Person of Interest: 1×23 – Firewall

[SPOILERS] Um dos sucessos da nova temporada chega ao fim 23 episódios depois. As audiências e a qualidade foram crescendo a cada semana que passava e surgia a questão: seria este finale o pico deste crescimento exponencial?

Desta vez o flashbacks da máquina foi usados de maneira diferente, não para saltar anos, mas para saltar dias. Antes do salto temporal o futuro não se mostra muito famoso para Reese. Uma psiquiatra (Amy Acker de “Angel” e “Dollhouse”) ouviu, voluntariamente, coisas que não deveria. Agora está debaixo da lupa dos meninos da HR e com um contrato em vigor pela sua (linda) cabeça.

Zoe: “Good to hear you’re getting some help. But I don’t think there’s a woman out there alive who could fix you, John.”

Este foi um episódio de espias. Eu espio a ti, tu espias a mim e alguém há-de de espiar a nós. Toda a gente esteve debaixo de olho de alguém e assim é difícil não ficar paranóico. Lionel consegue descobrir o núcleo duro por detrás dos policias corruptos mas Carter não tira um olho dele. Finch afasta a cortina sobre a HR e a nova cliente, mas tem a Alicia Corwin (Elizabeth Marvel) no seu encalço, (depois de ter dado com a língua nos dentes no final do episódio passado) e Reese mantém-se perto da psiquiatra em perigo mas ela conseguiu ver através da carapaça o tipo de homem que ele era. Há sempre o momento em que John sai da sombra da identidade falsa que cria, de modo a aproximar-se dos seus alvos, e se apresenta oficialmente. Normalmente envolve tiros ou porrada, este caso não foi excepção. Foi no entanto divertido ver a doutora a dizer-lhe que não havia nada a recear, bla bla bla whiskas saquetas…e 30 segundos depois é salva.

Caroline: “This must be what panic feels like.”
Reese: “Here, have some chocolate.”
Caroline: “Will these help to produce an adrenaline response?”
Reese: “No, but they taste good.”

O lado mau de ter tanta gente atrás de nós é que por vezes lembram-se e vêm todos ao mesmo tempo. O lado bom é que com tanto jogador no tabuleiro, uns acabam por anular os outros. Enquanto Finch e Reese jogam o jogo do rato e do rato no hotel, Alicia descobre o esconderijo e Zoe (Paige Turco – a informadora que é chamada sempre que necessário) vai tentando descobrir quem pôs a cabeça da doutora nos saldos. Neste momento do episódio, se tal como eu fizeram uma pausa, apercebem-se do caos e da intensidade presente. É a desvantagem de escrever análises, nunca ficamos completamente mergulhados no episódio. Já fizeram o xixi? Foram buscar uma bolacha ou fumaram um cigarro? Ok, então vamos para os momentos finais. 5, 4,3,2,1.

Esqueçam o que viram na primeira meia hora sobre esta princesa em perigo. Um leitor, através de um comentário à review do episódio 21, perguntava-me se achava que Cara Stanton (Annie Parisse), a ex-parceira de John, seria Root. Só tivemos direito a imagens de plano fechado sobre esta misteriosa hacker mas sabemos agora que a resposta à pergunta é negativa. O plano foi genial e deixou toda a gente surpreendida, incluindo nós. Ainda estava eu a tentar perceber como é que Finch ia escapar à morte nas mãos de uma Alicia farta de fugir do Big Brother e está a bela Root a enfiar-lhe uma bala através do vidro. De todos os inimigos, esta era a que menos esperava e talvez por isso, em retrospectiva, tenha sido a melhor escolha para este final. Uma intervenção de Elias, uma captura de Reese por parte do governo, alguns cenários me passaram pela cabeça. Mas qualquer bom estratega ataca no elo mais fraco e, neste caso, com todas as atenções em Reese esse elo era Finch. As intenções são claras (e se não fossem, Alicia tinha-as referido há pouco tempo): conseguir o acesso à máquina. Aquela porta das traseiras para o escritório de Deus, que nas mãos de tão habilidosa hacker, poderá fazer danos.

