Supernatural: 10×03 – Soul Survivor

[SPOILERS] Ainda a temporada era um feto e eram as cenas deste episódio que víamos, foram as mostradas na Comic Con, por isso a minha expectativa era elevada…

Castiel e Hannah continuam na sua road trip pelos trilhos americanos. Ela sente bem mais que pena por ele, mas o nosso anjo favorito faz questão de cortar as pernas ao sentimento antes que comece a andar. É bom saber que a rejeição é sentida da mesma maneira nos anjos e nos humanos. Adina, o anjo renegado que viu o seu amante morrer às mãos de Castiel, exige vingança e quando tudo parece perdido, o mais invulgar salvador aparece…

Crowley, mergulhado em burocracia demoníaca e em servos bem mais enfadonhos do que está disposto a tolerar, recorda com carinho o tempo em que tinha uma alma gémea que o compreendia, com quem podia falar de homicídio e sadismo, com quem podia beber um copo e tirar umas fotografias. Estes momentos tornam Crowley ainda mais awesome! Mas durante a limpeza nas fileiras percebe que mesmo com a morte de Abbadon o seu reinado é posto em causa por alguém que ele não pode combater, ele próprio. Há quem prefira morrer do que fazer o trabalho sujo e sentir-se não valorizado e Crowley tem de fortalecer a sua posição e mostrar aos súbditos porque é o melhor demónio para governar, não basta querer reinar.

Mas mais interessante que isso, é o auxílio que presta a Castiel, perpetuando a minha ideia sobre a personagem. Crowley quer governar o Inferno, ser “O” Rei, mas quer manter também o status quo das coisas. Alimentar a guerra, a paixão da luta, o seu aborrecimento no trono depois da vitória é prova disso mesmo. Quer seja por amor pelo desafio, quer pela humanidade que cresce nele depois da quimioterapia administrada por Sam, há uma necessidade em manter a tríade do Bem viva e de boa saúde. Arriscava-me a dizer que há amizade ali, um sentimento humano. Vê-lo a roubar a alma de um anjo para prolongar a vida de Castiel, mesmo que diga que é para interesse próprio, é a sua maneira de dizer “I care!”.

Crowley: “Why can’t you people just sit on clouds and play harps, like you’re supposed to?”

Sam está familiarizado com o tratamento necessário para tentar purgar o “Caínismo” de Dean, mas desde cedo se percebe que há algo de diferente no paciente. Dean não é um demónio qualquer. Confesso que o factor “conversa fiada” não me entusiasmava muito, imaginei que recorreriam aos lugares comuns de amor familiar, mas damn… a revelação de que Sam usou um pobre coitado como isca só para encontrar Dean foi o sal e pimenta necessário para me manter interessado! O jogo da culpa e de quem é mais demoníaco não é novo nas discussões entre Winchesters, mas normalmente são usadas para o auto-flagelo, não como arma de arremesso.

Embora a fuga fosse previsível (novamente, os sneak peeks), a lógica da fuga está bem pensada. O momento de tensão criado com o jogo de gato-rato foi também muito bom, não que haja real receio da morte de um deles, mas ainda assim o “medo” é palpável. A representação de Jensen Ackles e as atitudes de Dean levam-nos a acreditar que conseguiria mesmo magoar Sam! Mas depois há aquelas coincidências Supernaturalianas em que Castiel chega no momento certo… novamente, previsível, mas este chateia tal o exagero de conveniência.

Cass: “It takes more than trying to murder Sam with a hammer to make him walk out.”
Dean: “You know how messed up our lives are that that even makes a little bit of sense, right?”

Há coisas que me deixam verdadeiramente chateado com “Supernatural”. Gosto de pensar que com o tempo ganhei algum calo, aprendi a bloquear o óbvio e tentei ver o aspecto mais positivo da coisa… mas este final é de chatear um gajo! A série promete um Dean demoníaco, faz disso quase um tema e imagem da temporada, e Dean volta ao normal ao fim de três episódios?! Foi o facto de Demon Dean ser tão bom que rouba o espectáculo? Foi a necessidade de fazer um episódio 200 com ele já normal? Foi o não saberem o que fazer com ele durante mais uns episódios, nem que fosse a solo? Seja qual for a explicação, não me convence, irrita. Podem argumentar que isto não é a cura completa já que a Marca continua lá, o máximo que teremos é um regresso de Dean aos finais da temporada passada… não deixa de ser desperdício. Mesmo que argumentem que o lado negro de Dean não desaparece já que ele precisa de matar para se manter vivo e isso vai fazê-lo questionar a própria existência… mas fariam isso mais lá para a frente, qual é a pressa?!

É um desperdício de Jensen Ackles, é um desperdício de Dean, um desperdício de originalidade e um desperdício de entusiasmo do publico que acompanha a série há dez anos. Ah, e houve uma mulher má que apareceu no final do episódio… who cares?!

Partilha o post do menino no...