Pelos Caminhos de Westeros: Os Tyrell e o Field of Fire

Agora que “Game of Thrones” entrou num longo hiatus, porque não aprender mais sobre este riquíssimo mundo? É esse o desafio para as próximas semanas: explorar e relembrar os locais, as pessoas e as histórias que GRRM criou e que a HBO transformou em imagem. Nos próximos domingos falaremos sobre as Casas e os seus membros e de acontecimentos que não foram abordados em profundidade na série. Para mais informação sobre a série, façam “gosto” na página “Game of Thrones (Portugal)“. Esta semana: Os Tyrell e o Field of Fire.

Os Tyrell

Os Tyrell são uma das Grandes Casas dos Sete Reinos, governantes do Reach e Regentes do Sul. Uma família grande e rica que teve uma ascensão “repentina” aquando da invasão de Aegon. Donos de cabelos castanhos encaracolados e olhos castanhos ou dourados, são capazes de formar o maior exército de Westeros e, se chamarem os bannermen Redwynes, conseguem até suprimir a frota real.

Os Tyrell, tal como praticamente todas as outras Casas, devem a sua descendência a uma figura meio mítica que viveu na Idade dos Heróis: Garth Greenhand, primeiro Rei do Reach. De descendência directa dos First Men, Garth usava uma coroa de vinhas e flores e “alegadamente” tornou a terra do Reach fértil. A fertilidade de Garth Gardener era tanta que deixou muitos descendentes, e mais de metade das Casas nobres da região podem traçar a sua árvore genológica até ele.

A Casa Gardener, com o sigilo de uma mão verde em fundo branco, governou o Reach durante milhares de anos, casando com outras Casas menores da zona e com os Tyrell a servirem de seus vassalos. No fundo, os Tyrell fizeram um papel de “mordomos” enquanto outras Casas mais poderosas espreitavam constantemente brechas no poder dos Gardener. Os Tyrell têm descendência de Garth Gardener apenas pela linhagem feminina, o que as outras Casas, que descendem directamente do Herói, não os deixam esquecer na altura de contestar o seu posto. Em forma de comparação, os Tyrell foram como que a Mão do Rei dos governantes do Reach e assim mantiveram-se perto do poder, esperando a oportunidade ideal…

Os Gardener governaram prosperamente até à chegada de Aegon Targaryen. Quando confrontados com a ameaça além-mar, Mern Gardener IX aliou-se ao Rei do Rochedo, Loren I, e enfrentou Aegon e as irmãs em campo aberto. Enorme erro. Num massacre que viria a ser conhecido como “Field of Fire”, Mern IX foi derrotado em batalha, e quatro mil homens, incluindo o Rei, foram queimados pelos dragões dos Targaryen. Há quem diga que Mern Gardener ignorou os conselhos do seu conselho quando decidiu partir para a guerra, mas outra versão é que os próprios Tyrell terão sugerido ao Rei o conflito. Adivinhando o desfecho, incitaram o Rei a cometer o erro crasso para que pudessem lucrar com a situação. Seja qual for a versão verdadeira, a Casa Gardener teve o seu último rei, mas ainda assim deixou raízes que persistem. A moeda do seu tempo de governação, com o nome de “Hand”, ainda hoje é usada no Reach, embora raramente.

Harlen Tyrell, Steward da Casa Gardener e de Highgarden, ficou responsável pelo reino enquanto os Maesters decidiam qual dos muitos descendentes iria subir ao trono e, em mais uma manobra de astúcia, tomou providências antes que tal acontecesse. Seguindo o mesmo método usado nas outras regiões, Aegon preferiu manter os regentes actuais em vez de devastar a região. Conquistando os Reinos pela diplomacia e usando a força como último recurso, mantendo o povo local a reger enquanto juravam lealdade aos Targaryen, era a melhor maneira de evitar revoltas e assegurar que as riquezas de cada região não sofriam com isso. O Reach é a maior fonte alimentar de todo Westeros, era do interesse do novo governante que nada prejudicasse isso.

