Person of Interest: 1×02 – Ghost

[SPOILERS] Há pilotos que falham, outros que são bem sucedidos e aqueles que simplesmente foram trocados à nascença por um médico demente… Este segundo episódio não se encaixa em nenhuma destas categorias. “Ghost” é antes a outra parte de uma gémeo siamês (o piloto) que foi separado do irmão aos 34 anos depois de uma vida inteira em conjunto.

Mal assistimos ao genérico sentimo-nos altamente defraudados porque resume num minuto tudo aquilo que interessa do piloto. Faz-nos pensar em 39 minutos que nunca mais vamos recuperar. Fui mauzinho, eu sei, vamos às coisas boas…

O início é muito bom, numa cena que mistura humor e acção. Mostra-nos um Reese (Jim Caviezel) já descontraído com a sua função (enquanto tenta descobrir mais sobre o seu novo chefe) e uma detective (Taraji P. Henson) que não está minimamente interessada em largar o “homem de fato”. Outro pormenor agradável é que a série parece contar com muitos actores secundários bons e conhecidos (a vitima deste caso podia ser melhor, mas…)

Depois do primeiro episódio mais dedicado a Reese, os flashbacks centram-se mais em Finch e a sua história vai-se desenhando aos poucos: a sua vida em 2002 quando estava mais anatomicamente funcional, o ínicio da máquina que iria mudar tudo, as suas dificuldades motoras no dia-a-dia, a sua “identidade secreta” como simples “dono” do seu próprio cubículo na sua própria empresa (bastante genial). Michael Emerson pareceu-me bem mais desinibido, talvez seja o facto de estar mais habituado a viagens temporais pela memoria. O pequeno excerto da sua história tornou-se o melhor do episódio (como imagino que serão os flashbacks em todos os episódios)

“We didn’t built this machine to save someone, we build it to save everyone.”

Já deu para perceber o formato da serie e o que me interessa mesmo é a historia por detrás dos casos semanais. Casos esses que são como roupas em estendais, que queremos tirar da frente dos olhos enquanto corremos para descobrir o que está por trás do enxoval. Mas infelizmente temos de os aturar.

A luta na lavandaria confirmou outro bom aspecto do primeiro episódio, Caviezel vai mesmo andar com a cara a sangrar, como seria de esperar de alguém que anda à porrada três vezes ao dia. Também é refrescante saber que não vai ganhar todas as lutas (mesmo que os homens maus sejam parvos o suficiente para nunca acabar com ele primeiro antes de irem atrás da vitima).

Fiquei mesmo com a sensação que este foi o piloto-Parte 2…e até me convenceu mais do que o anterior. Continua com aquele gigante pormenor de ser um procedural (contra promessas feitas), mas já faz parte da base da série e não há nada a fazer. Tem personagens que vale a pena “aturar”, história central que eu quero descobrir e contam-na de uma maneira agradável de se ver. É verdade que esperava algo mais “sério” e complexo e as expectativas iniciais continuam a não ser correspondidas, mas depois de algum tempo neste pequeno mundo, expectativas é algo que já aprendi a baixar, e simplesmente desfrutar da viagem…

Pequenos detalhes:

  • Continua a fazer-me impressão como é que alguém tão cheio de recursos precisa de um polícia infiltrado para ter acesso aos casos…
  • Mais alguém achou que o Jim Caviezel estava bem mais moreno neste episódio?
  • Não é preciso exagerar nos planos das câmaras de vigilância.
  • Fico com a ideia que os nossos dois super-heróis estão a ser vigiados pela máquina e que alguém já está de “olho” neles…
  • Podiam reduzir o tempo que os protagonistas passam ao telemóvel em actualizações sobre o caso.
  • Reduzir ao “entrar, partir tudo e não mostrar”. Neste episódio houve duas (no elevador e no bar) e mais um no primeiro episódio (tiros no hotel). Tem a sua piada, mas não vamos exagerar.
  • O skater chama “Chief” a Caviezel na praça. Possível alusão ao filme “Alta Frequência” protagonizado por Caviezel e em que ele tinha essa alcunha, dada pelo pai bombeiro (Dennis Quaid).
  • O que aconteceu ao seu sócio, e colega de “Lost” Brett Cullen? No fim do episódio vê-se uma estatueta em sua memória, falecido em 2010. Terá alguma relação com o que aconteceu a Finch?

Melhor: Episódio mais agradável, mas talvez seja só pelo facto de esperar menos dele.
Pior: Maldito modo “procedural”.

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