The Borgias: 1×09 – Nobody

[SPOILERS] As cartas estão em cima da mesa, os peões no seu lugar e a bola do lado francês. Como iram sair os Borgia do seu primeiro grande desafio?

Lucrécia (Holliday Grainger) continua a dar cartas na diplomacia e manipulação, habilidade reconhecida pelo seu amado Cesare (François Arnaud). A entrada do Rei Francês na igreja, depois da anti-triunfante chegada a Roma, num local tão bonito e com o seu mau jeito de andar, não foi com certeza feito em vão.

Percebe-se agora a ideia de Rodrigo (Jeremy Irons) em vestir tão simplista hábito. O invasor esperava encontrar um promíscuo Papa que lhe fora cantado aos ouvidos, rodeado de luxuosos ornamentos, queda para “politiquices” e esquemas. Imagino que para alguém com ideias tão simplistas, um combatente que preza a sinceridade e frontalidade, ter encontrado um “simples” Papa abalou as suas ideias predefinidas e causou uma grande surpresa. Sentir assim reconhecimento noutro ser que partilha os seus deveres maiores.

O encontro entre estes dois homens, duas almas atordoadas e divididas entre o sentido de dever e os meios que tiveram que percorrer para atingir determinados fins é perfumado por uma grande “vassalagem”, como se pedissem um ao outro ajuda, compreensão e perdão. Claro que só é sincero no caso do Rei (Michel Muller), já que Rodrigo interpreta esta personagem para alcançar os seus objectivos. Mais uma excelente demonstração da sua astúcia e capacidade de estratégia.

O Rei Carlos pode ser feio e devoto, mas não é parvo e põe o Papa em cheque com um “pedido” inesperado, que Cesare o acompanhe como dignitário/refém (uma questão de semântica), à garantia da sua recente mas “profunda” amizade. Mas há dois problemas que surgem de imediato: Ninguém consegue surpreender Rodrigo durante muito tempo, este nunca fica sem ideias novas para ripostar, e Cesare já tinha recados e paragens agendadas com o seu Micheletto (Sean Harris).

O ar de contentamento de Rodrigo quando entra no conselho de cardeais e lhes pede, um a um, que mostrem arrependimento é mais do que uma vitória política, é um prazer pessoal. A cereja no topo do bolo é ver Rodrigo de perna cruzada, cheio de si, enquanto profere “Cardeal Piccolomini, descarregue a sua alma”.

Lucrécia confessa ao seu irmão mais velho, no habitual jardim de ambos, a sua gravidez e caso extra-conjugal. É assim aconselhada, ou melhor, “obrigada” a esconder a barriga até que esta dê frutos. Ainda bem que Cesare é benfeitor de um mosteiro e conhece uma freira á qual tem agora motivos validos para visitar.

“The Borgias” presenteou-nos ao longo desta temporada com pequenos rebuçadinhos de humor. Mas este anulamento do casamento de Lucrécia com o Lorde Sforza (Ronan Vibert) foi uma tablete enorme de doçaria. A encenação, o pedido para provar que não era impotente, as cortesãs que lhe arranjaram e terem obrigado o pobre desgraçado a “confessar”, foi um grande momento! Com certeza isto vai virar-se contra eles em alguma altura, mas para já é só engraçadíssimo.

O nascimento do primeiro neto e consequente reunião familiar, como ainda não tínhamos visto até agora, contrastou com a manifestação de morte do reino napolitano. Não é definitivamente aquela utopia cheia de prazeres que o Rei imaginava. Num monte de pessoas mortas pela peste, até a mesa da “Última Ceia” perde o seu impacto. Fiz o pedido na review passada para que este reencontro ocorresse, mas esperava que fosse em termos bem mais leves. Por onde andará Alfonso II (Augustus Prew)?

Já referi, e alguns de vós confirmaram através de comentários, que “The Borgias” é uma série para ser saboreada. Este season finale não tem grandes twists, inesperadas mortes ou memoráveis casamentos. A primeira temporada tinha como grande objectivo, presumo eu, dar-nos a conhecer esta família, as suas ligações, os seus amores e ódios, os seus planos e até onde estão dispostos a ir para os alcançar. Estes nove episódios tentaram representar um papado diferente da noção moderna a que estamos habituados, recheados de planos bonitos de uma era bonita, com representações do mais alto nível que nos prendesse de imediato a estas personagens. A meu ver todos estes objectivos foram cumpridos.
Faz todo o sentido a maneira como a imagem desvanece, com a família reunida e pronta a enfrentar todos os desafios que poderão, e irão com certeza, aparecer.

Agora é esperar por 2012 para ouvirmos novamente a profunda voz de Rodrigo que me conquistou completamente.

O Melhor: A sobriedade de uma produção que sabe o que faz.
O Pior: A haver, que seja aquela parte de todos nós que desejava um final “bombástico”.

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