Pelos Caminhos de Westeros: Os Reed e as Casas do Norte

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiato, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: As Casas do Norte, os Reed e as várias regiões de Westeros.

As Casas do Norte

O Norte estende-se da zona a Sul da Muralha até ao “The Neck” e tem quase o mesmo tamanho que todos os outros Reinos juntos. Uma zona assombrada pelo frio constante, neve e florestas. Os seus habitantes são descendentes dos “First Men” e rezam aos Velhos Deuses (as árvores de weirwood – represeiro – são sagradas no Norte). Embora a Casa Stark seja a guardiã e regente da região, não é a única.

Casa Bolton
Fortaleza: Dreadfort
Lorde: Roose Bolton
Lema: “As nossas lâminas são afiadas”
Símbolo: Um homem esfolado vermelho em fundo rosa

Embora tenham um lema oficial, o oficioso é “Um homem esfolado não tem segredos”. Os Bolton são uma casa ancestral e velhos rivais dos Stark. Costumavam esfolar alguns lordes Stark e penduravam as suas peles no forte de Dreadfort e havia quem dissesse que usavam as peles dos inimigos como capas, o que lhes dava uma reputação sinistra. Há uma outra teoria que dá um poder “mágico” aos Bolton, em que são capazes de se disfarçar de outras pessoas usando as suas peles. É sugerido que o lendário Night King, que tentou ser rei da Night’s Watch e que casou com uma White Walker, era Bolton (ou até um Umber).

Há milhares de anos aliaram-se à extinta Casa Greystark numa fracassada rebelião contra os Stark. Mais tarde rebelaram-se novamente e os Stark cercaram Dreadfort durante dois anos até os locais se renderem. Há cerca de mil anos, ajoelharam-se de vez e abandonaram as suas práticas bárbaras. Desde então têm sido leais, embora haja rumores que continuam a esfolar os prisioneiros e têm uma sala onde expõe as peles dos inimigos.

Roose lutou com Ned Stark na Rebelião de Robert, na Batalha do Tridente. No final da batalha aconselhou Robert Baratheon a cortar o pescoço a Ser Barristan Selmy, mas o futuro rei enviou antes os seus Maesters para salvarem o honrado cavaleiro.

Casa Umber
Fortaleza: Last Hearth
Lorde: Jon “Greatjon” Umber
Lema: (desconhecido)
Símbolo: Um gigante castanho a rugir, vestido com uma pele e com correntes quebradas em fundo vermelho

Destemidamente leais à Casa Stark, os Umber são um povo “duro”, endurecidos pelo clima do Norte. Controlam a Bay of Seals e a Kingsroad passa a Oeste das suas terras. A sua proximidade à Muralha coloca-os em risco constante de ataques por wildlings e são frequentemente chamados para os repelirem. Estiveram presentes sempre que um Rei Além da Muralha atacou, defendendo o reino. Embora o neguem, rumores dizem que ainda praticam a banida tradição da “Primeira Noite”, em que no dia do casamento dos plebeus, o Lorde tem o direito de dormir com a noiva.

Casa Karstark
Fortaleza: Karhold
Lorde: Harrion Karstark
Lema: “O Sol de Inverno”
Símbolo: Um sol branco em fundo preto

Também descendentes dos Primeiros Homens e com sangue Stark. O fundador da Casa, Karlon Stark, derrotou uma Casa rebelde e recebeu terras por isso. Construiu um Castelo, Karl’s Hold (que com o tempo se tornou Karhold), e os Karhold Stark com a passagem dos séculos tornaram-se os Karstarks. As suas terras localizam-se no Nordeste de Winterfell, perto do Shivering Sea. Os homens são grandes e destemidos, com longas barbas e cabelos e portadores de mantos com peles de focas, ursos e lobos. O Lord Rickard Karstark lutou com Ned na Batalha do Tridente, durante a Rebelião.

Casa Manderly
Fortaleza: New Castle em White Harbor
Lorde: Wyman Manderly
Lema: Desconhecido
Símbolo: Um homem-sereia com barba e barbatana verdes, portador de um tridente, em fundo azul

Os Manderly são a única Casa do Norte que não é originária dos Primeiros Homens, mas dos Andals. Eram “vizinhos” dos Tyrell mas foram expulsos e acolhidos pelos Stark há cerca de mil anos (há quem afirme que tentaram rebelar-se contra a agora extinta Casa Gardener, ex-governantes do Reach). São assim a única Casa do Norte que não segue a Velha Religião, mas a “Faith of Seven” ou “Faith”, a religião mais praticada em Westeros. Governam casa menores, como os Locke e Woolfield e os Flint.

Quando os Stark os receberam, atribuíram-lhe o forte de Wolf’s Den (agora é uma prisão, foi substituído por um novo castelo, New Castle). White Harbor foi construída pelos Manderly e é uma das cinco grande cidades de Westeros, a mais nortenha e porto principal do Norte.

