Pelos Caminhos de Westeros: Os Martell e as Eras de Westeros

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiato, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Martell e as Eras de Westeros e Essos.

Os Martell

A viagem pelas grandes famílias de Westeros chega ao fim, bem a sul do continente, com os Martell. Ainda desconhecidos daqueles que acompanham apenas a série televisiva, já falámos bastante desta família quando abordámos a história dos Targaryen e a relutância deste povo em se submeter. Agora vamos conhecê-los melhor para que estejamos prontos para a nova temporada. NOTA IMPORTANTE: já é “regra” nesta rubrica não abordarmos a história após o início da série, salvo raras excepções, assim, podem contar com a AUSÊNCIA DE SPOILERS que comprometam a história da quarta temporada.

A Casa Nymeros Martell de Sunspear governa sobre a região do Dorne. O apelido Nymeros refere-se à descendência de Nymeria, a rainha Rhoynar que fugiu de Essos aquando da invasão do império de Valyria, que casou com o rei da região, Mors Martell. Os Martell têm como sigilo um sol vermelho (sigilo dos Rhoynar) atravessado por uma lança dourada (sigilo dos Martell) em fundo laranja e o seu lema é “Unbowed, Unbent, Unbroken”, ou “Insubmissos, Não Curvados, Não Quebrados”, em clara afirmação de independência. A nível de aparência, são retratados como uma espécie de norte africanos, com olhos escuros, cabelo preto e pele morena.

A origem da Casa é desconhecida, sabe-se apenas que têm descendência dos Andals e que eram apenas uma das famílias que lutava pelo domínio do Dorne. Desde cedo que este território é ingovernável, enquanto os outros reinos já se formavam, no Dorne aconteciam guerras entre lordes pelo domínio da região. Quando Nymeria e o seu povo chegaram de além-mar, ela escolheu um dos líderes mais fortes como seu marido, Rei Mors Martell e juntos uniram todo o povo sobre uma só bandeira. A Casa Nymeros Martell governa desde então. Com os Rhoynar vieram também algumas mudanças de cultura que diferenciaram este povo dos restantes  Andals, como por exemplo: o título de príncipe (em vez de rei) para o governante da região e o facto da hereditariedade do título ir para o filho mais velho, independentemente do sexo.

Quando Aegon “varreu” o continente com o seu sangue de dragão, apenas Dorne resistiu. Os seus líderes aprenderam com a queda dos outros reinos e impuseram uma guerra de guerrilha que contrariou a onda progressiva dos Targaryen até então. Aegon permitiu mesmo a independência do reino, título esse que se manteve durante mais 200 anos. Várias foram as tentativas para dominar os “ingovernáveis”, mas foi pelo casamento, não pela espada, que Dorne entrou finalmente no reino de Westeros. Aliás, casamento duplo: o príncipe Daeron II com a princesa Myriah Martell e a irmã de Daeron, Daenerys, com Maron Martell. Mantêm o título de Príncipes de Dorne, mas em nome do Trono de Ferro.

Antes de iniciar a história do primeiro livro, Doran Martell reina sobre a região. Doran, teve dois irmãos que morreram na infância, Mors e Olyvar, e dois mais novos com distância de dez anos, Elia e Oberyn.

A Família

Mors Martell – Primeiro nome conhecido da família, que casou com Nymeria e uniu o Dorne.

Nymeria – Depois de Ghis, os valyrianos continuaram a conquistar mais para Norte. Quando se viraram para Oeste, 700 anos antes de Aegon, para a antiga e grande civilização de Rhoynar (habitava a zona fluvial do rio Rhoyne, que atravessa o Continente de Norte a Sul, a Este da cidade de Pentos), uma rainha guerreira uniu as cidades-estado e o povo fugiu para Westeros. Segundo o mito, Nymeria, liderou dez mil barcos pelo delta do rio Rhoyne, através do Summer Sea, e estabeleceu-se em Dorne, onde casou com um dos reis da região, Mors Martell, ajudando-o a consolidar o reino de Dorne. Como povo, os Rhoynar eram um pouco diferentes dos restantes Andals: as descendentes mulheres tinham direitos iguais aos dos homens, toleravam a homossexualidade e idolatravam originalmente uma religião de cinco deuses ligados ao rio Rhoyne (após o êxodo adoptaram a Faith of Seven). Alguns resistentes da velha cultura continuam a viver perto do rio Greenblood, no Dorne.

