The Borgias: 2×06 – Day of Ashes

[SPOILERS] Após o tecto ter desabado, literalmente, sobre Rodrigo e Cesare estar com o maior exército da romania em seu encalço, posso afirmar com toda a certeza que já se viveu momentos melhores na casa Borgia.

Cesare: “Trust me, my name is Borgia.”

Rodrigo (Jeremy Irons) é um homem marcado pela culpa e a sua postura parece ter mudado. É visível nos instantes iniciais, mas de que forma? Que mudanças radicais advirão da tragédia? Della Rovere (Colm Feore) esse, não se deixa impressionar, não cai no “bluff” e está disposto a tudo para alcançar o seu objectivo, incluindo “envenenar” o pobre discípulo para o tornar mais forte/ver se ele é capaz de seguir com o plano…duas vezes! A pergunta surge: até que ponto está Della Rovere disposto a ir para destronar alguém por crimes que ele próprio começa a superar?

Padre: “A new leaf?”
Della Rovere: “A new pretence.”

Enquanto isso, em Florença, Savonarola ganha cada vez mais poder aos olhos do povo. A cegueira provocada pela fé e pelas palavras inflamatórias leva os devotos às mais loucas e radicais demonstrações públicas. O cenário descrito é quase dantesco, com dezenas a chicotearem-se e mais um mulher a dar uma de “Úrsula”, entregando-se, a si e à sua alma, à igreja. O cerco popular à família Medici aperta cada vez mais e agora a revolta não é só feita de palavras e intenções.

Savonarola: “And will the Medici repent, abandon their avarice and usury? Their gold and finery? If they do not repent, we will cast them out as Jesus threw the money lenders from the temple! For they have turned a house of prayer and made it a den of thieves!”

Pedia Rodrigo ajuda a Deus para se confessar (porque não o padre da primeira temporada, aquele que lhe apaziguou a alma durante a invasão francesa?) e como resposta teve um Cesare (François Arnaud) ainda com o rabo entre as pernas da corrida. A cena no confessionário seria engraçada não fosse o seu teor dramático. O Papa pune-se pelos pecados que comete, mas para o dos outros, especialmente dos filhos, tem pouca tolerância (pelo menos as notícias servem para o tirar de um estado de apatia). Já não havia campos de batalha suficientes, novos crescem dentro da família. O acto de Cesare, por muito desejado que fosse pela irmã, apressou a necessidade de a casar. Um arranjo que só Rodrigo deseja e que tanto Lucrécia (Holliday Grainger), que não desejava casar mais, como Cesare, ver o seu amor novamente nos braços de outro, não parecem ter voto na matéria.

Savonarola, sem surpresa e com completo desdém, recusa o hábito vermelho na cara do número dois do Vaticano. Com as intenções bem expostas, um plano é traçado quanto ao “futuro” do inconveniente padre. Rodrigo pode não querer Cesare ligado às actividades bélicas, mas quando é altura de “apaziguar” alguém é sempre a ele que recorre. A conversa entre eles é mais uma pequena pérola:

Rodrigo: “You will ban him from preaching the word of God.”
Cesare: “He will laugh in my face.”
Rodrigo: “Of course. Then we will charge him with heresy.”
Cesare: “He will laugh in your face.”
Rodrigo: “Of course. Then we will excommunicate him.”
Cesare: “He will deny your right to do so.”
Rodrigo: “Of course. And then we will burn him. Vengeance, you see, can wait. A lifetime if necessary.”

Enquanto a família Medici se refugia em Roma (mas já sobre a alçada de Rodrigo, que fez questão de delinear bem as condições) Cesare descobre, pela língua do embaixador Machiavelli (Julian Bleach), que os lendários cofres da família banqueira podem não ser tão invioláveis assim e todos os fundos do Vaticano terem sido “transferidos para outra conta”. Todo aquele plano de interceptar o transporte me soou muito suspeito, muito fácil (porque trairia Machiavelli a “sua” família?). O fedor a armadilha e fracasso pairou no ar, felizmente foi só no local e não entre famílias.

No final, de nada serviu o plano e os esforços de Cesare caiem por terra. “One son in the cloth, and one in armour”, sempre foi esse o lema de Rodrigo e não há ofertas de ouro que vão mudar isso. Não deixa de ser um grande acto de injustiça ver que quem mais faz para o sucesso da família (facto que não deve escapar a Rodrigo, por isso o quer tão próximo), ter de ser o que tem de abdicar mais dos seus sonhos. Obviamente Cesare vai continuar a cumprir a missão que lhe foi depositada, mas até quando?

Curiosidades:

  • A piada de ver Rodrigo a obrigar o conclave a comer sardinhas, só é superado pela cara de pânico/alivio do provador na altura de degustar as mesmas.
  • Mais um grande momento, em que Rodrigo explica a Vanozza (Joanne Whalley) que foi o Lorde Sforza que “caiu” sobre a faca que Cesare segurava. É uma maneira de ver a coisa, realmente. (Rodrigo: “He fell onto a knife that Cesare happened to be holding.” Vanozza: “Had I been there I would have helped push him onto the blade.”)
  • Lucrécia a avaliar o sobrinho que veio de Veneza (Lucrécia: “That’s no to the doge’s nephew and yes to the dog…Wait, on second thoughts, it’s no to them both. Man and dog”). Se adicionarmos Rodrigo à imagem, com cara incrédula, é mais outro grande momento. Entretanto um novo amor para a doce princesa aparece no horizonte. Choque dos choques: é alguém que não convém!
  • Que a relação entre Micheletto (Sean Harris) e Cesare não é apenas de mestre e servo já tínhamos percebido, mas chega agora a confirmação. O Borgia sugere ao seu irmão de armas um lugar na capitania do exército, caso o seu sonho se torna-se realidade, mas Micheletto, igual a si mesmo, prefere a sombra e recusa. O que não deixa de ser curioso.
  • Parece que Juan (David Oakes) vai voltar, finalmente, no próximo episódio. A campanha por terras do Novo Mundo chegou ao fim, mesmo a tempo de comandar o exército papal no cerco de Forli.
  • As três mosqueteiras continuam a lutar, discretamente, a favor dos pobres. Esta história nunca tem muito destaque e é sempre contada nos “intervalos”, como quem não quer chamar muita atenção…
  • Por onde andam a amante Vittoria e o cachopo Geoffre Borgia (Aidan Alexander) mais a sua mulher? (se calhar está na altura de parar de exigir que toda a gente apareça nos episódios, senão isto mais parecia “Game of Thrones”)

O Melhor: Cesare vai levando a série aos ombros.

O Pior: Não conseguiu ser tão intenso como os seus antecessores.

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