Supernatural: 8×01 – We Need to Talk About Kevin

[SPOILERS] A espera acabou. Ai “Supernatural”, as tuas temporadas podem ser fraquinhas mas nós estamos sempre aqui, à tua espera, ansiosos por mais (e melhor). Este limbo de paragem não nos faz bem, parece um purgatório! (viram os trocadilhos, viram?!). Vamos lavar a cara, comprar roupa nova e encarar esta oitava temporada como um reinicio, sim? Que esta seja uma para mais tarde recordar. Nota para este “genérico” dourado (a imitar as “Palavras de Deus”) que vem substituir a gosma preta. Bem mais do meu agrado!

Os saltos temporais entre temporadas já são normais na série e esta não foi excepção. Um ano passou desde que o nosso herói mergulhou no pior pesadelo possível: um purgatório cheio de seres fortíssimos, sem qualquer esperança de voltar. Posso imaginar a vossa cara (foi a minha também) ao ver Dean a correr pelo mato e a viajar como se nada fosse. Por aquilo que percebi imediatamente, Dean aliou-se a um monstro (não pareceu um Leviathan, mas é possível que seja) durante a sua estadia e em troca deste o trazer para a realidade, Dean tinha de o “ressuscitar”. No entanto, pareceu mais do que um acordo (algo que os irmãos já estão habituados a fazer com a pior espécie de seres), sentiu-se uma amizade verdadeira. A guerra tem o dom de aproximar os homens e aquele mundo de “Hunger Games”, aproximou parece ter aproximado os “irmãos de armas”. Se por um lado é um bom início, por outro foi “demasiado fácil”, o que tira ainda mais significado à participação de Dick e à temporada passada.

Dean: “Hey, the rules are simple, Sam. You don’t take a joint from a guy named Don, and there’s no dogs in the car!”

Ah as saudades! Aquela reunião entre irmãos cheia carinho, em que se dá um grande abraço, regasse com água benta, sal e naifadas, tal como uma recepção em condições deve ser! Enquanto Dean lutava pela vida no “Sovaco de Deus”, Sam (Jared Padalecki) fez o que lhe é característico, desistiu. Ignorou a tradição familiar e o irmão, Kevin e Megan. Queixa-se que toda a gente lhe morreu mas não fez nada para encontrar os que sobravam (é bom ver que a minha relação de animosidade com o irmão mais novo também voltou). No que toca a Sam confesso que não sou muito imparcial, embirro, pronto. Em sua defesa (e com os flashbacks a ajudar), conseguimos perceber o seu ponto de vista e até aceita-lo. Já é costume ver Sam com mulheres quando o irmão não está presente, mas desta vez é mais sério do que uma one night stand. Para além disso, também Dean seguiu a sua vida quando Sam caiu na jaula de Lúcifer no início da 6ª temporada (neste aspecto a série não foi original) . No geral foi uma reunião um quanto estranha, em que Dean se mostrava zangado numa cena e “brincalhão” na seguinte.

Dean: “Yeah. Asian kid. Yay high at a university. That should be easy.”

Confesso que quando vi o título torci um pouco o nariz. Kevin (Osric Chau) não me deslumbrou na temporada passada e não estava entusiasmado pelo seu regresso. Mas este Kevin, de cabelo cortado e com manicure e pédicure feitas, parece “melhor”. Menos irritantezinho e com algo a contribuir para a história. Mas no que toca a personagens secundárias, há sempre uma que abafa os restantes. Como é bom ver Crowley (Mark Sheppard) novamente! A ironia, a voz, os planos…sempre que este Rei está presente esboço um sorriso de contentamento. Com ele veio também uma nova “Palavra” e possivelmente o tema da temporada. Temo ter de repetir a frase dita em cima: se por um lado recebo com excelentes olhos este regresso “às origens”, em que o mau da fita é o Diabo e ponto, por um lado a temporada passada perde completamente o significado, o pouco que já tinha. É óbvio que os Leviathans sem líder devem ainda regressar, mas mais nada restou. Percebe-se que Jeremy Carver, o novo showrunner, queira reformular a série, o que explica algumas mudanças radicais, mas o episódio ficou preso entre a vontade de avançar e a necessidade de atar os nós passados, ou seja, não foi nem uma coisa nem outra. Não nos podemos esquecer que “Supernatural” tem planos para uma décima temporada, há planos sérios para delinear antes que se cometa mais erros de história. Que séries se podem dar ao luxo de poderem planear algo assim, de ter personagens fortes e carismáticas, de mudar de sexta para quarta-feira, de ter fãs tão leais…”Supernatural” não pode falhar, não deve falhar.