Outras Casas do Norte:

Casa Mormont da Bear Island (um urso preto num fundo com floresta) – O seu lema é “Here We Stand”, “Aqui estamos nós”. Umas das poucas Casas que tem uma lâmina de aço valyriano: Longclaw, no entanto, a falta de recursos valiosos faz da velha, orgulhosa e honrada Casa, pobre. As mulheres aprendem a defender-se como os homens, a constante ameaça das Iron Islands e wildling assim o obriga. Diz-se que o rei Rodrik Stark ganhou a ilha numa luta (provavelmente contra o rei das Iron Islands que governava na altura) e a deu aos Mormont. Jeor Mormont lutou com Ned Stark na Rebelião de Robert e no final alistou-se na Night’s Watch. O seu sucessor, Jorah, ganhou fama na Rebelião dos Greyjoy pela valentia, mas o crime de tráfico humano obrigou-o a fugir para Essos. A irmã do agora Lord Commander da Night’s Watch, Maege Mormont, sucedeu como cabeça da Casa Mormont.

Casa Flint de Widow’s Watch (fundo azul com ondas brancas e um par de olhos com fundo amarelo) – O ramo mais poderoso dos Flint, com o lema “Sempre Vigilantes”. A Lady Lyessa Flint governa sobre a Casa. A outra Casa Flint é a de Flint’s Finger (uma mão de pedra cinzenta num funda com listas pretas e cinzentas).

Casa Dustin de Barrowton (dois machados enferrujados cruzados e uma coroa preta em fundo amarelo) – Governada por Lady Barbreu Dustin.

Casa Hornwood (um alce castanho em fundo laranja) – O seu lema é “Justos na Ira” e governam a partir de Hornwood. O seu território faz fronteira entre as Casas Bolton e Manderly.

Casa Glover (Um punho de armadura em fundo vermelho) – Donos de Deepwood Motte, os Glover não chegam a ser lordes. Governam sobre a região de Wolfswood e as Casas Branch, Forrester e Woods prestam-lhes vassalagem. A Floresta de Wolfwood é a maior do Norte e apelidada pela grande quantidade de lobos que lá vivem. A primeira mulher de Jorah Mormont, que viria a falecer depois do terceiro aborto, era uma Glover. Ethan Glover, escudeiro de Brandon Stark, acompanhou-o na viagem a King’s Landing e foi o único que sobreviveu à viagem.

Casa Ryswell (uma cabeça de cavalo preto, com olhos e crina vermelhos em fundo laranja com bordas pretas) – O Lorde Rodrik Ryswell governa uma extensa área a Oeste do Norte conhecida como Rills.

Casa Cyrwin (um machado de guerra pretos em fundo prateado). São a Casa mais perto de Winterfell, a apenas meio-dia de viagem.

Casa Tallhart (três árvores de sentinela em fundo castanho) – Não são uma Casa de lordes, apenas de mestres. O seu lema é “Orgulhosos e Livres” e o seu centro é em Torrhen’s Square, um castelo forte na margem de um grande lago.

Clãs da Montanha – Não confundir com os clãs da montanha do Vale. Estes vivem na costa da Baía do Gelo, a Noroeste de Winterfell, norte de Wolfswood, há milhares de anos. Um povo duro que descende dos Primeiros Homens e que se dividem em cerca de quarenta clãs, onde se destacam os First Flints, Wulls, Norreys, Burleys, Harclays, Liddles e Knotts. Os Wulls e Flints, os mais fortes, constantemente atacados por wildlings, e os Wulls ajudaram inclusive a repelir ataques dos nascidos do ferro. Este ambiente duro levou a uma cultura de guerra, em que os melhores lutam com greatswords (espadas maiores que as tradicionais).

Embora não se considerem lordes, os chefes dos clãs são tratados assim pelos seus soberanos, os Stark. Usam uma nomenclatura diferente para os seus chefes, por exemplo, Lord Eddard Stark seria “The Ned”. Pensa-se que esta tradição vem do tempo dos First Men e é praticado por alguma casas nobres e até nascidos do ferro. Durante os Invernos, devido às condições climatéricas, os homens mais novos são enviados para viverem em Winter Town sob tutela dos Starks e os velhos vão “caçar”. Uns são encontrados na Primavera seguinte, outros nunca mais são vistos. Segundo Roose Bolton, também eles cumprem a tradição proibida da “Primeira Noite”.

Os Reed

A Casa Reed governa os crannogmen através do “castelo” de Greywater Watch. O actual regente é Holand Reed.

Os crannogmen são um povo recluso que vive nos pântanos do Neck. Apelidados de “demónios do pântano”, “devoradores de sapos” ou “homens da lama”, vivem em pequenas aldeias de junco entrelaçado com palha espeça (crannogs), no topo de ilhas flutuantes. São bons caçadores e guerreiros apesar da sua estatura baixa e estilo de vida primitivo, provando ao longo da história ser um povo bem difícil de conquistar. Usam redes, adagas de bronze e escudos redondos de pele e atacam com técnicas de guerrilha e veneno, dominando por completo o terreno difícil onde habitam. Os seus inimigos limitam-se a apelida-los de cobardes. De acordo com aqueles que lutaram contra eles, as suas casas movem-se e até os seus castelos. Têm uma rivalidade centenária com a Casa Frey, que governa as terras mais a sul.

