Porque são os anúncios do Disney+ boas e más notícias…

A Disney vai inundar o mercado de séries e filmes dos próximos anos. Um tsunami de anúncios que deixa qualquer um com ansiedade por não haver horas suficientes no dia para ver tudo. Mas isso é uma boa ou má notícia para nós?

A 24 de Agosto, num dia dedicado ao “culto”, equipas e realizadores impressionaram uma audiência de sete mil pessoas, durante a Expo D23, na Califórnia. A megalómana produtora anunciou projectos futuros da Lucasfilm, Marvel, Live Action, Pixar e Walt Disney Studios, mostrando na grande maior parte, um logótipo dos projectos. Surge então a pergunta: para quê anunciar projectos que só poderão ser vistos em 2022?! Só fará essa pergunta quem esquecer o lema do rato: dominação global!

A Disney não joga a pensar na próxima época. A Disney dá multivitamínicos às mães que ainda vão gerar os craques do futuro. Numa altura em que a Netflix é uma inconstante no que toca a projectos, em que muitas séries estão a encravar na segunda temporada e em que os produtores exclusivos estão ainda a germinar séries, a Disney tranquiliza o seu público-alvo. Pode-se argumentar que, para já, não há nada de revolucionário e original na sua programação, que não passa de um espremer das tetas da Marvel, beber leitinho de Star Wars e trocar a mama da animação pela live action. Mas enquanto os filmes destes mundos continuarem a ultrapassar a barreira dos mil milhões nos cinemas, não há razões válidas para mudar. Podemos suspirar um “outra vez arroz?!”, mas o público continua a comer arroz a todas as refeições. Mais, recorrendo para já à arte dos logos, os planos podem mudar no futuro. Se se confirmar a saturação por Star Wars, talvez The Mandalorian seja a única a ser desenvolvida, se os filmes de super-heróis começarem a perder gás, talvez umas tantas histórias paralelas sejam riscadas. O planeamento permite que o espectador sonhe e que a Disney estude o mercado.

Outro ponto a considerar é que falamos de uma criatura dotada da capacidade em nos entusiasmar com o desconhecido. The Eternals, por exemplo, para além de um punhado de gente que leu os comics, quem tinha já ouvido falar deste “grupito”?! Pois bem, já conta com Angelina Jolie, Richard Madden, Gemma Chan, Kit Harington, Salma Hayek e Kumail Nanjiani. De repente estamos todos bastante curiosos com o que vem! Quem conhecia os Guardiões da Galáxia? Iron Man?!

Mas a vida não é só fatiotas e mundos animados. Então e as personagens “de carne e osso”? Porque não séries mais parecidas com a Netflix / Amazon (ou Apple, com muitos parêntesis)? Porque para isso já existe a Hulu. Continuará a haver investimento paralelo na FX, ABC e outras divisões “menores”, mas não é preciso incluir tudo debaixo do mesmo tecto. Quem quer ver The Handmaids Tale na Hulu, vai subscrever à mesma o Disney+ porque é preciso entreter a criançada nas outras horas do dia.

Referi num artigo anterior que Disney+ iria lançar Mandalorian semanalmente. Parece que será essa a política para todo o seu conteúdo. Pessoalmente, adoro a ideia. Já expliquei também porque prefiro o modelo semanal e é um excelente yang para o avassalador yin de anúncios de projectos. Que é como quem diz: “sim, serão 753 séries, mas não é tudo de rajada! Vamos ter conteúdo para o ano inteiro e assim vocês não usam o mês grátis para ver tudo e depois cancelarem o serviço…”. Chama-se a isto comprometimento com a marca.Esta mentalidade de “longo-prazo” fica ainda mais evidente quando vemos a promoção para quem pagar anos em avanço: no lançamento, a 12 de Novembro, o serviço custará 7$ por mês ou 70$ por ano, mas se quiserem comprometer-se já a três anos e pagarem a pronto, fica por 140.97$ (3,92$ mês). Antes que perguntem quem é que está disposto a correr esse risco fiquem a saber que: o site para aderir crashou com pedidos; é a Disney, não vai à falência, e se o espectador já gosta do conteúdo não pensa em cancelar; se o serviço aumentar de preço ao final de um ano, ficarão salvaguardados; dá para ter sete perfis numa só conta, e com quatro streams simultâneos, não é difícil fazer uma “vaquinha” e investir.

Em suma, não há más notícias aqui. Se o plano/conteúdo geral for do vosso agrado, terão muito mais para ver, com doses semanais que permitem uma ingestão mais fácil e alimenta o diálogo à volta da série em questão. Se consideram a Disney o anticristo, nada aqui vos vai fazer mudar de opinião. Não gostam, não subscrevem. Parece simples, não parece?!

PS- ainda nem há notícias relevantes para o conteúdo da National Geographic. Mais um baú por abrir…

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