Pelos Caminhos de Westeros: Os Stark e a Rebelião de Robert

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: os Stark e a Rebelião de Robert Baratheon:

Os Stark

Os Stark são uma das grandes Casas do Norte (juntamente com os Bolton). Descendentes directos dos First Men, a família foi fundada por Bran, o Construtor, primeiro Rei do Norte e a quem se atribui a construção de Winterfell e da Grande Muralha. Na invasão dos Andals, o Norte foi a única região que resistiu e manteve os seus costumes, sendo apenas derrotados por Aegon Targaryen. Quando Torrhen Stark se rendeu e jurou lealdade (ficando conhecido como “O Rei Que Se Ajoelhou”), mantiveram o seu posto como Regentes do Norte. São uma família de grandes costumes, orgulhosos das suas tradições. Das poucas Casas que idolatram ainda os velhos Deuses. Detentores da “Ice”, uma velha espada forjada na Old Valyria, passada entre gerações Stark. As suas palavras são “Winter is Coming”, servindo tanto como lembrança da sua origem, como um alerta para um futuro que pode sempre piorar.

Rickard Stark – o pai de Ned planeava aliar a sua família a duas grandes Casas: com os Tully (casando Brandon com Catelyn Tully) e os Baratheon (juntando a sua única filha, Lyanna, com Robert). Os planos caíram por terra quando o Príncipe Rhaegar Targaryen raptou Lyanna. Brandon foi a King’s Landing confrontar o Rei, foi preso e um pedido de resgate foi exigido. Rickard deslocou-se à capital e foi preso também. Pai e filho foram cruelmente executados. Nota: um outro Rickard Stark, muitos anos antes, derrotou o Marsh King e casou com a sua filha, assegurando o controlo do Neck, ponto fulcral para uma possível invasão do norte.

Brandon Stark – Como é usual na nobreza dos Sete Reinos, Brandon passou uma parte da sua infância num local que não a sua casa, em Barrowton e Rills, a Oeste de Winterfell. Descrito como um grande guerreiro, forte e bonito, Brandon foi desafiado para um duelo por Petyr Baelish, ward da família Tully e amigo de infância de Catelyn, por quem nutria um grande amor, pelo direito a casar com a jovem. O herdeiro Stark venceu e poupou a vida de Littlefinger, a pedido de Catelyn. Nota: um outro Brandon Stark, séculos antes, também teve uma história famosa que explica como os Stark têm também sangue wildling. Brandon Stark, com copos a mais durante um festim, disse que Bael O Bardo, um ranger wildling, era um covarde, mesmo não o conhecendo. Então Bael escalou as paredes de Winterfell, fez-se passar por um cantor/bobo da corte e cantou tão bem que Rei deu-lhe a possibilidade de pedir o que quisesse como recompensa. Ele pediu a flor mais bonita do jardim de Winterfell e o Rei aceitou. Na manhã seguinte perceberam que Bael fugira com a filha de Brandon e deixou na sua cama uma rosa azul. Dez meses depois a jovem aparece no quarto, com um bebé nos braços. Como Brandon não tinha descendentes (Brandon, The Daughterless), teve de aceitar a criança como herdeiro de Winterfell. 30 anos depois Bael tornou-se Rei Além-Muralha e, quando tentou ultrapassar a Muralha, entrou em batalha directa com o próprio filho, agora senhor de Winterfell. Como foi incapaz de matar o próprio filho, deixou-se morrer às mãos deste, que o decapitou e trouxe a cabeça para Winterfell para mostrar à mãe. Com o desgosto, a mãe atirou-se de uma torre.

Lyanna Stark – Conhecida pelo espírito livre, uma cavaleira bastante competente e uma “Sangue do Lobo” como o seu irmão Brandon (diferente de Ned). Causou um impacto tão forte quando Robert a conheceu, que este ficou imediatamente apaixonado pela sua beleza, destreza e valentia. Em muitos aspectos, Lyanna era parecida com a nossa Arya. O seu rapto desencadeou um conjunto de eventos que mudaria Westeros. Viria a falecer nas mãos de Ned, durante a Grande Rebelião e está sepultada em Winterfell, ao lado do pai e irmão.

