Pelos Caminhos de Westeros: Os Tully e as Religiões de Westeros

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Tully e as Religiões de Westeros e Essos.

Os Tully

Continuamos a percorrer as Grandes Casas e esta semana é a vez dos Tully, das Riverlands. O seu sigilo é uma truta prateada em fundo azul e branco e o seu lema: Família, Dever, Honra.

Apesar do domínio sobre as Riverlands ser relativamente recente, também os Tully têm origem na Idade dos Heróis (sem que tivessem um herói “mítico” que lhes desse origem). Tal como os Tyrell, serviram como vassalos de outras Casas que governavam a região, até à chegada de Aegon. Edmyn Tully liderou os rebeldes que se juntaram aos Targaryen e que expulsaram os ironborn das Riverlands. Pelo seu apoio, Aegon nomeou-os Lordes da região.

Em termos de mapa geopolítico, os Tully têm muito provavelmente o local mais complicado dos Sete Reinos em termos de vulnerabilidade, logo, é importante manter alianças pelo casamento. Lysa Tully esteve quase para casar com Jaime Lannister, até este ser admitido na Kingsguard (o seu pai, Hoster, recusou a alternativa Tyrion para o casamento) e Catelyn estava prometida a Brandon Stark mas acabou por casar com Ned.

Apesar de nunca serem verdadeiros protagonistas, os Tully estão sempre envolvidos em momentos cruciais da história de Westeros. Lorde Hoster juntou-se à Rebelião de Robert e as Riverlands foram um grande teatro da guerra (a Batalha dos Sinos, que virou o rumo dos acontecimentos a favor do rebeldes travou-se em Stoney Sept). Apesar do comprometimento de Hoster com a rebelião, o mesmo não se aplicou à totalidade dos seus bannermen. A Casa Frey das Twins adiou a sua intervenção até à decisiva Batalha do Tridente, também travada nas Riverlands.

Mais recentemente, Hoster e Brynden lutaram ao lado dos Targaryen durante a Guerra dos Ninepenny Kings: Quando um grupo de homens ambiciosos, conhecidos como Band of Nine (unidos por Maelys Blackfyre que ainda reclamava os direitos da família ao trono), mostrou intenções de conquistar Westeros, Aegon V enviou um exército para as Cidades Livres para lidar com a situação. O “bando” ainda conseguiu conquistar as Disputed Lands, a Cidade de Tyrosh e as Stepstones mas o exército de Westeros acabou com as suas ambições além-mar. Vários nomes se distinguiram durante o conflito, incluindo o “lendário” Barristan Selmy (foi o valor demonstrado aqui que lhe valeu a nomeação para a Kingsguard), que matou o último dos pretendentes Blackfyre, Maelys O Monstruoso (diz-se que comeu o irmão gémeo no ventre da mãe, resultando numa segunda cabeça que saía do seu pescoço). No entanto, ainda foram necessários mais seis anos até que o Bando dos Nove fosse realmente derrotado, com a perda de Tyrosh.

Como já abordámos Catelyn aquando dos Stark e Lysa quando falámos dos Arryn, vamos conhecer mais sobre as outras figuras da nobre Casa:

Edmyn Tully – É a primeira figura histórica dos Tully a ser abordada e o primeiro a revoltar-se contra as Iron Islands, que governavam a região durante a invasão Targaryen. Pelos seus esforços, foi distinguido por Aegon com o título de Lorde das Riverlands.

Medgar Tully – A outra figura histórica que se conhece, que viveu durante o reinado de Daeron II (que fez as “pazes” com Dorne e travou a guerra civil com Daemon Blackfyre). Sabe-se que participou no Torneio de Ashford e que não viveu muito para além disso, visto que um ano depois o seu sucessor era um rapaz de 8 anos, cujo nome se desconhece.

Hoster Tully – Líder da Casa Tully, irmão de Brynden e pai de Edmure, Catelyn e Lysa Tully. Descrito como um homem viajado e irrequieto em novo, viria a casar-se com Minisa Whent. Durante a Guerra dos Ninepenny Kings tornou-se grande amigo do Lorde Baelish, o que permitiu que o seu filho, Petyr, fosse recebido como ward nas Riverlands. Quando Minisa faleceu, Hoster ficou bastante afectado e nunca recuperou totalmente. O casamento continuou a ser um tema forte na Casa Tully. Hoster que proibiu Lysa de casar com Petyr (e mandou abortar o filho de ambos) e deu a mão de Lysa e Catelyn a Brandon. Com alianças por casamento com o Eyrie e Winterfell, os Tully cimentaram a sua segurança e o seu comprometimento na Rebelião de Robert. Quando a saga literária começa, o Lorde Tully está acamado há dois anos por doença prolongada e perdeu muito peso.

