Supernatural: 7×23 – Survival of the Fittest

[SPOILERS] Será este o episódio que marca um ponto de viragem? Será este o pozinho mágico que dá significado a toda a temporada? Será este o episódio que nos manterá agarrados para mais uma temporada de “Supernatural”?

“Survival of the Fittest” tinha a responsabilidade de dar uma conclusão honrosa a esta season. A pressão não era grande porque considerando o nível que observamos durante os outros 22 episódios, a fasquia não estava muito alta. Era mais uma questão de nos encostarmos no sofá e desfrutarmos do que aí vinha, porque o mal já estava feito.

“Carry on my wayward son,
There’ll be peace when you are done,
Lay your weary head to rest,
Don’t you cry no more…”

Já é mítico juntar a música dos Kansas e os momentos mais marcantes de “Supernatural”. O arrepio que provoca faz-nos esquecer tudo o que possa estar de errado com a série e não evitamos a esboçar um sorriso enquanto rola o recap da temporada (fartou-se de morrer gente!). Os Winchester estão mais perto do que nunca de se verem livres dos monstrinhos de gosma preta que lhes assombram a vida, só falta a última amostra de sangue mas, como sempre, Dick está sempre em pé e atento ao que passa (não resisti!). E agora?

Agora o episódio começa com aquilo que nós gostamos de ver, conversas entre psicopatas. Psicopatas poderosos e carismáticos que nós amamos odiar, mas psicopatas na mesma. Discute-se propostas (os americanos e o seu “amor” pelo Canadá!), trocam-se elogios (Crowley: “You know what I like about you? You’re smarter than you look“) e assinam-se acordos que não são nada favoráveis à humanidade (quem diria que duas das mais poderosas entidades existentes se preocupavam tanto com logística).

O início fica marcado por jogos políticos e jogadas de bastidores em que cada parte envolvida tentar ludibriar as outras todas e ficar por cima. Dick está preparado para Crowley (Mark Sheppard), este revela aos mortais o plano de Dick e de repente já não se sabe quem é que está a falar a verdade. Enquanto isso, os irmãos arranjaram um osso “inocente” para completar a poção mágica que supostamente vai derrotar os romanos com um só golpe (momento um pouco anti climático, pensei que o osso fosse mais especial). O lado bom dos finais é que nos deparamos com um cenário em que está Dean, Sam, Meg, Castiel e Crowley na mesma divisão, e a tensão é palpável. Toda a gente quer matar toda a gente (talvez não Castiel), mas toda a gente precisa de alguma coisa que o resto da gente tem. Impressionante como Castiel (Misha Collins) continua a ter piada mesmo quando não quer nem faz um esforço (quando pergunta a Dean se o batom é importante para ele ou quando saca do saco plástico com mel, quase morri!)

Comida pronta, doenças tratadas, mas há características por limar no gado a que chamamos humanidade. A última parte do plano de Dick é um aditivo que mata apenas as pessoas que representam “deficiência” (pouca gordura corporal, anões, hemofílicos e com QI acima de 150…há que adorar isto!). No entanto, no exterior, Bobby (Jim Beaver) continuava a crescer no meu ranking de irritabilidade. A sua existência naquele plano de realidade já não me agrada muito, nos parâmetros em que o têm retratado, ao criar dificuldades extra ao plano de exterminar Dick foi a última gota do meu pote. Foi então que os irmãos decidiram de vez encerrar este capítulo. Para mim a despedida de Bobby já tinha sido feita, no entanto é difícil ficar indiferente a esta partida que é MESMO definitiva. No final vemos apenas o brilho da partida (até aqui a série não conseguiu aproveitar o momento ao máximo), mas com a ausência deste pai, as vidas deste dois perdem mais luz.

O momento é de encerramentos. Pouco liga os Winchester a este mundo e talvez seja melhor assim, visto que vão a caminho de mais uma missão suicida. Só sobram duas peças fundamentais: Castiel finalmente salta a bordo (por esta altura já estava um pouco perdido nas razões para ele hesitar em colaborar. Se era culpa, se remorso, se achava que causava má sorte, se estava louco, se por Dean não o perdoar, se por estar farto de matar…enfim, uma confusão há medida da cabeça do nosso Cass) e principalmente, a mais importante das peças, THE BABY IS BACK! Que bom soube ver aquele Impala novamente a deslizar sobre o asfalto! O pior veio depois:

  1. Não é Dean que está a conduzir, inadmissível.
  2. Consegue-se ver dois vultos dentro do carro, mas só sai de lá a Meg.
  3. Ela “fura” o símbolo da Sucrocorp e o carro para ali, sem se perceber porquê!

