Supernatural: 9×03 – I’m No Angel

[SPOILERS] I’m no angel… de facto não. Castiel preso a uma vida humana e a perceber as chatices de ser-se mortal. Comer, dormir, “escovar” os dentes, libertar gases ou urinar… Arrisco-me a dizer que excluindo Dean, ver Cass a observar, comentar ou vivenciar humanidades é 70% da piada de ver “Supernatural”.

Dean (Jensen Ackles) habitua-se às mordomias de uma Supercave. Vê-lo de chavenazinha de café na mão e com robe vestido faz pensar o quão longe vais o tempo em que dormia na babe, estacionado num sitio qualquer. Queixava-me eu no episódio anterior que faltava ainda um caminho para esta temporada, sim, os anjos caíram e que há um guerra de sexos no Inferno, mas e o mau-da-fita da temporada? Pois bem, aqui está Bartholomew (Adam Harrington)… Bartolomeu… Bart (sejamos francos, é mais do que óbvio que será este o nome que Dean lhe vai dar). Um grupo de anjos mais organizados começa a emergir, será Castiel (Misha Collins) apenas uma vingança ou representará um papel mais “útil”?

A vós me confesso, não sou uma pessoa de fé. Acredito que a capacidade de ter fé pode ser quase genética e eu vim sem esse upgrade. Não faz de mim melhor ou pior, simplesmente diferente, e se somos todos únicos, porque haveríamos todos de ser capazes de acreditar? Ao mostrar-nos Cass a passar por dificuldades terrenas, em que é obrigado a passar por problemas mais simples do que salvar a humanidade, incorporar milhares de almas e lutar contra o Diabo em pessoa, a série pretender fazer-nos questionar a força interior da personagem. Uma coisa é ter fé, outra é saber que anjos existem de verdade, que o Céu está vazio e que Deus já não mora lá. Acreditar “cegamente” em Deus e em que ele nos trará um futuro risonho é uma coisa, acreditar sabendo que essa força não está presente é um desafio muito maior. Ao ouvir as palavras da mulher na igreja Castiel deverá ter pensado que feliz é o ignorante, ao sair da igreja a mulher terá tido pena dele por não sentir a luz de esperança que a assola. Será o nosso “perdido” capaz de ultrapassar a realidade e voltar a acreditar de novo no desconhecido? Será um anjo capaz de ter Fé?

Independentemente das dificuldades, Cass percebe também que existe um outro espectro no Homem, a bondade. Aquele que menos tem é também aquele mais dá e o que passou por dificuldades vai conseguir entende-las melhor que ninguém… e depois há o sexo, que é altamente! Depois de milénios a preservar a inocência, lá perdeu “os três” e ganhou-lhe o gosto (anjo ou não, é homem, e como tal pergunta sempre no final se a parceira gostou… clássico!), Mas “Supernatural” não é feita de finais felizes e quando muita felicidade anda no ar, algo se passa. O meu lado racional deveria ter suspeitado desta namoradinha (Shannon Lucio, que participou também no mais recente episódio de “Agents of SHIELD”), mas tal como Cass, deixei-me levar pelos seus encantos.

O final acaba por ser mais do mesmo. O que esta gente não deve gastar em mobília e em portas! Por esta altura os duplos dos actores já devem ter aquelas cabeças e lombos bem massacrados com tantas paredes e mesinhas em que já embateram… Mais do que óbvio que Castiel não ia morrer e as desculpas de Dean é que estão cada vez mais esfarrapadas. Esta cura milagrosa tem um pequeno problema: se Zeke consegue curar um homem que está praticamente morto com um só flash de luz, porque raio precisa de tanto tempo para curar o Sam (Jared Padalecki)?! É certo que ele também está hospedado para que se possa auto-curar, mas… Ou é falha da série ou então ainda vamos descobrir que Ezequiel se está a aproveitar da situação (o que me surpreenderia muito) e tem um plano pessoal. A última conversa não me cheirou bem.

Castiel: “I had sex with April”
Dean: “Did you use protection?”
Castiel: “I had my angel blade”

Ultima lição de Castiel: há poucas coisas que magoam mais do que as palavras. Depois do que o vimos passar durante todo o episódio, aquele “Não podes ficar” deve ter doído mais do que qualquer lâmina. Será que ele vai mesmo embora? O pessoal do “Supernatural (Portugal)” não deve saber a resposta à pergunta, mas pelo sim pelo não, ide lá a “casa” e perguntem-lhes!

O Melhor: A viagem de Castiel, a descoberta da sua humanidade e a dos outros. A introdução de Bart, que dá um rumo à temporada. Dean a engasgar-se quando descobre que Cass fez “O” amor.

O Pior: Os finais são sempre “chapa 5” e previsíveis. Bart não tem o carisma de outros vilões. Este processo de cura de Sam está muito mal explicadinho.

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