Pelos Caminhos de Westeros: Os Targaryen

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas, os seus membrosm de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série e da história vasta da saga. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Targaryen.

As Origens

Penso não estar a mentir quando digo que os Targaryen são a família mais complexa e rica de todas as descritas na obra de George RR Martin, capazes de feitos incríveis e de loucuras aterradoras. Se muito havia para contar desde o desembarque de Aegon em Westeros, a saga desta família “élfica” não começa aqui, para isso é preciso recuar uns milhares de anos…

Valyria começou por ser uma civilização menor que residia na Península de Valyria. Foi aí que descobriram umas maravilhosas criaturas, os dragões, numa zona denominada de Fourteen Fires, governada por uma cadeia de vulcões. Os Valyrianos treinaram os Dragões com magia e tornaram-nos em devastadoras armas de guerra, usando chicotes e chifres mágicos para os dominar. Fundaram Valyria como sua capital, a magia floresceu, torres enormes foram erguidas e ferreiros forjaram lendárias espadas, famosas pela sua força e agudeza.

O Império denominado como “Freehold de Valyria” floresceu e nos primórdios da nova civilização, cinco mil anos antes da invasão de Aegon, estiveram envolvidos numa grande guerra com o Império Ghiscari. Esta civilização é o resultado de um “melting pot” de dezenas de povos, unidos sob um só império que governava grande parte de Essos e que já estava no seu auge quando Valyria não era mais do que um conjunto de pastores. Tinham legiões de soldados altamente treinados que se dizia serem imbatíveis em combate e a arquitectura de Ghis, a capital, era dominada por torres de tijolo e pirâmides (um pouco à semelhança do antigo Egipto). O seu símbolo era uma Harpia: uma mulher com presas e asas de pele em vez de braços, pernas de águia e cauda de escorpião, segurando um raio nas garras. Ainda hoje é essa a imagem de cidades, como Astapor.

Os Ghiscari queriam o poder dos emergentes Valyrianos e declararam guerra. Cinco grandes guerras foram travadas com o poder emergente a sair sempre vitorioso. À sexta vez os Valyrianos atacaram Ghis, destruindo as grandes construções e o povo. Chegaram mesmo ao ponto de espalhar sal e enxofre pelos campos para impedir o regresso de sobreviventes. A linhagem original de Ghis foi eliminada e a população sobrevivente reconstruiu o que pôde dos escombros do império. As colónias exteriores (denominada Slaver’s Bay – Baía dos Escravos), Astapor, Yunkai e Meeren estabeleceram-se como centros globais no mercado de escravos e tornaram-se extremamente ricas (a cidade-ilha de Nova Ghis também foi criada). A cultura original perdeu-se com o tempo e até adoptaram a língua dos seus conquistadores (daí se falar High Valyrian nestas cidades). No entanto, há aspectos que ainda perduram, como o uso da Harpia como símbolo da cidade e o treino das legiões de soldados-escravos, os Unsullied. Os Good Masters de Astapor, os Wise Masters de Yunkai e os Great Masters de Meereen treinam escravos há gerações, tornando-se verdadeiros peritos na “arte”.

Depois de conquistar Ghis, os Valyrianos continuaram a conquistar a Slaver’s Bay e dirijiram-se ainda mais para Norte. Quando se viraram para Oeste, 700 anos antes de Aegon, para a antiga e grande civilização de Rhoynar (habitava a zona fluvial do rio Rhoyne, que atravessa o Continente de Norte a Sul, a Este da cidade de Pentos), o Príncipe Garin O Grande liderou um exército de 250 mil homens contra Valyria, um esforço fútil visto que acabaram massacrados. Uma rainha guerreira uniu as cidades-estado e o povo fugiu para Westeros. Segundo o mito, Nymeria (nome dado por Arya ao seu lobo), liderou dez mil barcos pelo delta do rio Rhoyne, através do Summer Sea e estabeleceu-se em Dorne, onde casou com o Rei da região, Mors Martell, e o ajudou a consolidar o reino de Dorne. Durante e após a evasão dos Rhoynar, os Valyrianos destruíram a capital Ny Sar e outras grandes cidades, incluindo Chroyane, Ar Noy e Ghoyan Drohe. As ruínas ainda podem ser observadas no leito do rio. Como povo, os Rhoynar eram um pouco diferentes dos restantes Andals: as descendentes mulheres tinham direitos iguais aos dos homens, toleravam a homossexualidade e idolatravam originalmente uma religião de cinco deuses ligados ao rio Rhoyne (após o êxodo adoptaram a Faith of Seven). Alguns resistentes da velha cultura continuam a viver perto do rio Greenblood.

Na verdade, a “Zona Livre” de Valyria nunca foi um verdadeiro império. Continuou a expandir-se, a capturar escravos que usavam no minério das Fourteen Flames em busca de ouro e prata (por vezes havia revoltas de escravos, mas os Valyrianos conseguiam “abafá-las” com magia. Quando havia guerra, matavam milhares, e em tempos de paz, criavam-nos), e construíram grandes cidades com estradas que iam dar directamente a Valyria (Oros, Mantarys, Tyria e todas as Cidades Livres, excepto Pentos). No auge da civilização, duzentos anos antes da Queda, controlavam grande parte de Essos e colonizaram a Oeste até à ilha de Dragonstone, o forte mais Ocidental do Império que usavam como centro de comércio com os Sete Reinos. A civilização tinha vários deuses, entre eles Balerion, Meraxes e Vhagar (Aegon O Conquistador deu estes nomes aos seus dragões em homenagem, embora mais tarde se tenha convertido à Faith of Seven) e a prática do incesto era bastante comum.

Num evento que viria a ser conhecido como o “Doom of Valyria”, ou simplesmente “Doom”, o florescente império viu o seu fim chegar num ápice. Ocorreu aproximadamente cem anos antes da Invasão de Aegon e destruiu completamente a Península de Valyria. Fragmentou a terra e o que era antes um Continente coeso tornou-se num conjunto de pequenas ilhas, criando o Smoking Sea entre elas. Diz-se que lá as águas fervem e que qualquer um que deslumbre as montanhas ardentes sofrerá uma penosa morte. Buracos na terra engoliram os palácios e as suas gentes e os fumos tóxicos mataram os restantes dragões que conseguiram escapar ao desastre inicial. Lagos tornaram-se ácidos, nuvens vermelhas fizeram chover Dragonglass e a água atingiu quase 100 metros de altura, afogando dezenas de milhares. Agora diz-se que a zona é assombrada por demónios e até o mais corajoso dos marinheiros teme lá ir. O desastre foi tão dramático que é representado em arte por todo o mundo, desde Pentos aos Dothraki.

O que aconteceu naquele fatídico dia não é claro, há quem diga que a magia de Valyria se voltou contra os seus “mestres”, mas o mais provável foi ter ocorrido uma cataclísmica erupção vulcânica que devastou o continente, evidenciada pela descrição da região antes e depois. Em muitos aspectos, Valyria é comparável ao mito da Atlântida, com certeza algo em que George R.R. Martin se baseou.

O período que se seguiu foi conturbado para os descendestes da caída Valyria. Conhecido como “Century of Blood” ou “Bleeding Years” foi uma altura de caos que durou um centenário. As colónias separaram-se e lançou-se a confusão, as nove Cidades foram criadas e declaram guerra entre si e os descendentes sobreviventes casaram com outros povos. Uma das maiores perdas culturais foi o conhecimento para forjar as magníficas espadas de aço Valyriano. Instrumentos forjados com magia de qualidade sem igual. As espadas que restam são altamente valorizadas e preservadas, inclusive em Westeros.