Quando Harlen Tyrell rendeu Highgarden a Aegon, todas as outras Casas do Reach seguiram o exemplo e ajoelharam-se. Como recompensa, os Tyrell foram nomeados novos Senhores de Highgarden e Regentes do Sul (numa altura em que Dorne não fazia ainda parte do império). As restantes Casas tiveram de aceitar os novos lordes, que jogaram muito bem o Jogo do Trono local. Desse dia em diante, os Tyrell foram leais servidores daqueles a quem deviam tudo… para o bem e para o mal.

Quando Daeron Targaryen I, o Jovem Dragão, tentou conquistar finalmente o Dorne, Highgarden comandou um exército através de Prince’s Pass, um dos caminhos principais de acesso a Dorne, e após a vitória inicial, Daeron nomeou o Lord Tyrell como regente da região. O lorde era um grande apreciador da beleza feminina do Dorne e certa noite, quando estava nos seus aposentos e puxou a corda que dava sinal para que uma prostituta viesse para a sua cama, cem escorpiões caíram do tecto ao invés. A sua morte deflagrou novas revoltas e a conquista da região caiu por terra em poucas semanas.

Durante a Guerra do Usurpador, obviamente a Casa Tyrell manteve-se leal à coroa, mesmo com Rei Louco no trono. Mace Tyrell impôs mesmo a única derrota a Robert Baratheon na Batalha de Ashford. Embora seja mais ou menos sabido que foi Randyll Tarly, bannerman dos Tyrell, teve mais peso na vitória, Mace reclamou para si os louros. Sir Quentin Tyrell, primo do Rei do Reach foi uma das fatalidades da batalha. Forçado por Tarly, ou tentando assegurar a fronteira entre o Reach e as Stormlands… não se sabe a razão certa que levou Robert a marchar para Oeste, mas após a derrota em Ashford foi obrigado a fugir para Norte, para reagrupar com Ned Stark. Tyrion Lannister chegou a dizer que a batalha foi algo inconclusiva, visto que Robert conseguiu escapar antes da chegada da maior parte do exército Tyrell, sem grandes perdas para o seu lado.

Sem as forças do Usurpador para defender Storm’s End, Mace Tyrell mobilizou a sua força massiva e instalou um cerco ao lar dos Baratheon. Stannis ficou responsável por proteger o mítico forte, enquanto os Tyrell o sufocavam por mar e terra, impedindo a chegada de qualquer mantimento durante quase um ano.

Quando Rhaegar marchou do Sul de encontro ao Tridente para enfrentar as forças rebeldes, os Tyrell não o acompanharam, e houve quem os culpasse pela derrota do príncipe. A versão dos regentes do Reach é algo diferente: Mace impingiu a Robert a única derrota, tinha feito o seu trabalho e obrigado as forças inimigas a bater em retirada. Contavam que os Lannisters, outros grandes aliados da coroa, interviessem no conflito e asfixiasse a revolução, impedindo-a de chegar a Norte… não tiveram culpa que o Rochedo falhasse na sua “responsabilidade”. Além disso, a eventual conquista de Storm’s End ditaria o final da revolta. A versão de outras Casas é que os Tyrell não quiseram correr muitos riscos e arriscar as suas forças e registo vencedor. Assim mantiveram-se leais ao Targaryen, sem comprometer muito a imagem face aos Baratheon. Provavelmente seriam bem-sucedidos se invadissem Storm’s End, mas acarretava baixas e caso Robert conquistasse mesmo o trono, não iria ver a acção de bom grado. No fundo, e há semelhança dos Lannister, esperaram para ver quem ficava “por cima”. Quando King’s Landing caiu e Ned Stark cavalgou para Sul para libertar as Stormlands, os Tyrell renderam-se sem oferecer resistência. Robert, “esqueceu” a derrota em Ashford e perdoou a maior parte dos nobres do Reach em troca da jura de lealdade, permitindo a manutenção do Tyrell como regentes (tal como Aegon antes dele, Robert percebeu a importância da região e sabia que prolongar um conflito com um exército tão vasto iria comprometer a sua posição).