Lewyn Martell – Membro da Kingsguard do Rei Louco e tio do actual lorde, Doran. Durante a Rebelião de Robert, Aerys manteve Elia refém e ordenou que Lewyn comandasse os dez mil homens do Dorne que se iam juntar a Rhaegar para enfrentar Robert Baratheon. Viria a morrer na Batalha do Tridente.

Doran Martell – Príncipe do Dorne e Lorde de Sunspear desde o final da Rebelião de Robert. Um homem cauteloso que não revela as suas emoções. Sofre de um grave caso de gota (caracterizada por inflamação das articulações dos membros inferiores), que lhe prejudica o andar, evitando aparecer em público para não parecer fraco aos inimigos e movendo-se normalmente numa cadeira de rodas. Manteve-se neutro na Guerra dos Cinco Reis, mas permanecia um desejo de vingar a morte da irmã Elia e um ódio pelos Lannister.

Como os seus irmãos mais velhos faleceram na infância, e é uma década mais velho que Elia e Oberyn, Doran foi educado como filho único durante anos, o que lhe fez desenvolver uma faceta introspectiva. Conheceu a mulher, Mellario de Norvos, enquanto viajava pelas Cidades Livres. Tiveram três filhos, Arianne, Quentyn e Trystane e foi uma união de amor (algo raro num mundo de casamentos políticos em Westeros). Apesar do “fogo” inicial, o casamento não foi feliz já que Mellario não se acostumou ao Dorne e o casal desentendeu-se quando Doran enviou o seu filho Quentyn para ser educado em Yronwood (região centro do Dorne) e ela voltou para Norvos.

Quando a irmã, Elia, foi morta no Saque de King’s Landing, foi Doran que acalmou a raiva pública do Dorne e, com a ajuda de Jon Arryn, o assunto foi “encerrado”. Durante anos, Doran e o irmão Oberyn planearam em segredo um plano para destronar Robert Baratheon e destruir a Casa Lannister. Oberyn viajou mesmo para Braavos para se encontrar com Viserys e Daenerys Targaryen e um pacto foi assinado, em que Viserys casaria com Arianne Martell quando o Dorne o ajudasse a recuperar o Trono de Ferro.

Doran recusou dar o seu apoio quando Joffrey foi nomeado rei e chegou a contemplar apoiar Renly Baratheon na guerra. Mas Tyrion Lannister conseguiu manter a aliança ao prometer Myrcella Baratheon com o seu filho Trystane, oferecendo a Doran um lugar no Pequeno Conselho de King’s Landing e justiça pela morte de Elia (a cabeça de Sir Gregor Clegane quando este morresse).

Elia Martell – Filha de pais desconhecidos, Elia era a quarta na linha de descendência. Uma jovem de bom coração, esperta e graciosa mas de saúde frágil. Aos 16 anos, juntamente com o irmão Obelyn, de quem era muito chegada, foram convidados pela Lady Joanna Lannister para viajarem até Casterly Rock, com o intuito de casar um ou ambos com os seus filhos, Cersei e Jaime. Pelo caminho visitaram vários pontos de interesse e quando finalmente chegaram, Joanna tinha falecido por complicações do parto de Tyrion. Tywin foi tudo menos acolhedor e não recebeu bem os convidados. Ignorou-os durante semanas, afirmou que Cersei estava destinada a Rhaegar Targaryen e chegou mesmo a oferecer Tyrion como alternativa para Elia. Proposta que foi considerada uma ofensa. A resposta de Dorne foi pronta e com um só corte, casar Elia com Rhaegar, conseguiram cimentar a aliança com os Targaryen e irritar ainda mais Tywin.