As histórias narram que os crannogmen conviveram de perto com as Crianças da Floresta nos tempos em que os Greenseers atingiram o Neck com o Martelo das Águas. Há muito tempo juraram lealdade aos Stark, depois destes terem morto o último rei do Pântano e tomado a sua filha como esposa. Entre as famílias mais conhecidas estão os Fenn, Peat, Boggs, Cray, Wuagg, Greengoos e Blackmyre, o seu emblema é um lagarto-leão preto em fundo preto e as suas palavras não constam nos livros.

O actual governante é Holand Reed, Lord de Greywater Watch, casado com Jyanna. Howland foi um dos seis companheiros de Ned Stark que o seguiram até à Tower of Joy, onde estava Lyanna Stark durante a Rebelião de Robert. Howland foi o único sobrevivente da companhia e Ned disse que se não fosse por Howland não teria sobrevivido também. Um homem pequeno mas valente, forte e inteligente.

O casal tem dois filhos, Meera e Jojen Reed. Meera é a mais velha e tem 15 anos nos livros. Tal como os outros crannogmen, Meera é pequena e magra, com cabelo castanho e olhos verdes. Embora não seja particularmente bonita, há quem o considere… É uma boa caçadora e pescadora, domina uma lança com tridente e é descrita como sendo alegre em comparação com o irmão. É muito leal e protectora deste e nunca recuará de uma luta.

Jojen tem treze anos quando chega a Winterfell (nos livros) para prestar lealdade da Casa Reed aos Stark durante a Guerra dos Cinco Reis. Durante a visita reconheceu algumas partes do castelo, já que as tinha visto em sonhos.

Na infância, Jojen quase morreu de febre greywater. Quando estava quase a morrer foi visitado pelo Corvo de Três Olhos que lhe deu o dom do greensight. As pessoas com greensight também têm sonhos normais, mas este dom permite que tenham sonhos proféticos, cheios de significado, imagens e metáforas do que está para vir. O seu significado não é sempre claro mas quando experienciado mudará o significado das experiências futuras. Podem ser referentes à pessoa que os sonha ou a outra pessoa, mas o sonhador saberá sempre diferenciar. Este dom remonta às Crianças da Floresta e diz-se que os crannogmen, que mantêm muitos dos velhos costumes, herdaram esse dom. Jojen tem uns olhos especialmente verdes, possivelmente resultado do dom de greensight. Um aspecto talvez menos positivo é que por vezes sonham com a sua própria morte.

Ter o dom de greensight permite fazer premonições, já um warg é algo diferente. Um Warg, ou skinchanger, consegue entrar na mente de um animal e controlar as suas acções, sendo mais fácil se essa pessoa tiver um laço afectivo com o animal. Essa interacção influencia ambas as mentes e por vezes um warg não treinado pode entrar na mente dos animais inconscientemente, durante o sono, se o tal laço existir. Cães são fáceis de controlar, porque confiam, já um lobo é mais difícil e é necessário um laço forte. Mesmo assim, nunca são verdadeiramente domados. É extremamente traumático para o Warg se o animal for morto enquanto o “habitar”, já que um pouco da sua consciência também se perde. O controlo de outras pessoas só é possível se a mente for fraca, é incrivelmente raro e considerando proibido.

Quando as Crianças da Floresta dominavam Westeros, muitos tinham o poder de greensight, mas os mais sábios e dotados, os greenseers, tinham vários poderes, entre eles, ser warg. Os Primeiros Homens diziam que eles eram os responsáveis pelas caras esculpidas nas weirwoods, para que pudessem ver através delas e influenciar os animais e as plantas. Se as histórias da destruição do Braço de Dorne e o Martelo das Águas forem verdade, são da responsabilidade dos greenseers, que usaram magia negra para repelir os Primeiros Homens.

Uma criança em mil nasce warg, um warg em mil nasce greenseer…

A Casa Reed pelo ponto de vista de Meera Reed

“Homens de Lama, Demónios do Pântano… São apenas os nomes mais agradáveis que os nortenhos têm para nós. Os crannogmen que vivem nos pântanos do Neck. Porque não vivemos em castelos como eles, porque não cultivamos como eles, porque não somos altos ou ricos como eles. Mas nas nossas veias corre o mesmo sangue dos Primeiros Homens e, por vezes, algo mais…

Ainda vivemos como eles viveram, em ilhas flutuantes, em casas de junco entrelaçado com palha espessa. Pescamos, caçamos e contamos as histórias de heróis aos nossos filhos. O cavaleiro da Árvores que Ri, que lutou no ano da falsa primavera, o último rei do Pantano, que desafiou os Stark e perdeu a coroa e filha e outras histórias, ainda mais antigas, esquecidas pelo mundo.

O Neck não foi sempre um pântano. Na Dawn Age era tão seco e fértil como o restante do Norte, mas durante a guerra com os Primeiros Homens, os Filhos da Floresta atingiram o Neck com o Martelo das Águas, tentando dividir Westeros em dois. Quando as águas finalmente recuaram, deixaram os pântanos e charcos que temos hoje. Muitos dos Primeiros Homens decidiram continuar a lutar, mas os meus ancestrais sabiamente preferiram respeitar o poder dos Filhos da Floresta e recuar. Transformaram as espadas em lanças para apanhar sapos e anzóis e cuidaram da terra devastada pela loucura da guerra.