Já durante a série, a Casa Tyrell, simbolizada inicialmente por Loras Tyrell, oferece a sua aliança a Renly Baratheon depois da morte de Robert, com quem Loras mantém um amor secreto. Mace Tyrell percebe que Renly, apesar de ter menos direito ao trono que Stannis, reúne mais apoio e oferece a mão da filha Margaery em casamento. Com a junção das forças Tyrell e Baratheon, Renly reúne o maior exército na Guerra dos Cinco Reis e tem tudo para ser o novo Rei, com a promessa de nomear Mace Tyrell como sua Mão.

Com o assassinato de Renly, os Tyrell são obrigados a repensar a sua oposição. Quando Petyr Baelish lhes propõe uma aliança com os Lannister as forças do Reach aceitam e marcham com Tywin Lannister para a capital na batalha de Blackwater. O segundo filho de Mace, Sir Garlan O Galante, usou a armadura do falecido Renly, amedrontando o povo da capital que pensou que o antigo Rei tinha regressado do mundo dos mortos. Vencida a batalha, e como recompensa, Mace Tyrell é nomeado para o Pequeno Conselho como Mestre da Frota e Margaery Tyrel fica noiva de Joffrey. Um outro exemplo da astúcia desta Casa: antes da chegada de Margaery à capital, alguns homens Tyrell levaram carros com comida ao povo que passava fome, criando um frenesim de popularidade em King’s Landing a favor dos Tyrell… apesar de terem sido eles os responsáveis pelo embargo que provocou a fome inicialmente.

Apesar do que Olenna Tyrell diz esta temporada, “Growing Strong” é um lema que faz bem jus a esta nobre Casa. Com uma ascensão que por muitos pode ser considerada repentina, deve-se a muito planeamento, capacidade estratégica, força de números e capacidade em ler com rapidez e bem o tabuleiro de jogo. Não é uma casa ofensiva, antes oportunista, que sabe quando actuar e quando recuar. A prova está que há 300 anos eram uma Casa submissa e hoje estão a piscar o olho ao trono, usando métodos indirectos, como seu costume. Pelo seu poderio militar, pela importância geográfica e produtiva do Reach e pelas personalidades fortes que a lideram actualmente, os Tyrell são definitivamente uma Casa a ter em conta em Westeros.

A Família

Gyles Gardener III – Quando Gyles partiu para a Guerra com o Storm King da altura, no Leste, levou a maior parte das suas forças consigo. O Rei do Rochedo viu uma oportunidade e invadiu o Reach enquanto este estava “deserto”. Tiveram de ser os Osgrey, bannermen dos Tyrell, a enfrentar a força invasora. Wilbert Osgrey impediu mesmo a invasão ao matar o Rei do Rochedo em combate.

Quentin Tyrell – Primo distante do Rei Mace Tyrell, que morreu na batalha de Ashford, contra o Rebelde Robert Baratheon.

Randyll Tarly – Casado com Melessa Florent, outra importante Casa do Reach, Randyll é o lorde da Casa Tarly, senhores de Horn Hill. É dono da Heartsbane, uma espada de aço valíriano, e é considerado um dos melhores comandantes de Westeros. Foi o responsável pela única derrota impingida a Robert Baratheon durante a revolução, em Ashford. Tende a seguir os movimentos da sua Casa Regente: aliou-se a Renly Baratheon e aos Lannisters em Blackwater e o seu impacto nesta “aliança” entre o Reach e o Rochedo ainda terá mais capítulos. Se ainda não perceberam, Randyll é o “amado” pai de Sam Tarly, membro da Night’s Watch.

