Star Wars – O Desmistificar da Força

[CONTÉM SPOILERS… NÃO SERIA POSSÍVEL DE OUTRA FORMA!] Há quem defenda que os episódios do meio são os mais fáceis das trilogias, não têm de se preocupar com o início nem de colocar o laço final. Talvez seja verdade, mas houve uma grande vontade de finalizar muitos mitos.

“Os Últimos Jedi” teve um marketing “encarnado”, deixando-nos uma sensação que o destino de algumas personagens seria mais negro e o Império iria contra-atacar mais uma vez. Mas mais uma vez a Disney passou-nos a perna, no título e na história. Até nas alturas em que a carga dramática é maior há um factor comédia que encrava. O desmisticismo e a leveza começam logo com o momento em que Luke segura o sagrado sabre de luz, para simplesmente o atirar por cima do ombro como se de lixo se tratasse. O local sagrado dos Jedi, os pais de Rey, Stoke… o filme atirou por terra as teorias mais rebuscadas e e os sentimentalismos fermentados durante décadas no coração dos fãs e deu-lhes um pitada (e por pitada perceba-se um taco de basebol nos dentes) de realidade a toda esta história. Não há lados negros nem iluminados, só cinzentos.

Os momentos entre Rey e Kylo marcam o tom, o que não deixa de ter a sua piada, sendo que nos momentos mais tensos os actores nem sequer partilham o mesmo espaço. Poe tem uma escada de progressão e Finn foi “relegado” a íman de acção, relax e romance. Leia teve mais do que um momento para se despedir heroicamente, mas a capacidade da personagem em manter todos os arcos unidos deu-lhe um propósito ainda maior. O filme escapa assim à lágrima fácil da homenagem. Leia é a general, não precisa de ser lembrada com clichés, precisa de estar na luta até ao fim. O filme honra melhor a sua memoria assim.

Tal como em Thor, a leveza constante do tom acaba por ser a maior crítica que se pode apontar. O filme podia ser um pouco maior e mergulhar na complexidade das personagens, mas ao invés temos BB8 a ser BB8, personagens a safarem-se de situações impossíveis, muita boa acção e comédia com fartura. Stoke é outra desilusão, não pela prestação, mas porque seria o cume da Força Negra e limitou-se a ser um fantoche. Este é o show de Kylo (Driver ao nível que já se sabe), e será o seu show até ao fim.

Este filme coloca mais um ponto final: Star Wars não é mais a história dos Skywalker. Com a ascensão de Luke e a morte real de Leia, abre-se um novo capítulo com Rey. Isto é pensado mais para futuras trilogias dos que propriamente honrar legados, mas é o que é. “Last Jedi” é uma bomba de entretenimento e merece ser vista e revista, não porque precisamos de o descodificar mas porque há sempre algo para gostar. Estou menos entusiasmado para o IX a nível de história mas mais ansioso para ser mimado como fui nestas duas horas.

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