada vez mais fascinado por Wildfire, uma substância que assim que inflamada não podia ser extinta.

Convencido que tinha inimigos por toda a parte, proibiu qualquer espada perto de si à excepção da sua Kingsguard… Algo que provou ser a sua ruína…”

O Rei Louco por Maester Luwin de Winterfell”

“Pai orgulhoso de quatro crianças, Rickard Stark continuava a servir fielmente como Regente do Norte enquanto o reinado de Aerys II ficava cada vez mais errático. Séculos de paz entre o Norte e o Trono de Ferro acabaram quando o príncipe de Dragonstone raptou Lyanna, filha prometida ao jovem herdeiro de Storm’s End, Robert Baratheon.

Quando Brandon se deslocou em seu auxílio, exigindo a cabeça de Rhaegar, foi detido por traição. Rickard foi chamado à corte para pagar o resgate e quando este obedeceu, Aerys, no pleno da sua loucura, deteve-o também.

Rickard exigiu julgamento por combate, Aerys fez-se representar pelo seu campeão, Wildfire, e prendeu Rickard aos caibros enquanto este ardia dentro da própria armadura. Enquanto o pai era consumido pelas chamas, Brandon foi levado para a sala do trono e obrigado a assistir. Com uma corda presa a um engenho de estrangulamento, Aerys disse-lhe que havia uma maneira de salvar o pai e colocou uma espada convenientemente fora do seu alcance. Morreu estrangulado quando tentava chegar à espada para libertar o pai… Toda a corte ficou imóvel a assistir, inclusive Jamie Lannister e a sua Kingsguard. Diz-se que Aerys riu histericamente enquanto os dois nobres foram torturados e mortos.

Tentando livrar-se de todos os seus supostos inimigos, Aerys exigiu a Jon Arryn a cabeça de Ned Stark e do seu amigo Robert Baratheon. Ao invés de seguir as ordens, Lord Arryn juntou-se à rebelião. Robert Baratheon jurou matar o Príncipe e resgatar a sua amada, Lyanna.

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