Minisa Whent – Pertencente à Casa Whent, a mais forte dos vassalos dos Tully, Minisa viria tornar-se esposa de Hoster. Teve quatro filhos e duas filhas, mas apenas Catelyn, Lysa e Edmure sobreviveram à infância. Viria a falecer por complicações no parto do seu quarto filho, que também faleceria pouco tempo depois.

Brynden Tully – Irmão mais novo de Hoster que fez o seu nome na Guerra dos Ninepenny Kings com incríveis feitos em combate. Um homem justo e gentil a quem os sobrinhos (e Petyr) recorriam sempre. A relação com o irmão sempre foi próxima mas quando Brynden regressou de Essos, a união azedou. Recusou casar com Bethany Redwyne, um casamento arranjado por Hoster para benefício familiar, o que causou uma briga e afastamento que durou anos. Quando Hoster disse que ele era a “ovelha negra” da família, Brynden abraçou esse “título” e, usando o sigilo dos Tully, autonomeou-se “Blackfish”, mudando o seu emblema pessoal para uma truta preta. Como o conflito não serenava, Brynden acompanhou a sobrinha Lysa até ao Vale quando esta casou com o Lorde Arryn, passando a servir esta Casa. Lord Jon Arryn nomeou-o Knight of the Gate (guarnição nas Montanhas da Lua que protege o Vale de invasores), uma posição de grande honra no Vale. PS- Apesar de Blackfish só aparecer mais tarde na série de televisão, é ele que recebe Catelyn Stark quando esta leva Tyrion prisioneiro até ao Eyrie.

Edmure Tully – Em pequeno, Edmure era temperamental mas com bom coração. Amante das “artes femininas”, teve vários casos amorosos. Numa das vezes, estava tão bêbado que não conseguiu a performance que desejava. Um cantor fez uma música a humilhá-lo, chamando-o de “Peixe Frouxo”, o que fez com que Edmure detestasse músicos em geral a partir daí. Quando Hoster faleceu, Edmure assumiu as rédeas das Riverlands.

As Riverlands

As Riverlands situam-se bem no centro de Westeros e devido à sua localização são terras muito disputadas e local de batalha frequente. O seu povo é uma mistura de guerreiros, pescadores pacíficos e gente devota que habitua uma terra fértil e muito populacional. A quantidade de rios permite a troca de bens e o fácil transporte dentro da região.

Desde a Dawn Age que a região é importante. Foi lá que os First Men construíram raízes e entraram em conflito com as Children of the Forest e foi lá que assinaram o acordo de paz que encerrou o conflito, na Ilha das Faces (local sagrado no lago God’s Eye. É o único local conhecido que tem as weirdwoods a Sul de Westeros, visto que as restantes foram cortadas ou queimadas). Durante os anos que se seguiram, muitos foram os governantes da região, até à chegada dos Andals que ganharam domínio. 360 anos antes da chegada de Aegon, os Storm Kings invadiram as Riverlands mas foram os ironborn que estabeleceram o seu reino, pela mão de Harwyn Hardhand.

Limitada a Norte pelo Neck, a Este pela kingsroad, a Sul pelo rio Blackwater Rush e a Oeste pela Baía de Ironman e as colinas das Westerlands, as Riverlands são ricas em planaltos, florestas e rios enormes. Assim, torna-se uma região bastante difícil de defender. Apenas o Norte oferece algum tipo de guarnição e o forte de Golden Tooth guarda a fronteira das Westerlands. O problema é que pertence aos Lannister… Dos pântanos do Neck a Norte correm os rios Green Fork, Blue Fork, Red Fork que quando se juntam formam o Tridente. As Riverlands não têm nenhuma grande cidade, apenas várias cidades menores como Fairmarket, Lord Harroway’s, Saltpans, Maidenpool e Stoney Sept (onde se realizou a Batalha dos Sinos durante a Rebelião de Robert). Em contrapartida, tem grandes e famosos castelos:

Riverrun – Castelo ancestral da Casa Tully desde há 1000 anos, situado no local onde os rios Tumblestone e Red Fork se cruzam. Um forte de forma triangular, mas não muito grande. Em dois dos lados é “protegido” pelas águas do rio, mas em caso de ataque, um mecanismo pode ser accionado e uma vala é inundada, transformando o forte numa ilha, tornando-o praticamente inacessível por terra. Com as devidas provisões, Riverrun pode albergar 200 homens durante dois anos.

