Os Melhores Episódios de 2013

Mais um ano, mais um rico leque de episódios que nos dá vontade de rever tudo de novo. A selecção foi tão difícil que demorei mais a escolher os episódios do que propriamente escrever sobre estes dez. De fora ficaram episódios incríveis de séries como “Banshee”, o final de “Futurama” e episódios muito sólidos de séries estreantes como “Hannibal”, “Rectify”, “Orphan Black” e “Utopia”. Custou muito, mas teve de ser. Ciente que é difícil isolar um episódio em temporadas excelentes, que é impossível ignorar o gosto pela série como um todo na altura de comparar episódios e tendo como critério colocar apenas um episódio por cada série, aqui fica o meu singelo top.

  • Person of Interest: 3×10 – The Devil’s Share

    Quem me conhece sabe do meu amor por “Person of Interest”. Há sempre séries melhores, mas continuo a considera-la um dos meus maiores prazeres televisivos. O facto de ser rotulada como procedural não lhe faz jus aos momentos de tensão que consegue imprimir. Uma injustiça. Estivesse esta série no cabo, ou tivesse apenas metade da duração (tirava-se os “chouriços”) e teríamos aqui um produto de excelência. Os episódios dedicados à morte de uma personagem tão importante como Carter são um exemplo do que a série consegue fazer, não é só tiros e “porrada velha”, há algo mais ali. A morte não foi em vão, nem tratada como um evento menor. O anterior “The Crossing” foi marcante, mas foi com “Devil’s Share” que a série conseguiu “o episódio mais poético que fez até hoje” (o ZB assim escreveu na análise). A dor das personagens é palpável e sentida por nós. Os flashbacks foram magistralmente bem inseridos e tudo funcionou bem. Foi dos melhores episódios “memória” que já vi e quando assim é, não há problema nenhum que personagens importantes partam.

  • The Good Wife: 5×05 – Hitting the Fan

    A vós me confesso: nem sempre dou a “The Good Wife” o respeito que ela merece. Depois de uma maratona até à temporada anterior, muitas vezes acumulo episódios até lhe pegar novamente, e assim que o faço arrependo-me de o ter feito. Penso poder afirmar com alguma segurança que é o melhor drama e série não-cabo mais consistente desde há uns anos. Sim, de vez em quando tem falhas (Kalinda tem sido o alvo, pela história do ex-marido e por agora andar mais ausente), mas quem não as tiver que atire o primeiro “Dexter”! “Hitting the Fan” é o culminar de uma manobra arrojada (que podia correr mal e seria irreversível) de uma série que arriscou em mexer a garrafa de coca-cola sem abrir a tampa. Neste momento o status quo a que nos habituamos durante cinco temporadas foi abalado ao máximo mas nem por isso deixamos de gostar. Não houve perda de identidade, simplesmente tiraram-se as algemas à situação. A acção e a intensidade atingiram realmente a ventoinha e o resultado são 40 minutos cheios de qualidade, numa lição a todos que duvidam da capacidade da série em se aguentar, ano após ano, com a guilhotina do cancelamento a pairar.

  • Spartacus: War of the Damned: 3×10 – Victory

    Poucas são as séries que se podem orgulhar do título de “série charneira” na televisão, e “Spartacus” é uma delas. Goste-se ou não, podem menospreza-la e rotula-la como série básica, mal escrita e até pornográfica que usa o visual para chocar, mas bolas, a imagem é o que diferencia uma série de um livro e “Spartacus” soube usar esse trunfo muito bem. Mostrou nus frontais masculinos, cenas de sexo e gore explicito e fica marcado na minha mente como uma das poucas que me deu o privilégio de uma história com início, meio e fim. “Victory” é um final épico para uma história que Andy Whitfield começou e que Liam McIntyre encerrou, sem que nós sentíssemos muito a diferença. Obrigado a “Spartacus” pelas cenas de acção, pelo diálogo característico, por Lucy Lawless e Viva Bianca, por Nick Tarabay, Dustin Clare e John Hannah, obrigado por quatro temporadas boas e por um final cheio de força que encerrou de modo épico esta aventura.