Olenna Tyrell – Nascida Olenna Redwyne, é a viúva do Lord Luthor Tyrell e mãe de Mace. Pela sua “língua afiada” é conhecida como a Rainha dos Espinhos. A Olenna descrita nos livros é ainda mais velha do que a representada (magnificamente) por Diana Rigg. Uma velha enrugada, desdentada, que anda com a ajuda de uma bengala e reclama ser quase surda (embora no caso destas últimas duas possa ser apenas um encenação para parecer mais frágil do que realmente é). É raro Olenna não expressar a sua opinião e é descrita como astuta, impaciente e com humor perverso. Embora possa ridicularizar alguns membros da própria família, é uma ávida defensora dos interesses familiares.

Na sua juventude esteve quase para casar com um membro da Casa Targaryen, mas fez de tudo para que isso não acontecesse. Quando casou com Luthor Tyrell até gostava dele porque era bom para ela e competente na cama, mas ainda assim julgava-o um pouco imbecil. Luthor morreu porque não viu um precipício e cavalgou em direcção a ele (quando Tywin Lannister conhece Olenna em King’s Landing questionasse se o homem não cavalgou em direcção ao precipício de propósito…). Olenna tem pena de não ter batido mais no filho Mace quando era novo, talvez o fizesse mais receptivo aos seus conselhos em adulto.

Mace Tyrell – Lord de Highgarden, do Reach e Regente do Sul, Mace costumava ser um homem bonito e de aparência poderosa, mas a gordura levou-lhe a melhor. É um velho prematuro, entediante e sem sagacidade politica. O seu único sucesso militar foi o cerco de Storm’s End e embora se vanglorie pela vitória em Ashford, não lhe pertence realmente, visto que chegou ao campo de batalha depois dos seus bannermen, os Tarly, terem já derrotado Robert Baratheon. No entanto é um homem ambicioso e pretende ver os seus descendentes no Trono de Ferro. A mãe Olenna diz que essa esperança fá-lo parecer um peixe-balão, inchado de orgulho (e referindo-se ao seu excesso de peso, claro).

Alerie Hightower – Esposa de Mace Tyrell, de quem tem quarto filhos: Willas, Garlan, Loras e Margaery. Descrita como uma mulher alta, respeitável e mais nova que o seu marido.

Willas Tyrell – Primogénito de Lord Tyrell e herdeiro de Highgarden. Durante um torneio, num embate com Oberyn Martell do Dorne, foi derrubado do cavalo e ficou com um pé preso no estribo. O cavalo caiu sobre si, ferindo a perna e deixando-o aleijado para a vida. O incidente causou faíscas entre as duas grandes Casas, mas Willas não levou a peito e ficou amigo de Oberyn, com quem costuma trocar cartas. Depois do acidente, Willas dedicou-se aos livros e ao estudo e muitos consideram-no um líder mais capaz do que o seu pai. A avó Olenna tem-no em muito melhor opinião do que ao filho.

Garlan Tyrell – Com a alcunha de O Galante, dada pelo irmão Willas, Garlan ostenta um escudo pessoal de duas rosas e fundo verde, em referência ao facto de ser o segundo filho de Mace e Alerie. Descrito como sendo parecido ao irmão Loras (cinco anos mais novo), mas mais alto, forte e com barba. Um espadachim bastante competente que costuma treinar com três ou quarto adversários simultaneamente para se preparar melhor para as batalhas. No entanto, não procura a glória como Loras, tornando-o menos famoso que o irmão mais novo. É casado com Leonette Fossoway.