Harrenhal – Situado na margem Norte de God’s Eye, situa-se o maior castelo dos Sete Reinos. Com cinco torres vertiginosas e muralhas enormes e grossas, todas as suas divisões são exageradamente grandes. Ocupa três vezes mais espaço que Winterfell, os seus estábulos podem albergar 100 cavalos, a torre mais pequena é maior que a mais alta de Winterfell, tem uma godswood de 8 hectares e as cozinhas têm o mesmo tamanho que o Great Hall da Casa dos Stark. No entanto, a actual casa dos Whent, perdeu o estatuto e tornou-se num local sombrio e ruinoso. Os seus habitantes usam apenas uma pequena parte do castelo e o resto está ao abandono. Algumas salas já não são visitadas há décadas e as torres estão infestadas por morcegos, para além de todas elas terem marcas graves provocadas pelos dragões Targaryen quando Harren O Negro foi morto ali.

Harren construiu o forte como um monumento a ele próprio, com a intenção de tornar qualquer outro em Westeros um anão em comparação. A sua construção demorou 40 anos, centenas de escravos morreram nas pedreiras e homens morreram pelo frio do inverno na construção das torres. Aquando da sua finalização, Harren disse que o forte era impenetrável, mas não contava com os dragões, que com o calor do seu fogo chegaram mesmo a “derreter” a fachada. Após a Conquista de Aegon o castelo tornou-se um problema administrativo. Demasiado grande para guarnecer e demasiado caro para manter, passou pela mão de várias Casas (Qoherys, Towers, Harroway, Strong e Lothston), e todas elas caíram em desgraçada. Agora acredita-se que o castelo está amaldiçoado pelas atrocidades que lá foram cometidas (alegadamente Harren misturou sangue humano na argamassa), verdade ou não, a realidade é que qualquer Casa que fique lá durante muito tempo tem um final infeliz. PS- Foi aqui que a Casa Whent organizou o famoso Torneio de Harrenhal, onde o Príncipe Rhaegar Targaryen foi coroado vencedor, cortejou Lyanna Stark elegendo-a como Rainha da Beleza e do Amor. Jaime Lannister também foi nomeado para a Kingsguard aqui.

Seagard – Casa dos Mallister, o forte localiza-se na costa Oeste da região, na Baía de Ironman e foi  construído com o único propósito de defender a região contra ataques dos ironborn. A Booming Tower contém um enorme sino de bronze que se faz ouvir em caso de assalto, alertando os locais e toda a região. Os Mallister têm uma pequena frota de seis barcos para ajudar a defender o forte.

Twins – Como o nome indica, é um forte constituído por dois castelos idênticos que se erguem nas margens do rio Green Fork do Tridente, unidos por uma ponte de pedra. É um lugar de grande importância porque é o único onde é possível atravessar o rio em centenas de quilómetros. Foram precisas três gerações de Freys para completar a fortificação, começando por ser uma construção de madeira há 600 anos. Desde então, a família enriqueceu bastante, ao cobrar taxas altíssimas pela passagem. Algo que irrita bastante outras Casas.

Raventree Hall e Stone Hedge – Lar da Casa Blackwood e Bracken, respectivamente.

Os bastardos das Riverlands têm o apelido de “Rivers”.

As Religiões de Westeros e Essos

George RR Martin tentou criar um mundo o mais realista possível. Sim, é verdade que tem dragões, lobos gigantes e magia, mas no seu centro, todo o mundo de Westeros e Essos é uma representação da história da humanidade. Com um ambiente tão rico, não poderia faltar uma componente tão importante como a religiosa. Tal como no nosso mundo, não existe apenas uma religião e todas elas têm uma influência directa na cultura e no seu povo.

