Supernatural: 6×21/6×22 – Let It Bleed/The Man Who Knew Too Much

[SPOILERS] “Supernatural” teve uma temporada com muitos altos e baixos. Momentos de genialidade e aborrecimento, muito por explorar e algo desaproveitada. Grandes momentos para os fãs com episódios “temáticos” que vão ficar guardados… mas, no geral, foi uma boa temporada?

Hi, glad to meet you. Bobby Singer, paranoid bastard!

Era grande a minha expectativa para este season finale. Porque adoro a série, pela enorme quantidade de informação que nos foi fornecida esta temporada (da melhor maneira ou não), pelo rumo que as personagens tomaram até aqui, mas principalmente pelo episódio anterior que foi um dos meus favoritos de toda a série, definitivamente o melhor da temporada. É com pena que vejo a curva de qualidade a baixar exponencialmente nestes dois episódios finais.

I was too busy having sex with women!

Já não é segredo a minha admiração por Crowley. A sua atitude e discurso só são rivalizados pelo melhor Dean (Jensen Ackles), por isso sabia que não era por aí que me iria desiludir. Lisa e Ben (Nicholas Elia) eram mais um fio por atar e Crowley usou-os para apertar com Dean, afinal de contas Castiel não disse nada sobre eles. O seu plano funciona na perfeição e desvia as atenções dos irmãos do seu rumo, ou desviaria, não fosse Dean mais uma vez excluir os que mais lhe querem bem e perseguir a sua vendetta pessoal. Claro que Sam (Jared Padalecki) não ia ficar de fora, mas além do seu pedido em saco roto a Cass, pouco ou nada fez neste episódio.

Cabe a Bobby (Jim Beaver) investigar, num registo diferente do seu habitual, a nova pista que lhes surge. Lovecraft cai como de pára-quedas neste final, a meu ver mal, pois havia mais por onde explorar. Este “escritor” espreitou pela fechadura do purgatório e deixou escapar a “senhora da espada excalibur”. Reside neles a informação necessária para Cass e Crowley repetirem a façanha. Para mal de Bobby, Cass está um passo à frente.

Balthazar (Sebastian Roché), quando confrontado com as aventuras do seu “irmão”salta do barco rápido, mas apenas para pedir explicações. Não fica obviamente convencido com a proposta nem é convincente com a resposta. Cass parece ter perdido aquela inocência dos episódios anteriores (apenas deslumbrado durante a excelente conversa com Dean em que lhe mostra que sempre o apoiou e, embora esteja a pedir muito, esta é a primeira vez que lhe pede algo), algo está diferente na sua expressão, com certeza preparando-nos para o final que se avizinhava. São nestes momentos que percebemos que gostamos de uma personagem, a morte de Balthazar deu-me pena, é uma personagem que vai deixar saudades.

Dean, obviamente, resgata a ex-mulher, numa nova exibição de inutilidade de Sam. Estes momentos em família acabam por ser do melhor que o episódio traz: Lisa (Cindy Sampson) faz uma boa possuída, o estalo que Dean dá a Ben num momento “acorda para a vida/curso intensivo de caçador”, embora duro é justificado pela urgência da situação e a emocionada despedida no hospital. Consegue-se imaginar as sequelas daquele miúdo se Dean não pedisse aquilo a Cass: as mortes, o estado da mãe, o estalo (outro) de Dean. Faz sentido e encerra, espero, a história de vida alternativa para o nosso herói.

I’m Dean! I’m the guy who hit you. I just lost control for a minute and…i just want to say that i’m sorry. I’m really happy that you two are ok…i’m glad that you’re life can get back to normal now.

O derradeiro episódio abre com a música do costume e fiquei temporariamente entusiasmado com o que pudesse vir aí, ainda bem que a espera para a desilusão não foi longa.

Voltamos ao Sam amnésico! Com tanto para explorar perde-se imenso tempo neste episódio com Sam a descobrir quem realmente é, pela décima vez. São doze minutos que só tiveram de útil a conversa com Castiel (Misha Collins) e Visyak (sangue de virgem?! Asério?!) e a voz hiper-sensual de Erica Cerra. O Souless Sam a lutar com o Soul Sam pelo controlo do corpo enquanto o Hell Sam também anda ao barulho… mais uma vez o timing é mau. Teria sido aceitável se usassem esta história no episódio 21, não no final!

No outro lado do espectro pudemos assistir (ou melhor, não assistimos a nada) ao concluir do enredo “purgatório”. Toda a gente esperava que Crowley (Mark Sheppard) traísse Cass, mas com certeza ninguém esperaria que fosse o nosso anjo a fazê-lo. Mas quem faz acordos com o “diabo” sujeita-se a ser re-renegociado assim, viu-se isto ao longe! Duas perguntas surgem-me neste momento: 1) Porque é que Rafael é sempre representado por actores e actrizes de raça negra e 2) Porque é que Cass não teleportou Dean, Sam e Bobby para o monte Evereste para que não atrapalhassem? Castiel vê-se assim sozinho, como alguém que está prestes a sentar-se num trono muito solitário.

Castiel trai Crowley, Crowley e Rafael viram-se contra Castiel e no fim vira-se contra toda a gente (como é que aqueles dói caíram naquele erro de nem terem verificado o sangue?!). A vida está para os espertos e o herói de sobretudo engana todos (novamente) e num momento muito anti-clímax revela-se como um novo ser, cego de poder. Depois do famoso “assassínio por estalinhos” proclama-se o novo Deus, pior, o novo Deus do Velho Testamento.

Dean: How the hell are we gonna take that many angels?
Bobby: We’ll ninja our way in.
Dean: Awesome… until they hear your knees squeek!

E “prontos”. O finale, que embora com bons twists, teve tantos que acabou por perder aquele momento de “choque e ah!”. Porque não um episódio com um pouco de guerra civil enquanto Sam lida (brevemente!) com o inferno dentro de si? Um final emocionante que nos levantasse da cadeira com vários anjos a entrarem ao barulho, múltiplos locais (e não o mais que batido matadouro de Crowley). Não é que não tivessem material para isso e faz quase desejar que a série tivesse acabado com o episódio 20.

Acho que “Supernatural” ficou um pouco perdida esta temporada, muito para dar e pouca capacidade em processar. Quiseram compensar a noção de falta de ideias, com excesso delas e não souberam lidar bem com a situação. Há quem pense que “Supernatural” já acabou no final da temporada passada, por mim vou continuar a ver. Embora um pouco desiludido com este final, a série continua boa e tem muitos motivos para nos manter agarrados.

O Melhor: Bobby penteado. O Dean do costume. O plano de Castiel, que apesar de anti-climático é brilhante.
O Pior: Sam em ambos os episódios. Mais triste do que ver uma série sem material é ver uma que não aproveita o que tem.

Partilha o post do menino no...