Loras Tyrell – Conhecido como o Cavaleiro das Flores. O seu talento como cavaleiro, os títulos nos torneios, a enorme beleza e o seu exibicionismo ostentatório tornaram-no numa grande figura na corte dos Sete Reinos e num dos solteiros mais desejados em Westeros. Amado pelo povo, especialmente o feminino, em corte é considerado temperamental e impetuoso (Tyrion descreve-o como sendo um rapaz “espinhoso”). Em novo, foi enviado para Storm’s End para ser escudeiro de Renly Baratheon, o que mais tarde daria origem a uma paixão entre os dois. Paixão essa que embora seja oculta do grande público, é conhecida por alguns na corte, inclusive a própria família Tyrell.

Margaery Tyrell – Descrita como uma menina (nos livros tem 16 anos no início da história) lindíssima, inteligente, sagaz e com olho para a política. Uma astuta “aprendiz” da avó Olenna.

O Reach

O Reach era já uma nação soberana antes da chegada de Aegon e é uma das maiores regiões dos Sete Reinos. Considerada a terra mais fértil de Westeros é também a mais densamente povoada (a maior cidade do Continente, Oldtown, localizasse aqui). Aclamada como sendo o lar do cavalheirismo, é aqui que o título de cavaleiro é visto com mais reverência e é estimado pela maioria (as regras dos torneios estão bem definidas e são seguidas à risca). A região é considerada a segunda mais rica do Continente, só depois das ricas minas de Westerlands.

Abençoado com um grande rio, o Mander, o território é delimitado a Oeste pelo Sunset Sea, pelas Red Mountains a Sudeste (fronteira com Dorne), as colinas das Westerlands a Noroeste e pelo rio Blackwater Rush a nordeste. O domínio inclui ainda Arbor (ilha a Sul, governada pela Casa Redwyne, conhecida por fazer o melhor vinho de todo Westeros) e as Ilhas Shield. Este arquipélago, localizado a Oeste de Highgarden, é a primeira linha de defesa contra as Iron Islands. Antigamente a frota invasora subia pelo rio Mander e pilhava o Reach, até os Reis armarem e ensinarem a população piscatória a defender-se a si e ao rio (daí o nome de “Escudo”). Se ameaçadas, as ilhas acendem fogos em torres de alerta, que se propagam por outros pontos do território, para que ninguém seja apanhado desprevenido. Passam dois grandes caminhos pela região: Roseroad, que vai de Oldtown até King’s Landing e Ocean Road, que faz a ligação a Lannisport (ambas cruzam-se em Highgarden). A região que faz fronteira entre o Reach e as Stormlands, as Dornish Marches, são habitadas por lordes leais aos Tyrell.

No centro do poder, está Highgarden, lugar do trono dos Tyrell. Situado na margem do rio Mander, é descrito por Margaery como um lugar de fontes, jardins e estátuas de mármore, cheio de cantores, flautistas, violinistas e harpistas. Nos estábulos há uma requintada selecção de carne de cavalo e há barcos que navegam ao longo do Mander.

Oldtown é a mais importante cidade do Reach. Lar da Citadela, onde são formados os Maesters e ex-lar da religião Faith, a cidade é banhada pelo rio Honeywine, que desagua no Sunset Sea. Em vez de resistir à invasão dos Andals, recebeu-os, sobrevivendo à sua devastação. Foi também aqui que Aegon se converteu à Faith e que foi coroado Rei de Westeros. Oldtown tem ainda um dos portos mais importantes de Westeros. Ao contrário de King’s Landing, é descrita como sendo incrivelmente bonita, com muitos canais, mansões de pedra e labirintos de ruas. A maior estrutura da cidade é também a maior de Westeros, a Hightower, um enorme farol com 250 metros de altura. É policiada pela City Watch de Oldtown e é governada pela Casa Hightower. Casa essa que já governou o Reach, mas que viu a sua importância a diminuir com o tempo.

Bem mais discreta é a cidade de Ashford, conhecida pela batalha durante a Rebelião de Robert, mas que é apenas uma cidade mercante com um castelo.

Aos bastardos nascidos no Reach dá-se o apelido de “Flowers”.

