The Borgias: 1×01/1×02 – The Poisoned Chalice/ The Assassin

[SPOILERS] A nossa querida família mafiosa, depois de ter conquistado o seu lugar, tenta agora arrumar a casa de velhos cardeais, encher os cofres com novos dinheiros e distribuir a família pelos lugares certos.

O pobre cardeal Rovere (Colm Feore) tenta desesperadamente arranjar amigos para encurtar o reinado do seu arqui-inimigo. A primeira paragem é no reino independente de Nápoles, desejado por toda a Europa pelas suas riquezas e prazeres e governado por um par no mínimo, caricato: Um Rei surdo e um filho com voz de giz na ardósia, que parecem ter em comum apenas o amor pelo macabro. Bem interessante, e bem representado, este príncipe Alfonso II (Augustus Prew), espero que não seja a última vez que o vemos.

“When you have a paradise, you must use every means available to defend it.”

Rodrigo Borgia (Jeremy Irons) é cada vez menos um homem de ferro, de ambição pessoal. O seu principal objectivo parece ser a união de Itália e ver Cesare lhe suceder como Papa. Alias, a ideia que me dá é que o seu primogénito partilha tanto o protagonismo da série como o pai, ambos com papeis fundamentais e diferentes: Rodrigo é mais um “brincalhão” banqueiro, diplomaticamente inteligente e Cesare (François Arnaud) o filho para toda a obra, que trata de todos os pormenores nos bastidores. Juan (David Oakes) esse, está no sétimo céu e nem Miguel Ângelo lhe faz jus. Mas se pensava que o seu cargo só teria benefícios, enganou-se bem. Mais um momento delicioso, ver como o futuro político de Itália e da Europa se discute ao pequeno-almoço, entre risadas e trocadilhos, como se de um jogo de “Risco” ou “Monopólio” se tratasse.

“One almost feels pity for the cheese…”

“The Borgias” faz-se muito nos detalhes, percebe-se isso nos pequenos momentos que por vezes até parecem passar despercebidos. Micheletto (Sean Harris) à mesa com a “Última Ceia de Ferrante” no meio do breu é um grande momento, assim como ver o pobre Rodrigo aborrecido em negociatas matrimoniais. Temos sempre pelo menos um bom momento “humorístico” por episódio.

“I shall become a nun. For I shall never love a husband as I love you, Cesare.”

Mas a personagem central deste episódio, e que lhe dá nome, é o pobre e inocente Djem (Elyes Gabel). Numa tentativa de encher os bolsos mais rapidamente, Rodrigo “sugere” encurtar a vida do príncipe “Pretendente” de Constantinopla, a pedido do seu irmão que lá mora longe. Esta parte do episódio acaba por balançar o nosso afecto pelos Borgias, afinal de contas, eles são quem são e não devemos esquecer o seu lado mais maquiavélico. Serviu também para aprofundar mais as personagens de Cesare (faz tudo pelo pai, mas mais pela irmã. Não fosse o irmão mais novo fazê-lo, provavelmente não iria matar alguém que fazia a sua irmã – ou amante, como a patxocas já nos alertou – tão feliz) e Juan (isto afinal não é só vestir o uniforme, é preciso sujar as mãos meu caro e fraco Juan!). Com isto termina a primeira lição, ensinar o irmãozinho a matar. Faltou mostrar a reacção de Lucrécia (Holliday Grainger) a tudo isto no final, provavelmente no próximo episódio.

“So our sister’s dowry is done? Here endeth the first lesson.”

Foi mais um sólido episódio de “The Borgias”, cujo único pecado são as muitas alusões a famílias, acontecimentos e realidades que, embora sejam óbvios para eles, são estranhos para quem assiste aos episódios (a história de Nápoles e a cobiça espanhola e francesa são um exemplo disso). Por vezes pode tornar-se difícil acompanhar.

O Melhor: Alfonso II e a sua vozinha . Djem, o feliz e inocente mouro.

O Pior: Tantos nomes e factos históricos, sem que sejam explicados, podem tornar-se confusos.

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