O casamento era aparentemente feliz, mas a saúde de Elia preocupava. Deu à luz Rhaenys e Aegon e teve recuperações penosas, foi mesmo proibida de ter mais com o risco de falecer.

Após toda a “novela” que se iniciou no Torneio de Harrenhal em que ela foi humilhada quando o seu marido nomeou Lyanna Stark como Rainha da Beleza e do Amor e acabou com a morte do seu marido no Tridente… Elia foi mantida prisioneira em King’s Landing porque o Rei Louco acreditava que a morte de Rhaegar se tinha devido a traição do Dorne. Durante o Saque de King’s Landing viu a sua filha ser morta por Amory Lorch enquanto foi violada e morta por Sir Gregor Clegane, sob ordens de Tywin Lannister. Tywin defendeu-se ao afirmar que queria apenas evitar possíveis lutas de sucessão ao trono mas que não queria que nenhum mal recaísse sobre Elia, Oberyn não tem duvidas que foi vingança de Tywin por ela ter roubado o lugar de Cersei no casamento.

Oberyn Martell (na imagem) – Uma das grandes figuras desta família. Um homem vigoroso, forte, com um raciocínio forte e língua afiada e temperamental. Estudou com os Maesters durante um tempo mas aborreceu-se e saiu. Aos dezasseis anos foi apanhado na cama com a paramour (mulher de um nobre, mas não casada. Noutros reinos é considerado um estatuto mais incerto, mas no Dorne há uma certa importância social) do Lord Edgar Yronwood e este desafiou-o para um duelo. Oberyn saiu vencedor e ficou desde aí conhecido como Red Viper por amigos e inimigos, porque segundo rumores, usou uma lâmina envenenada no duelo.

Viajou bastante pelas Cidades Livres, onde aprendeu sobre venenos e talvez outras artes negras, lutou ao lado dos Second Sons pelas Disputed Lands. Diz-se que é bissexual e que tem vários filhos bastardos e, apesar do título das descendentes, Oberyn faz questão de cuidar de todos eles para que nunca lhes falte nada (ensina-os a defenderem-se e permite-lhes muita independência). As mais famosas são as Sand Snakes (Sand porque é o nome dado aos bastardos da região e Snakes em alusão a Red Viper), um conjunto de mulheres de mães diferentes (septas, prostitutas, nobres) mas que têm em comum os olhos do pai. As quatro mais novas são filhas de Ellaria Sand, a paramour de Oberyn.

Oberyn é também responsável pela tensão entre Dorne e o Reach, porque durante um torneio magoou Willas Tyrell para a vida, apesar de este não responsabilizar Red Viper pelo sucedido.

Após a morte da sua amada irmã Elia, Oberyn quis permanecer em guerra e apoiar Viserys Targaryen para repor a dinastia, mas o irmão Doran, acabado de chegar ao trono, travou as intenções bélicas alegando que o Dorne não era forte o suficiente para ser bem-sucedido.

Ellaria Sand (na imagem) – A amada paramour de Oberyn Martell e mãe das suas quatro Sand Snakes mais novas. Ela própria é bastarda do Lorde Harmen Uller, um nobre do Dorne. Embora não seja descrita como uma mulher belíssima, é atraente e cativa olhares com o seu ar exótico.

Quando Tyrion oferece o lugar no pequeno conselho a Doran, este não podendo viajar devido a doença, envia Oberyn para ocupar o seu lugar. Ellaria acompanha-o na viagem para King’s Landing. Quando chegam lá, deparam-se com Tywin Lannister no lugar de Mão, que não reconhece a promessa feita pelo filho.

