The Borgias: 3×02 – The Purge

[SPOILERS] As chamas da guerra estão lançadas, e agora? Agora é o dia-a-dia normal na vida deste tabuleiro, com traições, mentiras, luxos, intrigas, assassinatos, alianças e artimanhas…

Sforza, Colonna, Vitelli, Orsini… Víboras, serpentes, aranhas. Roma é um verdadeiro zoo em que ninguém confia em ninguém, e com razão. Rodrigo (Jeremy Irons) encontra-se a recuperar aos poucos da tentativa de assassinato e a confiança naqueles que o rodeiam. O plano de Catherina é bom, mas não escapou ao olhar de falcão de Rodrigo, que já está em cima do assunto. Rodrigo em casa e Cesare  na rua, may the games begin:

Rodrigo: “Imagine Roma como uma teia de aranha, meu filho. Cada família tem um fio de seda ligada a um ovo que está ligado ao interior destas paredes. Cada um desses fios transparentes regressa através até à tarântula de Forli. A Grande Aranha, Catherina Sforza. E cada ovo usa um chapéu de Cardeal e um sorriso de obediência e devoção. Eles conspiram para matar a si, sua mãe e irmã. A conspiração para matar o seu amado irmão foi bem-sucedida.”
Cesare: “Certamente é imperdoável.”
Rodrigo: “Se quer reconquistar o nosso amor, siga os fios de seda até às famílias fora destas paredes, e deixe os Cardeais do Vaticano connosco.”

Este foi o episódio de Rodrigo. Amarrado entre a cadeira e as teias de Forli, o nosso Papa não deixa transparecer qualquer fragilidade mental. Perspicaz como sempre, orquestra todos os movimentos e conspirações. Embora ainda assombrado pela morte do seu amado filho (representado pelo pesadelo), e com alguns problemas debaixo dos lençóis, nada nesta figura é frágil. Cesare (François Arnaud) tratou de fazer inquisições onde um Papa não chega, Cardeal Ascanio Sforza (Peter Sullivan) fá-lo-á dentro das paredes sagradas, sem dó nem piedade.

Um pouco à margem do primeiro episódio, Lucrécia (Holliday Grainger) volta com todas as suas novelas matrimoniais. Presa para sempre ao coração do seu querido irmão, não é ele que representa o problema na altura de casar com o doce Alfonso de Aragon (Sebastian De Souza – irmão de Sancia, esposa do pequeno Geoffre Borgia e que andava às cambalhotas com Juan). A família real de Nápoles não aceita bem que o seu virgem case com uma mulher que já enterrou um marido e tem um filho ilegítimo de outro, complicando as coisas na altura de “combinar” o casamento.

Cesare: “Você é Lucrécia Borgia, o escândalo da Itália. É quase o inimigo da Itália. Logo será Princesa de Aragon. Quem ficar no caminho da sua felicidade conhecerá minha ira. Somos uma família profana, diga-lhe isso.”

Incrível ver a progressão desta personagem desde o início da série. A evolução desde aquela inocente menina, para uma mulher já cheia de história, cada vez mais atraída por Cesare. O amor entre eles sempre foi visível, mas agora começa a ser também palpável. É difícil ver Cesare sem palavras e envergonhado, raridade só ao alcance do corpo e da sedução da irmã.

Outra jogadora que pode não estar muitas vezes na linha da frente mas que controla todos os jogadores Borgia, é Vanozza (Joanne Whalley). Cheguei a questionar a sua utilidade, mas a verdade é que tem conseguido manter-se presente com a importância a ser aumentada. Na temporada passada formou a tríade com Lucrécia e Giulia Farnese (Lotte Verbeek) para controlar os gastos no Vaticano (algo que ficou meio esquecido entretanto) e nesta vimo-la a cumprir o seu papel de matriarca quando Rodrigo esteve indisposto. Considerando que Giulia já não cumpre com o seu papel de “estimular os serviços papais” (algo que me surpreendeu pela rapidez com que aconteceu… por um lado não a considerava tão “interesseira”, ao querer um palácio e favores, por outro não pensei que fosse desistir tão facilmente do “posto”), Vanozza parece estar aos poucos a abandonar o papel de secundária e a tomar as rédeas da família novamente.

Vanozza: “Não! Falta-lhe vigor, lembra-se?”
Rodrigo: “Parece que já não falta.”
Vanozza: “A causa não era veneno, meu amor?”
Rodrigo: “Parece que não… Sentimo-nos seguro consigo, é como voltar para casa.”

Realizada a limpeza no Conselho de Vermelho, uma confissão pedia urgência. Imediatamente os meus sentidos de aranha (e com certeza os vossos) começaram a despertar. Rodrigo não consegue passar um episódio sem que alguém lhe tente limpar o sebo e desta vez teve de ser o próprio a tratar do assunto pelas próprias mãos… Com inimigos em todas as esquinas, a vida não está nada fácil para a família. Mas é isso que torna a série tão boa, para nós.

Foi um episódio foi bem menos frenético que o da estreia, no entanto, teve momentos muito bons de diálogo, com aprofundar de relações entre personagens. As vezes a intensidade faz-nos esquecer que esta é uma série principalmente “falada”, em que as acções são só a cereja no topo do bolo. No final surgem-me algumas questões: depois do boom de nomeações para Cardeal que Rodrigo já fez anteriormente, prepara-se outra. Quem serão os eleitos? Estará o irmão de Giulia entre os escolhidos? Tudo bem que Giulia parece estar fora das pretendidas por Rodrigo, mas por onde andará a bela artista Vittoria (Gemima West)? Por falar em ausências, o que é feito do pequeno Gioffre Borgia (Aidan Alexander) e d bela da mulher Sancia (Emmanuelle Chriqui)? Agora que esta já não tem Juan para se entreter…

O Melhor: Os diálogos de Rodrigo com a família. Rodrigo no Conselho dos Cardeais a fazer-se de chocado. Lucrécia, a Mulher dona de si própria.

O Pior: Não teve Catherina Sforza (Gina McKee) e tenho saudades de Machiavelli.

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