RELIGIÕES EM WESTEROS:

Os Velhos Deuses – Intrinsecamente ligados à terra, florestas, montanhas e rios, são divindades sem nome, adoradas no Norte do Continente e simbolizadas pelas Weirwoods. São a mais antiga religião de Westeros, seguida primeiramente pelas Crianças da Floresta antes dos humanos chegarem. Quando os First Men atravessaram o mar cortaram as Weirwoods, provocando uma guerra que durou milénios, mas mais tarde os dois povos fizeram as pazes e os humanos adoptaram a religião dos locais. Só a invasão dos Andals terminou o “reino” da religião por todo Westeros.

A sua teologia defende que tudo tem vida e consciência. Os greenseers, uma espécie de sacerdotes das Crianças da Floresta, supostamente conseguiam comunicar com animais e pássaros, possuíam magia poderosa e viam através dos olhos cravados nas Weirwoods. Acreditavam que as árvores eram divindades e que quando morressem fariam parte desse divino. As Weirwood com faces cravadas, ou árvores do coração, são consideradas sagradas e as orações, juras e os casamentos são frequentemente realizados na sua presença (foram esculpidas pelas Crianças da Floresta mas os humanos não sabem bem o porquê). Muitos castelos de Westeros continham Weirwoods no seu centro, mas quando se converteram à Fé, transformaram o local de adoração em jardins seculares. Diz-se também que os Velhos Deuses só têm poder nos locais onde as árvores têm faces, como no Sul a maior parte foi destruída, não possuem mais poder lá. O incesto, fratricídio e escravidão são consideradas ofensas aos deuses, enquanto que as leis da hospitalidade (o convidado não pode fazer mal ao anfitrião, nem vice-versa) é sagrada. Não existem padres, textos sagrados, cânticos nem rituais. É uma religião do povo, passada entre gerações.

Os Novos Deuses, Fé dos Sete ou a Fé – A religião dominante em Westeros (à excepção do Norte e das Iron Islands), simbolizada pelas sete facetas de um Deus. Pela sua organização e diversas entidades, pode ser comparada à maneira como a Cristandade existia na Idade Média. Os seguidores rezam a uma respectiva virtude conforme a sua necessidade:

  • Father/Pai – Representa o julgamento e a justiça. Retratado como um homem de barba que carrega uma balança.
  • Mother/Mãe – Representa a maternidade e a criação. É rezada para a fertilidade e compaixão e é retratada com um sorriso amoroso, incorporando o conceito de misericórdia.
  • Warrior/Guerreiro – Representa a força em combate. Carrega uma espada e é rezado para a coragem e vitória.
  • Maiden/Dama – Representa a inocência e a castidade. É solicitada para proteger a virtude de uma dama.
  • Smith/Ferreiro – Representa o artesanato e a mão-de-obra. Carrega um martelo e é solicitado quando um trabalho precisa de ser acabado, quando é necessário força.
  • Crone/Velha – Representa a sabedoria. Transporta uma lanterna e reza-se para orientação.
  • Stranger/Estranho – A excepção a todos os outros aspectos. Representa a morte e o desconhecido. Os devotos raramente procuram os favores do Estranho, excepto os proscritos e abandonados que por vezes se associam a esta faceta mais “obscura”.

Existem assim três divindades masculinas, três femininas e uma que…não é nenhuma delas…

A Fé surgiu nas Colinas de Andalos, entre o povo Andal. Segundo o livro sagrado, o Deus caminhou em forma humana pelas colinas até encontrar Hugor, o primeiro rei dos Andals. O Pai trouxe sete estrelas do céu e colocou-as sobre a sobrancelha de Hugor, a Dama trouxe uma rapariga de olhos azuis que se tornaria a sua primeira esposa. A Mãe tornou-a fértil e tiveram 44 grandes filhos, como a Velha tinha previsto. O Guerreiro deu a cada um dos filhos força de armas e o Ferreiro fez uma armadura de ferro para cada um deles.

Como religião oficial dos Sete Reinos, está intrinsecamente enraizada nas leis e cultura. Contém muitos ensinamentos morais e rejeita o jogo, a ilegitimidade dos filhos e amaldiçoa o incesto e o fratricídio. O seu livro sagrado, “A Estrela de Sete Pontas” está dividido em secções, uma para cada aspecto, excepto o Estranho. Nos julgamentos por combate, supostamente os Sete intervêm a favor do combatente justo, protegendo-o.