Ao contrário do resto de Westeros, não temos tropas nem treinamos soldados para lutas mesquinhas com os nossos vizinhos. A nossa terra protege o seu povo. Para um intruso, o Neck é um local com areia movediça, um sem fim de buracos e erva verde que parece solida ao olhar desatento mas que se transforma em água assim que se pisa. Se tiverem sorte de estar com armadura, vão-se afogar dentro do próprio aço, se não, vão conhecer o que nada nessas águas. Serpentes e monstruosos lagartos-leões com dentes que parecem adagas e com pouco para comer. Não se preocupem… só o vosso cavalo viverá o suficiente para sentir os venenos deles a queimar por dentro. Se ainda assim conseguirem sobreviver, vão perceber que um dardo bem posicionado pode ser tão mortal quanto uma lâmina, não que nos vejam a lança-la…

Desde a queda do último rei do Pântano, a Casa Reed domina o Neck sob o estandarte de um lagarto-leão preto num campo verde musgo. Não somos ricos, poderosos ou conhecidos, mesmo para os nossos compatriotas. A nossa casa, Greywater Watch, não é como os castelos que já viram… e vê-lo uma vez não quer dizer que vão encontra-lo de novo, pois Greywater Watch move-se. Muitos aspirantes a conquistadores já morreram a tentar nos encontrar. Com guerra por todos os lados e o nosso lorde Stark cercado, muitos mais tentarão encontra-lo. Vão procurar-nos num mapa, verão um estreitamento a caminho do Norte e irão esquecer-se que até o mar já entrou no Neck e não retornou inteiro…”

O Norte pelo ponto de vista de Jon Snow

“Quando era miúdo, olhando do castelo do meu pai, acreditava que o sol nunca se punha no Norte, tão vasto parecia. Parte de mim ainda acredita. O Norte é, de longe, o maior dos Sete Reinos e é maior que os outros seis juntos, não que os outros se importem. Frio e húmido, é assim que os sulistas vêm o Norte. Mas sem o frio, um homem não dá valor ao fogo na lareira e sem a chuva não dá valor ao telhado sobre a cabeça. Que o Sul fique com o seu sol, flores e afectações, nós os nortenhos temos um lar.

O meu fora uma vez Winterfell, o antigo trono do… da família do meu pai, a Casa Stark, que governa o Norte desde os Primeiros Homem e já foram os reis do Inverno. Quando era criança, Lady Catelyn sempre me lembrou que eu não era um Stark, por muito sangue que compartilhasse com os seus filhos legítimos. Mas enquanto o nome deles governa o Norte, o meu é o Norte. Snow.

As nossas terras estendem-se da Muralha até ao Neck, uma terra estreita que nos separa do resto de Westeros. Dizem que os Filhos da Floresta inundaram o Neck na guerra contra os Primeiros Homens, se for verdade, cada nortenho lhes deve gratidão. Os pântanos do Neck são tão bons como a Muralha em manter exércitos inimigos afastados e se eles não os detiverem, os cranogmanos o farão. Um povo pequeno e tímido que raramente deixa os pântanos e que seguem a Casa Reed, guardiões do Norte e entre os mais importantes e leais bannermen da Casa Stark. Também um pouco estranhos. Ouvi o seu juramento de lealdade uma vez quando era criança, é como nenhum outro, antigo e sombrio. Eles juram pela terra e água, pelo bronze e ferro e pelo gelo e fogo…

Enquanto a Casa Reed guarda o portão ao Norte, a Casa Manderly guarda o porto, White Harbor, o mais parecido com uma cidade sulista que temos, governada pelo mais parecido com uma família sulista que temos. Há várias gerações, os Manderly foram expulsos do Reach, mas os Stark deram-lhes terras em troca de lealdade. Agora White Harbor é a cidade mais rica do Norte e os Manderly a família mais rica. Não em ouro e prata como os seus vizinhos do sul, mas em peixe, grão e comércio.

Quanto às outras grandes Casas do Norte, os Stark incorporaram-nas durante a Idade dos Heróis. Um Stark lutou contra um nascido do ferro pela Bear Island e deu-a aos Mormont. Um Stark deu um forte e terras a um filho mais novo, Karlon, em troca de dominar uma rebelião e a família dele tornou-se nos Karstark. Os Stark lutaram contra os Wildlings e os seus reis Além da Muralha ao lado dos Umber de Last Hearth, ganhando a sua lealdade. Os Bolton, na altura eram o veneno do Norte. Diziam até que alguns deles usavam as pelos dos inimigos como casacos, mas após séculos de guerra, também eles se ajoelharam.

Então a Casa Stark tornou-se rei do Norte, mas nunca se esqueceram que não eram O Norte. Quando Aegon e os seus dragões chegaram a Westeros, os reis do Rochedo e do Reach mandaram todos os seus homens para morrer, defendendo as suas terras. Torrhen Stark ajoelhou-se para poupar o seu povo do mesmo destino. Colocou o dever acima do orgulho, assim como os meus irmãos da Night’s Watch o fizeram há milhares de anos na Muralha.

