Supernatural: 9×01 – I Think I’m Gonna Like It Here

[SPOILERS] Confesso que há muito não me sentia tão entusiasmado com o aproximar de uma temporada de “Supernatural”. Sentia mudança real no ar, que o rumo está mais definido. Será?

Charlie: “There is pretty much nothing the Winchesters can’t do if they work together.”

Este é um mote que acaba por definir bem toda a série e a capacidade dos Winchesters em ultrapassar obstáculos. Lembro-vos que a ultima temporada acabou com uma conversa fantasticamente honesta entre os dois que tinha tudo para mudar a relação deles. Será agora que deixam de andar às turras constantemente? Em que um irmão assume o lugar de mártir da temporada enquanto o outro o ressente e ao mesmo tempo faz tudo para o salvar? Teremos uma relação equilibrada?

O início fez mesmo antever que vinha aí mais do mesmo. Sam (Jared Padalecki) deitado numa cama de hospital, dificilmente uma novidade, coloca um travão na evolução das personagens. O que me irrita é o cliché narrativo de alguém em coma estar a imaginar um mundo que lide com o seu problema existencial. Tudo bem que aqui saltaram a etapa em que o autor do sonho não sabe que o está a fazer, mas mesmo assim! E chamar mais uma vez Bobby para a equação?! Quantas vezes mais este homem vai desaparecer da série?

Para qualquer outra pessoa, um médico dizer que é preciso um milagre é algo normalíssimo. Para um homem que acabou de ver todos os anjos a cair do céu, e com eles qualquer sinal de que um Deus possa estar de olho neste palmo de terra… digamos que se esvaiu a esperança. Dean (Jensen Ackles) ainda recorre ao seu amigo, mas já não mora um anjo ali. O mesmo “homem” sim, mas sem a luz especial. Assim, Dean é obrigado a fazer o impensável:

Dean: “This is Dean Winchester and I need your help… The first one who can help me gets my help in return, and you know that ain’t nothin’. Hell, it’s no secret that we haven’t always seen eye to eye. But you know that I am good for my word, and I wouldn’t be asking if I wasn’t needing…”

Enquanto Sam e Bobby brincam aos sentimentos na floresta, discutindo sobre se Sam deve ou não lutar, se deve ou não encontrar uma razão para se agarrar à vida e bla bla bla, Castiel (Misha Collins) descobre a realidade humana, ao seu jeito inocente e engraçado. Curioso e irónico que seja Cass, amadurecido na sua humanidade ao longo das recentes temporadas, a ensinar um recém-caído sobre o benefício de uma vida terrena, cheia de perigos mas também de liberdade. Hael (Grace Phipps) foi SÓ o anjo responsável pelo Grand Canyon, adoro quando a série relativiza grandes feitos com esta tranquilidade.

Já é sabido (ou deveria ser) que “Supernatural” tem dos melhores castings da televisão. Mal vi Tahmoh Penikett (Battlestar Galactiva, Dollhouse) fiquei bastante entusiasmado. É um excelente actor e espero que possa permanecer por “perto”. Por enquanto representa o nicho de anjos fieis ao seu papel de “super-heróis”. Dean, desconfiado como sempre, faz o seu papel, mas não há muito com que negociar. O perigo é real, está desamparado e pelos vistos mais anjos ouviram a chamada em alta-voz. Anjos com missões bem menos angelicais.

O único lado bom do arco de Sam foi mesmo o regresso de uma das mais fantásticas personagens que a série já teve. Quem não se lembra daquela cena no restaurante e da conversa entre Dean e a Morte, acompanhada por uma piza? O Cavaleiro regressou para dar uma perninha e encher o momento com as suas expressões solenes… posso pedir um spin-off só com esta personagem?!

Dean: “Anybody ever tell you you hit like an angel?”

Se por um lado o regresso de Cass em formato mais permanente me agrada muito, assim como a promessa de mais anjos e bons actores, irrita-me que se repita histórias e erros antigos que a série parece cometer com um certo agrado e grau de tradição. Entristece-me que a nova temporada comece com mais um segredo que Dean tem de esconder do irmão, segredo que mais tarde ou mais cedo vai rebentar na cara dele, como é costume. Sam perceberá que o irmão lhe mentiu, estragando novamente a relação que prometia estar a entrar nos eixos depois da crua conversa da season finale.

Quando Sam pergunta à Morte se desta vez ele morreria de vez, sem que alguém fizesse algo que o trouxesse de volta, pensei em Bobby e em outras decisões que a série não parece ter coragem de fazer. Se as coisas fossem um pouco mais definitivas, a série ganharia com isso, a intensidade aumentava e tudo tinha um propósito. Não basta escalar os acontecimentos e os palcos de batalha, é preciso dar um significado. Tomemos Castiel como exemplo: A viagem emocional de um ser frio e calculista para um homem que sangra, sente sede e cede à raiva para cometer fratricídio, mostrando inicialmente um anjo a fazer o seu contacto com um mundo que não compreende, a fazer amigos, a cair na ambição de se tornar um Deus e virar-se contra os irmãos, enveredar numa jornada de redempção só para no fim ser enganado e se tornar mais uma vez no carrasco da sua raça, para finalmente ser obrigado a lutar contra tudo e todos para fazer o correcto… isto faz sentido! É preciso traçar um percurso para a história, para o defunto Bobby e para a relação dos irmãos. O efeito ioiô não é agradável.

Notas:

  • Mais um grande genérico para a série, desta fez com o incendiar das asas dos anjos caídos.
  • Caramba, quem se acredita numa chuva de meteoritos global?! Não sou nenhum astrónomo, mas quando há uma chuva de meteoritos, é como uma “onda”. Afecta uma parte do planeta, não a titularidade simultaneamente.
  • Ver Cass em modo lavandaria é mais do que um momento caricato, é o seu cair na realidade. Quando tem de escolher entre o lavar da roupa, simbolizando o limpar do pecado de matar uma irmã, e matar uma necessidade básica humana como a sede… Castiel deixa para trás o seu lado angelical, simbolizado pelo seu “mítico” casaco e abraça a dura realidade da sede e da camisola de carapuço.
  • Como é claro, os nossos amigos de Supernatural (Portugal)” vão continuar a acompanhar-nos fielmente ao longo da temporada. Façam o mesmo e sigam-nos a eles.

O Melhor: A possibilidade que esta Queda pode oferecer a nível de histórias. Tahmoh Penikett. Castiel em versão humana. A Morte.

O Pior: O cliché narrativo do paciente comatoso a viajar no seu inconsciente. Bobby de volta. Mais um segredo entre irmãos que promete fazer ricochete. Não houve Crowley. Muita coça leva esta gente!

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