Na Antiga Valyria não existia um Rei, havia sim um conjunto de cerca de 40 famílias livres que tinham uma palavra a dizer na governação. Famílias de nobreza, donas de terras e grande riqueza, dominadoras de magia, conhecidas como Dragonlords. Os Targaryen eram apenas uma dessas famílias e nem sequer das mais poderosas. Então, o que salvou os Targaryen daquele fatídico dia?

A Família – Êxodo

Doze anos antes da tragédia, Daenys A Sonhadora, filha do líder da família Targaryen, Aenar, teve uma visão que anunciava um cataclismo que se abateria sobre Valyria. Alertado pela premonição da filha, Aenar levou toda a sua família e os seus cinco Dragões (incluindo Balerion) para o posto mais Oeste do Império, Dragonstone. Quando o Doom se abateu, os Targaryen foram das poucas famílias que se salvaram e os únicos que preservaram dragões. Posteriormente, quatro dragões morreram por razões desconhecidas (talvez rivalidades dentro da família) mas dois ovos foram preservados, Vhagar e Meraxes.

Em consequência do Doom e da fragmentação do império, os Targaryen foram pressionados a juntar-se a Volantis (Cidade Livre mais a Sul e mais próxima da Baía dos Escravos que tentou conquistar as restantes Cidades de modo a restaurar o velho império). Mas a familia permaneceu em Dragonstone por mais um centenário. Depois veio Aegon…

Aegon ainda voou para as guerras nas Disputed Lands (um conjunto de terras disputadas pelas Cidades de Myr, Tyrosh e Lys desde o tempo da Antiga Valyria), acabando com as pretensões de Volantis pela região, e posteriormente virou o seu olhar sobre outro pedaço de terra… Em vez de perseguir o sonho de reunificar o velho império numa terra marcada por conflitos, Aegon Targaryen quis antes unir os reinos de Westeros, uma terra “virgem” e rica, pronta a ser explorada. Com a ajuda das suas irmãs-esposas e dos três dragões, ele tornar-se-ia Aegon O Conquistador, unificador dos Sete Reinos e primeiro Rei de Westeros.

Após a conquista do Continente, a família real mudou-se para a nova capital, King’s Landing, e as terras que a rodeiam mudaram de nome para Crownlands. Compreende-se a zona a Sul do Vale, Nordeste das Riverlands e Norte do Reach e Stormlands. Não era uma zona soberana, apenas um local de disputa entre vários reinos e por isso as Casas residentes foram obrigadas a trocar de alianças algumas vezes até à invasão. Quando Robert Baratheon foi nomeado rei, as Casas da região, encabeçadas pelos Darklyn e os lordes de Cracklaw Point, continuaram a apoiar a coroa. Os Targaryen aprenderam com o Doom que é importante não ter a família toda no mesmo local em caso de catástrofe e por isso Dragonstone manteve-se como casa do príncipe herdeiro. Embora a família já existisse desde Valyria, a “Casa” Targaryen só foi formalmente formada com Aegon.

O seu lema é “Fogo e Sangue”, em alusão à ligação com os dragões mas também à consanguinidade. Também o sigilo, um dragão de três cabeças vermelho a expirar fogo em fundo preto, é uma alusão aos três dragões de Aegon e das irmãs. Apesar de adoptarem muitas das tradições do novo Continente (incluindo a religião), os Targaryen distinguiam-se das restantes famílias nobres em alguns aspectos, como o casamento incestuoso (irmão com irmã, primos com primas, tio com sobrinha, etc) e serem cremados após a morte, ao invés de serem sepultados em criptas especiais. Diz-se que a família tem “sangue do dragão”, numa clara alusão à sua história com as míticas criaturas, mas também ao seu aspecto físico: cabelo prateado-dourado (ou platina) e olhos violeta (um pouco diferente dos azuis de Dany na série). Os membros da nobre família conseguem tolerar mais o calor do que as outras pessoas, mas não são imunes ao fogo. Outro traço presente é a capacidade de sonhos premonitórios (como Daenys teve). Provavelmente devido as práticas incestuosas, têm alta tendência para a loucura. O Rei Jaehaerys II disse mesmo que quando um Targaryen nasce, os deuses lançam uma moeda ao ar para decidirem se a criança será um génio ou lunático.

Mesmo adoptando novos costumes e crenças, a dinastia sempre se considerou acima das leis dos homens e deuses. A Faith of Seven considera o casamento incestuoso um pecado, mas isso não impediu Aegon de casar com as irmãs e de nomear o seu filho Aenys I como sucessor após a sua morte (37 anos após o desembarque em Westeros). Para além disso, os Mãos do Rei eram quase sempre de sangue de dragão também. Quando Aenys subiu ao poder, a ordem militar da Faith (Faith Militant) revoltou-se contra a dinastia e o seu legado incestuoso e teve de ser Maegor I, meio-irmão de Aenys, herdeiro do trono e Mão do Rei, a lidar com o conflito. Os métodos cruéis de Maegor durante a guerra (oferecendo recompensas pelo couro cabeludo dos traidores) valeu-lhe a alcunha de O Cruel. Só após a sua morte e a ascensão ao poder de Jaehaerys I é que a revolta serenou. O novo rei ofereceu amnistia em troca da dissolução da Faith Militant (Jaehaerys ganhou a alcunha de “O Conciliador” e a sua governação foi longa e sábia).

Os Targaryen continuaram Dragonlords durante o início da governação em Westeros, até ao reinado de Aegon III, e mandaram construir uma imensa estrutura abobadada em King’s Landing para albergar os dragões (Dragonpit). Aí, novos dragões eram criados dos originais três de Aegon, no entanto, mortes violentas em combate e doenças a cada geração levaram à diminuição, em número e tamanho (o último era deformado, estéril e morreu ainda jovem). A morte dos últimos dragões não está perfeitamente justificada, há quem diga que Aegon III os envenenou, ou que os Maesters estão directamente envolvidos na sua extinção. Há também quem diga que a criação de dragões em “cativeiro”, num edifício fechado como o Dragonpit, atordoou o seu crescimento.

Como a morte de Jaehaerys I, o seu neto, Viserys I governou bem… excepto no casamento. A sua descendência esteve envolvida num conflito que ficaria conhecido como a “Dança dos Dragões”, uma guerra civil entre Targaryens que pôs frente a frente Rhaenyra (única filha sobrevivente do casamento entre Viserys I e a Rainha da Casa Arryn) e Aegon II. Quando a Rainha Arryn faleceu, Viserys casou com um membro da Casa Hightower de quem teve mais quatro crianças. Apesar do Rei deixar bem assente que Rhaenyra seria a sua descendente, o Lord Commander da Kingsguard, Criston “Kingmaker” Cole, desafiou os seus desejos e coroou o príncipe Aegon como Rei, filho do segundo casamento de Viserys. O Reino ficou dividido em dois, Targaryens lutaram com Targaryens e dragões com dragões. Rhaenyra viria a morrer pelo dragão do irmão mais novo mas os seus seguidores continuaram a apoiar o seu filho. Quando o outro pretendente, o filho de Rhaenyra, também morreu, Aegon III subiu ao trono. Do conflito saiu uma alteração às leis, em que uma mulher na linha de sucessão fica atrás de todos os herdeiros masculinos, por muito distantes que sejam. Foi durante a governação do terceiro Aegon que o último dragão morreu, valendo ao rei a alcunha de Dragonbane (algo como “a desgraça dos dragões”). Não só a morte dos seus mais fantásticos aliados, mas também os constantes conflitos dentro da família, enfraqueceram os Targaryen e o seu punho em Westeros.