O número sete é considerado sagrado para a Fé. Para além das sete face, defende que há sete infernos e sete estrelas (ou planetas) que se movem no céu e que são visíveis em todo o mundo. O número sete é usado em rituais sagrados para abençoar algo e a luz e os cristais são usados nos rituais para representar o Deus.

Os locais de adoração são conhecidos como Septos. Em cada septo são representadas cada uma das divindades e os devotos colocam velas na faceta que desejam adorar. As cerimónias são conduzidas pelo membro masculino de hierarquia mais superior e cânticos são proferidos. No “baptismo” de uma criança são usados sete óleos para a abençoar e os casamentos são realizados entre os altares do Pai e da Mãe. Os padres da religião podem ser de ambos os sexos, septons ou septas, e estão sempre associados a uma face do Deus (os septons do Ferreiro carregam um pendente com pequenos martelos ao pescoço). As septas servem muitas vezes como governantas das Casas mais nobres (como o caso da Septa Mordane dos Stark). A fé é liderada por um conselho de altos septons e septas denominados por Most Devout (Mais Devotos). Este conselho é dirigido pelo High Septon, eleito por eles, que reside no Grande Septo de Baelor, em King’s Landing (antes de Aegon, a religião era liderada no Starry Sept, na cidade de Oldtown, no Reach). Embora o High Septon seja normalmente eleito a partir de membros do Most Devout, não é um requerimento, já que não-membros foram eleitos para o cargo no passado.

Apesar de muitas das suas leis não serem compatíveis com as seguidas pela sua família, Aegon converteu-se à Fé quando conquistou Westeros, e foi mesmo o High Septon que o nomeou Rei de Westeros, acabando com as vozes rebeldes que desafiavam o novo rei.

Entre as várias ordens da Fé, podemos distinguir:
Silent Sisters – Ordem devota ao Estranho, que seguem os votos de castidade e silêncio, mas não são consideradas septas. Tomam conta dos corpos dos mortos, preparando-os para os funerais, removendo os órgãos e o sangue e enchendo o corpo de ervas aromáticas e sais para preservar e esconder o cheiro da decomposição. Chamadas de “Esposas do Estranho”, vestem-se de cinzento e têm a cara tapada, excepto os olhos.

Faith Militant – O braço armado da religião, representado por duas facções, os Filhos do Guerreiro e os Poor Fellows. Pelos problemas de fanatismo que criaram, foram dissolvidas por Maegor Targaryen, proibindo a religião de possuir uma vertente militar.

Begging Brothers – Septons sem nenhuma divindade fixa, que vagueiam pelas ruas de Westeros a pregar em troco de comida e bebida.

Contemplative Brothers – Vivem numa comunidade monástica chamada de septry. Os seus membros tomam o voto de silêncio e apenas o seu líder, o Elder Broter, é que fala. Dedicam as suas vidas à contemplação e oração. Um dos septry localiza-se na Quiet Isle.

O Deus Afogado e o Deus da Tempestade – São os deuses dos ironborn. Esta fé precede a invasão dos Andals, que mesmo após a invasão adoptaram a religião local. O Drowned God vive no fundo do mar, onde se situa o paraíso dos ironborn. Tal como os nascidos do ferro, é uma entidade dura, que os criou para pilhar, violar e moldar os reinos pelo fogo e sangue. O seu inimigo é o Storm God, uma entidade que vive nas nuvens e cujas criaturas são os corvos. Diz-se que os dois deuses estão em conflito há milénios e quando se encontram em batalha, o mar agita-se em raiva. Quando um ironborn se afoga, diz-se que o Drowned God precisava de um servidor forte e por isso o levou, profere-se a frase “O que está morto nunca morre”. O povo acredita que os afogados serão recebidos num banquete pelo Deus e os seus desejos cumpridos por sereias.

Enquanto o afogamento é o método de execução nas ilhas, é também considerado algo divino e os mais religiosos não o temem. Os recém-nascidos são “afogados” de forma breve, submergidos ou untados por água salgada para serem abençoados, comprometendo os seus corpos ao mar. Os Drowned Men, o clérigo da religião, são afogados uma segunda vez como método de iniciação e ressuscitados com um tipo de massagem cardiopulmonar, mas nem todos regressam. Os padres não podem derramar sangue dos ironborn, mas o mesmo não se aplica no que toca ao afogamento.