Eddard “Ned” Stark – Descrito como um homem discreto, não tem o “fogo do lobo” que caracterizavam Lyanna e Brandon. Um homem com grande noção de honra, justiça e união familiar, mas ao mesmo tempo um bom guerreiro. Os inimigos dizem que ele tinha uns olhos frios, que refletiam o seu coração congelado. Descrito como frio e quase indiferente por alguns, Ned é muito amado no seio da família, que o descreve como um bom homem. Em novo, teve como tutor Jon Arryn do Vale desde os oito anos, local onde começou a amizade com Robert Baratheon, que se encontrava lá pelos mesmos motivos.

Quando Robert iniciou a Rebelião, Ned, agora patriarca da família, Regente do Norte e Lord de Winterfell, tinha de viajar entre o Vale e o Norte, para reunir os seus bannermens e auxiliar o amigo. Mas como chefe do porto da região era leal à coroa, foi obrigado a viajar para os Fingers e apanhar um pequeno barco piscatório. Durante a viajem um grande tempestade irrompeu, o pescador morreu e Ned foi salvo pela filha dele, que o levou para as Sisters. Depois de convencer o Lord de Sisterton a prosseguir com a viagem, uniu os seus homens e reuniu-se com Robert na famosa Batalha dos Sinos. Só após essa vitória é que viajou para Riverrun para casar com Catelyn Tully… o resto é história.

No final do conflito Ned viajou para Winterfell, da qual foi Senhor durante 15 anos. Algo que ele nunca esperou, nem desejou. Raramente saía das suas terras, excepção feita quando teve de derrotar a Rebelião dos Greyjoys.

Catelyn Stark – Filha mais velha de Hoster Tully, Lord de Riverrun. Originalmente prometida a Brandon, acabou por casar com Ned e ter cinco filhos, assegurando assim a aliança entre as duas grandes casas. Descrita como uma mulher orgulhosa, gentil e generosa que punha em prática o lema da sua Casa: Família, Dever, Honra. Com maior jeito para a política que o marido Ned, Cat percebe como é que o “jogo é jogado”. No entanto, é uma loba protectora e muitas vezes reage com o coração em vez da cabeça.

Robb Stark – Nascido na terra da mãe, Riverrun, o primogénito e herdeiro de Winterfell é um jovem de grande coragem e um guerreiro capaz. Tem a aparência Tully, mas a honra dos Stark. Direwolf: Grey Wind.

Sansa Stark – Filha mais velha do casal, Sansa tem apenas 11 anos no início da saga. Descrita com detentora de uma grande beleza Tully, é amante da música, poesia, dança, bordado e outras actividades femininas. Completamente apaixonada pela ideia “romântica” de príncipes charmosos, cavaleiros honrados e da vida na corte cheia de beleza, tem ela própria o desejo de ser rainha um dia. A sua relação familiar mais complicada é com a irmã mais nova, Arya. Direwolf: Lady.

Arya Stark – Nascida pouco tempo depois de Ned voltar da Rebelião dos Greyjoy, Arya tem nove anos no início da saga e é a filha mais nova de Ned e Catelyn. Longe das ideias, ideais e gostos da irmã mais velha, prefere o combate, a aventura, o desporto e a brincadeira. Inteligente, independente, desafia permanentemente a autoridade. Rejeita completamente os seus deveres de donzela, de casamentos arranjados e não tem qualquer interesse pelas artes. Dona de uma grande capacidade de engenho, esperteza e capacidade em lidar com os factos duros da vida, tem grande talento para a luta com espada, arco e flecha e o montar a cavalo. A relação de maior proximidade é com o bastardo Jon Snow. Direwolf: Nymeria.

Bran Stark – Aventureiro e sociável, Bran tem como principal gosto a escalada das muralhas e torres de Winterfell. Almeja tornar-se um membro da Kingsguard um dia. Direwolf: Summer.

Rickon Stark – Filho mais novo de Winterfell, Rickon ainda é muito novo para lidar com os problemas que afectam a sua família. Direwolf: Shaggydog.