A Família – 300 anos de loucura e génio

A invasão de Aegon foi rápida, completa e decisiva… excepto no território de Dorne. Talvez pela influência da migração do povo de Rhoynar, os príncipes de Martell resistiram sempre ao reinado dos Targaryen, governando a região como estado independente. Quando o filho de Aegon II, o Jovem Dragão Daeron I de 14 anos, ascendeu ao poder quis mudar o status quo do conflito e invadiu a região com sucesso. No entanto a vitória não durou muito e o jovem governante viria a falecer, juntamente com 40 mil dos seus homens, quando tentaram anular uma revolta. Morto aos 18 e sem herdeiros, o peso do trono recaiu sobre o irmão, Baelor O Abençoado, que estava na altura em formação para se tornar Septon (padre da Faith) e o seu primeiro acto foi casar o primo com Myriah Martell, amenizando os ânimos. Viserys, tio de Baelor, foi Mão do Rei Padre assim como do seu antecessor e manteve o reino em funcionamento enquanto Daerion guerreava e Baelor rezava (durante o seu reinado, Baelor trancou as irmãs no castelo para impedir pensamentos carnais). Quando Baelor faleceu, Viserys sucedeu e foi só com o seu neto, Daeron II, que Dorne finalmente se juntou ao reino, quando este casou a irmã Daenerys com o príncipe Maron Martell.

Mas o filho de Viserys e pai de Daeron II ainda virou Westeros do avesso antes disso. Aegon IV O Indigno, foi descrito por George R.R. Martin como uma personagem feita à imagem de Henry VIII de Inglaterra: um homem bonito em novo que foi um sucesso entre as mulheres e que por isso teve várias amantes (e filhos bastardos), além de ser um profundo amante dos restantes prazeres da vida. No final da sua vida, era um homem obeso, quase incapaz de suportar o próprio peso, mas o seu maior pecado foi legitimizar todos os seus bastardos no leito da morte. Um desses bastardos era Daemon, um jovem de feições Targaryen que se viria a tornar num grande guerreiro e lhe foi dada a posse de Blackfyre, a espada de aço Valiriano de Aegon o Conquistador (ficando conhecido como Daemon Blackfyre). Quando Aegon IV legitimizou os bastardos, apesar de os colocar atrás na linha de sucessão, atrás do seu filho legitimo Daeron II, criou uma guerra de poder. Por várias razões, entre as quais o facto do Daeron II ter dado a mão da sua irmã Daenerys a Maron Martell, por quem Daemon Blackfyre nutria uma paixão, o bravo guerreiro revoltou-se contra o Rei. Lutas sangrentas prolongaram-se durante anos e na derradeira batalha Daemon Blackfyre e as suas forças foram derrotadas pelos lealistas. Durante a batalha que tiraria a vida a dez mil homens, diz-se que Blackfyre travou e venceu uma luta de quase uma hora com Sir Gwayne Corbray da Kingsguard, que manejava outra espada de aço Valiriano, Lady Forlorn. Daemon Blackfyre viria a morrer pela mão de Brynden “Bloodraven” Rivers, irmão bastardo do rei. Aegor “Bittersteel” Rivers, outro dos Grandes Bastardos que se juntou a Blackfyre na revolução, conseguiu escapar pelo Narrow Sea juntamente com a espada Blackfyre, e formou a “Golden Company”, o maior, mais famoso e temido exército mercenário das Cidades Livres. Juntamente com Bittersteel fugiram também os filhos de Blackfyre que continuaram a reclamar direito de sucessão ao Trono de Ferro além-mar. Apesar da fama deste tipo de exércitos, a companhia tem a reputação de nunca ter quebrado um contrato e o seu lema é “A nossa palavra é tão valiosa como o ouro”. (a “nossa” Daenerys conta que o irmão Viserys ofereceu um banquete aos capitães da companhia de modo a reunir o seu apoio na ascensão ao trono e que estes comeram a sua comida, ouviram as suas palavras e no final riram-se dele).

Um conjunto de infelicidades e mortes dentro da família levaram à formação de um Grande Conselho em 233 AL (à semelhança do nosso “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”, também em Westeros os anos são contados depois da invasão de Aegon, “After Landing”, “Depois do Desembarque”). Nesse conselho o Maester Aemon (que actualmente se encontra na Muralha) recusou a oferta do trono e a responsabilidade recaiu sobre Aegon V, denominado como O Improvável por ser o quarto filho de um quarto filho na linhagem de acesso ao trono (também conhecido como “Egg”). Aegon V enviou todo o “conteúdo” das masmorras para acompanhar o irmão mais velho até à muralha, inclusive o tio-avó Brynden “Bloodraven” Rivers, que se tornar-se-ia Lord Commander da Night’s Watch. Após derrotar o último pretendente Blackfyre, Maelys O Monstruoso, Egg ouviu uma profecia que dizia que a sua linhagem daria origem ao Príncipe Que Foi Prometido (aquele que derrotaria os Outros), então Aegon V tratou de casar os seus netos Aerys e Rhaella com brevidade. Como ele próprio tinha casado por amor e não conveniência, permitiu o mesmo aos seus filhos. Jaehaerys II, um homem inteligente e capaz mas de constituição fraca , governou por poucos anos e deu lugar ao filho… Aerys II, O Rei Louco, 17º e último Rei da dinastia Targaryen.

Se neste ponto da história estão altamente confusos com tanto nome e história paralela, não vos condeno. Prefiro interpretar tudo isto como uma incrível história, demonstrativa da capacidade criativa de GRRM. Impossível de ser transmitida em profundidade para a série, os inúmeros contos desta família abençoada/amaldiçoada são uma excelente fonte de conhecimento e exploração para o universo paralelo que corre com a história central de toda a saga.

Embora ainda fiquem alguns aspectos por explorar no passado Targaryen, o que vem depois é bem mais sabido. A linhagem que deu a Westeros prosperidade e crescimento, começou a perder-se em conflitos, traições, rebeliões, atrocidades e guerras de sucessão que anunciavam aos poucos o seu fim. O reinado de Aegon V é mesmo o início do fim  de uma dinastia que Robert Baratheon conquistou no Tridente ao matar Rhaegar e que Jaime Lannister finalizou com um o golpe final no Rei Louco. Uma vez Dragonlords, semi-deuses dominadores dos céus, montados nos seus poderosos dragões… eram agora seres “menores” que tinham de governar só depois de um Conselho os eleger. Uma sombra do povo que sobreviveu ao Doom e que o Grande Aegon trouxe para Westeros.

Cronologia com os grandes momentos da história dos Targaryen em Westeros:
-200 AL – A Casa Targaryen muda-se para Dragonstone
-100 AL – Ocorre o Grande Doom sobre Valyria
1 AL – Aegon invade Westeros.
37-48 AL – A rebelião dos Faith Militant
129-131 AL – A Dança dos Dragões
157 AL – Conquista de Dorne por Daeron I
196 AL – Batalha de Redgrass Field (Blackfyre é derrotado)
209 AL – Great Spring Sickness (uma grande praga que se abate sobre Westeros e que vitimiza o Rei Daeron II e os seus netos)
233 AL – O Grande Conselho
282-283 AL – A Guerra do Usurpador Robert Baratheon

A Família – Actualmente

Aerys Targaryen II, O “Rei Louco” – Aerys prometia grandes feitos no início do seu reinado, ao invés, tornou-se no último Rei da dinastia Targaryen em Westeros. Em novo era um jovem charmoso, generoso, bonito e decidido, embora temperamental. Motivado pela profecia de que a sua linhagem daria origem ao Principie Que Foi Prometido, o avô Aegon V juntou-o com a irmã ainda na adolescência (Sir Barristan diz que durante o casamento não houve qualquer demonstração de carinho entre os noivos). Ainda durante o breve reinado do pai Jaehaerys, o primeiro filho do casal nasceu, Rhaegar. Mais tarde viria a ser pai de mais duas crianças, Viserys e Daenerys.