Muitos acham que é o fim do mundo, mas não é, já vi como as terras se estendem mais além do que qualquer homem conhece, pela Terra do Inverno Eterno de onde os White Walkers vieram durante a Longa Noite. Depois dos Primeiros Homens e os Filhos da Floresta os expulsarem, Brandon o Construtor criou a Muralha e a Night’s Watch para guardar os reinos do Homem. Deu-nos o nosso juramento, os nossos castelos e a dádiva, as terras atrás da Muralha cujos campos e plantações nos sustentam. Os sulistas podem gozar dos meus irmãos de negro, como ladrões, violadores e coisas piores, e não sem razão. Mas o Norte lembra-se porque estamos lá, e se nós cairmos, o Sul também receberá uma frio e dura lembrança…”

O Vale pelo ponto de vista de Littlefinger

“Impregnável. É assim que o Vale se vê, protegido de Westeros pelas montanhas. Chamam à entrada para as suas terras de Portão Sangrento (Bloody Gate) porque durante a Era dos Heróis uma dúzia de exércitos supostamente sucumbiram contra ele. Mesmo que tivessem passado por ele, as estradas do Vale são estreitas, íngremes e traiçoeiras. Metade dos homens teria caído para a morte certa ou congelado na neve da montanha… ou assim o diz o senso comum…

Só que o Vale já foi conquistado. Aquelas montanhas tão altas não impediram a chegada dos Ândalos pelo Mar do Leste. As pessoas do Vale dizem que Sor Artys Arryn, o general Ândalo, voou nas costas de um falcão gigante e matou o rei Griffon no topo da montanha mais alta. Durante a conquista de Aegon, uma das suas irmãs fez o mesmo, voando num dragão sobre o Portão Sangrento até ao Eyrie, a fortaleza dos Arryn, e o miúdo rei Arryn deu o Vale em troca de uma cavalgada no animal. Estão a perceber o tema aqui?!

A racionalização de derrotas com animais míticos e caprichos de crianças em vez de reconhecer a causa de raiz: a arrogância do isolamento. Os homens do Vale são tão orgulhosos das suas montanhas que não admitem que tenham algum defeito.

Assim como as montanhas, o mesmo é com o seu sangue. Os primeiros Ândalos chegaram ao Vale como seus lordes mais poderosos. Os Arryn, os Waynwood e os Corbray gostam de se gabar que o sangue da nobreza Ândala mais antiga em Westeros corre nas suas veias. Mas pelos seus cérebros corre um perigo ainda mais antigo: que o sangue tem importância.

Se tivesse, esses lordes de sangue puro já teriam sido capazes de exterminar as tribos das montanhas há séculos. Mas aqueles saqueadores primitivos, cujas tribos se parecem mais com canis do que com famílias, continuam a infestar o Vale. Até já sequestraram um Arryn uma vez. Até Tyrion Lannister, um estrangeiro, nenhum lorde do Vale havia pensado em usar as tribos em seu proveito, ou que um povo guerreiro desesperado poderia ser útil, sem dizer barato.

Mas talvez os lordes do Vale considerassem essas ideias abaixo deles. Afinal, o isolamento do Vale cria uma abundância de honra mal direcionada que governa as decisões dele ao invés da prudência. Como um homem cego que só pode supor onde o seu cavalo o leva. Duvido que Jon Arryn se tenha preparado para a guerra quando levantou os estandartes ao invés de entregar os seus protegidos, Ned Star e Robert Baratheon, ao Rei Louco. A honra exigiu e Lorde Arryn obedeceu. Teria ele feito o mesmo se os garotos não fossem lordes de duas grandes casas que poderiam juntar grandes exércitos?

Mas talvez lhe dê pouco crédito. Afinal, se a guerra corresse contra eles, somente o Lorde Arryn tinha um castelo impregnável para o qual se retirar, e ele foi sábio o suficiente para levar a pobre Lysa Tully para a cama para ganhar as Riverlands como aliados. Jon Arryn ganhou e Jon Arryn morreu.

Sabiamente, o Vale ficou de fora do caos subsequente. As suas plantações não queimaram ou secaram nos campos por falta de mão-de-obra. A sua força não foi desperdiçada em marchas forçadas por desavenças fúteis. No Vale a vida continuou como antes…calma, orgulhosa. Um mundo de muita honra imperturbado por exércitos e homens nascidos na pobreza mas com altas ambições. Impregnável!”

As Riverlands pelo ponto de vista de Blackfish

“O Homem lutou pelo controlo das Riverlands desde a Dawn Age, mas isso é esperado de coisas que ficam abaixo do Neck. Não ajuda que as Riverlands fiquem no meio de tudo. O ouro das Westerlands, os grãos do Reach as rochas do Vale e a neve do Norte.

A Casa Mudd já governou como réis dos rios e colinas, mas após mil anos a sua linhagem esgotou-se e caiu perante os réis da Tempestade, que caiu perante os nascidos do ferro. Suponho que depois de anos a afogarem-se no mar, os nossos rios pareceram bastante atraentes àquela raça de piratas e violadores. Sem falar do seu castelo monstruoso, Harrenhal, que era grande demais para manter empregados e guarnições. Acontece que os nascidos do ferro não ficariam lá tempo suficiente para tal. Aegon Targaryen desembarcou no nosso Sul e, como muitos antes dele, gostou da aparência das Riverlands. O meu ancestral Edmyn Tully liderou a deserção dos lordes do rio à sua causa e como recompensa pôde ver o rei Harren a queimar na sua própria torre.

