The Borgias: 1×05 – The Borgias in Love

[SPOILERS] O que quer um pai que já tem o poder? mais poder. O que quer um filho que pode ter qualquer mulher? Uma que não pode ter. O que quer uma menina donzela num mundo de homens cruéis? Um rapaz que a ame… felizmente não são situações que os comuns mortais se tenham de preocupar, apenas os Borgia.

O que dizer daquele início? A caracterização de Lucrécia (Holliday Grainger), o seu olhar vazio, as falas, a ascensão… e porque pedia Rodrigo desculpa? Por saber realmente em que jaula enfiou a filha? O perfeito começo para o episódio que, para mim, foi o melhor até agora.

O jogo pelo futuro de Itália continua e Rodrigo (Jeremy Irons) é “apenas” o senhor que lança os peões no tabuleiro, deixando os seus adversários sem sítio por onde escapar, ou assim ele espera. Curiosa aquela conversa com o pouco visível Cardeal Sforza (Peter Sullivan) que pareceu distante e crítico da sua família, mas nem por isso passou sem ouvir um alerta do seu soberano sobre as suas reais lealdades. Faz bem Rodrigo em controlar este Sforza, porque os outros já mostraram não ser de “boas famílias”. O Duque de Milão revela-se uma verdadeira jóia, sem medo dos poderes papais e inflexível perante a presença do próprio primo clérigo. Ficou por explicar melhor toda a história sobre o outro primo e porque seria ele uma ameaça. Serviu a sua morte para mostrar a força de resolução do duque “mouro”.

Cardenal you’re awashed with cousins…wich is why we wish to speak with you.

Como vem sendo habitual, houve mais um momento cómico no episódio, e que momento. Os olhares trocados entre Rodrigo e Juan (David Oakes) não demasiado valiosos para serem descritos por palavras. Juan que continua a ser, com a excepção feita à morte de Djem, o lado mais leve desta família, fazendo o que lhe apetece e sobrando-lhe tempo para mais ainda. Percebeu-se também que será mesmo o favorito de Rodrigo, afinal de contas, Cesare tem o peso do mundo sobre ele, mas “Juan fará o que Juan quiser”. Talvez veja no seu primogénito a verdadeira responsabilidade e, porque não, semelhanças consigo mesmo, enquanto que o capitão do seu exército não é alvo de maiorese expectativas.

Cesare (François Arnaud) esse continua a dominar toda a série, em todas as frentes. Após a confissão no confessionário, confessa-se (perdoem-me o jogo de palavras) à mãe, mostrando mais uma vez a forte ligação que os une e levantando a questão: Sabemos que ama a sua irmã mais do que ninguém, mas seguiria mais rapidamente Vanossa (Joanne Whalley) ou o seu exigente pai, se tivesse que escolher?

Viaja até Florença onde pretende definir, sem sombra de dúvidas, a posição daquele território face às ameaças que abatem sobre Roma. Parece ter ganho um fã das suas capacidades mentais, Machiavelli (Julian Bleach) que mostra também queda para a astúcia política (real origem da palavra “maquiavélico”). A posição de Florença é extremamente importante para o futuro dos planos dos Borgias, principalmente porque Milão não está assim tão segura como seesperava após o casamento.

– He requested that Florence do nothing in the event of a great something.
-You’re far too clever for a Cardinal… If this times have made you clever, the coming month may thrust genius upon you!

Cesare suja as mãos…valerá a pena? Não é claro. Terá consequências? Quase de certeza. Esta bela Úrsula (Ruta Gedmintas) parece ter um plano escondido e não me surpreenderia se não estivesse a usar o “pobre” amante para se ver livre do marido. Se assim for, missão cumprida. Se não há duvidas sobre o seu sentimento por Úrsula, a relação de Cesare com Micheletto (Sean Harris) já é bem mais “estranha”. Num momento é de mestre-servo, em que não lhe perdoa qualquer falha, noutros é entre dois amigos ou até mestre-aprendiz, em que o assassino assume o papel dominante e ensina o que sabe e o pupilo busca a sua aprovação para os actos que comete. Mas até quando Micheletto vai tolerar a situação? É que aquela lealdade não me parece nada livre de esquema secreto.

I must confess, I have nothing to confess.

Lucrécia tenta arranjar maneira de tolerar aquele inferno, quer seja a contar carneirinhos, quer a apaixonar-se pelo rapaz dos cavalos, Paolo (Luke Pasqualino, futuro “William Adama”em “Battlestar Galactica: Blood and Chrome”). Tinha a ideia que as gentes naquela altura tomavam poucos banhos, mas Lucrécia passa a vida dentro de água. O que não é bem claro é esta linha narrativa. Pretende mostrar apenas a vida de Lucrécia ou irá o seu pesadelo ter consequências directas no jogo politico que se desenrola em Roma?

A virgin, you must be unique in your family…“A Borgia they said”, “Is that how little I am valued?” I said. “The pope’s daughter”, they said. “For shame”, I said.

Assim corre o sangue quente dos Borgia: o amor inocente de Lucrécia e o amor de Cesare que tem de ser conquistado pelo gume da espada. Faltou a este episódio grandes momentos que o tornassem mais memorável. Mas a nível de argumento e de realização (vimos grandes planos: o principio do qual já falei, o inicio da cena em que Cesare luta com Micheletto, o olhar frontal do Papa a falar de Florença, etc…), foi quase perfeito, tornando-se no meu episódio favorito até ao momento.

A primeira coisa que sinto no final de cada episódio é pena, pena que mais gente não veja uma série assim. O que vale é que não depende tanto de audiências como outras.

O Melhor: Jeremy Irons a dizer “Savonarola”
O Pior: Faltou-lhe grandes acontecimentos para ser perfeito.

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