Supernatural: 9×20 – Bloodlines

[SPOILERS] Ah, o amor! Num momento estamos com a mulher da nossa vida num restaurante que serve de fachada para um clube nocturno de seres sobrenaturais, no outro estamos a ser esfaqueados por um wolverine num porto de ferrys… o amor é imprevisível dessa maneira!

Mais do que as personagens diferentes, há um ar diferente neste episódio, um ritmo que não é característico, uma ausência Winchester anormal. Sabia de antemão que este seria o episódio que lançaria o spin-off de “Supernatural” e posso garantir que aos 12 minutos deste episódio já tinha decidido que não o veria. Tudo aquilo que a CW não conseguiu injectar na nossa série, enfiou na goela deste capítulo ainda não era volvido um terço deste sacrilégio. Um ser sobrenatural amante de humanos que decide viver uma vida normal e tem de impor calma num mundo de dentes afiados pois, claro, ele é a única voz do bom senso. Há ainda lugar para um Romeu e Julieta, claro, e um vomitar de nomes e enredos para que quem esteja a ver “Supernatural” perceba o mínimo possível do que está a acontecer (Lassiter…Lannister… nem tentam disfarçar!). O cancro de nome “novela” está tão presente que quase é uma personagem, em que todas elas são unidas pela perda de alguém. A pitada de sal que dá sabor quando não se sabe construir e ligar pessoas de outra maneira.

Dean: “So you’re tellin’ me there are five monster families that run Chicago? What is this, “The Godfather” with fangs?”

Ennis Ross (Lucien Laviscount) é um batido de clichés, David Lassiter (Nathaniel Buzolic) é outro. Não querendo soar minimamente racista, mas considerando que a série “mãe” é preenchida por actores (quase na totalidade) brancos, é óbvio que a CW iria contrariar isso no protagonista de Bloodlines. Mais que previsível. Mas isso não é chatice, o que chateia é o quanto ele é mau actor. Na cena em que Sam faz uma introdução Winchester (não sei quem estaria a ver este episódio além de seguidores de “Supernatural”, logo é completamente desnecessária!), as expressões faciais dele, bom… elas falam por si. Rapaz, conselho para o futuro: menos é mais!

Dean: “All right, you’re with me, Romeo.”
David Lassiter: “Sounds good, Buffy.”

Haveria mais a falar sobre o enredo, mas a verdade é que isso não interessa para nada. Não só ele não é original nem interessante, como este episódio não passa disso mesmo, um episódio. Uma página negra na bíblia da nossa série que deveria ir para a mesma gaveta do anterior. O mais chocante, e revoltante, é que este pessoal da CW não parece saber nada na altura de criar uma série interessante. As boas que surgem nas suas fileiras são como que abortos que fogem à manipulação genética da CW Incorporated e se tornam rebeldes no processo, algumas não por muito tempo. “Supernatural” é o adulto que se rebelou contra os pais e faz o seu próprio caminho, ainda com traumas da educação que levou e que por isso fraqueja tantas vezes. Achar que Bloodlines seria uma série capaz de captar os seguidores de SPN é não perceber os fãs que ela tem, os mesmos que mantêm a série viva e a tornaram numa espécie de culto. É negar tudo aquilo que a torna boa e acrescentar ao caldeirão todos os ingredientes das séries sobrenaturais do canal, aquelas que o público está há muito cansado.

Este episódio leva nota mais baixa do que o anterior porque é duplamente mau. Se foi um episódio de “Supernatural”, foi mais um vazio de conteúdo, a quatro do final de temporada. Se foi um episódio de Bloodlines falhou em me interessar minimamente na história e personagens. Ennis (nome giro!) torna-se caçador porquê?! O tipo que matou a namorada era humano e está morto, os seres sobrenaturais que ele conheceu não lhe fizeram mal nenhum…porquê que ele faz disto uma vendetta (com direito a narração e tudo, céus!) quando não há nada realmente pessoal a prende-lo e capaz de despoletar a guerra que todos de bem querem evitar?!

Felizmente a critica e os fãs foram duros e não haverá futuro para isto. O cabecilha da estação confirmou mesmo que esta não seria um bom produto. Fala-se numa possível tentativa de criar outro “filho” na próxima temporada, para aproveitar as tetas da mãe enquanto esta dá leite, mas num formato mais fiel à série mãe… eu tenho pré-medo do que vem aí…

O Melhor: As cachopas que consolam a vista. A minha capacidade em dissociar este episódio da série que me interessa.

O Pior: Falhou como episódio de SPN e spin-off… não é fácil falhar duplamente! Os actores, a história, os clichés, o Romeu e Julieta, os pais mortos, Ennis, a premissa que despoleta a trama… tudo é mau. A ironia de que o melhor actor do elenco morre no início. A cegueira da CW em trazer um gato para uma casa de amantes de cães.

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