A lenda conta que o Drowned God (Deus Afogado) abençoou o primeiro rei ironborn, Rei Grey, e ajudou-o a matar o dragão marinho Nagga. Dos seus ossos, construiu o Grey King’s Hall, em Nagga’s Hill, aquecido pelo fogo do dragão. Durante 400 anos, reinou e tomou para sua mulher uma sereia enquanto planeava a guerra contra o Storm God.

R’hllor, o Deus da Luz – Também conhecido como Coração de Fogo e Deus da Chama e da Sombra, é a proeminente divindade em Essos que tem vindo a ganhar seguidores em Westeros (onde é mais conhecido como Deus Vermelho). Apresenta uma visão muito dualista do mundo, preto ou branco, em que R’hllor é o Deus verdadeiro e todos os outros são demónios que têm de ser destruídos. No outro espectro está o “Deus cujo nome não é dito”, o Deus do gelo e da morte. As duas entidades travam uma eterna luta pelo destino do mundo que, segundo o livro de Asshai, só terminará com a chegada de Azor Ahai, uma figura messiânica que regressará empunhando a mítica espada flamejante Lightbringer, a Espada Vermelha dos Heróis que dará vida a dragões de pedra. Segundo George RR Martin, esta religião tem como base o Zoroastrismo, uma religião da antiga Pérsia, que se considera ser a primeira manifestação de monoteísmo, servindo de base para a noção de paraíso, ressurreição, juízo final e Messias que influencia o judaísmo, cristianismo e islamismo.

O Clérigo é formado pelos Padres Vermelhos, que tanto podem ser homens ou mulheres (Thoros de Myr e Melisandre são padres da religião). No Este são uma visão comum, onde a influência da religião é muito maior. As crianças são por vezes dadas para serem educadas no sacerdócio e os Templos Vermelhos (espalhados pelas cidades de Essos) também compram crianças, Escravos de R’hllor, para os educar como padres, prostitutas do templo ou guerreiros (os Fiery Hand).

A adoração do fogo é um factor chave. Todas as noites os padres acendem fogos e cantam nos seus templos para que R’hllor traga de volta o amanhecer. Os seguidores contemplam as chamas em busca de visões do futuro e diz-se que o Deus ocasionalmente dá poderes de premonição, capacidade de ressuscitar os mortos e capacidade de evocar o fogo para atacar os inimigos ou impressionar o povo. O julgamento por combate é uma pratica aceite na religião e a frase “A noite é escura e cheia de terrores” é usada muitas vezes nas rezas.

Thoros de Myr viajou pelo Narrow Sea para tentar impressionar o Rei Louco, já de si maravilhado pelo fogo, mas falhou e a religião não conquistou Westeros. Tal como outras magias espalhadas pelo mundo, também a de R’hllor parece ter esmorecido com a morte dos últimos dragões e renascido com o nascimento dos “filhos” de Daenerys.

Mais recentemente, pudemos observar dois movimentos a favor de R’hllor. Thoros e Beric fundaram a Irmandade Sem Bandeira, uma organização de foragidos juntos pela adoração ao Deus, e Melisandre que conseguiu convencer Stannis de que ele era Azor Ahai. No entanto, após a morte de Beric e a derrota em Blackwater, a influência de ambos esmoreceu novamente.

Mãe Rhoyne – Quando abordámos a história dos Targaryen, falámos sobre os sobreviventes do antigo império Rhoynar que fugiram para o Dorne para escapar ao Império da Livre Valyria. A divindade representa o rio Rhoyne, cujas águas cuidam dos Rhoynar desde o amanhecer da humanidade e é seguido pelo povo que ainda vive no rio Greenblood, no Dorne.

A Dama das Ondas e o Lorde dos Céus – Religião praticada nas Three Sisters (perto dos Fingers), antes da chegada dos Andals e da Fé dos Sete. Acreditavam que tempestades sagradas eram o resultado do acasalamento entre as duas entidades.

RELIGIÕES EM ESSOS:

R’hllor – a maior religião do Continente.

Weeping Woman – favorita das mulheres idosas.

Lion of Night – preferida pelos homens ricos. Os Faceless Men (ordem a que pertence Jaqen H’ghar) acreditam que é apenas uma face do Many-Faced God.

Hooded Wayfarer – patrono dos pobres.

Bakkalon – A Criança Pálida, patrono dos soldados.

