Supernatural: 9×23 – Do You Believe in Miracles

[SPOILERS] Nunca, nunca deixa de me arrepiar o “Carry on my wayward son” dos finais… quase que compensa todos os maus episódios, todos os arcos parvinhos, todas as personagens mal exploradas, todas as repetições, todos os defeitos…

Neil: “You’ve just reunited all the angels under the banner of heaven. I mean, that’s like…”
Metatron: “Winning a People’s Choice Award? Not quite the real deal, now, is it?”
(Supernatural venceu um este ano, para melhor Bromance (Sam/Dean/Castiel)…genial!

O cancro cresce dentro de Dean. Normalmente em “Supernatural” a doença pega cedo na temporada e os sintomas vão crescendo e arrastando-se ao longo dos episódios até ao cume. Desta vez a subida foi mais íngreme. É verdade que vimos um Dean (Jensen Ackles) alterado, mas nada que fizesse antever o seu estado final. Também é verdade que com o uso frequente da adaga os sintomas vão aumentando (suspeito eu), mas ainda assim… O que vale é que o tio Crowley (Mark Sheppard) está sempre disposto a dar uma mãozinha quando é preciso, nem que para isso tenha de interromper o seu spa. É um tipo porreiro.

Dean: “”Game of Thrones” is complicated. Shower sex, that’s complicated. Hell ain’t complicated.”

Meanwhile, in Moose land… Sam, Cass e Gadreel, recém-curado e recém-convertido, tentam arranjar maneira de pintar um alvo em Metatron (Curtis Armstrong) para que a bomba nuclear vá directa. Mas a tarefa não se demonstra fácil já que o novo Messias, Jesus Metatron, está cada vez mais jogadas à frente dos esforços desesperados deste punhado de aliados que ainda lhe resiste. Ainda para mais quando descartam a ajuda do Rei do Inferno, que tão “altruistamente” oferecia a sua ajuda. Sam (Jared Padalecki) cai novamente na asneira de acreditar que Dean ia deixa-lo participar na caça. Esta gente não aprende… e que jeito dá para o enredo.

O espectável acontece e Gadreel (Tahmoh Penikett), cansado do aprisionamento, das mentiras, dos planos enganadores e da falta de honra dos irmão, decide tomar o assunto pelas próprias mãos. Pelos vistos até as prisões no Céu têm falhas de construção, mais uma coisa que dá jeito ao enredo (pensava que era preciso a adaga dos anjos para detonar a “bomba”, mas pelos vistos não). E assim funciona a mente dos crentes: seguem um ideal até aparecer um melhor.

O combate que todos esperávamos chegou e teve o final que esperava. Juro que não quero armar-me em Maria Vidente, mas sejamos sinceros, era o esperado, não?! Sempre que estes poderes vêem à baila o resultado é missão cumprida mas com a “morte” do homem do gatilho. Nunca falha. Óbvio que a rivalidade de irmãos seria esquecida, óbvio que Sam não deixaria o irmão morrer como alegou durante a picardia, óbvio que Metatron perderi e é óbvio que Castiel (Misha Collins) não daria o castigo máximo a quem o merece. É um bom toque que o peixe morra pela boca que lhe valeu o oceano, mas mal ele começou a vomitar o “monólogo do vilão que fala cedo de mais”, era óbvio também o plano de Castiel com o radio (não tinha como saber que era aquele o aparelho, mas vá). A ironia do contador de histórias ser tramado por uns dos truques mais velhos do mundo teve a sua piada. Tudo é mais ou menos óbvio e fácil, e isso chateia-me um pouco. A capacidade de “Supernatural” em criar vilões fantásticos só é superada pela capacidade que tem em os emburrecer no final. É esse o custo de coloca-los num pedestal de poder inigualável, causa desilusão. O arco da adaga acaba por perder significado, sim, ela tinha o intuito de acabar com o Abbadon mas todos sabíamos que seria usada em Metatron, e acaba por ser inútil nesse aspecto. Apenas serve para tornar Dean num saco de pancada enquanto Cass destrói Tabula (não que ela não tivesse sido montada de cacos antes…) e transformar Dean no que ele mais temia. Resumindo, tudo perde poder e significado em nome de arrumar o quarto 23.

E falando do que interessa… sim, porque é tudo muito importante e de enorme magnitude, mas “Supernatural” são os Winchesters e são eles que realmente interessam. Dean já deve ter morrido tantas vezes como o Kenny de “South Park”, mas embora neste caso seja diferente, o anti-clímax reinou. Primeiro, talvez alguma coisa me tenha falhado mas como é que Crowley entra no abrigo sem ser invocado? Ele refere que Sam o está a invocar, assumo que ele teria de aparecer diante dele quando finalizasse a “chamada”, ele estava ali de vontade própria. Segundo, o caminho de Dean só podia levar a um lado, o Negro. Com morte ou sem ela, é para lá que o seu sangue bombava e assim sendo o desenlace não surpreende. O que acontece neste casos é que Crowley salva sempre a situação. Vimos o bromance dos dois ao longo da temporada mas nunca o tínhamos visto tão “carinhoso” com o caçador. Há de facto uma ligação, respeito e quem sabe amizade do Rei pelo humano e isso ficou patente. O despertar deste para um mundo de lentes de contacto escuras abre portas a que essa conexão seja mais explorada na próxima temporada… isto é, até que Dean se livre do enguiço no início e tudo volte ao normal.

