Sem rei nem reino…

[SEM SPOILERS DE BRITANNIA] No que toca a series de época, a origem da Inglaterra será certamente dos temas mais explorados. Com muito ou pouco orçamento, leves ou negras aspirações ou bons ou maus resultados. “The Last Kingdom tem feito um bom trabalho em entreter, mas não é que o peso do mundo recaia sobre os seus ombros para desenhar o próximo “Game of Thrones”…

“Britannia” vinha com toda uma fanfarronice, de carteira gorda pela rua fora, a dizer que ela é que fazia e a acontecia. Estava na minha lista de grandes expectativas para 2018 e era super fácil dizer que foi devido a isso que não encantou. Mas neste caso a culpa morre longe de casa, aqui não a deixo entrar. Vi o segundo episódio já a custo, na esperança vã que fosse só gases, e o principal factor a destacar para a experiência sofrível é a escrita. É sempre um facto crucial, porque acaba por afectar todos os outros. Quase tudo pode estar mal, mas se o argumento for bom há sempre algo para espremer. Tanto dinheiro investido, tanta paisagem bonita, tanto actor consagrado e ninguém pensou que se calhar era importante comprar canetas que escrevessem bem. Este era um projecto em que não se devia usar umas BIC de fundo de gaveta, mas uma pena de ganso asiático com tinta feita à mão por amazonas. A historia é vomitada para o ecrã na forma de lugares comuns, de arcos fáceis e previsíveis. Quando pensamos que a Sky e a Amazon estão por trás disto questionámo-nos: porquê?!

Para além dos diálogos fracos, a própria intenção é difícil de identificar. É um drama histórico, é sobrenatural, é historia de sobrevivência de uma criança, é uma invasão, é um confronto entre famílias.. É tudo e não é nada. Quanto ao elenco, talvez sejam os menos culpados. Cait and Davis (o maluco e a miúda não baptizada) destacam-se dos restantes e David Morrissey (Aulus) faz o que pode com o que lhe dão. É suposto estarmos do lado de Kelly Reilly mas entre o mau casting e não nos fornecerem qualquer motivo de empatia por ela, não há nada para espremer dali.

Se viram o piloto e esperam que o seguinte vos ajude, não ajuda. “Britannia” é mais um exemplo de dinheiro mal empregue e não é definitivamente o próximo “Game of Thrones”.

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