Supernatural: 6×20 – The Man Who Would Be King

[SPOILERS] Eu gosto de estar enganado! Eu sei que não é muito usual alguém dizer isto, mas quando o motivo são criticas e levantamento de duvidas sobre o rumo de séries com esta qualidade, é uma sensação muito boa. Por isso, hoje apresento-me aqui um homem arrependido por ter duvido de ti “Supernatural”, perdoas-me?! (vou estar muito filosófico nesta review, aviso já…)

You know, I’ve been here for a very long time. And I remember many things. I remember being at a shoreline. Watching a little gray fish heave itself up on the beach, and an older brother saying, “Don’t’ step on that fish, Castiel. Big plans for that fish.” I remember the Tower of Babel, all 37′ feet of it. Which I suppose was impressive at the time. And when it fell, they howled divine wrath. But come on., dried dung can only be stacked so high. I remember Cain and Abel. David and Goliath, Sodom and Gomorrah. And of course, I remember the most remarkable event-remarkable because it never came to pass. It was averted by two boys, an old drunk, and a fallen angel. The grand story. And we ripped up the ending, and the rules, and destiny, leaving nothing but freedom and choice. Which is all well and good, except…well, what if I’ve made the wrong choice? How am I supposed to know? I’m getting ahead of myself. Let me tell you my story. Let me tell you everything.

Quando começamos a ver o Then suspeita-se que vai ser um grande episódio, depois de ver a introdução, temos a certeza.

Castiel (Misha Collins) não faz um simples monólogo, fala connosco olhos os olhos, fala com Deus a pedir conselhos, fala com qualquer um que procura respostas sobre o que ele tem andado a fazer.

No inicio era o nada! E depois veio o primeiro anfíbio… e a Bíblia! Foi curioso ver a teoria da evolução com pedaços da bíblia. Não sei se foi para não ofender nenhuma ideologia mas não deixou de ter piada saber que os anjos andam cá há tanto tempo que nos viram a ganhar pelo e a perder escamas.

Não é que restasse ainda grandes dúvidas mas foi confirmado que Crowley (Mark Sheppard) e Cass andam mesmo de mãos dadas. E numa de lavar a mão um ao outro, decidem abrir o cofre do purgatório para objectivos pessoais. Crowley é realmente um vilão muito mais completo e “engraçado” do que tentou ser a Mãe de Todos e vê-lo de avental a fazer a “autopsia”, assim como a sua ideia de inferno com as almas numa fila até ao fim dos tempos é (além de organizadinho e burocrático) absolutamente delicioso e hilariante.

Num episódio que baixou todas as armas do segredo e mistério, foram muitas as revelações e esclarecimentos que já tínhamos receio de nunca ver desvendados. O que provavelmente teve mais impacto foi o facto de ter sido Cass a resgatar a alma de Sam (Jared Padalecki), surpreendendo-nos a nós e aos irmãos (quem já tinha apostado que tinha sido Deus?). A pergunta de Sam não deixa de ser pertinente sobre o facto dele ter deixado a sua alma na jaula. Terá a pobre alma algum tipo de característica particular, mais poderosa, que mereça um plano à parte?

Crowley: (torturando um vampiro) Chocula here feels every tickle.
Castiel: What is that good for?
Crowley: Apart from the obvious erotic value, you got me…

A maneira como a história é contada tem o mérito de nos colocar do lado de alguém que trai os amigos e parece liderar o mundo para outro Apocalipse,  e isso é um enorme mérito de quem a escreveu. Mas porque não acreditam os irmãos no seu anjo? Sabem que Rafael (Demore Barnes) é verdadeiramente o mau da fita e Crowley não pode fazer nada contra Castiel. Provavelmente receiam aquilo que toda a gente suspeita: Crowley irá roubar todas as almas para si e tornar-se o mais poderoso senhor, no fundo do poço e na leveza das nuvens.

