Supernatural: 9×09 – Holy Terror

[SPOILERS] Não sei se estou preparado para deixar “Supernatural” para mais um hiato… passou tão depressa! Ao menos que seja um grande episódio!

Dean: “Would I lie?!”

O início é absolutamente delicioso! O coro de meninas contra os motards, anjo vs anjo, toda a contrariedade da cena que torna tudo tão subliminarmente engraçado. A conversa no carro é que já foi mais… Os personagens são os próprios a admitir que a conversa é a mesma há semanas e estamos saturados. Mas não esprememos a ferida, há um caso angelical para resolver e o agente Castiel (Misha Collins) já se encontra no local, pronto para o serviço. Com a moral bastante mais elevada desde que o vimos (e com dinheiro para viajar), Castiel completa a nossa tríade preferida. Embora Dean (Jensen Ackles) se mantenha prudente e em alerta com a presença de dois anjos no grupo que a qualquer momento pode piorar. E piorou…

Castiel: “Hey, Cass is back in town!”
Dean: “Did he just said that?!”

Finalmente o degrau evolutivo que esperávamos! Finalmente o arco Zeke começa a fazer sentido. Tarde, mas valeu a pena. Mais uma vez a série usa um dos seus melhores cartões, a mitologia rica por explorar. Gadreel era o anjo favorito de Deus, responsável por proteger o Éden do Mal. Quando falhou (inocente na culpa pelos vistos), foi castigado por Deus (ainda é a versão do Velho Testamento, muito mais punidor) e colocado na prisão (até prisões para anjos há!). Ficamos também a perceber que ele não sabia a completa realidade dos factos, nomeadamente a desertificação total do Céu. A reaparição de Metatron (bem-vindo de volta Curtis Armstrong) esclarece as dúvidas ao ex-prisioneiro e também o futuro do seu plano. Cansado de governar um reino sem súbditos, pretende aquilo que todos desejam: fazer um Paraíso à sua imagem, claro. Todos estes desenvolvimentos devolvem uma inocência às acções de Zeke/Gadreel. Ou devolviam…

Ficamos também a perceber um pouco do que se anda a passar na Máfia Angelical que governa a Terra. Ao sabermos que Metraton abriu as portas de “Arkham dos Céus” ficamos a perceber algumas acções de certos anjos, mais implacáveis e “arruaceiros” que os restantes. Quer Bart quer esta nova facção que luta por poder, podem ser prisioneiros temíveis que buscam controlo de maneiras menos bondosas. Malachi (Stephen Taylor), o Anarquista disputa território e número na luta pelo poder. Os inocentes não são os humanos, esses pacotes de carne, mas sim os anjos que decidem manter-se suíços no conflito. O pote de Castiel enche-se de sangue desses inocentes, por muito que ele faça por os ajudar. Gadreel tem razão, ele é um farol de atenção e ninguém parece acreditar que é um peão de Metatron e não um cúmplice. Ariel não será a última luz inocente a cair fruto deste conflito para o qual Cass está agora pronto para lutar. O futuro é mais risonho para os “aliados”… ou era…

Subidas e descidas, perdão e culpa, ascensão e queda… Castiel tem viajado para os cantos do espectro ao longo da história de “Supernatural”. Uma coisa que se mantém quase sempre fiel é a sua mentalidade lutadora (sim, já teve o seu momento derrotista, mas Dean soube salva-lo). Agora é obrigado uma vez mais a fazer o impensável para se manter vivo, com o preço de actos moralmente menos aceitáveis. Com uma graça emprestada deu um valente golpe em Malachi, angariou informação e avisou Dean: 100% de eficiência. Agora Dean, em pânico, tem de expulsar um anjo que andou a acomodar durante episódios no corpo do irmão, valha-nos Kevin! Ou valia-nos…

Kevin: “I always trust you. And I always end up screwed.”
Dean: “Oh, come on. Always? Not always.”

