The Borgias: 2×08 – Truth and Lies

[SPOILERS] Mais um episódio, mais um que começa com um Borgia a correr pela vida em direcção oposta de Forli.

Mas algo me diz que os pecados de Juan (David Oakes) vão ser mais difíceis de perdoar. Curioso ver que depois de entrar triunfante num episódio, entra “desgraçado” no outro. Antes mesmo de Rodrigo (Jeremy Irons) esboçar qualquer comentário, Juan dá o seu relato “factual” do que aconteceu, sem qualquer adulteração ou imaginação, uma verdadeira história de heroísmo e coragem, pois claro.

Vinha o cardeal Ascanio Sforza (Peter Sullivan) e Piccolomini (Bosco Hogan) dar as boas notícias da morte do Rei Francês e esbarraram num Papa “desgostoso” com o acontecimento. Seria de esperar que houvesse alegria, mas não, Rodrigo parece sentir falta do carácter e força do rival. Quanto a mim, a notícia enche-me de tristeza, principalmente por chegar assim, a “seco”. A série constrói tão bem certos personagens que é impossível não sentir a falta deles quando partem. Primeiro foi Alfonso, agora Charles (Michel Muller), espero que não me tirem a Catherina tão cedo, por favor.

As histórias facciosas de Juan esbarram num pequeno pormenor: o honroso conquistador Hernano (Robert Cavanah) salvou o jovem Benito (Noah Silver), o único capaz de testemunhar sobre o que realmente aconteceu. Óbvio que Cesare (François Arnaud) vai espremer a situação o máximo que puder enquanto o “general” está mais débil do que nunca. Gonorreia, ferida na perna que pode compromete-la, orgulho ferido, olhar reprovador do pai, dores constantes…o cenário não é o melhor. Pela segunda vez um mouro entra na vida de Juan, será que lhe vai fazer o mesmo que ao primeiro? Será o ópio a sua próxima desgraçada? A verdade é que já tinha saudades deste confronto entre irmãos, a tensão palpável entre ambos e este Juan em versão “Dr. House” é bom de assistir.

Lucrécia (Holliday Grainger) abandona um pouco os jogos perigosos de bastidores para voltar a ser uma criança e brincar aos casamentos de relevo. A pressão do pai é intensa mas ela não se deixa jogar por ela, no entanto, Vanozza (Joanne Whalley) explica-lhe as verdadeiras leis do jogo. A princesa parece esquecer-se que é uma Borgia, não tem mesmo de escolher, pode variar entre o amante e o marido, o doce e o salgado, o certo e o errado. Longe parece ir Paolo e o ideal de um amor para a vida, Lucrécia tem de se adaptar à realidade. Espero que este arranjo seja bem mais do que parece, quero ver esta jovem a envolver-se em esquemas, politicas e trafulhices (ou seja, que se dedique ao negocio da família), não a quero ver a arrastar-se por romances, traições e joguinhos de bonecas. Por outras palavras, espero que não volte ao período “Paolo”.

A peça foi encenada perfeitamente. Benito foi largado na igreja em ruínas como se de um fugitivo se tratasse. Assim a verdade cai no colo de Rodrigo, sem que o cardeal tenha tido influência “directa”, como sempre, genial. Mas aquilo que joga contra Juan, também joga a seu favor. O desespero e o estado mental/físico mantêm a mão de Rodrigo firme e o seu “lombo” livre de castigo. O Papa também foi misericordioso com príncipe de Forli e devolveu-o à mãe via Cesare, contra todos os conselhos de Micheletto (Sean Harris). Será mesmo este um cão que voltará para morder a mão que o libertou? Esta analogia tem dupla piada, considerando que a mão que o libertou é da mesma família daquele que tirou uma parte da mão dele.

Ainda sobre Cesare, continua homem de toda a obra e prepara-se para terminar a novela Savonarola, já com a devida autorização “divina”. Esta é uma história que tarda em avançar, ou melhor, em se concluir. Já percebemos que estão a preparar-se para a desatar na season finale, mas ao menos não a tinham iniciado tão cedo. Della Rovere (Colm Feore) vai moldando a mente do seu discípulo e quando a mensagem é forte e a mente é fraca, o impacto é profundo. O mensageiro da morte de Rodrigo treina os pecados no homem que impedia a morte do seu alvo (um episódio cheio de ironias, sem dúvida). O ex-cardeal avança no plano sem nunca perder noção dos marcos que vai pisando, marcos que não têm retorno e deixam marcas na alma. Tão longe está este clérigo do pico da perfeição que pregava ser no piloto da série…

Antes de partir, umas perguntinha: Onde andam as amantes Vittoria e Giulia Farnese?… e Gioffre emigrou? (pronto, foram duas!)

O Melhor: A maneira como a história lida com as ironias. O desempenho de David Oakes em constante sofrimento.

O Pior: A série parece ter abrandado depois do sprint da primeira metade. A surpresa da morte de Charles e a tristeza que isso acarreta. O arranjo de Lucrécia não me enche as medidas e temo o retorno a velhas novelas.

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