Infelizmente não foi só isso que Edmyn ganhou, a Casa Tully foi nomeada Lordes Soberanos do Tridente, o que significa que tínhamos de manter todos os outros lordes na linha, lordes que não tinham sido governados por milhares de anos. Éramos agora responsáveis por ajudar os Mallister de Seaguard contra os nascidos do ferro sempre que ficavam impudentes, por dar Harenhal a uma família estupida o suficiente para pensar que a maldição daquele lugar não as alcançaria após destruir todas as famílias anteriores. Por evitar que os Blackwood e os Bracken se exterminem e nos dando mais dois castelos para cuidar. Por manter os Frey no seu lugar e longe dos bolsos dos outros. Por casas os nossos filhos e filhas sabiamente para não seguirmos a sina dos Mudd até… à lama.

Sob os Targaryen, Riverlands teve uma paz que não conhecia há séculos, se é que já tiveram. Mas como todas as coisas boas, mais cedo ou mais tarde, vão para à merda. E a nossa merda tinha um nome, Aerys Targaryen. Westeros teve a sua cota de reis loucos, mas normalmente tinham o bom senso de mexer com uma casa poderosa de cada vez. Aerys tropeçou numa aliança tríplice: o Norte, as Stormlands e o Vale ergueram-se contra ele. Mas claro onde acham que mais sangue foi derramado?!

O meu irmão Hoster garantiu a resposta a isso com o casamento da minha sobrinha com Eddar Stark, o Guardão do Norte. Pelo menos Hoster não a mandou ao Robert. Então as Riverlands entraram em guerra com o Rei Louco e foi num dos nossos rios que o principe Rhaegar morreu, selando o destino da sua dinastia. Robert foi um grande soldado e um péssimo rei. Bebida e prostituição são a sua marca de loucura quando se senta num trono que todos desejam. Ele morreu e outra guerra começou. Novamente os exércitos marcharam e novamente as Riverlands foram queimadas. Se Westeros não tiver cuidado, o nosso povo ganhará juízo e abandonará este lugar por um reino mais seguro. Como o Mar Dothraki…

Estou a brincar, claro. As Riverlands são o nosso lar e, Deus nos ajude, a terra que amamos. Ainda assim, como dizem, o rei come e a Mão fica com a merda, o mesmo se aplica às Riverlands: os Sete Reinos urinam e as Riverlands mudam de roupa.”

As Westerlands pelo ponto de vista de Tywin Lannister

“(Spoilers da Terceira Temporada) As terras do Oeste são limitadas por três defesas naturais: montanha, mar e floresta. Barreiras necessárias para uma terra rica como a nossa. Das nossas minas vem o ouro e a prata que abastecem o restante de Westeros e de Lannisport, a nossa maior cidade, vêm os ourives mais habilidosos da nação.

Mas a geografia sozinha não é força. As terras do Oeste teriam sido saqueadas por milhares de anos se não fosse pelos homens que as governam, a minha família: a Casa Lannister. De acordo com a lenda, descendemos de Lann, o Esperto, um trapaceiro da Dawn Age que enganou os Casterly, fazendo-os deixar Casterly Rock, o seu antigo castelo. Uma história infantil, mas não completamente irreal. Em primeiro lugar, a mente pode e deve ser uma arma do arsenal de um homem, segundo, Lann devia ser esperto o suficiente para não depender só da sua esperteza. Afinal de contas, onde está a Casa Casterly hoje? Terceiro, ao manter o nome do castelo, Lann lembrou o mundo do preço de estar no caminho dele.

Os Reyne ignoraram estas lições. Não contentes em ser a segunda família mais rica, quiseram desafiar a primeira, a minha. O meu pai já havia aturado os insultos e desrespeito deles, mas quando atingi a idade levei o nosso exército para lhes ensinar o que já deviam saber. Algumas pessoas acham que fui duro demais, que erradicar cada membro da família deles não era necessário. Mas agora não existem porta-bandeiras tão leais aos seus senhores como os das terras do Oeste a nós. Se algum lorde desafia a nossa autoridade, só preciso mandar um cantor com uma harpa e ele volta para o lugar.

Como não aceito que os nossos lordes disputem entre si como os lordes das Riverlands, ou se escondam nos seus castelos como os lordes do Vale, cada um dos nossos porta-bandeiras contribui com uma habilidade única para a integridade das terras do Oeste. A Casa Clegane, porque todo o lorde precisa de uma fera de vez em quando. Então Gregor aterroriza os nossos inimigos e amigos, assim como o seu decepcionante irmão Sandor, o traidor. A Casa Payne, que nos fornece servos leais. Sir Ilyn Payne já foi capitão da minha guarda, até que o Rei Louco o ouviu dizer que eu governava os Sete Reinos, o que era verdade. O Rei Louco arrancou a língua de Sir Ilyn, o que fez dele ideal para se tornar o Justiça do Rei. Aparentemente, hoje em dia, um Payne mais jovem também serve o meu filho degenerado, Tyrion (Podrick). A Casa Lefford, que protege o Golden Tooth, a passagem oriental pelas montanhas e o caos frequente dos Sete Reinos. Apesar de que após as incursões recentes de Robb Stark, precisamos de um novo vigia.