Alicia: “You created God. And now you’re gonna help me shut it down.”

Os instantes finais são aquilo a que na gíria se denomina: um come cabeças! Numa cena que mais parecia o final do “Matrix”, Reese parece falar com a máquina…e ela “responde-lhe”. Estará afinal alguém por detrás da máquina ou terá ela ganho algum tipo de “consciência”? Seja o que for deixou-nos colados ao ecrã e foram raras as vezes que um ecrã preto me conseguiu provocar tanta frustração. Muito bom este cliffhanger que nos deixa absolutamente pendurados até setembro.

“Person of Interest” surpreendeu-me muito. Não só tem neste momento mais 3 milhões de espectadores do que “Grey’s Anatomy”, como foi capaz de criar um enredo rico sem descurar os casos semanais quase sempre surpreendentes. Por vezes houve uma certa sensação de exagero no número de vilões que pairavam sobre a liga da justiça, mas isso ajudou a manter a sensação de paranóia (e não é isso que a série sempre procurou fazer?!). A curiosidade é que no momento em que deixei de exigir que a série fosse mais do que um procedural, ela provou ser isso mesmo, e quem se manteve fiel saiu vencedor. Michael Emerson conseguiu desamarrar-se à medida que a temporada decorria, sentiu-se isso bem, mas a grande vitória é mesmo de Jim Caviezel. Depois da “Paixão de Cristo” o actor tinha uma necessidade de se “despegar” de tão marcante papel e a série está a permitir-lhe brilhar em todos os campos. Com sequências de acção muito bem conseguidas, momentos de “humor” e um certo grau de emoção, foi um actor multifacetado que não deu ares de fraquejar. Grande Caviezel! Quanto aos dois polícias “extra”, espero mais da próxima temporada: Kevin Chapman nem tanto (por se exigir menos), mas Taraji P. Henson esteve muito presa e pouco brilhou (e foi notável, a partir do momento que a CBS exigiu que ela figura-se mais, que a personagem ganhou outro ritmo).

Não sei bem o que esperar da próxima temporada. Esta que agora acaba foi muito rica em conteúdo, o suficiente para fornecer um segundo capítulo tão bom ou melhor que este. Eu fiquei fã e não acredito que alguém que lhe deu uma chance nos primeiros episódios tenha desistido. Parabéns a Jim Caviezel, parabéns a “Person of Interest” e parabéns a CBS.

NOTAS:

  • Sempre me fascinou como é que John anda com uma objectiva daquelas para a máquina fotográfica no casaco, sem se notar!
  • No meio deste enormíssimo cliffhanger, a revelação de que Lionel e Carter são “irmãos”, até passou um pouco despercebida. Não percebo até que ponto seria mais “seguro” mantê-los cegos em relação um ao outro, principalmente quando Carter estava de arma em punho, mas ok. Esta dinâmica a dois/três foi o mais próximo de comic relief que tivemos no episódio. E se pensarmos bem sobre a opção de John em manter estes dois às escuras, ele até tem razão:

Reese: Trust is complicated, Lionel. For example, I’m sitting in a police car with one cop who tried to murder me and another who spent six months trying to lock me up. So you’ll forgive me if I take things one step at a time.

  • O segredo para o desfecho do episódio estava também no título.
  • O quanto bad ass foi aquele plano de Reese a sair do carro após a explosão? Mais um para a vasta lista de momentos de Caviezel.
  • Deu a entender que Lionel só revelou a toupeira do HR no FBI. Porque não “bufou” sobre todo o grupo (a imagem de Simmons (Robert John Burke) a caminhar normalmente pelas ruas dá a entender que passou incólume).

Como nota final, queria agradecer a todos vós que acompanharam as reviews durante a temporada. Espero que tenham gostado da série tanto como eu. Boas “férias” e até setembro!

O Melhor: Parabéns a uma série que conquistou o seu espaço e conseguiu surpreender semanalmente. Jim Caviezel é o grande vencedor desta primeira temporada. A intensidade deste final.

O Pior: Nada que manche a imagem.

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