Arianne Martell – Filha mais velha de Doran e herdeira do Dorne. Uma jovem bonita, calculista, aventureira e destemida. Quando quer algo, faz tudo para o alcançar nem que para isso tenha de usar a sua beleza e até o corpo. Em muitos aspectos parecida com o seu tio Oberyn (é mesmo chegada a algumas das Sand Snakes), considera os homens bonitos e proibidos a sua maior fraqueza. Apesar das suas qualidades, mantém-se solteira aos 23 anos. Arianne não está muito satisfeita com o reinado do seu pai Doran, considerando-o fraco e vacilante. O facto do pai se encontrar mais vezes com o Red Viper do que com ela fá-la pensar que ele não tem respeito por ela.

O Dorne

Nós temos a bota de Itália, Westeros tem o pé de Dorne. Uma grande península que constitui a maior parte da costa Sul do continente.

Com Mar do Dorne a Norte, o Narrow Sea a Este e o Summer Sea a Sul apenas uma formação rochosa conhecida como as Red Mountains ligam Dorne por terra. São dois os caminhos terrestres que podem ser percorridos: Stone Way Pass, ou Boneway, que liga o território às Stormlands e o Prince’s Pass, que liga ao Reach.

É a região mais quente de Westeros. Montanhosa, árida e rochosa, que contém o único deserto em todo Westeros. Os seus rios permitem alguma terra fértil e até durante os longos verões há chuva suficiente para manter o Dorne habitável. No interior, a água é um bem tão precioso como o ouro.

Sem contar com as Iron Islands, são o reino menos populacional dos Sete Reinos. Quer por influência do povo Rhoynar, quer pelo seu relativo isolamento, são culturalmente diferentes dos restantes povos, que os consideram temperamentais e sexualmente libertinos. Tal como acontece com o povo do Norte de África, também o Dorne é fonte de produtos exóticos, além de citrinos e vinhos especiais. São também famosos por uma raça de cavalos, os Sand Steed, que conseguem correr durante dois dias antes de se cansarem. Navios provenientes de Essos deixam mantimentos no porto de Planky Town, na boca do rio Greenblood.

Os First Men entraram em Westeros por um caminho terrestre que fazia a conexão com Essos, denominado “Arm of Dorne”. O mito diz que as Crianças da Floresta, através dos seus feiticeiros (greenseers), usaram magia negra e fizeram subir o nível da água, destruindo a passagem, numa tentativa fútil de impedir a invasão do Homem. Mas os First Men já estavam “instalados” no continente. Dessa passagem restam as Steptones, duas ilhas (Bloodstone e Grey Gallows) ao largo Este, que albergam piratas.

A capital é Sunspear, um antigo forte e lar da família Martell. Além do forte constituído por três muralhas, tem uma cidade “sombra”, que em termos de tamanho é muito reduzida, mas que é o mais parecido com uma verdadeira cidade que Dorne tem. No extremo oposto, a Oeste, encontra-se Starfall. Casa dos Dayne, o forte ancestral encontra-se na margem do rio Torentine. A Norte, guardando a Boneway, temos Yronwood, lugar da família que lhe deu nome e que protege a região dos invasores.

O Dorne tem um passado violento. O povo está em constante conflito, principalmente com o povo que vive nas montanhas e mantêm uma relação de animosidade com o Reach, com quem disputam terras há séculos.

Os bastardos desta região têm o apelido de “Sand”.

As Eras

A história de Westeros começou há 12.500 anos, mas a só começou a ser escrita com a chegada dos Andals a Westeros porque os First Men escreviam runas, em pedra, e o seu significado perdeu-se. Assim, tudo o que está “escrito” tem origem em histórias passadas para papel pelos septons da Fé dos Sete. A veracidade dos factos é constantemente contestada pelos maesters da Citadela, entre outros. Mas comecemos pelo início… (comece a música de “2001: Odisseia no Espaço”!)

PS- Todas as datas têm relação com a chegada de Aegon Targaryen a Westeros, usando números negativos para os factos anteriores a esse marco (tal como nós fazemos com o nascimento de Jesus Cristo).

