The Show(time) must go on, and on…

Um dos problemas de acompanhar séries com maior afinco do que a maior parte do povo, é que começamos a vislumbrar um pouco da “big picture”. Mais do que séries, começamos a ver estações, produtores, actores e o que de bom e mau acrescentam a um projecto. Exemplo: antes acompanhava muitas séries da CW. Primeiro porque na altura encaixava no demográfico como nem gingas, mas também porque muito do seu conteúdo era mais “fresco” do que em outras estações. Hoje em dia nem lhes pego (sendo a moribunda Supernatural a excepçao). Sei que não vou tirar nada daquelas séries porque tudo funciona segundo um modelo que cisma em não mudar. Na verdade, resulta para eles. Mas deixemos a CW para outro episódio…

O que me traz cá hoje é a Showtime, esse buraco negro de grandes ideias, grandes elencos, grandes investimentos e uma incrível força gravítica que puxa as séries para um abismo negro de… nada. Série boa da Showtime é sinónimo de temporadas que nunca mais acabam, como um espremer da casca da laranja porque o resto já está putrefacto. Podia culpar-se os produtores mas são demasiados os exemplos para ser coincidência. Ora vejamos:

Homeland – a série que mexeu com o mundo e cuja primeira temporada é um dos melhores e mais tensos produtos da história da televisão… O que aconteceu a seguir são seis temporadas (para já) que se tornaram intoleráveis para mim e levaram a uma ridicularização da personagem interpretada por Claire Danes.

Ray Donovan – Acompanhei as primeiras duas temporadas e continua ad infinitum na minha watchlist. Mas quando olho e vejo que vai para a sétima e não faz questão de abrandar, perco toda a vontade. Liev Schreiber é excelente, mas isso não justifica que haja tanto para contar ali…

The Affair – Vozes próximas dizem-me que aquilo continua bom… Mas fiquei-me pela primeira e também não sei de que modo é que uma série com a premissa de contar em modo “flashback” duas traições amorosas precisa de cinco temporadas para ser contada. A serie evoluiu entretanto? Talvez…

Billions – esta série só continua porque tanto Damian Lewis como Paul Giamatti se divertem muito com ela. É notório que os argumentistas continuam a encontrar maneiras de os actores purgarem tudo o que lhes vai na alma… Mas até quando? Foram inimigos, agora amigos, vão ser inimigos outra vez…

Penny Dreadful – Podia ser uma antologia tão boa… Uma temporada e não mexe…mas não. Estendeu-se para uma segunda temporada bem abaixo da primeira e felizmente alguém desligou da ficha. Mas adivinhem o que vai voltar em breve!

Masters of Sex – estão a anotar a quantidade de séries com uma dupla fantástica que acabou na mó de baixo?! Michael Sheen e Lizzy Caplan são absolutamente fantásticos e a série estava tão bem escrita… Mas perdeu-se e acabou sem que quase ninguém a tenha visto a despenhar em chamas.

House of Lies – a irreverência de Kristen Bell sem travo na língua e Don Cheadle a quebrar a fourth wall. Parece fácil para dar certo, não parece? Mas a historia destas duas personagens teve tantos altos e baixos que quando acabou já era difícil encontrar ali empatia. Esquecível.

Episodes – dentro dos exemplos dados não é das piores. Se tivesse 6 episódios por temporada e fosse mais curta teria sido melhor!

The Borgias – esta é daquelas que nunca vou perdoar. Jeremy Irons como Papa e um elenco secundário de fazer inveja. Acabou à pressa e sem louvores. Ai se fosse na HBO…

Californication – mais uma temporada de estreia com pouco ou nada a apontar. Incrível na sua melancolia, escrita e representaçao. As seguintes seis temporadas são uma espécie de paródia porno que envergonham ao ponto de não serem convidadas para passar o Natal lá em casa.

The Tudors – a melhor coisinha que a estação me deu em toda a sua vida.

Dexter – Vale a pena mesmo falar desta?! Quando se procura por séries com o pior final de sempre, Game of Thrones terá sempre de tentar ultrapassar Dexter, sem sucesso.

Weeds – abandonei lá para meio quando percebi que nem com drogas conseguia engolir mais. Imaginem Breaking Bad mas em que todos os envolvidos não sabem conduzir um triciclo.

Stargate SG-1 – muitos a associam ao Sci-Fy, mas a verdade é que começou na Showtime. À sexta temporada mudou de ares e deve ter sido a melhor decisão que aquela malta tomou na vida.

Para estes exemplos deverão haver outros em que as coisas correram melhor. Mas também deve haver outros em que imagino o sofrimento de quem acompanha (vem-me Shameless à cabeça). Este texto pretende ser uma cautionary tale, um alerta para quem vem atrás para parar e pensar antes de começar algo que tenha o selo da Showtime. Burro sou eu que continuo a pescar neste lago, mas não sei se sou melhor ou pior do que aqueles que decidem usar esta estação para dar vida aos seus projectos…irra!

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