Jon Snow – Filho bastardo de Ned. Apesar de não ter o carinho de Catelyn, Ned acolheu-o e partilha com ele todos os valores e sentimento de honra. Dotado nas artes do combate e sentindo-se “deslocado” do mundo, Jon alista-se na Night’s Watch. Direwolf: Ghost.

Os Karstark – Também descendentes dos Primeiros Homens e com sangue Stark. O fundador da Casa, Karlon Stark, derrotou uma Casa rebelde e recebeu terras por isso. Construiu um Castelo Karl’s Hold, que com o tempo se tornou Karhold), e os Karhold Stark com a passagem dos séculos tornaram-se os Karstarks. As suas terras localizam-se no Nordeste de Winterfell, perto do Shivering Sea. O Lord Rickard Karstark lutou com Ned na Batalha do Tridente, durante a Rebelião.

A Corte

Theon Greyjoy – Herdeiro das Iron Islands, Theon é “prisioneiro” da Casa Stark desde os oito anos, quando Ned derrotou a rebelião de Balon Greyjoy. Apesar de tudo, Ned criou-o como um filho.

Greatjon Umber – Chefe de uma das mais poderosas famílias do Norte e Bannerman da Casa Stark. O seu lar, Last Hearth, situa-se bem perto da Muralha. Greatjon é reconhecido como um grande guerreiro.

Maester Luwin – Sábio curandeiro, com vasto conhecimento em história e Conselheiro Chefe em Winterfell, assim como tutor dos herdeiros Stark.

Rodrik Cassel – Mestre de Armas e conselheiro militar. Responsável pelo treino das forças de Winterfell e aptidões guerreiras dos filhos de Ned.

Jory Cassel – Sobrinho de Ser Rodrik e Capitão da Guarda de Winterfell. Mão direita de Ned e adorado por todas as crianças Stark.

Septa Mordane – Governanta e tutora das meninas Stark. Constante companhia de Sansa e sem grande paciência para as aventuras de Arya.

Old Nan – Enfermeira há muitas gerações em Winterfell. Sempre com uma história para contar, Nan é a pessoa mais velha de Winterfell e, quem sabe, de todo o continente de Westeros. O seu bisneto é também servo, de nome Hodor.

Hodor – Um “gigante” de mente simples, servo em Winterfell. Nome atribuído pelas crianças Stark por só proferir essa palavra (nem a Old Nan sabe o porquê). O seu nome verdadeiro é, no entanto, Walder.

Osha – Uma Wilding que escapou à morte pela lâmina de Robb. Irá tornar-se uma fiel criada de Bran Stark.

O Mapa

Lar das Casas Stark, Bolton, Umber, Karstark e Manderly, compreende-se como o Norte toda a zona a Sul da Muralha até ao “The Neck” e tem quase o mesmo tamanho que todos os outros Reinos juntos. Uma zona de frio constante e neve. Os seus habitantes são descendentes dos “First Men” e rezam aos Velhos Deuses (as árvores de weirwood (represeiro) são sagradas no Norte). A única excepção são os Manderly, que eram “vizinhos” dos Tyrell mas foram expulsos e acolhidos pelos Stark. São assim a única Casa do Norte com origem nos Andals e seguem a “Faith of Seven” ou “Faith”, a religião mais praticada em Westeros.

Winterfell é um forte ancestral, com séculos de existência, erguido por Brandon Stark, o primeiro Rei do Norte. A fortaleza foi construída sob termas naturais e as águas aquecidas percorrem as paredes do Castelo, aquecendo-o. No coração de Winterfell existe uma floresta com três hectares que é usada como local de contemplação e reza. No centro encontra-se um weirwood ancestral com folhas vermelhas. Por baixo do castelo, a cripta dos regentes de Winterfell, onde se pode encontrar memórias da sua história. No exterior do castelo encontra-se a vila de “Winter Town”.