PRÉ-HISTORIA

Antes da chegada do Homem a Westeros, o continente era habitado por pequenos humanoides conhecidos como Crianças da Floresta, gigantes e outras criaturas mágicas.

Pouco se sabe sobre estas “Crianças”, aliás, há muitos que duvidam que tenham sequer existido. Os contos descrevem-nos como criaturas escuras e bonitas, com grandes orelhas que permitiam que ouvissem o que nenhum Homem conseguia, olhos grandes como gatos de cor vermelha ou verde, mãos com apenas quatro dedos e garras em vez de unhas, em que o mais alto ser não ultrapassava a altura de uma criança humana. Vivem muito tempo e os seus nomes verdadeiros eram demasiado longos para a língua humana. Não usavam metal nem construíam cidades, viviam antes da terra, usando instrumentos de pedra e viviam em cavernas e aldeias construídas em árvores. Machos e fêmeas caçavam lado a lado, era ágeis, rápidas e graciosas criaturas que não possuíam livros, nem palavra escrita. Usavam armas de obsidiana e arcos e flechas.

Diz-se que tinham poderes mágicos sobe as criaturas da floresta, faziam musica que fazia chorar quem a ouvisse e tinham sonhos premonitórios. Foram elas que esculpiram as faces nas weirwoods porque acreditavam que essas árvores eram deuses, e que as faces permitiam que os deuses as protegessem e lhes davam conhecimento.

Desconhecesse há quanto tempo as Crianças habitavam Westeros, mas pelo menos durante mil anos dominaram Westeros até à chegada do Homem, há 12 mil anos. Devido às práticas ofensivas dos Humanos, as Crianças da Floresta lutaram contra os invasores durante dois mil anos. Os greenseers, uma espécie de feiticeiros das Crianças, usaram a sua poderosa magia e destruíram o Arm of Dorne, a passagem terreste que ligava Essos a Westeros, na tentativa impedir que mais humanos invadissem as suas terras sagradas. Em cada mil Crianças, nasce um warg (uma pessoa capaz de entrar na mente dos animais, tal como Bran Stark) e em cada mil wargs, nasce um greenseers (o mesmo acontece com os humanos). Diz-se que os greenseers conseguiam ver pelos olhos das faces esculpidas nas weirwoods.

Eventualmente as Crianças travaram tréguas com os Primeiros Homens e ambas as raças coexistiram em harmonia durante quatro mil anos, até à chegada dos Outros, vindos do Norte. Durante o período conhecido como The Long Night (-8.000 AL – Desembarque de Aegon) as Crianças e os Primeiros Homens uniram-se para travar a onda de destruição e massacre que abateu sobre a terra, num período terrível de noite constante. Conseguiram derrotar os Outros na War for the Dawn (Guerra pelo Amanhecer) e empurraram a ameaça de volta para a Terra do Inverno Constante, bem no limiar Norte de Westeros.

A partir deste momento, as duas raças mantiveram uma relativa paz, com as Crianças a recuarem cada vez mais para a profundeza das florestas e para Além da Muralha. Após a construção da Muralha, as Crianças forneciam cem adagas de obsidiana por ano à Night’s Watch, pois é a única arma que consegue matar os Outros.

Com a chegada dos Andals, a existência destas velhas criaturas atingiu o máximo de ameaça. A relação esmoreceu até se tornar inexistente com os anos. Quando Aegon chegou a Westeros, já ninguém via uma Criança da Floresta há milhares de anos.

Embora o povo acredite que esta raça está extinta, ninguém sabe com certeza, pois há quem acredite que eles vivem para lá da Muralha…

OS PRIMEIROS HOMENS

Sob a liderança do Primeiro Rei, um grupo de humanos atravessou o Arm of Dorne, trazendo consigo armas de bronze. Foram os primeiros humanos a colonizar Westeros.