No início do reinado levou a cabo uma reformulação de postos com injecção de sangue novo (a nomeação de Tywin, o mais novo Mão da história, foi exemplo disso) e durante 12 anos houve paz. Com a idade, Aerys tornou-se invejoso, cruel e suspeito de tudo e todos. O atrito com Tywin Lannister, o seu Mão, começou a ser bem palpável. Aerys cortejava a esposa de Tywin, nomeou Jaime para a Kingsguard para impedir que deixasse descendência e a gota de água chegou quando Aerys decidiu mostrar que era um governante capaz e que não precisava do “Senhor” Lannister para nada. Denys Darklyn, Lord de Duskendale, umas das Crownlands que rodeiam King’s Landing, exigiu ao Rei mais direitos e regalias, um novo foral, para o seu povo. Aerys recusou, o confronto escalou e Duskendale recusou pagar mais taxas ao reino. Aerys, querendo afirmar-se como um “resolvedor de problemas” levou a sua Kingsguard para capturar e executar Denys, mas em vez disso, acabou ele próprio preso. Quando Tywin se deslocou para lá, não pode intervir sob ameaça imposta à vida do Rei em caso de ataque. A “Defiance”, como viria a ser conhecido o conflito, terminou quando Sir Barristan Selmy se infiltrou no forte e resgatou o Rei. Lord Denys pediu clemência no final, mas tanto ele como toda a sua família foram executados, à moda dos Lannister (o mesmo destino teve a Casa Hollard, aliada dos Darklyn durante o conflito, à excepção do filho mais novo, Dontos Hollard).

Depois do cativeiro, Aerys nunca mais foi o mesmo. A fenda com o seu braço direito foi total, ao acusar Tywin de ter demorado imenso tempo a resgata-lo, e ficou exponencialmente paranóico com a própria segurança (diz-se que nunca mais abandonou o Red Keep, à excepção da presença no Torneio de Harrenhal, só porque Lord Varys lhe disse que o filho se ia reunir lá com outros lordes para o destronar). A qualquer sinal de desafio, Aerys respondia com agressividade desmesurada, reclamando ser vítima de constantes conspirações. Desenvolveu um fascínio perverso pelo fogo, ao ponto de apenas ficar excitado quando via alguém a ser queimado vivo e o casamento com a irmã Rhaella, embora nunca muito feliz, tornou-se sexualmente abusivo com o tempo.

Embora com apenas 40 anos na altura da sua morte, a loucura fazia-o ter aparência de velho. Comia pouco (com medo de ser envenenado) e depois de se cortar tantas vezes no Trono de Ferro, desenvolveu fobia por espadas, proibindo qualquer uma perto de si, além dos membros da Kingsguard. Chegou ao ponto de nem cortar a barba e unhas (que chegaram aos 30 cm). As loucuras cometidas com a morte de Rickard e Brandon Stark são exemplo do descontrolo a que tinha chegado. Lord Varys ainda aconselhou Aerys a não abrir os portões a Tywin Lannister durante a Rebelião, mas o Rei ouviu antes os conselhos de Grand Maester Pycell que disse que os Lannisters estavam lá para ajudar o Rei. Nos momentos finais da sua vida ordenou que King’s Landing fosse incendiada com wildfire (“Que Robert seja o Rei sobre ossos queimas e carne cozinhada. Que ele seja o Rei das Cinzas”) porque acreditava que ele próprio não morreria e que as chamas o transformariam num dragão com poder para derrotar os seus inimigos. Este cenário, mais as ordens para matar Tywin, fizeram com que Jaime Lannister foi obrigado a assassinar Aerys na sala do trono. Aerys é um perfeito exemplo daquilo que a Casa Targaryen é capaz, do melhor e do pior.

Rhaella Targaryen – Sir Barristan conta que em nova Rhaella apaixonou-se por Ser Bonifer Hasty, que a nomeou Rainha do Amor e Beleza durante um torneio. Um amor condenado porque o lorde não tinha estatuto para ficar com ela. Cresceu na companhia de Joanna Lannister e da mãe de Doran Martell na corte e, mais tarde, no mesmo dia que o seu avô faleceu na Tragédia de Summerhall (em que o Rei Aegon V o seu filho herdeiro Duncan morreram num terrível incêndio no Castelo de Harrenhal. Há quem culpabilize o acontecimento com a intenção dos Targaryen em ressuscitarem os dragões através do “chocar” de ovos de Dragão com fogo), o marido Aerys II foi nomeado príncipe herdeiro e Rhaella deu à luz Rhaegar.

Rhaella suportou um casamento cada vez mais abusivo. O fascínio de Aerys por fogo levou a que só fosse intimo com ela depois de queimar alguém vivo. Da última vez, pouco antes de ser enviada para Dragonstone por ameaça da chegada das forças rebeldes à capital), Jaime Lannister ouviu-a chorar enquanto era violada. As criadas descreveram que na manhã seguinte, estava coberta de arranhões, nódoas-negras e marcas de dentadas. Partiu de King’s Landing duas semanas antes da queda da dinastia e permaneceu em Dragonstone durante o resto da gravidez (que tinha começado já na parte final da Rebelião). Viria a morrer quando deu à luz o terceiro rebento, Daenerys.

Rhaegar Targaryen – Se há crianças nascidas para o sucesso, o filho primogénito de Aerys II era definitivamente uma delas. Descrito como um homem lindo, de cabelo prateado e olhos lilás escuro à Targaryen, Rhaegar era bastante inteligente e excelente em tudo que se comprometesse a fazer. Músico talentoso e por vezes melancólico, ficou bastante afectado com a Tragédia de Summerhall, ocorrida no dia do seu nascimento, servindo de base para muitas canções, apesar da tristeza que lhe trazia. Costumava visitar muitas vezes e pernoitava no local sozinho, por debaixo da lua e estrelas. Os pais diziam mesmo que a tragédia anunciou e contribuiu directamente para que ele nascesse no mesmo dia (daí dizer-se que ele foi “born in grief”, “nascido no luto”). Jaime Lannister disse que ele daria um bom rei e Sir Barristan, que serviu três Reis, disse que Rhaegar seria melhor do que os três juntos.

Em criança lia compulsivamente e, apesar de não ter grande jeito inicialmente, tornou-se um grande mestre em combate devido à dedicação. Tornou-se cavaleiro aos 17 anos, vencendo muitos torneios, mas há quem diga que ele gostava mais da harpa do que da sua lança. Apesar de por vezes ser obstinado, privado e estudioso, era muito amado pelo povo. Cersei Lannister descreve que Tywin ouvia o dobro da ovação do Rei Aerys, mas que era apenas metade do quanto dedicavam a Rhaegar. O seu maior amigo era Arthur Dayne, um grande guerreiro e membro da Kingsguard, respeitado por todos pela sua capacidade guerreira, bravura e honra. Dayne nomeou Jaime Lannister cavaleiro após uma batalha e Ned Stark escreveu nas suas memórias que Sir Dayne tinha sido o melhor cavaleiro que já tinha visto. Catelyn também o descreve como o mais letal da Kingsguard de Aerys.

