Thanos vinga o Universo…

[CONTÉM SPOILERS DE “INFINITY WAR”… SÉRIO TEM TIPO, TÓTIL SPOILERS!] Confesso-me algo drenado no final deste filme. Os trailers mentiram-me e sinto-me bem mais nostálgico do que esperava. Comecemos por Deus…

“No início era o nada… e veio Thanos”. Podia ser assim o Génesis deste Universo. Thanos é o catalisador de tudo e raios, valeu a pena a espera, já que o titã assume-se como um dos melhores vilões de sempre. Num filme com um elenco tão extenso, é preciso justificar a reunião e o filme faz isso muito bem permitindo que Brolin respire no papel. Os Russo mostraram mais uma vez porque são os melhores a realizar na Marvel.

Canivete Suiço, Virgem, Sherlock 2, Wong my wang, Tira-nódoas, Tâmara, Estrelitas, Nevoeiro, Prega-a-Deus…

Robert Downey Jr. assume o estatuto de cabecilha e brilha no trono. Um fato cheio de truques novos, humor e carisma de sempre. Spiderman pode ter sido o mais recente cavaleiro a juntar-se, e com ele a inocência. Vê-lo suplicar pela vida aos braços de Tony é de partir o coração e Tom Holland esteve excelente em todos os aspectos. Star-Lord é talvez a “desilusão” do filme. O seu carisma é anulado, as piadas são datadas e a decisão de “castigar” Thanos é francamente parva, mesmo com o luto. Nota 1: Parker a destruir a mística cinematográfica de Quill. Nota 2: Star-lord a chamar Thanos “Queixo de testículos”. Nota 3: É possível termos um filme a solo da capa do Strange?! Nota 4: Quando pensarem que se calhar duas horas e meia pode não ter dado para tudo, lembrem-se: deu para Drax comer nozes.

Major Alvega, Viúva da Aldeia, Pomba, Bandeira Verde, Aquela-loja-do-shopping, Outro Roxo, a outra Scarlet boa, King in the North…

Cap, que adianto ser o meu favorito, tem um papel menos predominante do que previa. Nota-se que o grupo “Terra” gravita ao seu redor devido ao estatuto acumulado, mas gostaria de ter visto mais. Não imaginaria uma Scarlet Witch tão importante para o enredo, um Vision constantemente ferido, um Bucky discreto… Não é que este grupo tenha sido mau, mas foi o inferior dos três arcos. Foram os responsáveis pela luta mais militar, menos personalizada, e isso ressentiu-se nas individualidades. As ausências de Hawkeye e Ant-Man são justificadas como necessidade de proteger as respectivas famílias. Sabe-me a pouco. Nota 1: A minha lutas favorita é a primeira, com Thanos em estado bruto a derrotar o Avenger mais poderoso. Hulk está claramente com medo de Thanos e será algo que Banner terá de “auto-psicanalisar-se”. Nota 2: O momento “girl power” entre Witch, Widow e Okoye = badass!

Raminhos, Fisgas, Raven, Eitri (o nome por si tem piada!), Chave baixa, Hemorroidal…

Em Ultron Thor ainda estava na maré baixa dos seus dois filmes, mas aqui… assim sim! O humor, o carisma e o impacto real na história são muito bem-vindos. Previ a morte de Loki (e Heimdall por anexo), porque imaginei que só assim Thanos seria levado a sério, e foi. Mais uma entrada em absoluto triunfo no final, que só peca por não ser ao som de “Immigrant Song”. Senti no entanto um ligeiro exagero no seu poder, em relação a filmes anteriores. Nota 1: Peter Dinklage. Nota 2: Rocket a fazer-se ao braço de Bucky. Nota 3: Terá sido Chris Hemsworth a queixar-se de ter de usar palinha?! Nota 4: a piada de Groot com o videojogo prolongou-se demasiado. Nota 5: Tudo o que envolveu o forjar da nova arma levanta-me questões: Se vimos os ramos de Groot partir tantas vezes, de que modo aquilo é seguro de usar? Porque é que Odin não mandou forjar a “arma digna de rei” antes, para combater Hella por exemplo?!

