The Borgias: 2×09 – World of Wonders

[SPOILERS] A um episódio da season finale, “The Borgias” acelera a todo o gás.

Pedia eu na review anterior que Lucrécia (Holliday Grainger) não se cingisse a joguinhos de amor e o episódio começa logo com uma revelação, em vez de arrastar isto para a próxima temporada. Também em modo de aceleração está o problema Savonarola, com Cesare de regresso à cidade renascentista e com Rodrigo (Jeremy Irons) a ultimar os preparativos para a sua “expulsão”. Há muito que Savonarola está fora de controlo e ter pessoas a serem queimadas por bruxaria é a última escada antes do inferno. O cenário nunca perde a intensidade, não consigo imaginar pior morte. Micheletto, que está acostumado à morte e mesmo assim mostra desconforto, e Cesare observam ao longe, sobre as palavras sempre enigmáticas e fantásticas de Machiavelli (Julian Bleach).

Machiavelli: “Here lie the ashes of countless treasures…Savonarola understands that what haunts a man’s mind in the night is what rules him. He trades in the fear of hell…if angels can fall from Heaven into Hell, then so can we all.”

Desmistifica o homem e desmistificarás as ideias. Cesare (François Arnaud) decide colocar, brilhantemente, o mito à prova e desafia o “desafiador” a provar que tem ligação directa com a divindade. Porquê trabalhar tanto para o desacreditar quando ele pode fazer isso sozinho, com todo o povo de Florença como testemunha? Mas o risco era alto, a estratégia podia fazer ricochete e torná-lo num mártir, ou pior, num sobrevivente ainda mais poderoso.

Eu sou daqueles que não me importo nada de estar errado, principalmente quando isso é sinal de boa surpresa. Numa mistura de música, efeitos visuais e contraste entre o que é vivido nas ruas de Florença e na Basílica no Vaticano, a cena da desmistificação de Savonarola é um grande momento, que acaba com um sorriso controlado de Cesare. Enquanto o frei arde, os cardeais parecem ainda atear mais o fogo quando atiram as velas ao chão.

No que toca a loucos, por momentos não sabia se Juan (David Oakes) estava a falar com Deus, ou com o seu “amiguinho”. A verdade é que o ópio é o único prazer que o pobre coitado tem. Entre alucinações, pede por ajuda…mas ninguém está a ouvir. Della Rovere (Colm Feore) e o seu discípulo atingem a penúltima fase do plano, a infiltração. Rodrigo tem de escolher entre um candidato da Ordem Cisterciense, mas com as mãos mal tratadas, um Franciscano, da mesma ordem de Savonarola, ou um “Franciscano” inocente e puro, com um discurso meticulosamente preparado. Adivinha-se o desfecho do “tribunal Papal”.

Giulia Farnese (Lotte Verbeek) esteve ausente nos últimos episódios mas em vinte segundos se explica o porquê e que fez ela entretanto. Rodrigo não fez só abstinência de comida mas também dos prazeres da carne, logo, “A” bela de cabelos de fogo não tem aquecido a sua cama. Entretanto ela avançou com os planos para devolver o dinheiro ao povo, habitações foram construídas, dinheiros desviados e estômagos cheios. Giulia não só mostra utilidade como mostra a Rodrigo que está na altura de acabar com a auto-penitência….e assim nasce um novo Rodrigo de manhã (uma noite com Giulia pode fazer isso). Um Papa com consciência limpa e tranquilizada, simbolizada pela entrada do neto no reino de Deus.

Uma alegria familiar manchada por uma úlcera de nome Juan. Ele é guerra com Cesare (depois de descobrir que Benito sobreviveu ao cerco de Forli), ele é guerra com Lucrécia (depois de abordar o tema Paolo e fazer uma sublime ameaça à vida de Giovanni). Se a guerra era fria, tornou-se numa guerra aberta :

Lucrécia: “Tell me about poison.”
Cesare: “It kills with no hope of reprieve.”
Lucrécia: “I would happily kill tonight.”
Cesare: “And break your father’s heart?”
Lucrécia: “Would that be the consequence?”

O momento de loucura termina em “grande”, com a violação de uma virgem, claro. Micheletto (Sean Harris), sempre vigilante e atento controla a situação daquela maneira peculiar que só ele sabe fazer (que seria desta família sem ele?!). Na review anterior perguntava se este mouro ia ter o mesmo final do primeiro, pergunta posta, pergunta respondida. Juan é como um cancro que arruína toda a vida à sua volta, talvez por isso…

Cesare: “Only God forgives. We’re Borgias! We never forgive.”

O inimaginável acontece. Nem no cenário mais escuro pensei no momento em que Cesare mataria o irmão, ou melhor, que o faria tão cedo. A cena é cheia de intensidade pelos intervenientes que são, pelo ódio/amor que os une e pelo peso que têm na história. Mas ao mesmo tempo faz-me questionar o timing: porquê agora? Porquê é que depois de Rodrigo pedir a Cesare para ser o anjo da guarda do irmão, este o manda para os anjinhos? Cesare não é um Paolo, um Alphonso ou um Charles, é Juan! É uma das personagens principais do trama que morre tão “cedo”. Se por um lado foi eficaz em surpreender, por outro faz-me questionar se foi realmente a decisão mais acertada para a história. Acabou-se a tensão entre irmãos e a série perde mais um grande “mau da fita”. Ficamos nós chocados e fica Micheletto:

Micheletto: “I stand in awe, your Eminence.”
Cesare: “You killed your father.”
Micheletto: “Still, I stand in awe.”

Um episódio uns bons furos a cima dos anteriores, que devolve uma intensidade inesperada à temporada. Depois de um final assim surge que nos pode reserva a season finale? Eu estou de boca aberta, vou-me deitar um bocadinho e tentar processar o que acabou de acontecer.

O Melhor: A surpresa final. A subida de intensidade. Não coloco aqui o Micheletto em todos os episódios para não me repetir, mas…

O Pior: A morte de Juan é tão surpreendente que me faz questionar se foi mesmo acertada. Embora o resumo de Giulia tenha sido bem feito, podia ter sido “mostrado” ao longo dos últimos episódios.

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