Os Tyrell por Margaery Tyrell

“A Casa Tyrell traça a sua descendência até Garth Greenhand, o lendário primeiro Rei do Reach que fez a terra florescer. Mas isso também ocorre com todas as Casas nobres ao nosso redor… parece que o nosso caro ancestral Garth plantou tantas flores quanto colheu. Um Rei deveria ter mais consideração com a sua linhagem, não acham?

Por mais de mil anos, os filhos e netos de Greenhand dominaram o Reach sob a Casa Gardener. Os rebentos das suas filhas vieram a formar vastas e poderosas Casas por direito próprio. Excepto a Casa Tyrell. Escolhemos, em vez disso, servir os nossos primos Gardener como Stewards fieis, administrar o seu domínio de Highgarden e os assuntos diários do Reach. As nossas palavras são: Crescer Fortes (“Growing Strong”) e sob a nossa administração o Reach fez exactamente isso. Até um rei inepto quase nos fez perder tudo… Aegon Targaryen havia chegado a Westeros e o Rei Mern aliou-nos ao Rochedo para repelir o exército oportunista. Mal se pode acreditar que o Rei Mern não reconsiderou quando se deparou com os dragões. Talvez devesse ter buscado o conselho dos seus criados de confiança antes de partir para combate. Por outro lado, talvez o tenha feito…

No Field of Fire, Aegon, e não nos esquecemos, as suas irmãs, queimaram os exércitos combinados do Reach e do Rochedo e o Rei Mern pagou pelo equívoco com a sua vida e da sua antiga família. Num dia, o Reach perdeu o Rei, o Regente e a maior parte do seu exército. Felizmente para todos, o meu ancestral, Harlen Tyrell tinha mais juízo. Enquanto os Maesters tentavam encontrar o herdeiro entre os primos de Mern, Harlen actuou como lorde de Highgarden. Para assegurar a paz e a vida no Reach, ele cedeu o castelo a Aegon e em breve os outros castelos e famílias seguiram o exemplo, como haviam feito desde a Dawn Age. Aegon tinha um Continente para conquistar e a terra fértil do Reach era valiosa demais para destruir. Ele aceitou a proposta de Harlen e recebeu as nossas terras no reino. Para mostrar a sua gratidão, Aegon fez Harlen Lorde de Highgarden, o castelo que a sua família havia servido por milhares de anos, e fez da Casa Tyrell os regentes do Sul. Escolhendo a nós em vez de famílias maiores e mais antigas do Reach. Por isso, a nossa Casa devia tudo aos Targaryen. É então de estranhar que nos mantivemos fiéis ao Rei Aerys, mesmo durante a sua loucura? E após a Rebelião de Robert?

Alguns podem questionar o meu pai por formar o cerco à Casa Baratheon em vez de marchar ao resgate do Príncipe Rhaegar, antes que Robert pudesse matá-lo e dispersar o exército real. Mas não nos esqueçamos que já havíamos dado a Robert a sua única derrota na guerra, em Ashford. Se o Lorde Tywin Lannister não tivesse “derrotado” o Rei Louco tão repentinamente, o nosso cerco teria destruído a Casa de Robert e os seus irmãos, e vencido a guerra a Aerys. Mas quando os Targaryen caíram, a Casa Tyrell escolheram mais uma vez a paz e prosperidade em vez da guerra e devastação e curvou-se ao Rei Robert Baratheon, primeiro de seu nome.

Retomamos a Highgarden para administrar os negócios do Reach, como fizemos por milhares de anos e continuaremos a fazer por outros mil. Outras grandes Casas tomam leões e lobos como seus símbolos e extraem o seu poder do ouro das suas montanhas ou do frio dos seus Invernos… mas montanhas esgotam-se, o Inverno cede lugar à Primavera… e a rosa floresce novamente.”

Field of Fire por Robb Stark

“A ascensão de Aegon Targaryen foi confirmada e o destino dos Sete Reinos foi selado no Campo de Fogo.