Foram eles que deram o nome às Crianças da Floresta, as criaturas que não viram com bons olhos os costumes e o desrespeito pela Terra dos invasores, que cortavam as sagradas weirwoods. Mesmo com a destruição da passagem terrestre, os First Men fizeram a travessia por barco, aumentando exponencialmente a sua presença no novo continente. Seguiu-se uma guerra de dois mil anos.

Os First Men eram mais fortes, numerosos e tecnologicamente avançados que as Crianças, que mesmo recorrendo à magia não conseguiram travar o avanço. Com o tempo conseguiram colonizar e criar vários pequenos reinos. A sua língua ficou conhecida como Old Tongue, um língua dura à base do grasnar que ainda hoje é falada por alguns wildling e gigantes. Foram eles que criaram a Lei da Hospitalidade, em que os anfitriões têm de servir pão, sal e protecção aos convidados. Embora a maior parte desta cultura se tenha perdido, o povo do Norte retém o espírito, pois são os únicos de Westeros que traçam a sua descendência aos First Men e não aos Andals.

O forte de Moat Cailin foi erguido hà dez mil anos pelos First Men (ponto fulcral no Neck porque permite a travessia segura de exércitos pelos territórios pantanosos da região) e as Crianças conseguiram tomar o controlo de pelo menos uma torre. Segundo o mito, as Crianças tentaram repetir o feito de Arm of Dorne e invocaram o Hammer of the Waters (Martelo das Águas), numa tentativa de separar o Continente entre Norte e Sul e travar assim o avanço do Homem. Não se sabe porquê, mas desta vez a magia falhou, o máximo que conseguiram foi alagar toda a região, criando grandes pântanos. No entanto, o cataclismo provou o poder das criaturas aos olhos dos First Men, o que teve provavelmente um peso na altura de concordarem com um tratado que encerrasse as hostilidades.

Após milénios de combate, um Pacto foi assinado na Ilha das Faces, no centro do lago Olho de Deus. Os First Men mantinham domínio sobre os campos abertos e as Crianças sob as florestas. A partir daí começou o período conhecido como Age of Heroes (-10.000 AL)

IDADE DOS HERÓIS

Os anos que se seguiram foram de prosperidade, com paz e harmonia entre raças e de crescimento dos Primeiros Homens. Tamanha coexistência levou a que adotassem a religião dos Velhos Deuses das Crianças e foram eles que ensinaram o Homem a usar os corvos como mensageiros. Esta Era foi assim denominada pela quantidade de personalidades heróicas que viveram durante este período. Uma grande parte das grandes Casas de Westeros traçam a sua linhagem a partir destes grandes homens.

Entre os mitos estão nomes como Brandon o Construtor (fundador da Casa Stark), Lann o Esperto (fundador da Casa Lannister), Garth Greenland (fundador da Casa Gardener e Tyrell, pela linhagem feminina), Durran Godsgrief (a quem se atribui a construção de Storm’s End), o Rei Grey (fundador da Casa Greyjoy) e Symeon Star-Eyes (um cavaleiro lendário que perdeu ambos os olhos e colocou duas safiras para os substituir. Lutava com uma vara longa com duas laminas nas pontas e derrotava dois homens ao mesmo tempo).

A meio desta era abateu-se sobre Westeros e o Este a Long Night e só com a liderança de um grande herói, Azor Ahai, o Homem e as Crianças conseguiram derrotar os Outros. Brandon o Construtor, com a ajuda de gigantes (e talvez com a magia das Crianças da Floresta), ergueu a Muralha para proteger os reinos de nova invasão nórdica. A Night’s Watch foi criada (-8.000 AL).

A INVASÃO DOS ANDALS

Em 6.000 antes da chegada de Aegon, nas Colinas de Andals, nascia a religião Fé dos Sete. A divindade dos Andals apareceu-lhes e guiou-os na invasão de Westeros.