A trupe do “Tá nos Tomates… do queixo”: Corvo-de-dois-olhos, Lambe-botas, Senua e o Outro-anão-que-não-é-anão

Uma pequena nota para os membros da “Black Order”: fico com pena que Ebony Maw tenha finalizado a sua participação tão cedo no filme, era o único com algum carisma. Corvos, Proxima e Black Dwarf estiveram ao nível de vilões de outros filmes: poderosos mas nada desenvolvidos.

Trailers, esses enganadores!

A Marvel fez um trabalho excelente com os trailers divulgados, porque quase nada do que parece é: Gamorra não fala com Tony (esta era fácil); Não vemos a cena de Thor a reclamar o novo martelo na fornalha. “Perfeitamente equilibrado, como todas as coisas devem ser”, Thanos refere-se apenas à naifa de Gamorra; Ebony Maw manda calar Thor, não Dr. Strange; Quando Thanos faz o braço de ferro com Cap, tem apenas duas joias, mas no filme tem cinco; Quando Peter se apresenta a Strange não é em ambiente tão leve, e Strange não está ferido no trailer; Vemos Spiderman a esquivar-se das explosões mas no filme fá-lo com Mantis; “Give this man a shield” é outra cena com planos diferentes no filme; “This puts a smile on my face”, posso estar errado, mas não recordo de ver Thanos a dizer esta fala no filme. Em suma, ao mesmo tempo que nos mantiveram entretidos com teorias, esconderam os verdadeiros arcos do filme. Principalmente o peso e escala do final.

E agora?! Bom, de seguida temos Ant-Man, que contará uma história antes deste filme e, espero eu, ofereça mais respostas para a sua ausência. Depois temos Captain Marvel, cuja cena pós-créditos lança em estilo. Quanto aos vingadores “cremados”, é bastante óbvio que Dr. Strange/Wong usará a pedra verdolas para os trazer de volta. Tivesse o número de mortes na equipa sido menor ainda acreditava na finalidade do genocídio, mas não com tantos, e “aqueles”… Se o regresso dos caídos será antes da derrota de Thanos ou depois (quais bolas de cristal de Son Gouku!), não sei. Para já tudo parece encaixar na visão de Strange para o único desenlace vitorioso (percebeu que Iron Man era fundamental ao ponto de trocar a jóia por ele).

O final deixa-nos pesados pela magnitude e drenagem de esperança para os heróis. Essa realidade aliada ao facto de termos de esperar um ano pelo final deixou-me mais “em baixo” do que excitado. A velha “ex-machina” da viagem no tempo introduz um facilitismo que não vejo de bom grado, mas que espero para criticar. Ainda assim não afasta o peso deixado com as perdas sofridas apesar de algumas não serem possíveis de processar (Gamorra, Loki). Um Universo tão rico permite reuniões deste calibre mas também não espera por ninguém, pelo menos por personagens de calibre inferior. Seria difícil imaginar uma gestão melhor, com reuniões, Thanos e peso dramático em duas horas e meia extremamente bem conseguidas. Agora precisa de mais uma ou duas visualizações para assimilar e assentar. Retirava pontuais tiradas humorísticas, que tal como em Ragnarok não assentam bem em momentos mais pesados, mas o balanço entre o drama e o humor é extremamente bem conseguida. Certeza assegurada é que “Infinity Parte 2/Seja lá qual for o título” será um final em grande. Este cumpriu com todo o hype gerado e não há razão para duvidar novamente.

Thanos vinga-se das derrotas, vinga-se dos vingadores, vinga-se de todos os maus vilões e vinga-se do seu Universo. No fundo, e de forma absoluta, Thanos vinga.

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