Quando acaba o episódio ficamos com esta aterradora visão sobre o peso que recai nesta personagem:

  • Rafael é um verdadeiro sacana e puxa logo dos galões para governar o Céu, só ele, o “escolhido” parece ter alguma hipótese e apoio para o conseguir contrariar.
  • É obrigado a pactuar com um demónio se quer ter hipóteses de vencer a guerra civil. Tem assim de lidar com o seu traficante de almas que só está à espera de uma oportunidade para o enganar, enquanto negoceia e troca almas como se fossem euros.
  • É obrigado a mentir aos únicos amigos que tem e que “estavam” dispostos a ajuda-lo enquanto os protege de todos os perigos (Ellsworth, o anti-bobby! Foi genial este doppelganger com as suas taças de sangue em vez de telefones, a lembrar “Weekend at Bobby’s”).
  • É criticado por Dean (Jensen Ackles), o seu “irmão”, por lhe ter mentido quando simplesmente não queria retirar o prazer de uma vida normal a quem já tanto tinha sofrido.

Castiel: Don’t worry about them.
Crowley: Don’t worry about… what, like Lucifer didn’t worry? Or Michael, or Lilith, or Alistair, or Azazel didn’t worry? Am I the only game piece on the board who doesn’t underestimate those denim-wrapped nightmares?!

Como podemos não torcer por esta personagem que já nos conquistou a todos e está a ser tratada com honras de gala. Não sei se esteve sempre nos planos tornar este anjo numa personagem tão importante, mas ainda bem que o fizeram. Pela amizade com os irmãos, pela sua imponência como ser superior, a sua gravata sempre desapertada, o seu olhar incrédulo para tudo o que é senso comum e os momentos de humor, tornaram-no (juntamente com Dean) a minha personagem favorita. Este episódio só veio aprofundar ainda mais essa convicção e adicionar mais camadas a uma personagem à qual é impossível ficar indiferente.

Nota para uma realização diferente, com efeitos “à lá matrix”, os planos usados e os “céus” escolhidos…

Referências (nada é deixado ao acaso):

  • “The Man Who Would Be King” é um conto de Rudyard Kipling, tornado filme em 1975, com Sean Connery e Michael Caine. Conta a história de dois ex-oficiais, durante o dominio britânico na Índia, que se tornaram aventureiros. Lideraram batalhas com êxito contra os inimigos das vilas, mas foram tomados pelas suas próprias ilusões de grandeza. Eventualmente as vilas revoltaram-se contra eles. No filme, a história desenvolve-se enquanto o personagem que sobrevive relata sua historia a um jornalista.
  • Alguns dos clips usados na montagem inicial do Castiel são do filme de 1916 “Intolerance”. É considerado uma das obras de artes da era do cinema mudo.
  • Ben Edlund foi o responsável por este grande momento ao nível do argumento. Escreveu também nesta temporada o episódio 3 (The Third Man), 9 (Clap your hands if you believe) e o também genial 15 (The French Mistake),
  • Dean: “Ele é o Balki Bartokomus do Céu!” – Balki Batokumus era um personagem da sitcom dos anos 80 “Perfect Strangers, um grego que imigra para os EUA. Personagem conhecido pela sua inocência de criança.
  • Castiel: “Teaching freedom to angels is like teaching poetry to fish!” (mais alguém se lembrou logo do Sermão de Santo António aos peixes?!)
  • Ellsworth (John Tench) é um personagem que Jim Beaver (Bobby) fazia na série “Deadwood”.
  • Ken Lay foi um administrador corrupto, cuja fraude levou à falência a companhia Enron. Foi condenado mas morreu em 2006 antes de ser sentenciado. George Bush foi ao seu funeral.
  • Crowley: “Ah Castiel, o anjo das quintas-feiras.” De acordo com um dicionário de anjos, Castiel é um anjo da quinta-feira na crença oculta. Pode também ser uma referência ao facto de “Supernatural” ir para o ar às quintas quando a sua personagem foi introduzida, na quarta temporada.

Este “The Man Who Would Be King” não é um marco na história da televisão, mas é exactamente aquilo que eu espero de umas das minhas series favoritas. Pelo perfeito Misha Collins, por Dean, pelos anjos, pela escala que a série ousa usar, pela expectativa e empatia que criou… vai ser difícil a season finale fazer melhor!

O Melhor: Tudo, mas principalmente Misha Collins.
O Pior: Deus não ter respondido.

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