The Borgias: 2×07 – The Siege at Forli

[SPOILERS] Ser Borgia é isto: quando não se luta contra inimigos externos, luta-se com a família em si…se não forem ambos, claro.

Juan (David Oakes), o “esquecido” que esteve ausente durante uma parte desta temporada, numa altura em que a família passava por momentos tortuosos (sejamos sinceros, quando é que eles não estão?!) está de volta. A última memória que temos do impetuoso filho foi a meio do terceiro episódio, quando Rodrigo (Jeremy Irons) o “transferiu” para Espanha e o ordenou que arranjasse mulher e endireitasse a vida, em suma, que voltasse um filho digno de um Papa. A série não demorou a desfazer os sonhos de mudança, o rapaz veio como partiu, desafiador.

Oferecer uma pantera negra à irmã, é um acto que nos faz abanar a cabeça, fechar os olhos e esboçar um sorriso exclamando: “típico Juan”. Se oferecer ao Papa “cigarros”, fruto das descobertas dos Conquistadores em terras americanas, por si só não tem piada, ganha-a quando Rodrigo pensa que são…troncos de origem intestinal! A verdade é que o aparato, e um pouco de representação, enganam o Rodrigo viciado em tabaco, que vê um homem feito neste Juan homem-marido-pai.

O gesto de dor na cadeira, o não querer beber vinho, a dificuldade em urinar…cedo se percebeu que não foi só cigarros e panteras que Juan trouxe de Espanha, a gonorreia também. Mas não é nada que impeça um pequenino cerco a Catherina Sforza. Sobre ordens papais o Gonfaloniere tem como missão acabar o trabalho que Cesare (François Arnaud) começou, usando métodos menos éticos de batalha.

Enquanto isso, o mais ajuizado dos filhos está em Florença a tratar do problema Savonarola. Obviamente que o padre renegado não iria ceder as ameaças, aliás, até intensificou a sua actividade. Agora faz-se rodear por uma verdadeira “milícia” juvenil que impõe os seus desejos. Urge a pergunta: quanto tempo mais vai ele fugir da fogueira? Cesare está tranquilo, esperando, imóvel, tão imóvel que nem se dá ao “trabalho” de avisar o irmão que uma emboscada está a caminho de Forli. Eu disse que os actos de Juan iriam ter consequências.

Lucrécia (Holliday Grainger), num relevo mais baixo na história (depois da morte de Paolo), continua de olho no irmão errado, porque não tinha já problemas suficientes. Desta vez nem se juntou ao restantes membros da tríade feminina para cuidar dos pobres contra os vilões cardeais. Remetida, por pressão do patriarca e matriarca, a objecto de troca, aceita ser “vendida” àquele que oferecer mais. Não fossemos nós conhecer o fogo de Lucrécia e até acreditávamos que o seu destino se limitaria a isto.

O final é mais uma vez a salvação de um episódio alguns furinhos abaixo da média da temporada (seria inconcebível que fossem os dez bombásticos). Depois de 40 e poucos minutos de ambiente relativamente morno, tivemos uma mini batalha que deixaria alguns filmes embaraçados e que colocou mais um filho Borgia a fugir de Forli para os robes do Papa. As mortes macabras representadas são muito bem feitas e dão-nos uma luz de como morriam os soldados naquela altura. Igualmente gráfica é a maneira como Catherina mostra a sua garra a Juan. São outros tempos, outras maneiras, outras depilações. Acima de tudo é preciso respeitar esta mulher pela sua coerência e coragem (e Gina McKee pelo excelente trabalho). Cada vez gosto mais dela e espero que o seu final não esteja para breve. Na memória fica:

Catherina: “This is my answer! You can take my son, but do you see? Here! I have the means to produce ten more sons! And they will hunt you down and send you to your grave.”

O Melhor: Rodrigo a fumar e o discurso final de Catherina.

O Pior: À semelhança do antecessor, foi um episódio menos intenso que os cinco primeiros da temporada. Juan volta para Itália e não traz a mulher?

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