Os tolos olham para as Terras do Oeste e vêem ouro. Os tolos vêem a nossa riqueza e chamam-na de força. Ouro é apenas mais uma pedra, as Westerlands são fortes por causa da Casa Lannister. De uma liderança forte vem a unidade e da união vem o poder.”

As Stormlands Reed pelo ponto de vista de Brienne

“(Spoilers da Terceira Temporada) Tarth já trouxe complacência a muitos marinheiros novatos. A nossa exuberante ilha fica em águas calmas e azuis, como uma esmeralda numa safira. Ninguém pensaria que essa imagem é apenas a bainha que esconde a lâmina da Shipbreaker Bay, com as suas marés traiçoeiras, ventos imprevisíveis e rochas afiadas à espreita logo abaixo da superfície da água. As tempestades que atingem a baía regam a Kingswood e Rainwood, duas das grandes florestas de Westeros e que dão às Stormlands o seu nome.

Mesmo sem o nosso clima, fazemos jus ao nosso nome. O primeiro Rei da Tempestade, Durran, começou o seu reinado declarando guerra aos próprios deuses. Ele amava a filha do deus do mar e da deusa do vento, mas eles proibiram a união. No casamento, os deuses atacaram com todas as suas forças, derrubando a sua fortaleza e matando toda a família e convidados de Durran, mas a esposa protegeu-o.

Durran prometeu que reconstruiria e quando o fez, os deuses destruíram a sua casa de novo. Os seus conselheiros imploraram para que recuasse, mas ele não abandonava o muro. Finalmente, instruído pelos Filhos da Floresta ou talvez o jovem Bran, o Construtor, Durran ergueu o sétimo castelo que, mesmo tentando, e ainda tentam, os deuses do vento e do mar não conseguiram destruir. Durran assumiu o nome Godsgrief, e nomeou a sua casa de Storm’s End.

Depois de vencer as águas do leste, os Reis da Tempestade voltaram-se para inimigos mais práticos, o Reach, Riverlands e Dorne. Por milhares de anos, os Reis da Tempestade lutaram contra os reis Gardener e várias famílias de Dorne pelo controle das Marcas do Dorne, logo abaixo das Red Mountains. Os conflitos só terminaram quando Dorne se uniu aos Sete Reinos por casamento, há apenas cem anos. Mesmo assim, as Casas de Stormlands, como os Dondarrion, defendem o Boneway, a passagem pela montanha até a Marca, de ataques dorneses.

Os reis da Tempestade tiveram mais sorte com o norte, de início. Tomaram o Tridente dos réis do Rio e construíram um império que se estendia até ao Neck. Mas aí os nascidos do ferro saíram das suas ilhas e expulsaram os réis da Tempestade das Riverlands. Sem dúvida que os nascidos do ferro queriam expandir o seu império até às Stormlands, mas antes que tivessem oportunidade, Aegon Targaryen chegou nos seus dragões.

Enquanto Aegon queimava os reis das Iron Islands, do Rochedo e do Reach, o seu comandante mais feroz, e irmão bastardo segundo dizem, Orys Baratheon, foi dominar Stormlands. Não importa o quão feroz ele fosse como guerreiro, ninguém invejaria a sua tarefa. Storm’s End havia sobrevivido a milhares de anos de guerras, mas Argilac, o Rei da Tempestade, decidiu não se esconder atrás dos muros e deu a Orys a batalha que ele esperava. Orys matou Argilac e tomou o seu castelo, o reino, a filha, o seu emblema e lema. A Casa Baratheon tornou-se Lorde das Stormlands.

Targaryen governou Stormlands tranquilamente, na maior parte do tempo. Até que Robert se rebelou contra o Rei Louco. O seu primeiro desafio não veio da coroa, mas dos seus próprios porta-bandeiras, que tentaram unir-se contra ele. Robert atacou primeiro, derrotando três exércitos num só dia em Summerhall. A vitória solidificou o controlo de Robert sobre as Stormlands e pôde marchar sobre o Reach e as Riverlands sem inimigos no alcanço.

Mas nem todos os porta-bandeiras estavam do seu lado. Sir Barristan, o Ousado, veio das Stormlands, mas como membro original da guarda de Aerys e maior cavaleiro do reino, Sir Barristan permaneceu leal. Após a vitória decisiva de Robert no Tridente, este enviou o seu próprio meistre para cuidar do seu compatriota, que havia sido gravemente ferido ao lutar para matá-lo. Mais tarde, quando o Kingslyer traiu Aerys, Robert perdoou Sir Barristan e até o colocou na sua própria Kingsguard.

