The Borgias: 2×04 – Stray Dogs

[SPOILERS] Se há algo em que esta família não pode descansar é sobre o colchão das boas notícias. A tragédia não tarda em aparecer quando o céu parece mais limpo. O tempo para celebrações é sempre encurtado de maneira abrupta.

Cesare: “God is deaf, God is blind and pitiless.”

As personagens secundarias que orbitavam esta família continuam a cair. Se por um lado tivemos um Alfonso que era relativamente indiferente para os Borgias (no plano afectivo pelo menos), as mais amadas viram o seu fim chegar cedo e de modo trágico. Dos dois irmãos que abriram o coração para o amor, ambos sofreram perdas pesadas. Úrsula (Ruta Gedmintas) não era, definitivamente, das minhas favoritas e ao contrário de Paolo, nem sequer teve direito a um episódio de foco. Talvez por isso ainda me dê menos pena a sua partida. Gosto mais das cicatrizes que a sua morte provoca em Cesare (François Arnaud) do que qualquer outra benesse que provocou em vida.

Para quem é fã dos jogos “Assassin’s Creed” não pode deixar de ficar deliciado com este plano de Cesare em formar um pequena liga justiceira, formada por membros de origem duvidosa e de feios, porcos e maus. Tinha receio de que com a partida de Neil Jordan da realização a qualidade da mesma pudesse baixar, mas o receio esfumou-se. A chegada de Ludovico Sforza (Ivan Kaye) a Roma fica marcada por um plano espectacular em que a câmara viaja com Micheletto (Sean Harris) enquanto este reúne as suas tropas. Fantástico.

Rodrigo: “Interesting concept honour, isn’t it? Like its cousin, valour.”

Com a partida de algumas personagens surge espaço para novas ocuparem o seu lugar. Juntamente com Ludovico, chegam a Roma Francesco Gonzaga (Patrick O’Kane), Duque de Mântua e a sua lindíssima esposa Duquesa Bianca (Melia Kreiling). Não reconheceria a bela duquesa como a companheira de banho de Rodrigo (Jeremy Irons) no primeiro episódio da temporada (bendito mini-flashback). A cara de surpresa de Rodrigo é impagável. Mas não é só beleza e surpresa que este trio traz na bagagem, o exército francês parte de regresso com a honra ferida, mas com o seu poderio militar inabalável, pilhando e destruindo pelo caminho (o convento é a prova disso) e antes que os franceses destruam mais a bela paisagem italiana, um plano é formulado. Os exércitos de Veneza, Milão e Mântua, sobre a liderança de Gonzaga, reúnem-se e enfrentam este demónio. Com a bênção do Papa, claro. A ironia daqueles que viraram as costas em tempo de aflição, reclamarem para si a defesa da honra. Políticas e as mentalidades temporárias com as quais os jogadores têm de lidar se quiserem brincar a este jogo. No entanto há sempre um jogador que vê o tabuleiro e pensa três jogadas à frente. “Matai-vos uns aos outros que no fim fico eu para contar a história e colectar as recompensas”, pensou Rodrigo. Terá sucesso o seu plano de passividade? Só tem de atear o fogo, afastar-se e assistir.

Paralelo a estes jogos de honra, Cesare vai construindo a sua milícia. Agora que a equipa está a bordo há que equipa-los com as armas mais mortíferas e furtivas disponíveis, incluindo o cortador de queixo. Isto ganha um significado especial quando pensamos que o “inocente” cardeal, afastado pelo pai das lides guerreiras, continua a fazer crescer o seu lado bélico. Os planos do filho rapidamente chegam aos ouvidos do pai, mas ao contrario do que seria de esperar, este não o trava com o argumento de que um clérigo não combate nas sombras, ao invés, ensina-o na arte da vingança. Fica a questão: Alguém conseguirá parar Cesare no futuro?

Rodrigo: “Vengeance should never be seen as that. It should always be unexpected and it should rarely be public…We know little of war, but much of vengeance, and the one salient point is this: vengeance is patient. It can wait a lifetime if necessary. Because it never dies.”

La Bella Giulia Farnese (Lotte Verbeek) trava outra batalha, usando livros de contas e combatendo seres gananciosos e possessivos, cardeais. Determinada em balancear as contas do Vaticano, Giulia vê em Lucrécia (Holliday Grainger) uma aliada para desviar esses fundos previamente desviados para causas bem menos nobres, como o luxo desmesurado. O que não esperava era que este duo se tornasse um trio, muito menos que esse membro fosse Vanozza (Joanne Whalley). A ideia não é menos de genial e Giulia mostra que para alcançar certos objectivos é preciso engolir alguns sapos. Penso que estas duas se vão entender muito bem, com Lucrécia de perto a aprender todas as manhas que puder.Por falar na princesa Borgia: de partida para terras do norte, com o Cesare e o Cardeal Ascanio Sforza (Peter Sullivan) na bagagem, Rodrigo deixa no comando da cúria a única pessoa em qual pode confiar. A ideia de deixar uma jovem mulher a presidir os cardeais é amostra de um homem desafiador até ao fim. Não evitei uma gargalhada quando vi a princesa a ajeitar-se na cadeira e a dar uma lição de “culinária”. A verdade é que não queria esta donzela no lado oposto ao meu.

Enfim o plano escondido é revelado: mais do que honra, todos desejam os frutos da pilhagem do exército francês em terras italianas. Brilhante a revolta de Charles VIII (Michel Muller) quando descreve de que os seus homens são capazes. Igualmente brilhante, Rodrigo faz questão de clarificar para que lado vão se enviados tão ricos tesouros durante a confissão de Gonzaga, afinal de contas: “God’s blessing comes with a price”.

No final ficam os vitoriosos do costume, os mesmos que saem com a honra, a riqueza e o sabor da vitória, aqueles que têm o prazer de ver uma série assim, nós!

Notas:

  • Mais uma vez tenho de pedir desculpa pelo atraso das reviews, espero na próxima semana ter a série em dia.
  • Micheletto esboça uma reacção quando acaba com o sofrimento do soldado francês. Terá algum significado? Continuo a acha-lo demasiado devoto a Cesare…
  • Confirma-se a aposta crescente nos cenários exteriores desta temporada. É algo de salientar e apreciar.
  • A notícia da renovação para uma nova temporada surge sem grandes surpresas. Mas os números das audiências ainda provocaram calafrios.

O Melhor: A cena que mostra Micheletto a reunir as suas “tropas”.

O Pior: Por onde andou Juan?

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