The Borgias: 2×03 – The Beautiful Deception

[SPOILERS] Na última vez que mergulhamos nas teias de Roma, personagens caiam como tordos, ou melhor, como pombas!

Cesare (François Arnaud) bem tentou, mas Lucrécia acabaria por descobrir mais tarde ou mais cedo, tinha de ser. A pobre Julieta presenciou a “vindima” do corpo e tudo estava montado para que acreditasse no suicídio, assumindo para si todas as culpas pelo destino do seu Romeu. Mas embora Juan tenha jogado bem, usou cartas a mais. Afinal de contas, é difícil um analfabeto deixar uma carta de suicídio. Pequeno pormenor que não escapou a Lucrécia e que a catapultou para um estado de transe em que até o próprio filho é ignorado. Só um pensamento lhe corre:

Rodrigo: “Tell us what can we do to make things right.”
Lucrécia: “Ask Juan.”

Rodrigo tem algumas facetas, umas mais simples do que outras e umas mais ríspidas do que outras. Como se sabe que determinado actor é fenomenal? Quando a sua própria respiração é capaz de nos intimidar e o seu olhar tem uma intensidade incrível, sem que para isso tenha de dizer alguma palavra. Toda a cena à mesa é perfeita e Jeremy Irons irrepreensível. Juan, como já tinha alertado na review anterior, está definitivamente mais desafiador e quebra limites a cada episódio, como irá Rodrigo lidar com isto? Por muito que o filho tenha ajudado ao plano de “re-casar” Lucrécia (Holliday Grainger), atitudes destas não serão toleradas, nem em nome da união familiar. Embora perceba o estado de Lucrécia, não consigo afastar a ideia de que ela deixou o filho passar fome em prol da chantagem com o pai. Talvez seja uma pressupor muito grande e errado, mas a sua atitude mudou completamente após a notícia de que Paolo teria um enterro digno. Acho que foi um momento quase maléfico por parte da “luz da vida” de Rodrigo. Fez-me colocar logo um pé atrás em relação à doce e inocente princesa.

Se o primeiro momento podia ser interpretado como uma birra de criança, o segundo confirmou que ali já não mora uma criança e um lado mais negro se forma. O plano para que Juan (David Oakes) morresse de forma “acidental”, tal como o seu Paolo, foi de um calculismo e frieza incrível. Acentuado por uma canção de embalar enquanto esperava pelo clímax, mais uma grande cena, cheia de força e intensidade. Juan, nem imaginas o ninho de abelhas que agitaste, a abelha-rainha vem ao teu encalço!

Rodrigo: Tell that envoy that Rome is more than just her walls. She is the Eternal City and she will not be raped and deflowered. Tell him Rodrigo Borgia spake these words.

O Cardeal Della Rovere (Colm Feore) está cada vez mais “sombrio”, com um look Don Quixote. Por hora veste-se de castanho, mas enquanto planeia o seu retorno ao hábito vermelho para destronar o que veste de branco, o preto da sombra é o seu melhor aliado (até chorei com esta frase! Vou-me deitar para restabelecer). Quem saiu do buraco foram os Sforzas, estes não se mexem até terem a certeza do que vão fazer. Em troca do apoio militar para o regresso ao Norte, Catherina (que tínhamos visto já na primeira temporada) e o “impotente” Giovanni (Ronan Vibert) “só” pedem que o Rei Francês ceda os seus canhões. Uma arma que daria um enorme jeito ao poderio militar já elevado da família banqueira da Romania. O Rei Francês (Michel Muller) sempre apreciou a frontalidade e esta carismática Catherina (Gina McKee) tem mais coragem que muitos generais. Vão-se dar bem.

Quem está atento às movimentações em Nápoles é Micheletto (Sean Harris), que mal recebe noticia do seu informante taxidermista (Noah Taylor do filme “Tomb Raider“), parte imediatamente para Roma a avisar o seu mestre. Os Borgias não chegaram ao topo com o poder do dinheiro nem a força das armas, mas pela astucia da mente e um plano é imediatamente delineado. Mal Rodrigo anuncia que pretende construir 100 canhões numa semana, percebeu-se logo que tal tarefa era impossível. Quem melhor do que uma mulher (Gemima West) que se faz passar por homem para desenvolver canhões de barro que se fazem passar por canhões de bronze? O plano é brilhante, mas assenta no pressuposto de que as forças francesas ficam intimidadas com o espetáculo e não decidem combater.

Cesare: “The king is on the move. With vengeance in his heart. He feels he was deceived.”
Rodrigo: “So he was. A most beautiful deception.”

Dá a entender que a série sofreu uma injecção de capital nesta temporada, as cenas exteriores de maior qualidade fazem presumir isso. Apesar de não termos assistido a uma batalha (e provavelmente nunca as iremos ver), o ambiente criado, a cerimónia e o encontro entre personagens foi mais do que suficiente para transmitir a sensação de tensão. No final o bluff ganhou à melhor “mão” e foi um verdadeiro all-in para Cesare. Uma vitória pessoal, dos Borgias e de Roma e tudo sem derramar uma gota de sangue! Foi de facto uma bela decepção e Roma vive mais um dia, virgem e inviolável.

Vejam a quantidade de movimentos, acontecimentos, emoções e traições que ocorreram durante estes 50 minutos. “The Borgias” está a ser um verdadeiro prazer de acompanhar. Não sei que mais elogios lhe posso tecer e tenho pena de todos aqueles que estão a passar ao lado desta família. Desculpem alongar-me sempre na análise aos episódios, mas não consigo esconder o entusiasmo em falar desta série fantástica.

Questões:

  • Onde anda Gioffre Borgia (Aidan Alexander) e a sua bela mulher Sancia (Emmanuelle Chriqui)
  • O Cardeal Ascanio Sforza (Peter Sullivan) permaneceu dentro de Roma e pareceu aliviado pela salvação. Porque não estava ele do outro lado da muralha? Talvez soubesse que nunca correu verdadeiro perigo, afinal de contas, eram os primos que estavam a bater à porta.

O Melhor: O confronto entre pai e filho à mesa é absolutamente brilhante. A cara de Rodrigo quando percebe que os canhões são falsos.

O Pior: O choro do bebé. Chegou a ser de mais.

Partilha o post do menino no...