Quer se goste ou não de Kevin (Osric Chau), que neste episódio estava a dar novos sinais da sua “pascaceira” e cansaço habituais, não se pode ignorar o peso que tem no destino dos Winchesters desde que apareceu. Nunca escondi que era uma personagem que não me cativava e até irritava, mas vê-lo a ter este destino, doi. Uma parte de mim sempre pensou que ele desapareceria aos poucos e no final de tudo isto seria um dos inocentes que via o sacrifício recompensado. No final, a inocência de Gadreel durou pouco, o futuro risonho durou pouco, Kevin valeu de pouco. Sem compreender porque decide este prisioneiro dos céus aliar-se a Metraton tão cegamente, ainda para mais observando a vida dos irmãos nos últimos vezes e recolhendo informação que prova que o Mensageiro de Deus é um ser que não merece confiança. Talvez o seu problema não seja maldade, mas sim ignorância, mas isso não fará que Dean o perdoe. O que torna esta morte mais cruel é acrescentar a camada de que o acto foi feito por Sam (Jared Padalecki), ainda que não consciente. Sam vai culpabilizar-se por não ter conseguido evitar e Dean vai culpabilizar-se por ter mentido ao irmão e permitido que isto acontecesse. No final não vimos um rosto de dor e raiva, antes um incrédulo e em negação pela perda do pequeno profeta, o “porta-chaves” tão útil que se tornou tão amigo. Mas essa fase de raiva de certeza chegará.

O meu “problema” com a série não são os inícios nem os fins, são os meios. Adoro os stand alones, adoro os episódios cómicos (quando são bem feitos), mas gosto principalmente quando a série saca de cardas assim e se faz vale der um baralho rico. Não pertenço ao “gangue” que defende o regresso da série aos velhos tempos, com monstros da semana. A série não é a mesma! Aceitem que “Supernatural” é uma série que mudou (não porque eu digo que sim, mas porque ela própria já o provou e continua a provar), e como tal tem de abraçar o seu rumo. Há espaço para todo o tipo de episódios, mas é preciso que todos eles tenham sumo e valham alguma coisa, o que nem sempre aconteceu nestes nove episódios. Para já está a ser uma temporada bem mais positiva que a anterior e tem tudo para melhorar ainda mais em 2014. Carry on wayward son, carry on!

NOTAS:

  • Zeke ficou off no carro e Sam nem deu pela transição (boa interpretação de Jared!)… então porque é que das outras vezes, ao longo da temporada, Sam desmaiava nessa transição?!
  • Uma nota para a regionalização da guerra entre anjos: não há mais anjos no mundo! Em comparação, os EUA são uma clara minoria a nível de território, mas o foco da luta disputa-se lá, claro.
  • Castiel a rezar a todas as religiões teve a sua piada…
  • Pergunto-me quanta informação pode conter nas tabletes. Aquilo é uma pedra em formato A4 mas parece ter mais informação que uma enciclopédia!
  • Osric Chau deixou uma emocionada mensagem aos fãs após a partida. Espero que esta seja uma morte definitiva de Kevin e não uma à Bobby!
  • O Profeta está morto, vida longa ao Profeta! Quem será o novo?
  • Embora até não desgoste ver Castiel em modo baterias carregadas (apesar dos melhores momentos serem sempre os humanos), não aceito muito bem este roubo da Graça. 1- Se era assim tão “simples” porque não o fez das outras vezes que matou anjos? Poderão argumentar que era um passo que Cass não estava preparado para tomar, mas isso é bullshit. 2- Teria  sido muito mais recompensador ver Cass a conquistar a SUA graça, por mérito próprio, com sacrifício. 3- Sempre considerei a Graça como algo único e “impartilhável”. Isto banaliza-a e desmistifica-a, além de que abre asas a outras perguntas: poderá um anjo acumular Graças e tornar-se mais forte? E ainda sobre o nosso anjo favorito: mais um “tenho de me afastar” que me deixa irritado, preparando mais uma ausência prolongada da personagem. Desta vez ainda percebo menos porquê!
  • Podíamos ter tido um episódio assim intenso, mas mostrando o lado demoníaco do arco central, no episódio anterior. Novamente, há tanto para explorar e receio que na season finale tudo seja resolvido ao pontapé!
  • Quando Gadreel disse que “não há mais Sam”, quis apenas dizer que assumiu o controlo a longo prazo, ou que mudou o feitiço de Kevin ao ponto de anular a liberdade de Sam no próprio corpo?
  • Durante este hiato, mantenham-se a par de todas as informações em “Supernatural (Portugal)“. A nossa série só regressa a 14 de Janeiro… uma eternidade!

O Melhor: A tensão do episódio. O regresso de Metraton e a sua fantástica expressão de contentamento quando Gadreel diz que ele é o novo Deus. A compreensão de tudo o que se está a passar e a evolução enorme na história. A maneira como retrataram a guerra entre os gangues de anjos. A morte de Kevin poderá ter mais impacto nos Winchesters do que tudo o que fez em vida. A reacção de Dean à morte é perfeita!

O Pior: A intenção de criar um episódio tão intenso antes do hiato não justifica a inundação de informação, que podia ter vindo aos poucos e ao longo da temporada. Prova disso é que Gadreel passa de novidade, a duvidoso, a mau da fita em 40 minutos.

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