Person of Interest: 1×19 – Flesh and Blood

[SPOILERS] A review ao episódio chega com uma semana de atraso, mas vem de boa vontade. Abençoada paragem que impediu que se acumulassem ainda mais episódios.

Com apenas quatro episódios para o fim, a série decidiu acelerar para a recta final e pegar no maior vilão até à data, aquele que nós queremos realmente ver, Elias (Enrico Colantoni). A história do episódio está curiosa: os números do dia equivalem aos cinco chefes da máfia nova iorquina e Finch suspeita logo que Elias está por detrás de uma vassourada na direcção do mundo organizado (os levantamentos das contas fazem-nos pensar que algo grande está prestes a acontecer. Poderia perfeitamente ser o inverso: os cinco reunirem-se para matar Elias, mas nem sequer surgiu essa hipótese desta vez. A matança não demora a começar. Nem sequer há um pouco de guerra fria, salta-se logo para a explosão pura e dura.

Façam-me um favor e sigam-me nesta pequena viagem…Imaginem este cenário: Vocês estão na pele de um antigo agente da CIA. Ninguém sabe que estão vivos, só têm um amigo e a vossa profissão é apanhar balas pelos outros. Agora entrem em modo “Inception” e entrem mais profundamente nesta “tragédia” de vida. Têm a CIA, o FBI, a polícia e o maior criminoso da cidade à vossa procura. Têm como objectivo proteger gente que não merece ser protegida, nem sequer quer o vosso serviço. Têm de protegê-los de um homem que, além de muito inteligente e ter mais tentáculos que um polvo, possui um conjunto de policias corruptos como guarda-costas. Se este cenário não vos assusta, Parabéns! Vocês são irmãos/ãs do Chuck Norris!

Finch: Bit of a late start, Mr. Reese. Did you forget to set your alarm?
Reese: Had my yoga class.
Finch: Well, I hope you’ve gotten in touch with your chi because it seems we have a big day ahead of us.

Como se o retorno do manda-chuva mor não fosse por si só riqueza suficiente para encher o episódio, temos também direito ao retorno dos flashbacks. Pela primeira vez, é mostrado o passado de alguém que vive do outro lado das trincheiras. Tivemos Reese (Jim Caviezel), Finch e Carter, agora foi a ver de percebermos melhor o passado do homem que ambiciona controlar uma cidade inteira. O bullying que sofreu na escola e a curiosidade/dificuldade em não saber do seu passado (1981), e a tentativa de o pai se livrar dele, que coincide com o início da sua ascensão (1991). Parece que Mark Margolis está destinado a representar mafiosos e a fazê-lo em flashbacks, com mais cabelo, para depois acabar por morrer (“Breaking Bad”).

Não há nada como salvar a vida a alguém para que esse alguém nos perdoe ofensas passadas. Agora que Carter (Taraji P. Henson) voltou à Liga e está armada até aos dentes, já se pode juntar à festa. “Game On, bitches!” A decisão de Finch (Michael Emerson) em recorrer à HR, mais propriamente ao policia Simmons, foi não só surpreendente como eficaz. O excesso de zelo por parte de Elias valeu-lhe a perda de um aliado, num momento em que a perda deles não dá jeito nenhum.

O episódio teve um ritmo quase alucinante, com imensos peões em jogo. De todos os episódios mais “medianos” que a série teve na sua época de estreia, este não é definitivamente aquele que merecia ter uma review em atraso. Elias é preso mas de certeza que não mexe muito com os seus planos, afinal de contas, já provou ser mais do que capaz em controlar o esquema à distância (ainda para mais com um molhe de policias “a recibos verdes” para o ajudar), agora que a casa está finalmente limpa do pó velho. Para mim este foi o melhor episódio até agora. Repleto de acção (todos os personagens principais estiveram envolvidos), houve avanço na história, revelações sobre o passado, mortes, um cimentar de amizades (entre Carter e Lionel (Kevin Chapman, embora já fosse altura destes dois pararem para pensar e perceberem que jogam no mesmo campeonato) e o nascimento de uma nova etapa. Teve de tudo, na porção certa. Parabéns a “Person of Interest” por não descansar à sombra da renovação.

O Melhor: Um episódio completo, em todos os aspectos.

O Pior: Carter e Lionel já deviam ter percebido que têm amigos em comum.

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