Supernatural: 9×11 – First Born

[SPOILERS] Agora que está toda a gente livre das algemas (Crowley da cadeira, Dean do peso do segredo, Sam da sobrelotação angelical, Castiel da ausência de graça), uma nova parte da temporada pode começar. Poderia dizer-se que esta zanga muda muita coisa entre os “irmões”, mas a verdade é que estas são como mais recorrentes do que gostamos de assumir e toda a gente sabe o seu desfecho.

Dean: “You want to hunt, with me?
Crowley: “I do love a good buddy comedy.”

Tomara que todas as introduções ao episódio fossem por Crowley. Perdia-se menos tempos com coisas óbvias e teríamos sempre aquela pinga (toneladas) de metáforas e sarcasmo que tornam tudo tão… diabólico. Abbadon é um dos problemas de Dean, é O problema de Crowley, porque não juntar esforços para encontrar esta “lâmina” capaz de destruir Cavaleiros do Inferno?! Surge a pergunta de quantas mais adagas/facas/espadas/armas com poderes extra mágicos andarão pelo mundo, mas deixemos isso para outra altura e foquemo-nos na parceria Drowley (Jensen Ackles e Mark Sheppard).

Crowley: “Is all this really necessary? I mean, I’ve been inside your brother… We’re practically family!”

Enquanto isso, Samiel (Jared Padalecki e Misha Collins) ficam com a casa após o divórcio de Dean. A fisioterapia continua a passo lento e empancou com um pouco de Graça que ficou dentro de Sam (sim, eu sei como soou). O lado bom é que pode ser usado para encontrar o primeiro guarda que adormeceu no trabalho, por outro lado, só é possível passando por extrema dor, óbvio.

Castiel: “I miss you, PB and J.”

Pergunta: Quantas vezes é que Tara comparou Dean ao pai em cinco minutos? Exclamação: Não foi um mapa mundi! Foi um mapa dos EUA, porque onde mais poderia estar a Primeira Adaga?! Mas esquecemos isso, porque o que se passou a seguir foi para lá de awesome. Não sei o que gostei mais, se mais uma história que remonta ao inícios da humanidade, se a “aparição” de Timothy Omundson, actor da divertidíssima série “Psych”. O facto de Cain se ter tornado um demónio sanguinário depois de matar o irmão e criador da mais letal legião de demónios do Inferno para depois os matar adiciona tantas camadas espectaculares ao personagem que é difícil não gostar dele imediatamente. Adicionando o aspecto mais durão do que estou habituado a ver no actor, uma voz funda e o medo que “provoca” em Crowley, completa o retrato perfeito.

Crowley: “I got a warehouse full of Kraken essence in Belize.”

Vamos esquecer por momentos que o arco de Samiel foi quase todo inútil do ponto de vista pratico. Sim, a mensagem nada subliminar por detrás de mais uma medida auto-penal de Sam, é que os momentos como humano de Castiel ajudam a que os Winchesters não sejam mais aqueles bichos estranhos com atitudes incompreensíveis. Ajuda a perceber que a manteiga e a geleia não têm de ser analisados à molécula, podem ser apreciados pelo sabor e as atitudes dos irmãos, embora possam ser analisadas ao pormenor e mal compreendidas, têm de ser vistas como actos de amor e protecção. É preciso ver o “grande plano” e vê-lo com quente coração humano, não com o frio e calculista angelical. Nesse aspecto ajudou Sam a amenizar o pesar e o subjugar do valor da sua alma… mas o feitiço poderia ter dado certo! Questão: será que deu certo mas só aos olhos de Castiel e ele não disse nada? Ou Cass parou com a extracção sabendo de certeza que não dava mas não queria prolongar o sofrimento de Sam?! Hmmm.

Castiel: “The only person who has screwed things up more consistently than you is me. And now I know what that guilt feels like. And I know what it means to feel sorry, Sam. I am sorry… Angels can change. Maybe Winchesters can too.”

Vamos ignorar que Cain deu mais um brilharete no final, não só em observar Dean num três contra um, mas no festival de luzes em que não o vimos (infelizmente) a eliminar dezenas de demónios. Admiro a sua inteligência, que deveria ter sido aplicada mais cedo por outros mauzões e bons da fita: se queres esconder algo de verdade, atira-a para o fundo do Pacífico! Vamos também ignorar o quanto Crowley brincou com Dean e o manipulou completamente mais uma vez. Um Rei com fama merecida.

Cain: “But you have to know with the mark comes a great burden. Some would call it a great cost.”

O mais importante do episódio, isso sim, é a incrível e espectacular mudança que este imprime na história de “Supernatural”, acredito eu. Dean e Sam SÃO Abel e Caim! A segunda história mais antiga da origem da humanidade não poderia representar mais na perfeição a relação dos irmãos: um que se sacrifica, indo para o inferno, para que o outro possa ser salvo, indo para o Céu, sem que o outro saiba. Isto grita Winchesters em quase todas as temporadas! Ora, é sabido que Sam, tal como Abel, sempre foi cobiçado por Lúcifer, sendo escolhido até como “recipiente”, e sempre assumimos que Dean seria mais a força do Bem, duas forças que estão destinadas a lutar entre si mas que ao mesmo tempo não vivem uma sem a outra.

Não só este desenvolvimento vem cimentar isto, como marca um destino para as personagens. Quando Cain diz que a marca traz um grande peso (que Dean convenientemente não quer ouvir, estupidamente, para que possamos saber mais tarde), acredito que esse “senão” seja a repetição da história. Há muito que suspeito (e alguns de vós) que o destino de Sam será a morte. O autoflagelo, o sentimento de culpa por tudo o que se passou, o constante desejo de morrer e o acumular de pesar vão trazer um fardo sobre a alma de Sam com o qual ele simplesmente não vai conseguir lidar. E se no final ele se entregar ao mal novamente? E se Dean, sendo Dean, tiver que repetir a acção de Cain e fazer um acordo com Crowley para salvar a alma do irmão?! É uma teoria em qual deposito todo o meu dinheiro de hoje em diante e é um final que para mim me satisfaz por completo. Uma espécie de final da quinta temporada inverso, em que Dean “cai” para que Sam possa “ascender”.

PS 1- Na altura que sai esta análises, já não há previews para ver sobre o episódios 12, mas passem em “Supernatural (Portugal)” porque dão queques!

PS 2- Os fãs mais atentos sabem do “amor” que os Winchesters têm por Justin Bieber, na série e na vida real. Jared Padalecki não perde uma oportunidade para alfinetar a estrela pop, e os últimos acontecimentos que levaram o irreverente adolescente à cadeia deram origem a tweets bastante engraçados em que o actor crucifica o estilo de vida da estrela. Os Beliebers ripostaram e “determinaram” um boicote à série. Pois bem, em resposta, “First Born” foi o episódio mais visto de “Supernatural” desde o 6×04 (Weekend at Bobby’s), o que mostra que a fandom da série partilha da mesma opinião do nosso caro Sam.

Don’t mess with us beliebers, we’ll salt the shit out of you!

O Melhor: Drowley. Cain, mais uma personagem tão bem criada. A revelação da sua história e como ela define por completo (para mim) o destino dos irmãos. O entusiasmo que isso cria e a inteligência em interligar tudo com um lacinho. Crowley: “You’re good, but I’m Crowley.”

O Pior: A história de Samiel, que embora com um propósito, pareceu vazia em comparação.

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