Person of Interest: 1×01 – Pilot

[SPOILERS] John Reese (Jim Caviezel) é um homem de impressionantes capacidades que por perder alguém que amava, descarrilou da vida. Finch (Michael Emerson) é um “homem aborrecido e rico” que busca uma pessoa com os talentos de Reese para resolver os seus problemas e tranquilizar a sua consciência. Descrição simplista, eu sei, mas é o primeiro impacto que a série nos provoca. O inicio não é satisfatório: a primeira conversa entre protagonistas não é “especial”, não há nada que faça destacar “Person of Interest”.

Quem conhece as minhas reviews sabe que eu gosto de fazer muitas perguntas, perguntas sobre mistérios que são apresentados e que nos deixam curiosos. Mas neste caso surge-me outro tipo de perguntas, não tão favoráveis: Porque é que um homem que vive na rua de repente tem dinheiro para um quarto de hotel e decide “limpar-se”? Não acontece depois de aceitar o emprego, mas antes, porquê? Uma transformação demasiado rápida que não faz sentido… Porque é que alguém que tem tanta dificuldade em mexer-se gosta tanto de caminhadas? Porque é que depois do espancamento no metro Reese se deixa prender? Porque é que ele torna a encontrar o mesmo bando mais tarde por um motivo completamente diferente? Porque é que a advogada, se faz parte do grupo corrupto, foi falar com o criminoso à prisão e tentar iliba-lo? Reese parece ser uma pessoa tão convicta e difícil de convencer e embarca nesta aventura sem conhecer nada do seu novo patrão?

A série comete ainda outros amadorismos, pequenas demonstrações de má representação, inclusive do próprio Caviezel (salta do demasiado intenso para o demasiado leve, demasiado rápido), que passa a grande maior parte do episódio ao telemóvel, de binóculos ou a espreitar em esquinas.

Curiosamente, o melhor acaba por ser todos os momentos em que Jim Caviezel usa as suas habilidades. Consegue também transmitir a sensação de paranóia que se vive nos dias de hoje e quem viu “Relatório Minoritário”e “Eagle Eye” não deixará de esboçar um pequeno sorriso quando vir o episódio. O caso até surpreende e o final do episódio acaba por se redimir um pouco, traz uma acalmia a toda a loucura e frenesim que lhe antecedeu. Mas ficou por explicar qual vai ser o papel de Carter (Taraji P. Henson) em tudo isto. Apenas alguém que vai perseguir Reese em busca de respostas?

“Person of Interest” acaba por ser um mini “Jason Bourne” em versão light. Cheio de acção e com bons momentos, mas que falhou na capacidade de contar uma história sólida e agradável de se seguir, porque não houve um equilíbrio nem timing. Tudo isto é ainda mais surpreendente quando os créditos do argumento são de Jonathan Nolan, senhor que co-escreveu o “Cavaleiros das Trevas” e “Memento“, e tem JJ Abrams na produção. Onde está o enriquecimento de personagens? Não basta criar mistérios à volta de números (a sério JJ Abrams?!) e atirar umas boas sequências de acção, estrondo e fogo-de-artifício. Esquecerem-se da parte importante, a boa caracterização e a capacidade contar uma história correctamente.

Caviezel está muitos furos abaixo do que se lhe era exigido (como personagem, não como action man) e Michael Emerson está muito “amarrado” em comparação com aquilo que já o vimos fazer. Posso estar enganado, mas parece-me que se vai tornar naquilo que mais receava, um procedural, um diferente e visualmente mais agradável procedural. Leva uma nota pior do que merece pela decepção que criou. Quero ser muito surpreendido no próximo episódio…

Melhor: Jim Caviezel em versão Jason Bourne.

Pior: Enorme decepção em quase tudo o resto. No fundo, não há nenhuma personagem que seja uma “Pessoa de Interesse”.

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