Supernatural: 10×04 – Paper Moon

[SPOILERS] Anticlímax: Nome masculino. Ponto mais baixo ou menos intenso de um processo; declínio; involução; desilusão; momento de uma obra em que, após terem sido criadas grandes expectativas ao espectador, não se dá o esperado crescendo de intensidade do enredo; o fim de Demon Dean para voltarmos para um caso semanal com lobisomens…

Dean: “You’ve been kicked, bit, scratched, stabbed, possessed… And you sprain your friggin’ elbow?!”

Não é costume ver trailers antes, mas ao ver deste episódio tentei prometer a mim mesmo que não seria azedo de antemão e que iria dar uma verdadeira possibilidade da série me surpreender. Afinal de contas, “Supernatural” é isto, é casos da semana, é caça, é irmãos, é…

Muitos dirão que fazer uma análise é “analisar”, ser meio empírico na apreciação e não deixar que o sentimento pessoal intervenha. A esses digo “bullshit”. Tem de haver esse lado, mesmo que se evite ao máximo fazê-lo, e quando estamos com uma série dez anos, há mais sentimento ainda. Eu tentei olhar para este episódio com mais clareza, mas reparei que a meio do mesmo não tinha nada para falar.

Primeiro o choque que é termos Dean num registo “novo”. Acabou-se a trama fresca que nos foi prometida e de repente saltamos para um caso semanal banal. A falta de originalidade em ir buscar um caso antigo para re-explorar (até a primeira “aparição” de Kate coincide, foi no 8×04!). A conveniência de uma rapariga que faz uma coisa má para ajudar a irmã, encaixando com o que os irmãos estão a passar… e finalmente os irmãos. Qual a conclusão da primeira conversa no carro? Qual o propósito?! “Tu fizeste pior que eu”? A série costuma ter um bons diálogos! Não me refiro às saídas de Dean e Crowley, às ingenuidades de Castiel, refiro-me ao dialogo entre personagens. Podemos não concordar com os arcos mas pelo menos a série tenta envolver-nos neles, este episódio foi penoso até nisso. Já para não falar da maneira como trataram o espectador, a falar de coisas que para nós estão mais que estabelecidas. Ao fim de dez anos já conhecemos bem estas duas criaturas para os estarem a expôr como se este fosse o 1×04 e não 10×04. Não temos Alzheimer…pois não?!

Para piorar, este deve ter sido o episódio mais “falado” dos últimos tempos. Conversa com cerveja, conversa no restaurante, conversa no carro – Parte 2, conversa entre irmãs, conversa no carro – Parte 3… Jesus Friggin Christ! A tudo isto adiciono a ausência de Castiel, Crowley, Cole e aquela nova vilã do episódio anterior. Estou mesmo a ver a quantidade de episódios em que um ou os dois “regulares” se irão ausentar esta temporada. Daqui a duas semanas temos o episódio 200 e já se sabe que nada significativo irá sair dali. Mas pelo menos que seja divertido!!!

Dean: “Tasha’s in too deep. You don’t ever come back from that. Not ever.”

Quem acompanha as análises sabe que eu antecipava muito esta quebra entre irmãos. Via uma ruptura, desta vez definitiva e progressiva, até ao destino final da série. Aplaudia a decisão e coragem de o fazerem, fazia sentido que a saturação dos casos ao longo dos anos fizessem finalmente a tinta estalar. Mas não só não avançaram com isso, como vai voltar TUDO OUTRA VEZ À MESMA COISA! Porque não haveria o Dean de sentir-se bem em caçar? Porque falam do que um faz, mesmo sendo terrível, quando o outro faz a mesma coisa na temporada seguinte? Porque sente o Dean necessidade de fazer o bem “para variar” se não fez nada de realmente mau até quando estava em modo demónio? É criar problemas onde não há, é criar problemas para substituir arcos que as pessoas realmente aceitavam e estavam entusiasmadas com… Lester ia morrer de qualquer maneira e nem deixaram Demon Dean respirar ao ponto de criar estragos! Não me venham com a teoria de que é o acumulado dos anos todos que está a pesar em Dean, porque aí a desculpa ainda é pior, se ainda fosse Sam… O que aconteceu a todo aquele remorso que sentia e o desdém pelas acções do irmão?! A “mitologia” da série limita-se ao jogo de culpa entre eles?

Oh, fuck it. Pronto, foi mais um episódio semanal de “Supernatural”, espero que tenham gostado, daqui a duas semanas há mais. Abreijos.

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