Como Rhaegar não tinha irmãs para casar, o Rei Aerys enviou Steffon Baratheon para Essos para que este encontrasse uma noiva para Rhaenar. Sem sucesso. Mais tarde, já depois de Aerys recusar casa-lo com Cersei Lannister, Rhaegar casaria com Elia Martell de quem teria dois filhos: Rhaenys e um filho, Aegon Targaryen. Devido à saúde debilitada de Elia, que quase não sobreviveu ao nascimento do segundo filho, os Maesters aconselharam o casal a não ter mais filhos. Maester Aemon, com quem Rhaegar se correspondia com regularidade na Muralha, disse que Rhaegar acreditava erradamente que o filho Aegon era o Príncipe Que Foi Prometido.

O Torneio em Harrenhal, que foi organizado por Lord Whent para provar o valor da sua Casa, foi o maior torneio do seu tempo, provavelmente de sempre, e prolongou-se durante 10 dias. Durante um festim, Rhaegar cantou uma música lindíssima e triste que deixou Lyanna Stark (que estava lá acompanhada pelos irmãos) a chorar. No torneio propriamente dito, Rhaegar esteve imparável, derrotando o próprio Arthur Dayne, A Espada da Manhã. Era costume o vencedor nomear e oferecer uma coroa de flores à Rainha do Amor e Beleza, uma donzela que o cavaleiro quisesse distinguir e dignificar. A multidão ficou perplexa e chocada quando o príncipe passou pela mulher Elia e ofereceu a coroa a Lyanna Stark… Um ano depois, a princesa do Norte foi raptada e levada para Dorne, o que é estranho porque Lyanna não é do tipo de se deixar raptar assim. É verdade que ela não estava excitada com a ideia de casar com Robert Baratheon nem ele era feliz com Elia do Dorne. O que a história retratou como um crime, Brandon Stark como um rapto e Robert imaginou como um tormento em que a sua prometida era violada e mantida prisioneira, pode não ter passado de uma simples fuga de amantes. Fuga ou rapto, foi algo que mudou Westeros (Sir Barristan culpou-se por não ter vencido o Torneio de Harrenhal. Se o tivesse feito, aquele momento em que Rhaegar distingue Lyanna não teria acontecido, a paixão não tinha despertado ainda mais e a guerra não teria despoletado). Nota: No final da rebelião, depois de libertar Storm’s End, Ned cavalgou até ao Dorne para libertar a irmã da Tower of Joy e encontrou-a às portas da morte, numa cama cheia de sangue…

Rhaegar permaneceu no Dorne na companhia da sua amada/prisioneira até à Batalha do Tridente, em que reuniu os seus bannermen e cavalgou para Norte para travar Robert. O confronto entre os dois foi lendário e apesar do Targaryen ferir Robert, acabou derrotado por um golpe poderoso do Martelo de Guerra do futuro Rei, de tal modo que os rubis da sua armadura saltaram (soldados de ambos os lados pararam de lutar para apanhar as jóias na água e o local agora é conhecido como Ruby Ford). Relata-se que a sua mulher Elia foi violada e morta, juntamente com os filhos, às mãos de Sir Gregor Clegane e Sir Amory Lorch durante o saqueamento de King’s Landing.

Se Rhaegar tivesse casado com Cersei, se Daenerys tivesse nascido mais cedo para poder casar com o irmão, se o seu pai não tivesse sido um tresloucado talvez a história de Rhaegar e Westeros fossem bem diferentes.

Daenerys – É das principais figuras de toda a saga, centrando-se nela toda a acção no Continente de Essos (excepto em “A Feast of Crows” em que é apenas mencionada). Tal como outros grandes jogadores neste Jogo de Tronos, também Daenerys teve um nascimento conturbado que levou à morte da sua progenitora, em Dragonstone, numa noite de tempestade que destruiu o resto da frota Targaryen que se encontrava na costa (daí o nome “Stormborn”). Pouco tempo depois, quando a Rebelião acabou e os homens leais aos Targaryens se preparavam para render e salvar as próprias vidas, ela e o irmão foram levados para a Cidade Livre de Braavos por Sir Willem Darry, onde viveram vários anos numa casa com uma porta vermelha. Sir Darry já não era novo e quando faleceu os servos da Casa expulsaram os Targaryen, para desolação de Dany. Suportados por lealistas à família, os irmãos passaram os anos seguintes a viajar entre as Cidades Livres em busca de apoio para recuperar o Trono de Ferro.

Frustado, o irmão Viserys vingava-se nela e chegou mesmo a culpa-la pela morte da mãe e até por não ter nascido mais cedo, para que o Rhaegar pudesse casar com ela. O irmão insistia bastante na preservação da linhagem, por isso Dany sempre acreditou que mais tarde viria a casar com ele, como era tradição. Inicialmente é uma criança assustada, sem noção da vida na corte ou glorias passadas dos Targaryen. Presa a uma vida no exílio, a um irmão que muitas vezes era violento com ela, Dany percebeu cedo que o sonho dele pelo poder era irrealista. O que ela queria mesmo era voltar aquela casa de porta vermelha onde fora feliz. Sabia que nunca iria escapar ao controlo do irmão, tornando-a numa criança medrosa mas dócil. Eventualmente, os jovens encontraram o apoio desejado em Pentos, quando um rico e poderoso mercante, Illyrio Mopatis, os convidou a ficar em sua Casa e ofereceu o seu apoio para resgatar o trono.

Viserys III – Protegido pela mãe da loucura do pai, Viserys partiu ainda novo para Dragonstone. A partir daí partilhou o seu destino com a irmã Daenerys. Quando Sir Willem Darry morreu, Viserys foi obrigado a vender todas as posses familiares que ainda tinha para sustentar a si e à sua irmã. Quando foi obrigado a vender a coroa da sua mãe, o resto da alegria de Viserys perdeu-se, sobrando apenas a raiva. A relação com a irmã era carinhosa inicialmente, mas com o tempo azedou e usava-a como bode expiatório para as suas frustrações. Várias vezes dizia para não “despertar o dragão nele”, como ameaça da sua raiva.

Viserys era ambicioso mas também impaciente, delirante e com uma visão irrealista do mundo. Via-se como rei legítimo, mas não fazia ideia do irrealismo da ideia de se voltar a sentar no trono. Durante as suas viagens pelas Cidades Livres em busca de apoio para o sonho ganhou a vergonhosa alcunha de “Rei Pedinte”, tornando-o ainda mais ácido e obcecado com o seu direito de nascença. Chegava a ter orgulho das vezes em que perdia a calma, considerando ser sinal do seu legado como Targaryen. Viria a morrer, como sempre desejou, com uma coroa de ouro na cabeça…

Khal Drogo – Filho de Khal Bharbo, Drogo demonstrou desde cedo ser um extraordinário guerreiro, mesmo para os Dothraki. Antes dos 30 anos já liderava 40 mil homens, o maior exército no Dothraki Sea, e nunca foi derrotado em combate. Drogo possuía um palácio na cidade sagrada dos Dothraki, Vaes Dothrak, e uma mansão com nove torres em Pentos, como política da cidade em subornar os Dothraki para que estes não os atacassem.