Os reis Loren Lannister do Rochedo e Mern Gardener do Reach opuseram-se à invasão de Aegon e comandaram uma força unida de 600 estandartes, cinco mil cavaleiros e 50 mil soldados. O exército de Aegon era muito menor e quando os homens dos dois reis investiram, os invasores fugiram em retirada… mas o poder Andal não era adversário para a chama do dragão. Quando Aegon soltou os seus três dragões, quatro mil almas foram horrivelmente queimadas vivas no campo de batalha, entre as quais o Rei Mern. Percebendo que tudo estava perdido, o Rei Loren rendeu-se.

Os Starks de Winterfell não tinham intenção em se submeter ao domínio Targaryen. Eram reis do Norte desde a época dos First Men e estavam dispostos a resistir aos invasores Targaryen, assim como resistiram aos Andals, milhares de anos antes. O Rei Torrhen Stark liderou o seu exército até ao Red Fork, a Leste de Riverrrun, esperando ter êxito onde Loren e Mern fracassaram. Mas quando viu o tamanho e poderio do exército de Aegon e dos seus monstruosos dragões, percebeu que não podia submeter os seus homens ao horror de outro Campo de Fogo.

Ajoelhou-se e jurou lealdade a Aegon, que permitiu que os Stark mantivessem a soberania da região como Lordes Supremos e Regentes do Norte. Sem dúvida, Torrhen Stark salvou milhares de vidas naquele dia. Ficou para sempre conhecido como o Rei Que Se Ajoelhou.”

Field of Fire por Viserys Targaryen

“Os dias dos Andals estavam contados. Um por um, os seus supostos “reis” ajoelharam-se diante Aegon Targaryen ou enfrentariam a sua fúria. Aegon, da Antiga Valyria, Sangue do Dragão.

Após derrotar os Iron Men em Harrenhal e massacrar o último Rei das Stormlands, Aegon e as suas irmãs, Rhaenys e Visenya, concentraram-se noutros prémios: as minas de ouro do Rochedo e as terras férteis do Reach. Os reis Loren Lannister e Mern Gardener acreditaram estupidamente que a união dos seus exércitos poderia derrotar as forças Targaryen. Cavalgaram juntos, com os seus estandartes balançando orgulhosos ao vento, e enfrentaram Aegon num vasto campo de trigo dourado. Os dois reis comandavam uma força impressionante de quase 60 mil homens, parecia que o dia era deles… Até que Aegon soltou os seus três dragões simultaneamente, pela primeira e única vez.

Os monstros receberam nomes dos deuses Valirianos dos ancestrais de Aegon: Visenya montava Vhagar, cujo sopro feroz derretia armaduras; Rhaenys montava Meraxes, cujas mandíbulas engoliam cavalos inteiros; O maior de todos era Balerion, o Terror Negro, com um fogo escuro como a noite e asas tão grandes que escureciam cidades inteiras ao sobrevoá-las. Esta magnífica criatura era montada pelo próprio Aegon.

Quatro mil homens sentiram a gloriosa chama do dragão, no que ficou conhecido como Field of Fire. O rei Mern estava entre os mortos e a Casa Gardener morreu com ele. Os seus camareiros, os Tyrell, entregaram a fortaleza ancestral de Highgarden a Aegon e foram nomeados Lordes Supremos do Reach e Regentes do Sul. Quando Loren Lannister presenciou o destino de Mern, sabiamente ajoelhou-se a Aegon, que lhe poupou a vida. Os Lannisters tornaram-se Lordes das Westerlands e Regentes do Oste. Após o triunfo no Campo de Fogo, a conquista de Aegon estava garantida e em pouco tempo os denominados Sete Reinos foram derretidos pelo calor da chama dos dragões e transformaram-se num único reino. Aegon ficaria eternamente conhecido como Aegon, O Conquistador.”

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