Atravessaram o Narrow Sea e desembarcaram na zona que agora conhecemos como Vale de Arryn sob a bandeira da estrela de sete pontas da Fé e munidos com armas de ferro. Durante séculos as Crianças da Floresta e os Primeiros Homens travaram guerras com os Andals, mas também o seu esforço foi fútil. Raramente a conquista era feita de modo pacífico, com casamentos, a maior parte das vezes a migração foi violenta, com a destruição dos reinos dos First Men e com as Crianças da Floresta a serem obrigados a recuar para Norte. Invadiram as Iron Islands 200 anos após a invasão inicial, os seis reinos do sul caíram e os Andals criaram reinos próprios, num processo foi relativamente lento. Apenas o Norte se manteve impregnável, mesmo contra a aliança de todos os Andals. O forte de Moat Calin foi crucial para travar os avanços e todas as investidas falharam. Eventualmente os Andals desistiram e deixaram o Norte em paz.

A grande consequência desta invasão foi o abandono de Westeros por parte das Crianças da Floresta. Os reinos de Vale, Rock, Reach, Iron Islands, River e Stormlands foram criados. Nesta altura, em -3.000 AL, o Dorne era uma confederação de estados em contente luta.

ANTIGA VALYRIA

Enquanto os Andals levavam a cabo a sua invasão, o Império da Livre Valyria ascendia em Essos. Durante quase 4.500 anos o Império cresceu, derrotou forças mais antigas e poderosas e expandiu-se por quase todo o continente, com a ajuda dos seus dragões. Em -700 AL expulsam o povo de Rhoynar, em -500 conquistaram a área ocupada actualmente pelas Cidades Livres e em -200 anexaram uma pequena ilha ao largo de Westeros, Dragonstone. Em -100 ocorre o Doom of Valyria e todo o império cai num dia…

OS SETE REINOS

Os Sete Reinos estão praticamente definidos e Westeros vive sobre dinastia Targaryen. Em -700, os Stark finalmente subjugam a Casa Bolton, os seus principais adversários pelo domínio do Norte, os ironborn forjam o seu império a Este e os Rhoynar chegam ao Dorne para unir a região sobre uma só bandeira.

Em 1 AL, Aegon chega a Westeros e inicia-se a Guerra da Conquista, que iria, mais uma vez, redefinir o mapa político de Westeros. Em 281 AL dá-se a Rebelião de Robert e a Rebelião dos Greyjoy a 289 AL.

Em 298 AL começa a narração da Saga propriamente dita. Os primeiros cinco livros (na versão inglesa) expandem-se a longo de três anos e um Verão, que já dura há dez anos, finalmente chega ao fim… Winter is Coming.

Não deixa de fascinar o quão rica é a história e o detalhe que GRR Martin imprimiu neste mundo. Muitos dos acontecimento referidos aqui foram abordados noutros episódios desta rubrica (que recomendamos que leiam). [/tab]

As Crianças da Floresta, Os Primeiros Homens e Os Andals

“Na Dawn Age de Westeros, antes da chegada do Homem e do surgimento de castelos e cidades, havia somente as Crianças da Floresta.

Actualmente pouco se sabe sobre elas, mas diz-se que eram pequenas, escuras e belas e, mesmo ao atingirem a idade adulta, eram pouco maiores que crianças. Viviam nas profundezas das florestas, em vilas, habitações lacustres e cavernas. Caçavam com arcos de madeira e armavam-se com lâminas de obsidiana. Os seus sábios eram chamados de profetas verdes e possuíam poderes mágicos. Idolatravam deuses sem nomes e sem faces das florestas, rios e pedras. Segundo a lenda, foram eles que esculpiram as faces nos troncos grandes e brancos das majestosas weirwoods, olhos profundos avermelhados pela seiva, sempre alertas.

Há 12 mil anos, os Primeiros Homens vieram do continente leste, atravessando um istmo chamado de Braço de Dorne. Montados em cavalos enormes, empunhando armas de bronze, destruíram as florestas e as árvores das Crianças. Uma guerra terrível teve início entre as Crianças e os Primeiros Homens que durou séculos.

