Supernatural: 6×19 – Mommy Dearest

[SPOILERS] Assim sim, “Supernatural”, esta semana, voltou ao que nós queremos ver, pelo menos na season finale de uma série que tem tanto para explorar e oferecer. Ainda por cima com um twist que deixou toda a gente com as sobrancelhas coladas ao cabelo.

Por momentos, até ao último terço do episódio, ainda receei que não fosse dar em nada. Que os irmãos fossem matar algum monstro menor e fosse mais uma etapa na busca pela rainha dos freaks, afinal de contas ainda era cedo para um desfecho. Na verdade o episódio não tem quase nada que se lhe diga até à parte final: muito normal (à maneira “Sobrenatural”), com as piadas, investigações e matanças de rotina. Minto, para quem acompanha séries de investigação e repara nestas coisas, nunca uma personagem fala ou tem mais destaque sem propósito. Se num episódio de “CSI” alguém for questionado no início e não aparecer mais no resto do tempo, ou é ele o homicida ou é cúmplice… certinho direitinho. Era deduzível então que aqueles dois irmãos, que pelas semelhanças conquistaram de imediato a simpatia de Dean (Jensen Ackles) e Sam (Jared Padalecki), se revelassem daquela maneira no final do episódio.

Dean: “Why’s it always got to be me that makes the call? it’s not like Cass lives in my ass. The dude’s busy. (Castiel aparece por detrás de Sam) Cass, get out of my ass!”

Quantos monólogos já presenciamos em “Supernatural”, quantas palavras proféticas e descontraídas foram ditas entre sorrisos malandros ao longo destas seis temporadas por monstros, monstrinhos e “monstrões”? Já tivemos anjos, Lúcifer e até a Morte (muito provavelmente o meu monólogo favorito de toda a série) e agora foi a vez da Mamã. A actriz que a representava por muito gira que fosse, não dava conta do recado e a ideia de transformar a mãe dos caçados na mãe dos caçadores, foi delicioso.

A conversa com Eva foi o início da suspeita que algo mais se passava. De algum modo ela transmitiu a ideia que realmente estaria do “lado deles” e pretendia descobrir o que se passava, mas Dean não foi em possíveis cantigas e deu-nos a primeira grande surpresa do episódio. Muitos já estariam a contar com isto para encerrar a temporada, como é costume, mas a morte do suposto Boss da temporada fez-nos perceber no fim, que no fundo, ela não é mesmo a maior ameaça dos irmãos.

They’re power, you simple little monkey. Fuel. Each soul a beautiful, little nuclear reactor. Put them together, you have the Sun. Now, think what the King of Hell could do with that vast, untapped oil well… How powerful he’d be.

Crowley, sneaky bastard… sejamos diabolicamente sinceros, Crowley (Mark Sheppard) é muitos mais interessante como arqui-inimigo do que a Mãe alguma vez foi. Tem as manhas, a presença e discurso de um verdadeiro Senhor do Mal e foi com grande contentamento que vi este retorno. Retorno que nos abre mais uma mão cheia de possibilidades para o final e próxima temporada.

Mas em que ponto nos deixa o nosso querido Castiel? Que ele caminhava por caminhos menos católicos já suspeitávamos, mas aliar-se ao Rei do Inferno nem o maior pessimista suspeitava. Suspeito que no fundo Crowley não é mais que um traficante de armas (almas) a quem Castiel (Misha Collins) recorre para vencer a qualquer custo a guerra civil que trava “lá em cima”.

Detalhes e pormenores é com estes senhores que governam a série. Nada é deixado ao acaso e tudo é nos dado de mansinho e, se tivermos com atenção, não resistimos a sorrir e a abanar a cabeça em contentamento. Ver o novo Senhor das Trevas e o principal pretendente aos Céus, lado a lado a olhar para o corpo da Mãe de Todos, enquanto aliados, é fantástico! E uma maneira de nos piscarem o olho enquanto dizem: “será que também foi assim no início, entre Deus e Lúcifer?”.

Nota para Sam que anda muito ausente e mansinho, como a acalmia antes da tempestade. Aquela muralha deve estar para cair a toda a velocidade e imagino Dean, com Crowley e Sam para lidar, sem a confiança em Castiel para o apoiar. Isto promete, só peço que esta aceleração se mantenha até um fim de temporada de altissimo nível.

Dean: Mama is making you limp?… That’s great because without your power you’re basically just a baby in a trench coat.
Sam: You hurt his feelings.

Dean: Okay, well, you don’t have to wait on us. (Castiel tenta novamente) Well, now it just looks like you’re pooping.

Referências:

  • Mommy Dearest (Mãezinha Querida) é uma autobiografia de Christina Crawford, que detalha uma infância abusiva nas mãos da mãe, a actriz Joan Crawford. O filme adaptado tornou-se um clássico em paródias, particularmente na cena onde a mãe discute histericamente com a filha por usar cabides de arame em casacos. Dean faz referência a isso quando diz: “Até podes bater-me com cabides de arame, a resposta continua a ser não.”
  • “Ok Fabio, let’s go.” é uma referência ao icónico modelo italiano Fabio Lanzoni. Já tinha sido referido no episódio 4×18, quando as ilustrações na capa dos livros de “Supernatural” se parecem muito com ele.
  • Os irmãos conheceram a Lenore (Amber Benson) pela primeira vez no episódio 2×03 e o caçador que Lenore referiu era Gordon Walker (Sterling K. Brown). Até me surpreende que não tenham mostrado isso durante aquele recap inicial, já o referirem Crowley quase estragava a surpresa.
  • “Jefferson Starships” é uma banda de rock formada no anos 70 e a música que dá no episódio é a “Miracles”.
  • No episódio 6×07, Mark Sheppard (Crowley) pediu que o seu nome não aparecesse nos créditos de abertura para manter o seu retorno uma surpresa. Fez o mesmo neste episódio.

O Melhor: Jefferson Starships. Castiel, esse incomum ícone da comédia. O twist final. Ver o Rei do Submundo e o pretendente do Céu lado-a-lado.

O Pior: Apesar da sua morte servir um propósito maior, a Mãe mostrou ser uma oponente demasiado “fácil” de matar.

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