The Borgias: 3×01 – The Face of Death

[SPOILERS] Uma das minhas favoritas voltou. A família criminosa original regressa depois de uma segunda temporada genial e de um ano de paragem. Volta para nos presentear com mais bom drama e grandes interpretações.

Começamos no momento em que partimos, com um Vaticano em estado de alerta máximo. Imediatamente percebemos que a série não perdeu nenhuma da pedalada que já nos habituou. Tudo acontece a um ritmo frenético, com uma banda sonora digna a acompanhar. Cesare (François Arnaud), soldado de coração, parte imediatamente em busca de vingança e Lucrécia (Holliday Grainger) realiza a lavagem de estômago mais “arrepiante” de sempre. É muito curioso ver como esta season começa, à imagem de como a série iniciou: um Papa a morrer e os abutres de vermelho a pairar sobre um corpo que ainda não arrefeceu. A diferença é que Rodrigo (Jeremy Irons) não está morto. Facto que não silencia a ambição e avareza daqueles que já discutem o nome para a sucessão e regateiam regalias pessoais. Curioso também observar que a família mais poderosa do mundo ocidental é igualmente tão frágil. Com a morte de Rodrigo, não há aliados, não há interesses, não há salvação nem gloria. Só a morte os espera.

Nestes momentos surgem oportunidades, em que as aranhas saem dos esconderijos e atacam os alvos mais frágeis. Vemos um novo peão a entrar, Rufio, uma espécie de Micheletto Sforza, um homem para todos os trabalhos que traz a foice da morte para toda a família Borgia. Cardeal Ascanio Sforza (Peter Sullivan) é assim pressionado pela família a dar a ultima estocada, em nome da vingança e de o lugar na sucessão, questionando novamente a sua verdadeira lealdade. Cardeal Della Rovere (Colm Feore) podia fugir para o exílio, mas não, não faz parte da sua personalidade faze-lo, nem vai de encontro ao seu interesse: o trono. A expressão dele quando vê Rodrigo a voltar à vida é deliciosa. Cesare consegue impingir-lhe o medo nos osso, mas tal como um gato, o Cardeal torna a escapar das garras para tentar mais uma vez. Esperava algo diferente nesta temporada, mas parece que esta personagem vai seguir o mesmo caminho da anterior.

Por falar nessa “ressurreição”, que dizer da representação e caracterização de Jeremy Irons? Nada de novo. O discurso, as lágrimas, os olhos, o rodar da câmara ao redor da cama, o simbolismo de o vermos a vomitar preto, como que um purgar, um exorcismo se tratasse… são pormenores que tornam tudo melhor. O patriarca sempre teve uma relação estranha com Deus e embora Ele apareça sempre para o salvar, tem-no feito passar por tragédias que fazem o nosso Papa sentir o abandono divino. Não ter visto a Sua face quando caminhava para a Luz é mais um sinal para Rodrigo que Deus possa estar (novamente) de costas voltadas a este papado. A relação Pai-Filho também continua conturbada. Embora queira esconder o momento Abel e Caim, colocando o assunto para debaixo do tapete no que toca à culpa de Cesare mas ordenando-o que procure um “culpado” adequado, não esquece a traição nem vai perdoar tão cedo.

O final traz-nos uma personagem tão querida para mim, uma verdadeira vilã, Catherina Sforza (Gina McKee). Pelo que já mostrou e por aquilo que vai com certeza mostrar, é um peso pesado a levar em conta. A ideia de reunir todos os inimigos Borgia debaixo da mesma bandeira é excelente, afinal de contas, não são poucos. O sorriso dela na última cena é deliciosa, espero mesmo que a sua presença seja mais frequente nestas season.

Rodrigo Borgia: “We are at war.”

Em resumo, foi uma excelente estreia. Todo o ambiente esteve fantástico, a intensidade foi grande e as representações estão ao nível que já nos habituaram. Se tivesse que apontar um “defeito” teria de referir o excesso de noite. Entendo que seja algo ao qual não se pode fugir, mas foi um episódio com muitas cenas nocturnas e eu aprecio bastante a luminosidade da série. Super ansioso com aquilo que “The Borgias” nos vai trazer esta temporada. Continua a ser uma das melhor da actualidade.

O Melhor: A intensidade inicial. Jeremy Irons em versão debilitada. A promessa que vamos ter mais Catherina Sforza. A introdução de um anti-Micheletto.

O Pior: O excesso de noite. A ideia que Della Rovere vai repetir o arco da segunda temporada. Giulia Farnese desapareceu depois da cena inicial. Não dá para fazer um spin-off com Micheletto (Sean Harris)? Por muito que apareça, sabe sempre a pouco.

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