Quando Robert se livrou do cerco de Mace Tyrell em Storm’s End e regressou a casa, realizou o sonho de todos os Senhores da Tempestade que o precederam, governar os Sete Reinos. Então Robert morreu e o seu irmão, Stannis, matou o seu outro irmão, o nobre rei Renly, com magia negra. Assim, mais uma vez as Stormlands fazem jus ao seu nome, com tantas casas queimadas em Blackwater e outros bajulando os Lannister para ficarem com as terras dos sobreviventes. Renly poderia ter-nos salvo, se eu tivesse conseguido salvá-lo. Mas eu vou ensinar uma lição a Stannis que ele já devia saber, tendo crescido nas Stormlands: como o raio traz o trovão, assim o assassinato leva à vingança.”

O Reach pelo ponto de vista de Margaery Tyrell

“O Reach tem um nome apropriado, pois somos nós que vos damos algo que fazer à mesa. Como reino mais fértil, cultivamos grão e fruta suficiente para alimentar este país. Principalmente agora que os “rebeldes” queimaram todos os outros campos. Felizmente a Casa Tyrell está aqui para cumprir o seu dever para com a Coroa e impedir que a fome chegue à capital.

Tal como nos outros jardins, ervas daninhas também crescem no Reach, embora poucos os nomeiem assim. Cantores enchem as nossas cabeças com cavalheirismo e amor delicado que fazem os rapazes lutar e as raparigas desfalecer. As canções são óptimas para uma viagem de barco pelo Mander, dão prazer ao povo e harmonia ao reino. Mas se a ascensão da Casa Tyrell prova alguma coisa, é que a virtude e a honra têm o seu lugar e se não têm cuidado, esse lugar é o túmulo.

Ao contrário dos Lannisters, Starks e Arryns, nunca fomos reis por direito próprio. A Casa Gardener governou o Reach desde a Dawn Age e nós fomos os seus mordomos. Enquanto eles enriqueciam o seu já rico domínio, nós governamos o seu castelo em Highgarden. Mas depois Aegon Targaryen chegou com os seus dragões. Ninguém sabe porque é que o rei Gardener decidiu enfrenta-lo em campo aberto, toda a gente conseguia ver que um homem que produz flores devia ter cuidado com um homem que produz monstros cuspidores de fogo. Mas talvez não tenha sido só sua ideia. Talvez alguém tenha sussurrado ao seu ouvido sobre o respeito que perderia aos olhos dos outros reis se decidisse ficar em casa.

O resto é história. O último rei Gardener perdeu o seu respeito, juntamente com o corpo, e o seu mordomo, Harlen Tyrell, prontamente rendeu Highgarden a Aegon. A minha avó jura que Harlen era como qualquer homem e cresceu a bater com metal em metal, tão alto que nenhum pensamento penetrava, mas que felizmente, a sua mulher tinha melhor senso. Seja como for, em retorno pela manifestação de bom senso de Harlen, Aegon proclamou a Casa Tyrell como Senhores do Reach e Regentes do Sul, suplantando todas as outras Casas com mais pretensão.

A Casa Hightower, que já eram reis antes dos Andals chegarem, reina sobre a mais antiga cidade de Westeros, Oldtown. Rica, orgulhosa e solitária. Houve membros que não desceram do seu incrível farol durante décadas. É apelidado, apropriadamente, Hightower.

A Casa Florent, que tinha laços de sangue com os Gardeners, reclamam o seu velho direito a Highgarden de vez em quando e, agora que a sua filha está casada com Stannis Baratheon, também o direito por todo o Westeros também. Pelos vistos, colocar uma raposa na bandeira não implica herdar as artimanhas dela.

A Casa Tarly, que ainda fornece ao Reach os melhores soldados do reino. Se Aegon os tivesse nomeado lordes, o Reach ter-se-ia tornado o melhor acampamento militar do mundo. Até morrerem à fome. O preço a pagar por alistarem todos os agricultores. Mas Aegon escolheu-nos a nós.

Séculos mais tarde, quando o seu descendente Aerys enfrentou uma rebelião, o Reach permaneceu leal, em grande parte. O meu pai, Mace, deu a Robert a sua única derrota na guerra, mesmo que tenha sido a vanguarda que tenha feito a maior parte da luta antes dele chegar. Depois da Batalha de Ashford, cercamos Storm’s End, a casa de Robert. Infelizmente a guerra terminou antes que a pudéssemos conquistar, e assim libertar os nossos exércitos para ir “ajudar” o rei. O novo rei Robert tinha uma alma perdoaria. Os nossos crimes foram perdoados sem uma única execução em nome da formalidade. A nossa família ficou surpreendida! Até o novo Mão do Rei, Jon Arryn, ter chegado com a conta.

O Reach é a segunda maior fortuna do reino, só atrás das Westerlands, e Robert pretendia gasta-la o máximo que conseguisse. Nós demos-lhe as moedas que ele quis e mais tarde, quando ele quis o nosso grão, fruta ou vinho, devolveu-a, ao preço que nós quiséssemos.

Agora a maior parte de Westeros está em cinzas e o resto são exércitos. Como os Starks gostam de dizer, o Inverno está a chegar, e por léguas nos arredores da capital não há cultivo à vista. Mas não temam, o Reach está, como sempre, beneficente. A Casa Tyrell lidará com a colheita e impedir que o reino passe fome, tal como os bons mordomos que fomos outrora… perguntem à Casa Gardener.”

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