Many-Faced God – Também apelidado como “Aquele Das Muitas Faces” é, segundo os seus seguidores, a cara verdadeira de todos os deuses. É uma divindade dos Faceless Men, uma ordem de assassinos estabelecida na Cidade Livre de Braavos. Os seguidores desta fé acreditam que a morte é um fim misericordioso ao sofrimento. Por um preço, a Ordem oferece a morte a qualquer pessoa no mundo, considerando um acto solene ao seu Deus. No seu templo, qualquer pessoa que deseje acabar com o seu sofrimento pode beber de um copo preto que garante uma morte sem dor. Como os Faceless Men esquecem a sua identidade em favor do Deus, só podem assassinar alvos para os quais tenham sido contratados, não podem escolher a quem oferecer a “dádiva”.

Great Stallion – uma divindade adorada pelos Dothraki. Não se conhece muito sobre a religião Dothraki, mas sabe-se que não tem problemas com a violação e o assassinato. Eles acreditam na profecia do “Garanhão Que Monta o Mundo”, um garanhão que unirá todos o povo Dothraki num só khalasar, sob a liderança de um khal, que montará até ao fim do mundo.

Great Shepherd – a divindade dos Lhazareen, uma povo pacífico de pastores de Essos.

RELIGIÕES FAVORITAS DO POVO QUE VÊ A SÉRIE:

Lord of Tits and Wine – Divindade criada e adorada por uma só pessoa, Tyrion Lannister. Curiosamente, é dedicada a adorar a ele próprio, sendo a primeira religião auto-monoteísta do mundo. É considerada por todos os seres vivos como a religião mais awesome de sempre.

Deus da Morte – Muitas religiões têm uma vertente ligada à morte, mas nenhuma é tão awesome como a pregada por Syrio Forel a Arya. A única oração proferida é dita apenas quando se encerra uma cena o mais awesomemente possível: “Só há um Deus e o Seu nome é Morte. E só há uma coisa que dizemos à morte: Hoje não!”

Os Velhos Deuses e os Novos por Catelyn e Bran Stark

“Nos Sete Reinos de Westeros, a crença dominante é a Religião dos Sete, ou a Fé, trazida às costas pelos Andals há seis mil anos. Mas há alguns que mantêm os velhos costumes, idolatrando os deuses sem face das Crianças da Floresta e dos Primeiros Homens. São inúmeros os deuses antigos, espíritos sem nome. Nos tempos antigos, as Crianças da Floresta esculpiram faces nos troncos das árvores weirwood que se tornaram símbolos sagrados da sua fé. Com o tempo, os Primeiros Homens adoptaram os deuses das Crianças. A maioria dos castelos da altura tinham weirwoods, ou a árvore do coração, no seu centro.

Enquanto isso, do outro lado do Narrow Sea, uma nova religião surgia nas colinas de Andalos. Segundo a lenda, o Deus dos Sete revelou-se aos Andals e a invasão de Westeros veio logo de seguida. Atravessaram o Narrow Sea em navios fortalecidos com armas de aço. Alguns guerreiros gravaram uma estrela de sete pontas na pele, como símbolo da sua nova fé. Os invasores destruíram a maior parte das weirwoods no território sul, massacraram as Crianças da Floresta onde quer que se encontrassem e conquistaram todos os reinos dos Primeiros Homens, excepto o Norte. Logo, a Religião do Sete espalhou-se como fogo pelo território.

O Sete é uma divindade única com sete aspectos, cada qual simbolizando uma área diferente da vida, embora a maioria se refira aos Sete como deuses separados: A Mãe concede misericórdia e zela pela fertilidade, paz e pelo parto. O Pai julga as almas. O Guerreiro cuida da protecção, da bravura e perícia em batalha. A Velha é o símbolo da sabedoria e premonição. O Ferreiro cuida da criação e da perícia manual. A Dama simboliza a pureza, a beleza e o amor. Por fim, um dos aspectos ao qual raramente se suplica, o Estranho, que representa a morte.

A religião é altamente organizada e influente na política e cultura de Westeros, sendo a religião oficial da monarquia. Os fiéis reúnem-se em templos chamados septos. A sede da religião é o Grande Septo de Baelor, localizado na capital de King’s Landing.

Mas, no Norte, lar dos descendentes dos Primeiros Homens, o culto aos antigos deuses ainda permanece, e as faces das weirwood ainda vigiam de perto os seus fiéis.”

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