Jorah Mormont – Jeor Mormont (o Lord Commander) juntou-se à Night’s Watch para que o seu filho governasse a Casa Mormont. Durante a Rebelião dos Greyjoy, Jorah destacou-se pela valentia e foi nomeado cavaleiro pelos seus feitos. No entanto a vida amorosa não seguiu a mesma linha de sucesso. A primeira mulher morreu ao fim de dez anos de casamento, consequência do terceiro aborto. Durante um torneio em Lannisport, Jorah venceu contra todas as probabilidades e nomeou Lynesse Hightower como Rainha da Beleza e do Amor. Viria a tornar-se a sua segunda mulher, mas o casamento não permaneceu feliz durante muito tempo. Lynesse era uma mulher habituada a luxos e Jorah não conseguiu corresponder às expectativas, endividando-se muito para lhe oferecer presentes caros e outras mordomias. Desesperado para saldar as dividas, meteu-se no ilegal comércio de escravos e quando Ned Stark descobriu que ele tinha vendido caçadores a um mercante de escravos de Tyroshi, condenou-o à morte. Quando Ned chegou à ilha para dar a sentença, já Jorah tinha fugido para a Cidade Livre de Lys, onde tentou ganhar a vida como mercenário. Lynesse, ainda frustada pela vida difícil, teve um amante que disse a Jorah que se este não abandonasse a mulher e fugisse da cidade seria tornado escravo. De coração partido e exilado, partiu para Volantis onde esteve quase um ano. Continuou a viajar pelas Cidades Livres como mercenário, até o seu destino se cruzar com Daenerys…

Illyrio Mopatis de Pentos – Um rico e poderoso mercante da Cidade Livre de Pentos, descrito como obeso mórbido. É ele que recebe Viserys e Daenerys e lhes promete apoio. Vende especiarias, jóias, ossos de dragão e é o mediador responsável pela venda Daenerys a Khal Drogo.

Irri – Uma criada Dothraki de Daenerys. Originalmente pertencia a um khalasar rival, derrotado por Khal Drogo.

Doreah – Illyrio encontrou-a numa “Casa de Prazeres” de Lys e é “usada” por Viserys durante a estadia de Viserys na mansão. Illyrio oferece-a a Daenerys como prenda de casamento para lhe ensinar as artes do amor.

Qotho – Um bloodrider de KhalDrogo (uma espécie de braço direito). Um homem sádico que provoca medo até aos seus cavalos.

Rakharo – Quando Dany tenta que Mirri Maz Duur cure Khal Drogo e os bloodriders se viram contra ela, Rakharo protege a sua Khaleesi. Em troca, esta nomeia-o seu bloodrider.

Mirri Maz Duur – Mirri era uma sábia dos Lhazareen, um povo pacifico formado por pastores em Essos. Era uma sacerdotisa do Grande Pastor, uma deviandade dos Lhazar. Aprendeu a arte de comandar as sombras assim como artes de cura do Maester Marwyn, o Grande Mestre dos Maesters.

O Mapa

Dragonstone – Situada a Nordeste de King’s Landing, na Blackwater Bay, a ilha vulcânica foi o lar original dos Targaryen em Westeros, criada pelo vulcão Dragonmont. Colonizada pelo império da Velha Valyria séculos antes, era o posto mais ocidental do império. O Castelo de Dragonstone é uma pequeno forte na face do vulcão e no exterior tem uma pequena vila piscatória. A ilha é uma fonte rica em Dragonglass, um vidro vulcânico, encontrado em abundância nos túneis por debaixo da montanha. Na sua maioria é preto, mas também existe em verde, vermelho e roxo.

A pouca distância encontra-se a ilha e Driftmark, lar dos bannermen Targaryen, Velaryon. Apesar de não terem sobrevivido muitas famílias de Valyria, os Velaryon fazem parte dos sobreviventes e aliaram-se aos Targaryen durante a invasão. Mulheres desta casa chegaram mesmo a ser escolhidas como rainhas três vezes. Agora são bannermen de Stannis Baratheon.

O forte de Dragonstone foi construído com técnicas Valyrianas avançadas de construção, que entretanto se perderam, tornando-o bastante diferente dos restantes castelos de Westeros. Formado por pedra preta, tem torres em forma de dragões e 1000 estátuas de gárgulas em diferentes formas. A temática dos dragões está presente por todo o forte: portões em forma de dragão, tochas com a forma de garras, um par de asas cobre o arsenal e ferreiro e caudas formam escadarias. Entre várias salas descritas, destacasse a Chamber of the Painted Table (Sala da Mesa Pintada), situada no topo do forte, com quatro grandes janelas viradas para Norte, Sul, Este e Oeste. Foi o local em que Aegon planeou a invasão de Westeros (a sala em que mais vezes vemos Stannis na série). No forte existe ainda um local de oração à Faith que Aegon mandou construir depois de se ter convertido à nova fé durante a Conquista (em Oldtown, perto de Highgarden, a mais velha e umas das maiores cidades de Westeros). Dragonstone teve seis mestres até à chegada de Aegon.

King’s Landing – Localizada no local onde Aegon desembarcou para conquistar Westeros, a cidade é rodeada por uma muralha e é guardada por uma força de segurança denominada de Gold Cloaks (cerca de dois mil). Tem uma enorme densidade populacional (cerca de 500 mil pessoas) e é mais feia e suja do que as restantes cidades do reino (o cheiro dos seus esgotos pode ser sentido bem longe). Tem o porto principal do reino, rivalizado apenas pelo de Oldtown.

Situado numa terra que antes era disputada pelo Reach, Riverlands e Stormlands, hoje a cidade é rodeada pelas Stormlands, pertencentes a Casas menores, aliadas da coroa.

Foi crescendo com a passagem da dinastia Targaryen e o Red Keep só ficou finalizado durante a governação do terceiro Rei Maegor O Cruel (que mandou matar todos os envolvidos na construção para preservar os segredos do forte). Foi construído o Grande Sept, local de oração à Faith, como prova da devoção dos Targaryen, e o Dragonpit, onde os dragões eram cuidados e reproduzidos. Durante a sua história, a cidade já esteve algumas vezes ameaçada, já foi atacada e sofreu uma grande epidemia, em que 40% da população morreu. Durante a Rebelião de Robert foi saqueada e teve em risco de ser incendiada por Aerys II.

Tem uma forma quadrada e sete portões de acesso. Cobre três colinas com o nome de Aegon e das irmãs Visenya e Rhaenys. O bairro mais pobre da cidade chama-se Flea Bottom, um conjunto de labirintos e becos cheios de pedintes.

Durante a conquista, Aegon tinha um forte na região, construído com madeira e terra. Só após a Conquista é que ordenou a construção de uma casa mais permanente na colina mais alta. Formado por uma pedra vermelha pálida, com “cortinas” de muralhas enormes com centros para arqueiros e com parapeitos de pedra onde se encontram as “famosas” cabeças dos inimigos em espetos. Existe a Torre da Mão, que alberga a Mão do Rei, A Torre Branca, quartel da Kingsguard, masmorras, passagens secretas, salas de banquete e outras Salas comuns a outros palácios. No interior encontra-se a Sala do Trono, e o Trono de Ferro. O Trono imaginado por GRRalgo M é diferente do retratado na série. São mais de 1000 espadas, aquecidas com sopro de Balerion e o seu forjar demorou 59 dias. É suposto ser altamente desconfortável porque Aegon acreditava que nenhum rei se devia sentar “de ânimo leve” nele, aliás, não é possível o Rei encostar as costas porque há espadas afiadas que o impedem. Era usual os Reis se cortarem nele de tão “grotesco” era o seu design e diz-se que foi responsável pela morte de várias pessoas. Na sala do trono encontravam-se esqueletos de dragões que com a chegada de Robert foram removidos.

