Supernatural: 9×02 – Devil May Care

[SPOILERS] O palco está montado, o cabelo do Sam escovado, o Dean calado, o Impala lavado, o Castiel mudado e com todo o caldo entornado…

– “I mean, he’s got no Grace, no wings, no… harp.”
– “Well, Cass is a big boy. Things go breaking bad, he knows our number.”
– “I figured the King of Hell might know a few things, so why not “Zero Dark Thirty” his ass?”
– “He’s the junk in my trunk.”
– “Yeah, ‘cause you’re a crappy shot… Katniss.”

Enquanto Dean (Jensen Ackles) bate algum tipo de recorde de referências culturais em 30 segundos, a Vice-Presidente do Inferno, com uma ajudinha, volta à vida… ou à morte… não sei, volta. Como toda a gente sabe, quando um demónio volta, pode até vir nu mas vem com a manicura feita, batom vermelho e cabelo quase impecável. Abbadon (Alaina Huffman) continua a mostrar que não há sexos fracos no que toca a demónios e que a rainha pode valer mais do que o rei no tabuleiro. Mas antes que haja um rei posto, tem de haver um rei morto e não me parece que Crowley lhe vá fazer a vontade tão cedo. Este episódio foi especialmente bem escrito e, para além das inúmeras referências que deixam qualquer fã com sorriso na boca, foram feitos discursos e travados diálogos muito bons. Eu penso que secretamente os argumentistas querem que o mal vença no fim, senão porque razão faziam os maus da fita tão deliciosos?! Espero que Abbadon venha para ficar durante uns tempos.

Crowley: “Torture. Brilliant. Can’t wait to see Sam in stilettos and a leather bustier. Really putting the S-A-M into S&M.”

Entretanto, no bunker da Liga da Justiça, Kevin (Osric Chau) mostra que está vivo… infelizmente. Tudo bem que a cena do telefonema foi engraçada, com o “puto” a safar-se bem, mas mal Dean e Sam (Jared Padalecki) o deixaram sozinho com o ainda Rei do Inferno, Mestre da Manipulação e Senhor da Armadilha, vi logo para onde encaminhava a história destes dois. Ver Crowley (Mark Sheppard) a conversar com Kev é como ver uma gazela a tentar escapar ao leão… e não adianta que o leão esteja amarrado. O mais entristecedor nesta personagem é a sua fraqueza e os loops em que cai constantemente. Ia à procura da mãe outra vez? Foi preciso Crowley dizer-lhe que não viu o corpo e que a mãe pode estar viva para decidir ir à procura dela? E porque acredita em Crowley que ela possa estar viva? Kevin já não “escorrega” bem na garganta, mas quando decide ser ainda mais parvo que o costume… Haja outras personagens que o fazem esquecer tão rapidamente.

Kevin: “You tortured me.”
Crowley: “I torture all my friends. It’s how I show love.”

Se esquecermos por momentos o tradicional “telefonema de resgate que toda a gente sabe que é armadilha mas que os irmãos conseguem safar-se sempre, depois de serem projectados contra tudo o que é parede sem partir nenhum osso e escaparem à tangente da situação enquanto o mau da fita mor vive para os tentar matar noutro dia” – sim, é um nome muito grande para a situação – o episódio foi bem bom. Houve também a tradicional volta ao circuito “Culpa de Sam”, mas como a miúda é má actriz (nem o decote e pernas de morrer esconderam isso), who cares? A única diferença no cenário habitual é que este é um Sam 2.0 e quando é preciso transforma-se em Super-Guerreiro. É uma pena que não apareça também o Tahmoh Penikett, mas não se pode ter tudo. Zeke (mais uma alcunha made in Dean), conseguiu mais do que possuir um recipiente feito para demónios, conseguiu mais do que curar um Sam em coma, conseguiu mais do que derrotar um tríade de demónios competentes, conseguiu o que NINGUÉM em oito temporadas de “Supernatural” alcançou: fazer Sam feliz. Só por isso o anjo já merecia um lugar no céu… de volta, digo.

Abaddon: “I so appreciate you boys coming when I call. That’s what I like most about you Winchesters: obedient… and suicidally stupid. I like that, too.”
Dean: “We going to fight or make out, ‘cause I’m getting some real mixed signals here.”

Tal como Sam tão bem descreveu, o cenário está mau (quando é que não está?), mas há uma aura de optimismo no ar que se faz sentir. Com certeza não durará muito mas para já tudo parece mais ou menos controlado. Num episódio com diálogos muito bons, tivemos uma luta de poderes indirecta pelo domínio do Inferno que, considerando os dois intervenientes, dará gosto ver ao longo da temporada. A única falha foi mesmo a ausência de Castiel e dos anjos caídos. Esta luta pelo poder lá em baixo é gira mas é preciso lançar definitivamente o arco da luta pelo poder lá em cima. Há algo de refrescante em ver que não há um inimigo novo/definitivo para os irmãos, mas por outro lado também ainda não foi criado um “problema central” de temporada. Veremos como a série lida com isto.

Pequeninas notas:

  • Como sempre, passem em “Supernatural (Portugal)“. Não se preocupem que eles lá não gostam das mesmas “carícias” do Crowley.
  • Esta semana, para nomes de agentes do FBI, Dean escolheu “Agente Stark” (referindo-se a Tony Stark – Iron Man) e “Agente Banner” (referindo-se a Bruce Banner – Hulk)… brilhante!
  • Zeke recria a cena de Castiel quando este aparece pela primeira vez na série… mas consideravelmente mais “depenado” depois da Queda.

O Melhor: Os diálogos. O regresso de Abaddon. As referências que Dean espalhou pelo episódio.

O Pior: Foi mesmo preciso o Dean fazer alto discurso para convencer Kevin de coisas que já deveria saber? Com tantas possessões de Sam, seria de esperar que Dean estivesse mais habituado e “torcesse menos o nariz” à situação. Castiel ainda em modo “recorrente”.

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