Finalmente, as duas raças encontraram um fim para os anos de horror e massacre. Reuniram-se numa ilhota no meio de um grande lago, chamado Olho de Deus e nela forjaram o Pacto. Os Primeiros Homens ficaram com o domínio da costa, das montanhas, campinas e pântanos, mas o interior da floresta ficaria para sempre com as Crianças e nunca mais as weirwoods seriam cortadas pelo Homem. Para selar o pacto perante os deuses, as Crianças esculpiram rostos em todas as árvores weirwood da ilha, que passou a ser conhecida como a Ilha das Faces.

Mas o Pacto não sobreviveu à chegada dos Andals, uma raça de guerreiros altos e com cabelos claros, que atacaram com fogo e armas de aço, massacrando as Crianças onde quer que as encontrassem, queimando as suas árvores, destruindo as faces dos deuses antigos e espalhando a sua própria religião pela terra.

Seguiram-se séculos de guerras e os Andals conquistaram todos os reinos de Westeros, menos um: o Norte. Os reis do Inverno conseguiram resistir à invasão Andal. Os descendentes dos Primeiros Homens ainda vivem lá e continuam a adorar os deuses antigos até aos dias de hoje.

Quanto às Crianças da Floresta, diz-se que as que sobreviveram ao massacre fugiram para Norte e não foram mais vistas. Muitos acreditam que morreram há muito, outros duvidam que alguma vez tenham existido. Permanecem somente em canções, lendas e nas faces das weirwoods.”

A Idade dos Heróis

“Quando Aegon o Conquistador invadiu Westeros, teve de cuidar de sete reinos: o reino do Norte, o reino da Montanha e do Vale, as Ilhas de Ferro, o reino do Rochedo, o reino do Reach, as Stormlands e Dorne. Estas áreas foram definidas pelos Primeiros Homens, milhares de anos antes, na Idade dos Heróis.

Um deles foi Bran o Construtor que construiu a Muralha e a fortaleza de Winterfell, estabelecendo a Casa Stark e reinando como o primeiro rei do Norte.

Outras lendas contam sobre o rei Grey das Ilhas de Ferro. Ele casou-se com uma sereia e derrotou Nagga, o primeiro dragão do mar. A Casa Greyjoy de Pyke, actuais soberanos da região, alegam ser seus descendentes.

A Casa Casterly controla as Westerlands, terra rica em ouro, do seu trono poderoso em Casterly Rock. Mas as suas terras e poder foram-lhes tirados pelo lendário trapaceiro Lann o Esperto. Diz-se que a nobre Casa Lannister descende dele.

As terras férteis e verdejantes do Reach foram originalmente regidas pela Casa Gardener. O seu fundador, conhecido como Garth Greenhand, usava uma coroa de flores e videiras e reinou Highgarden como o primeiro rei do Reach e, supostamente, fez a terra florescer. Muitas casas nobres têm a sua origem nele, inclusive os actuais senhores de Highgarden, a Casa Tyrell.

Nas Stormlands, segundo as baladas da época, um guerreiro chamado Durran apaixonou-se por Elenei, cujo pai era o Deus do Mar e a mãe Deusa do Vento. Ela entregou a sua virgindade a ele, assumindo uma vida mortal. Furiosos, os seus pais invocaram os ventos e as águas, destruindo a fortaleza da baía de Durran e o seu presente de casamento. Durran declarou guerra aos deuses e reconstruiu a sua fortaleza, que também foi destruída. Ergueu mais quatro castelos, cada um mais forte que o outro e todos caíram vítimas das forças dos deuses. Ma ao sétimo castelo de Durran, Storm’s End, resistiu à ira dos deuses. Durran tornou-se conhecido como Durran Godsgrief e foi o primeiro rei da região.

Há inúmeras histórias da Idade dos Heróis, tantas que não dá para contar. Não foram registadas em livros mas foram transmitidas de geração em geração por meio de histórias e canções. Embora algumas delas sejam consideradas contos de fadas, todos os Sete Reinos são definidos por elas.”

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