A Conquista de Aegon

Depois de Aegon Targaryen ter chegado a Westeros, a Guerra da Conquista durou quase dois anos e mudou o mapa político do Continente para sempre. Derrotados os lordes residentes no local de desembarque (futura King’s Landing), Aegon enviou a frota e a irmã Visenya para conquistar o Vale, enquanto ele próprio se encarregou das Riverlands. Na altura o Rei Harren O Negro, das Iron Islands, governava a região a partir do recém-construído forte de Harrenhal, o maior que Westeros já viu e que é virtualmente inconquistável por cerco ou tempestade. Quando o Rei Harren não se rendeu, Aegon e o seu dragão queimaram-no vivo numa das torres de Harrenhal, juntamente com os filhos. Os restantes homens fieis ao Rei retiraram-se para as Iron Islands. Os Tully, que ajudaram Aegon a repelir os Iron Men e Lord Vickon Greyjoy, recém-eleito líder das ilhas, foram dos primeiros a jurar lealdade a Aegon. Pela ajuda, os Tully foram ainda nomeados Lordes das Riverlands.

Depois do sucesso nas Riverlands, Aegon enviou a sua irmã-rainha Visenya para conquistar Cracklaw Point. Percebendo que não tinham qualquer hipótese, os lordes atiraram as espadas aos seus pés. Visenya disse-lhes que não deviam lealdade a mais ninguém senão ao Trono de Ferro e que seriam vassalos directos dos Targaryens (dando origem as Crownlands, ou “Terras da Coroa”). Enquanto isto, Orys Baratheon, irmão bastardo, melhor amigo e futuro primeira Mão do Rei Aegon, conquistou as Stormlands ao Rei Argilac, O Arrogante. Pelo sucesso, pode manter as terras e formou a sua própria Casa. Os Starks de Winterfell perceberam o poderio incrível de Aegon e ajoelharam-se sem que qualquer batalha fosse travada.

Mas o maior desafio estava ainda por vir, os dois maiores poços de riqueza do Continente: as terras férteis do Reach e as minas de ouro das Westerlands. Com Crownlands, Riverlands, Vale e Stormlands conquistadas, as forças Targaryen reuniram-se em Stoney Sept para lidar com um grande exército que se juntava a Ocidente. Os reis Loren Lannister I do Rochedo e o Mern Gardener IX do Reach, alarmados pelo sucesso rompante dos invasores, aliaram-se e conseguiram juntar 55 mil homens. Com apenas dez mil, e a maior parte deles recém-aliados cuja fidelidade era questionável, os Targaryen enfrentaram a incrível força dos dois reis. O resultado da batalha, travada no Reach, foi o previsível e a balança pendia bastante a favor dos aliados. Face a este cenário, Aegon e as suas irmãs soltaram os três dragões simultaneamente, algo que só aconteceu uma vez durante a guerra. O fogo combinado das incríveis criaturas destruiu o campo de batalha, vitimizando mais de quatro mil homens, incluindo o Rei do Reach. Depois de capturado, o Rei Loren ajoelhou-se e recebeu os títulos que os Lannisters ainda hoje ostentam, Lordes das Westerlands e Regentes do Este. Os Tyrell, governantes temporários no lugar dos extintos Gardener, receberam o título de Lordes do Reach e Regentes do Sul por terem rendido Highguarden. Isto enfureceu a Casa Florent, que tinha maior direito na linha de sucessão, mas Aegon ignorou as reivindicações.

Quando o Conquistador se dirigia para Oldtown, a mais antiga cidade de Westeros, lar da Citadela dos Maesters e da religião dos Faith, o Alto Sacerdote jejuou durante sete dias e no final decidiu que a Faith não se iria opor aos Targaryen, porque Crone, a “face” sábia do Deus dos Sete representado por uma mulher idosa, lhe disse que Oldtown seria destruída pelo fogo se o fizessem. Quando Aegon chegou aos portões da cidade, o Lord Hightower, um homem religioso, abriu-lhe as portas e submeteu-se à sua autoridade. O Sacerdote untou Aegon e reconheceu-o como Rei de Westeros, destruindo a pouca resistência que havia entre o povo do Continente.

O Dorne a Sul, foi outra “conversa”. Quando Aegon liderou a invasão do Reino mais a Sul de Westeros, através das Red Mountains, encontrou um povo que aprendeu com os erros dos outros. Ao contrário do Campo de Fogo e Harrenhal, os Dornish recusaram-se a combater em campo aberto ou a esconder-se nos seus castelos. Ao invés, atacaram linhas de abastecimento das tropas e levaram a cabo técnicas de guerrilha, com rapidez suficiente para escaparem antes da chegada dos dragões. As poucas terras que Rhaenys conquistava estavam já desertas ou habitadas por crianças, mulheres, velhos e doentes. Quando as pessoas eram questionadas sobre o paradeiro dos homens, respondiam apenas “foram embora”. Frustrada, Rhaenys voou directamente para Sunspear, o forte que simboliza o poder da região, para exigir a rendição da Princesa Mariya Martell. Face à ameaça, Mariya, uma idosa de 80 anos, obesa, cega e quase careca, respondeu: “Isto é o Dorne. Vocês não são desejados aqui. Regressem cá sob a vossa própria conta e risco”. Quando Rhaenys ameaçou voltar antes com “Sangue e Fogo”, Mariya respondeu simplesmente com o lema da Casa Martell: Unbowed, Unbent, Unbroken (não submissos, não curvados, não quebrados). Umas meras centenas conseguiram o que milhares não alcançaram e os Targaryen abandonaram a região, deixando o reino independente. Dorne só seria incluído no reino quase 200 anos depois.

Controlando seis reinos, o agora conhecido como Aegon O Conquistador anunciou a construção de um novo castelo, Red Keep, uma nova capital, King’s Landing, e mandou forjar o Trono de Ferro com as espadas de todos aqueles que se lhe opuseram, como lembrança da sua submissão aos Targaryen.

Valyria por Viserys

“A Este de Westeros fica o Smoking Sea, onde nenhum navio ousa navegar. Há quem jure que a área é assombrada por demónios, quem pode contradizê-los? Pois foi lá, há milhares de anos, que um evento cataclismico ocorreu e destruiu uma das maiores civilizações da história.

Os detalhes exactos da sua origem perderam-se, mas dizem que os Valirianos eram uma comunidade modesta de pastores que cuidavam de rebanhos numa pequena península do grande continente oriental. Um dia, numa área vulcânica conhecida como Catorze Fogos, fizeram uma descoberta avassaladora: dragões.

Eram criaturas monstruosas e escamosas com asas enormes, garras afiadas e sopro incendiário. Supostamente tinham também uma profunda relação com a magia. Com o tempo, os Valirianos aprenderam a domar as bestas, e aproveitando-se do seu imenso poder, criaram uma cidade maravilhosa, diferente de tudo que já existiu. Tornaram-se peritos em feitiçaria e metalurgia, criando armas incomuns de aço forjado com encantamentos. Armados com estas armas e montados nos dragões, os Valirianos conquistaram as áreas circundantes e lentamente expandiram-se para Oeste.

