Supernatural: 9×10 – Road Trip

[SPOILERS] “Supernatural está de volta para a segunda metade da temporada, depois de um “mid-season finale” que deixou os fãs de coração partido. A questão é: vão dar esperança a Dean (Jensen Ackles), ou vão torcer a faca?

No início torcem a faca… e torcem bem, ao som de “The Famous Final Scene” de Bob Seger. A última cena está ainda bem marcada na memoria, de Dean e na nossa.

Crowley: “Really? What are you, a pimp?”

Enquanto Sam (Jared Padalecki) anda a eliminar alvos da Death Nothe de Metatron (é nesta altura que se percebe que este pessoal conhece mesmo os seus fãs: matar uma versão de Justin Bieber é delicioso! – “The label wants to open with “Baby, Be My Baby”. Then you can roll right on into “Babycakes,” and then the clean version of “Babymaker.”), Dean explica os últimos desenvolvimentos a Castiel (Misha Collins). Um anjo, um demónio e um humano entram num bar… podia ser o início de uma boa anedota, neste caso não é, mas a piada está lá. Óbvio que Crowley está à espera de alguma hipótese de escapar, mas enquanto isso mantém a sua versão sarcástica que tanto adoramos. Samantha (Sam), phallus on wheels (o carro de Dean), the three amigos (a tríade improvável que se formou), enfim, é um conjunto de expressões que acrescentam camadas a um dos melhores vilões de sempre da série (se não o melhor).

Gadreel é um anjo determinado a cumprir o seu objectivo e para isso não se importa até de matar o melhor amigo, aquele com quem partilhou a dor do emprisionamento e que só queria um novo recomeço, tal como ele próprio. Afinal de contas, os meios sempre justificaram os fins para os anjos. Com certeza Abner não era ninguém realmente importante, apenas um alvo que Metatron sabia ser difícil para Gadreel. Uma espécie de prova de lealdade à qual ele passou com nota 100.

O plano B de Dean para libertar o irmão trouxe algo que já não acontecia há muito tempo: Sam possuído por um demónio. Na verdade, se toda esta situação for explicada por palavras quase adquire um tom parvo, Sam possuído por um anjo e precisa que um demónio o possua para o libertar… e eu que me queixo da minha vida! Óbvio que a luta física que ocorre entre as três partes é uma representação da luta interior que Sam acaba por vencer.

Crowley: “I’m dead. Yes I know, I love you too”

Como se a situação não estivesse já má, chega a rainha maldita para alegrar a festa (o lado negro tem sempre os melhores bólides) e reinicia a luta pelo segundo trono mais desejado, o do Inferno (é uma pena que Cecily (Brenna O’Brien) tenha partido tão cedo, era um regalo para os olhos, mas não foi tão inteligente como se achava). Crowley (Mark Sheppard) está livre e finalmente pode haver luta a sério, ela o martelo, ele o bisturi. Abbadon (Alaina Huffman), no auge da sua beleza, tem a falha de não conseguir ver as coisas num grande plano, em que se apanha mais demónios com mel do que com a força e Crowley vai destronar esta rainha com o poder da democracia, qual libertador do povo da tirania. Ai a ironia! Por momentos conseguiu ver-se real preocupação de Abbadon.

Crowley: “A say, a virgin, and all the entrails you can eat. VOTE CROWLEY.”

Confesso que estava a gostar bastante do episódio e o final era mais ou menos o esperado. Sam teria de ficar livre para os irmãos prepararem o final da temporada, Crowley teria de ficar livre para combater a sério (e já estávamos fartos de o ver amarrado) e Gadreel volta ao corpo do excelente Tahmoh Penikett, o qual espero que se mantenha por perto. Tudo está em aberto para que possamos ter uma grande segunda metade… e depois veio aquela maldita conversa que estraga quase todo o episódio e nos faz engolir uma malagueta num desenvolvimento tão doce. No meio de tantos lugares comuns que esta série teima em explorar (o que só por si é parvo considerando o quanto há para explorar), e em primeiro lugar do pódio, depois da maldita martirização de um irmão por temporada, estão estas separações. Há sempre um irmão que se sacrifica, há sempre um irmão que o protege e há sempre uma separação temporária que nos faz revirar os olhos. Não há paciência. Não por esta zanga em particular, que tem mais motivos que qualquer outra no passado, considerando o que Dean fez, mas porque é mais uma, porque paga pelo “crime” que foram as inúmeras e injustificadas anteriores. Ninguém se acredita que isto dure, obviamente, e só demonstra falta de originalidade. Uma pena, tinha tudo para ser um grande regresso.

Notas:

  • Devo confessar que a maneira como desligaram a “mangueira” de um novo Messias foi altamente anti-climática. Estava um pouco ansioso que viesse uma nova cara, algo que injectasse energia. O facto de Metatron ter simplesmente desligado essa opção parece-me algo simplista. Sempre que pensei que era algo dogmático, que essa regeneração fosse algo adquirido, não controlado por um interruptor… mas ok.
  • Castiel sem gravata, como que a assinalar que não é BEM ele, não o original!
  • Para quê mostrar aquela cena de tortura prolongada ao corpo de Sam? É mesmo necessário relembrar que ele já sofreu mais do que merecia (é que vejo mesmo isto a acabar com um suicídio na series finale)?
  • Ficamos finalmente a conhecer a razão que levou a que Gadreel estivesse preso desde que o Nascer dos Tempos. Na verdade a pista estava lá, nós é que não quisemos ver. Confesso que achei genial que tenha sido um “simples” descuido de um guarda que permitiu toda esta epopeia entre o Bem e o Mal. Há uma simplicidade deliciosa em tudo isto, tão tipicamente “Supernatural”.
  • A incrível Abbadon que quase nos faz desejar que Crowley não ganhe… quase!
  • Não se esqueçam de passar no sitio do costume para mais info sobre a série, em “Supernatural (Portugal)

O Melhor: Crowley! O episódio estava muito bom…

O Pior: …até vir o final.

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