Com quase 200 metros de altura (é maior agora que no início, porque a Night’s Watch foi construindo mais para cima) e quase 500 km de largura, a Muralha de Gelo atravessa Westeros de Este (Bay of Seals) a Oeste (Frostfang Mountains). O mito conta que foi construída com a ajuda de gigantes e da magia das Crianças da Floresta. Existem 19 fortes ao longo da Muralha, mas apenas três são usados actualmente. É considerada a mais grandiosa construção já erguida.

A Kingsroad tem origem na Capital, termina em Castle Black e é a principal rota de Westeros.

A Noroeste de Winterfell, as Bear Islands, lar da Casa Mormont, Bannermen dos Stark. Confrontados com as invasões constantes das Iron Islands a Sul e dos Wildilings a Norte, a população piscatória defende-se sozinha. As mulheres são muitas vezes guerreiras também.

Aos bastardos no Norte, dá-se o apelido “Snow”.

A Rebelião de Robert Baratheon

Instigada pelo rapto de Lyanna Stark e morte de Brandon e Rickard Stark, a Rebelião de Robert durou dois anos e acabou com o reino dos Targaryen em Westeros.

Quando Rei Aerys II, cada vez mais paranóico, declarou Robert Baratheon como traidor e inimigo do Reino, a Casa Baratheon declarou guerra e outras Casas, como os Stark e Tully, seguiram-nos em combate. Aerys exigiu a cabeça de Ned e Robert ao regente da região, Jon Arryn e este recusou as ordens e juntou-se à rebelião. Entre as batalhas da guerra, destacam-se: “Summerhall”, “Ashford”, “Battle of the Bells”, “The Trident”, “King’s Landing” e “Storm’s End”.

A Rebelião segundo Robert Baratheon

Os crimes da Casa Targaryen eram demasiado grandes e eles tinham de pagar por eles. A primeira batalha foi em “Summerhall” onde vencemos os lealistas, com três batalhas num dia! Derrotados posteriormente pelos Tyrell, reagrupamos para norte.

Enquanto o exército Targaryen tentava impedir a nossa chegada a Norte, ferido, procurei refúgio em Stoney Sept. Quando os sinos tocaram a avisar da batalha eminente, as forças Stark e Tully entraram na cidade e derrotaram as forças do Rei, que fugiram para King’s Landing. Foi um dia glorioso!

O príncipe Rhaegar Targaryen finalmente saiu do esconderijo, formou um exército e enfrentou as minhas forças enquanto o Rei morria de medo no trono. O destino da guerra disputou-se no Tridente. 40 mil contra 35 mil leais a mim. Eles estavam frescos, mas nós estávamos endurecidos pela batalha e tínhamos a justiça do nosso lado.

Encontrei o Príncipe e derrotei-o com o meu Martelo. Com uma força de dez homens, atingiu-o de tal modo que os rubis saltaram da sua armadura. Ferido pelo combate, não pude cavalgar até King’s Landing, mas enviei Ned Stark para fazer o Rei pagar pelos seus crimes…

A Rebelião segundo Viserys Targaryen

Os Targaryen, sangue dos dragões e descendentes da Old Valyria, eram amados por todos e reconhecidos como a maior dinastia que o mundo Ocidental já teve. Mas a paz e prosperidade que duravam há 300 anos foram desfeitas pelo Usurpador Robert Baratheon e o seu bando de traidores. Aquelas malditas Casas que devem a sua existência à benevolência de Aegon Targaryen, por não os ter destruído de vez aquando da conquista. Insolentes!

Há quem diga que têm razão para a rebelião, que o rapto e morte de gentes do Norte justificam esta guerra. Quer estas acusações sejam verdade ou não, o Dragão não responde perante ninguém!

O nome de Aerys foi manchado como monstro, tirano e louco que provocou o seu próprio fim. Mentiras! O rei foi vítima de más orientações pelos seus conselheiros que permitiram que a rebelião fugisse ao controlo. Infelizmente o príncipe Rhaegar foi traído pelos Deuses e caiu pelas mãos do próprio Usurpador… e assim terminou o reinado na batalha do Tridente.

Aerys enviou a sua Rainha, Rhaella, gravida de Daenerys, juntamente comigo para Dragonstone, em exílio.

Partilha o post do menino no...