Na época, o Império Ghiscari dominava a maior parte do Continente Oriental e tentou impedir a expansão Valyriana. As legiões dos Ghiscari atacaram cinco vezes os Valirianos mas nunca conseguiram derrota-los. Finalmente os Valirianos marcharam sobre a sua capital, Old Ghis, obliterando-a. Reduzindo a cinzas as suas ruas e edifícios com a chama do dragão e eliminando o povo e a cultura Ghiscari da face da Terra.

O Território Livre de Valyria, como ficou conhecido, transformou-se na civilização mais avançada do mundo, com a sua própria língua, deuses e cultura. Os Valirianos espalharam-se por um vasto território, cobrindo a maior parte do Continente. Criou-se grandes cidades e pavimentou-se estradas que levavam de volta a Valyria. O território prosperou durante cinco mil anos, mas não durou.

Um evento que ficou conhecido apenas como “Doom”, assolou os Valirianos, a sua capital e áreas circundantes. A própria península foi destruída, tornando-se no que é hoje o Smoking Sea. Todos os dragões se pensavam extintos, assim como os feitiços, o conhecimento e registos históricos de Valyria. Assim, o império poderoso foi destruído.

O que causou este cataclismo? Ninguém sabe com certeza. Alguns dizem que foi uma erupção vulcânica, outros que os feitiços Valirianos voltaram-se contra os feiticeiros. De qualquer modo, a devastação do povo foi total… com a excepção de uma pequena ilha rochosa no Narrow Sea, Dragonstone. Pois é lá o lar dos últimos descendentes da Velha Valyria, os Targaryen.

Eles esperaram lá mais 100 anos antes de libertar a fúria do dragão noutro Continente, Westeros.”

A Casa Targaryen por Viserys

“A dinastia Targaryen uniu os Sete Reinos durou quase três séculos. Foi forjada em fogo, selada em sangue e destruída por rebelião.

Os Targaryen têm sangue do dragão, descendentes da nobreza da Old Valyria, outrora um grande império no Leste. Quando o cataclismo “Doom” destruiu Valyria e a sua gente, os Targaryen sobreviveram, tendo-se estabelecido na ilha de Dragonstone anos antes. Lá permaneceram durante um século, até à ascensão de Aegon, o Conquistador.

Em vez de reconquistar as terras orientais dos seus ancestrais, Aegon rumou a Oeste em direcção aos Sete Reinos, com as suas irmãs Visenya e Rhaenys. Para manter a linhagem pura, Aegon manteve o costume dos seus ancestrais Valirianos e desposou ambas as irmãs. Juntos desembarcaram na costa leste de Westeros. O seu brasão, um dragão de três cabeças, representando Aegon e as suas irmãs-esposas. O seu lema: Fogo e Sangue.

Apesar de munidos com poucos guerreiros, em comparação aos exércitos de Westeros que os aguardavam, Aegon e as suas irmãs tinham uma arma secreta: os últimos dragões. Conquistou todos os reinos excepto Dorne, que acabaria por se curvar ao domínio Targaryen um século depois. Derreteu as espadas dos seus inimigos com o sopro ardente do seu dragão, Balerion O Terror Negro, e fundiu-as no Trono de Ferro. A capital de King’s Landing foi construída na costa onde Aegon desembarcou pela primeira vez e ordenou a construção de um castelo real na colina mais alta, o Red Keep.

Durante 300 anos a dinastia Targaryen manteve-se forte, diante de guerra civil, rebeliões e pragas. Mas a linhagem dos reis dragões foi interrompida quando o meu pai, Aerys Targaryen, segundo do seu nome, foi destituído por rebelião. O meu pai foi traído e assassinado por Sir Jaime Lannister, membro da sua própria Kingsguard. O seu filho e herdeiro, o meu irmão Rhaegar, pereceu no campo de batalha às mãos de Robert Baratheon que se apoderou do trono. Hoje, os únicos membros sobreviventes da célebre dinastia são eu, príncipe Viserys, rei por direito dos ândalos e regente dos Sete Reinos e a minha irmã Daenerys. Fomos levados para as Cidades Livres a Este por lealistas e vivemos em exílio desde então, sonhando com o dia em que atravessaremos o Narrow Sea para retomar o trono do meu pai.”

Dragonstone por Stannis Baratheon

“Ninguém sabe porque é que a Casa Targaryen veio à ilha de Dragonstone. A antiga Valyria estava no auge do poder, no centro do mundo civilizado, que terminava no Narrow Sea. Westeros era um lugar sujo e atrasado com sete réis a lutar por fronteiras e glórias menores. Rico progresso.

A ilha em si não era, e não é, nada. Não tinha ouro ou jóias para atrair a nobreza valyriana, só pedra. Principalmente um pedra negra brilhante, demasiado quebradiça para a guerra, demasiado afiada para construção. Os Targaryen chamam-lhe Dragonglass, eu chamo-lhe “inútil”.

Mas os Targaryen conseguiram erguer um castelo aqui. As pessoas dizem que eles usaram antigos feitiços valyrianos, esquecendo-se que os Targaryen trouxeram um pequeno exército de Essos. Não há magia em costas fortes. Embora o castelo seja diferente de todos os outros em Westeros. Diferente e… estranho.

Se os Targaryen se arrependeram do seu posto avançado e tiveram saudades de casa, o “Doom” fez da sua tolice permanente. Valyria colapsou nas ondas e acabou. Olhar a Este era ver as ruínas da sua terra natal, a maior civilização que já existiu, mas olhar para Oeste, como Aegon se apercebeu, era ver uma terra fértil pronta a ser conquistada. Talvez até uma nova Valyria.

Embora não seja boa para quase nada, Dragonstone era o lugar perfeito para a invasão de Aegon a Westeros. A Baía de Blackwater garantia acesso fácil ao Continente. As terras da zona eram disputadas por três reinos: o Reach, as Ironlands e Stormlands. Mas as suas capitais eram tão distantes que nenhuma conseguiu mandar um exército a tempo de impedir que Aegon conquistasse. Mesmo que entretanto conseguissem parar de discutir entre eles, já era tarde e mais. Aegon escolheu bem o primeiro acampamento: com a baía a Este, o rio a Sul e campos abertos a Norte e Oeste, era impossível apanhar o seu exército de surpresa. Um local perfeito para uma invasão e, um dia, para a sua capital, King’s Landing. O “Doom” havia ensinado aos Targaryen a prudência do refúgio e após a invasão, Dragonstone tornou-se o local do príncipe da coroa e herdeiro do Trono de Ferro. Serviu-lhes de bem, e a mim mal, 300 anos depois, quando o meu irmão Robert Baratheon se revoltou e os Lannisters massacraram o Rei Louco Aerys e a sua família real.

Robert enviou-me para Dragonstone para lidar com as últimas crianças Targaryen que sobreviveram. Mas antes de chegar um cavaleiro leal enviou-os através do Narrow Sea em segurança. O ódio pela Casa Targaryen cegou Robert e injustamente fui culpado pela fuga e perdi o castelo da nossa família em Storm’s End, recebendo Dragonstone em seu lugar. Ao longo dos anos, sempre que exigi a restauração do meu direito, Robert lembrava-me do pedigree real da ilha e fingia estar a fazer-me uma grande honra. Como se eu fosse uma das suas taverneiras para ser tão facilmente enganado e dispensado…

Mas Robert está morto, e eu, Stannis Baratheon sou o Rei de Westeros por direito. Que os usurpadores e traidores se sentem no Trono de Ferro… De Dragonstone eu serei a adaga nas suas gargantas.”

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