Dean: “Closing the gates of Hell forever? Yeah. Yeah, that could be important.”

Para já veremos para onde caminha esta história de fechar as Portas do Inferno. Duvido que haja uma solução tão radical para o problema e só agora surja a notícia. Deus, penso eu em toda a minha insignificância, procura um tipo de equilíbrio entre o Bem e o Mal, daí existirem demónios, custa-me acreditar que haja uma maneira de eliminar completamente as Trevas, mas veremos. Em plano secundário temos a história no Purgatório, o que liga Dean a este Benny (que promete concorrer com Crowley pelo lugar de mau da fita da temporada), o que se passou realmente naquele lugar e, mais importante ainda, o que terá acontecido a Cass? Seja o que for, espero que volte depressa porque já se sentiu a falta neste começo. Um episódio bom mas algo caótico, que falhou em apresentar, de modo claro pelo menos, para onde caminha a história.

NOTAS:

  • A música “Man in the Wilderness” dos Styx, no início do episódio foi uma boa “narração” para o estado e história de Dean. Excelente toque.
  • O trocadilho do nome do episódio com o filme “We Need to Talk About Kevin“, que retrata a história de uma mãe que luta para gostar do filho “estranho”.
  • Pergunta que fica: se um monstro é morto no purgatório, vai para onde?
  • Bom trabalho de Jensen Ackles na realização. Na cena de lutafinal houve uns zooms exagerados, mas houve também planos novos e slow motions.
  • Recebo com bons olhos estes flashbacks. Sempre é melhor que se adiar falar do assunto durante vários episódios e depois ficar tudo explicado em palavras. Assim vemos, sentimos e quase cheiramos o que presenciaram os irmãos durante este ano. Agora, os efeitos especiais que os antecedem, em fade, é que se evitavam.
  • A cara de Dean enquanto devora um “tesouro” e Sam dá uma de geek informático. Precious!
  • “Well, I guess standing too close to exploding Dick sends your ass straight to Purgatory.” Digam lá que não tinham saudades das Dick Jokes!
  • Crowley é o Rei do inferno e consegue fazer tudo com o estalar dos dedos, mas não furar os pneus de um carro que está a fugir.
  • Saber que vou poder ver Amanda Tapping (Stargate) em “Supernatural”! A actriz vai ter papel recorrente durante a temporada, representando um anjo. Primeira aparição acontecerá no sétimo episódio.
  • A estreia contou com um rating de 0.8 (1.8 milhões), que anda perto dos números registados à sexta-feira. Mas foi um mau dia para avaliar porque concorreu com o debate presidencial.
  • O próximo episódio vai ser depois da estreia de “Arrow”, série em que a CW está apostar imenso. Talvez isso seja motivação suficiente para fazer um grande segundo episódio, esperemos que sim.
  • Para quem ainda não viu: a gag reel da sétima temporada, o vídeo que fizeram para celebrar os 10 milhões de fãs no Facebook e um extra do DVD, com Dean a cantar “I’m All Out of Love“. Sempre hilariante esta gente, não percebo como é que conseguem acabar os episódios a tempo!

Tal como no ano passado, estas reviews têm o alto patrocínio da página de Facebook “Supernatural (Portugal)”. Não há grupo de pessoas mais leais à série e podem sempre contar com notícias, imagens, tweets dos actores e promos. Façam um grande “gosto” e podem ver vídeos hilariantes como este “Gangnam Style” (não consigo parar de rir!).

O Melhor: O regresso. A ideia que podemos estar a presenciar um reinicio da série.

O Pior: Regresso caótico a nível de história. Rezar que Kevin não se torne num “pendura”.

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