Crowley: “It’s all become so… expected.”

Season 10… bom, é o esperado. 5ª Temporada: Sam vai para o Inferno e regressa no episódio seguinte. 6ª temporada: Os Leviathans ficam presos no corpo de Castiel e libertam-se no episódio seguinte. 7ª Temporada: Dean vai para o purgatório e volta no episódio seguinte… Adivinhem lá o que acontecerá nos primeiros episódios no próximo Outubro? A descoberta da cura para demónios aconteceu por algum motivo. Não tenho ilusões sobre a continuidade deste arco.

A transformação de Dean, previsibilidades à parte, acaba por ter um sabor agridoce. Por um lado a série arrisca em mudar o seu status quo, em tornar uma personagem etiquetada ao Bem e da-lhe um twist, por outro, sinto que não faz grande sentido. Aplaudo a tentativa de surpreender, e eu sempre critiquei quando a série não sai da bolha, mas durante nove seasons Dean esteve de um lado e Sam do outro. Grande parte desta temporada, e um dos aspectos que mais me agradou, foi a veracidade da zanga entre eles que levou a um fosso credível. Não só este finale parece tapar esse buraco, again, como coloca o “saco de carne” do arcanjo Miguel como demónio. Parece-me demasiado estranho e contraditório, por muito temporária que possa ser a mudança.

Fica o meu desejo para o capítulo 10 desta epopeia: que seja o fim. Eu sei que é difícil acabar com um amor, principalmente se para alguns for o primeiro, mas é preciso coragem para saber quando é que a relação está a azedar e acaba-la. Eu queria uma temporada final em que o fosso entre irmãos ditaria um final trágico para um deles (torço por Sam, encerrando o ciclo que Eric Kripke tentou fechar com a queda de Sam no Inferno. Queria um final em que víssemos o regresso de Deus e que esta fosse uma personagem “real”, queria o regresso da Morte e de outras all-star que rodearam este Universo durante uma década. Queria que tivéssemos um ou dois episódios de paródia mas não fillers que servem de aquedutos para o rio que interessa realmente ver. Queria uma temporada em que não houvesse tempo para respirar porque “Supernatural” tem mais do que ingredientes para fazer um banquete desses. Queria ouvir o “Wayward Son” pela ultima vez e ter o sabor de dever comprido. Queria que Dean saísse da televisão com a fama intocada de um dos melhores personagens que por ela passou… a minha fé que isso aconteça, e respondendo ao título do episódio, eu não acredito em milagres.

A razão pela qual ainda não há novidades de que esta se trata da ultima temporada é porque o pessoal da CW não sabe. Não sabem se as audiências continuarão como estão e se a 11ª será então uma realidade, ou decaem e dão o “final programado” para encostar uma série que já não brilha. Como há esta indecisão, é mais do que certo que a temporada não começará com um intuito, um plano delineado para terminar a história em grande. Ou será tudo arrastado mais 23 episódios ou vai ser decidido a 10 episódios do fim, para encerrar a cortina meio em cima do joelho. Seja como for, é mau. “Supernatural” tem muito para explorar, mas não tem muito mais pano de qualidade para queimar. Querem mesmo ver a série a sair pela porta pequena?!

Desculpem a extensão do texto, mas fica o desabafo todo feito. Vocês sabem o meu carinho especial pela série e o quanto fico entusiasmado quando ela dá razões para isso… mas até a chama olímpica se apaga. Mais uma vez agradeço a todos os que seguiram as análises e a todos vós peço desculpa por estas terem sido tão tardias esta temporada. “Supernatural” continuará a ter análises aqui no blog, aliás, se tudo correr como espero, no início da 10ª temporada tornar-se-á a série com mais análises do TVDependente (superando “How I Met Your Mother”). Uma marca que quero muito quebrar pela “nossa” série. Até daqui a dois meses e, para que esta análise não soe tão deprimente em relação ao futuro, lembremos porque “Supernatural” tem uns dos melhores elencos da televisão:

O Melhor: O ritmo do episódio. A possibilidade que o Dean Demon abre para que Jensen Ackles reine de outra maneira. O discurso de Crowley a Dean. Metatron teve uma participação que lhe faz jus. A notícia de que Crowley será uma personagem regular na décima temporada, juntamente com Castiel.

O Pior: O final não surpreende como desejaria. O quão bem Sam escondeu a adaga de Dean. Castiel faz literalmente tudo por Dean e não vai em seu auxilio para o curar quando sabe do acontecido?! O desfecho fraco para um suposto novo Deus. O arco de Cass para o futuro parece-me fraco e repetitivo. Que a 10ª possa não ser a ultima temporada.

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