A arrogância é uma coisa feia e pode ditar o nosso fim. Dick (James Patrick Stuart) menospreza mais uma vez Dean e este trata-lhe da saúde, com uma facilidade quase estúpida. Não houve grandes discursos nem troca de argumentos, mais uma pequena chama destes vilão tão menosprezado durante a temporada. Vou agarrar-me à conversa com Crowley e a reunião de malfeitores com apresentação em powerpoint. A “morte”, coloco entre aspas porque de facto ele não morreu mesmo, foi a melhor maneira de Dick sair de cena (surpreende-me que com um contrato tão bem programado, Dick não se tenha precavido para esta traição de Crowley!). Os efeitos estão excelentes e conseguiram transmitir o efeito desejado. Quem nunca facilita é mesmo Crowley que trata de arrumar a casa com prontidão, aproveitando a distração de toda a gente. Oportunista como sempre, e é assim que o adoramos. No entanto há algo que eu não percebi: tinha a ideia de que ao matar Dick todos os Leviathans o seguiriam para o além, mas parece não ser o caso. Tal como o nosso Rei do Submundo diz: “se tivesses um Rei desde os primórdios do mundo, também ficarias atarantado com a sua ausência”. O que vale é que está cá um papá para tomar conta deste novo rebanho sem pastor.

Talvez seja de mim, mas esperava outra coisa do final/cliffhanger do que mais uma separação dos irmãos. Com o céu e o inferno já explorados, realmente sobrava o purgatório e Dean vai ter direito a visita guiada do pior que a Criação conseguiu fabricar. Está no pior local possível, com Castiel a deixa-lo sozinho (alguém acredita nisso?!) e Sam está sozinho, a braços com uma legião de Leviathans sem dono, um Crowley cada vez mais forte, uma Meg raptada e um Bobby morto de vez. O futuro não está risonho, mas é “Supernatural”, nunca está. Não é que o final me tenha desagradado, porque não foi mesmo o caso, estou ansioso por ver como vão jogar com a carta “Purgatório” e ainda há muito por explorar na oitava temporada, mas não é uma conclusão realmente original, não surpreendeu muito nem apresenta um perigo real para o que aí vem (além de resgatar Dean). Além de que estive até ao último momento por um toque de genialidade de Cass que não apareceu.

Esta temporada fica marcada pelos episódios de referência: tivemos duas viagens ao passado, uma mini-reunião de Buffy, um casamento de Sam e um filho de Dean, palhaços, deuses menores, alucinações e muitas referências a filmes, séries e música. Houve muita comédia, mas não teve o efeito que poderia ter porque é muito chato querer desfrutar de fillers com piada, sabendo que na semana seguinte não vai haver avanço na história. É uma temporada de frustração por negligência de um vilão que tinha tanto para dar e esse desaproveitamento contagiou a excitação ao redor dos Leviathans, que nunca chegaram a conquistar os nossos corações. Não é uma temporada para esquecer, porque quem gosta da série conseguem sempre encontrar algo em que se apoiar para que aquela semana não seja completamente inútil, mas é uma season que ficará marcada por falta de originalidade produtiva e por uma má gestão da história e dos seus personagens. No próximo ano teremos um novo showrunner e um novo horário (finalmente “Supernatural” deixa o cemitério das sextas-feiras antes que alguém se lembrasse de lhe queimar os ossos), esperemos que seja sinal de mudança e de inovação. É verdade que a série vai entrar na sua oitava temporada, mas com este Dean (Jensen Ackles vai realizar o primeiro episódio da season), com um Sam (Jared Padalecki) cada vez mais tolerável e com uma gama tão boa de maus da fita, não há razões (nem desculpas) para que esta temporada se repita. Supernatural all the way to the end!

Não queria terminar o texto sem agradecer a todos vós, que todas as semanas animaram as reviews com os vossos comentários. Aos que não comentaram mas espreitaram e seguiram as análises, o meu obrigado também. “Supernatural” tem uma legião de fãs muito própria e leal e isso fez-se notar, muito obrigado a todos. Para o ano vou continuar aqui espero contar convosco! Em forma de despedida, deixo-vos um presente: o que de melhor se fez nesta temporada: Dick Jokes!

  • “ Remember when Crowley kept going on about hating Dick? I thought he was just being general.”
  • “The Rise of Dick.”
  • “Dick is coming.”
  • “So, we have dick on dick?
  • “Strange isn’t it, that someone would choose to be named “Dick“?”
  • “All right, so big daddy chomper lands here, he grabs himself some dick…”
  • “What makes Dick so hard to beat?”
  • “And the boys need Cass to get Dick.”
  • “Dick made more Dicks.”
  • “You got anything to say on the topic of Dicks?”

O Melhor: A “morte” de Dick. Castiel nunca falha. Ouvir aquele “Carry on my wayward son”.

O Pior: Um final que acaba por ser o retrato da temporada. Kevin.

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