  • The Americans: 1×06 – Trust Me

    “Os Amaricanos” é a típica série “sim ou sopas”: quem a vê, ou gosta imenso ou então não lhe liga nenhuma. A verdade é que as grandes séries são assim mesmo, se pensarem bem não há alguém que diga que gosta mais ou menos de “Breaking Bad”. Não só de boa escrita e contextualização história a série sobrevive, há dois pivots que carregam a série e o fazem muito bem, trocando entre si a responsabilidade da missão que os une e do destaque ao longo da temporada. Porquê “Trust Me”? Não é pelo arco dos filhos, claramente o ponto mais fraco, mas pelo impacto que tem no resto da temporada. Phillip tem uma luta interna, mas aqui luta contra quem o ameaça, o sequestro cria um fissura no casal e Margo Martindale é brutalmente espancada (é preciso coragem para isso!). É um episódio de mudança que ao mesmo tempo cimentou em mim a qualidade da série. Não foi provavelmente o melhor episódio da temporada em termos de qualidade, mais foi o mais significativo para mim.

  • Orange is the New Black: 1×11 – Tall Men With Feelings

    Aqui sou obrigado a concordar com a “syrin” (acontece!): “Para quem, como eu, adora maratonas de séries, o Netflix teve a melhor ideia de sempre, ao lançar todos os episódios das suas séries ao mesmo tempo”. O que pode ser melhor do que mergulhar em algo assim?! Torna difícil isolar um episódio quando não há 7 dias de separação, é verdade, mas é um problema menor. Em “Tall Men With Fellings” temos a doida Pennsatucky (minha favorita, perfeita Taryn Manning), os guardas e diversas secundarias que fartam-se de brilhar em todos os episódios, mas é o flashback que mostra a relação Piper e Alex que me chama mais a atenção. Até então o que ligava as duas mulheres era transmitido por outros, aqui pudemos ver por nós. O programa de radio acaba por ser um excelente aglomerado de histórias até então contadas. A narração de Larry enquanto a imagem percorre as presidiárias que fomos conhecendo, acabando na cara de Piper em perceber que o seu namorado sabe da traição é dos momentos mais marcantes desta excelente primeira temporada.

  • House of Cards: 1×02 – Chapter 2

    O que dizer de uma série que reúne o melhor da escrita, da realização e que coloca Kevin Spacey, Robin Wright e Kate Mara a puxar o trenó?! Nada. É calar e apreciar porque não há palavras que descrevam com justiça a mestria de quase todos os momentos desta primeira temporada. Sim, concordo convosco que este não é o episódio de maior destaque, mas tal como em “The Americans”, foi o episódio que mais me marcou. Primeiro porque mostra que o piloto não é um acaso, um tiro no escuro, é sim o início de um leque incrível de episódios e, acima de tudo, o arranque para Robin Wright. Buda sabe que adoro o Kevin Spacey, e que é ele de facto o rei e senhor aqui, mas é Robin que rouba o espectáculo para o meu lado. A incapacidade em perceber que tipo de personagem estamos a “lidar” nos primeiros episódios fascinou-me, e neste segundo capítulo é incrível o “maquiavelismo” em despedir os seus funcionários. Mais para a frente percebemos que não foi assim tão fácil para ela, mas aqui nem se sente isso, provando que Claire é uma personagem tão forte, ou mais, que Francis e que tem um rumo bem delineado para si.

  • Masters of Sex: 1×05 – Catherine

    Antes de mais quero dizer que na altura em que este texto sai faltam-me ainda dois episódios para acabar a temporada, logo, peço desculpa se de facto a season finale for muito melhor que “Catherine”. Mas se assim for, é dos melhores problemas que podemos ter na vida. Há imensos pontos de interesse neste episódio: a relação de Virginia com os filhos (que por vezes a série esquece durante extensos período de tempo), o início da relação entre Ethan e a Tinkerbell, perdão, Vivian, o aniversário que desencadeia o arco da fantástica Allison Janney ou até a frieza de Masters face à notícia do aborto. Mas o que rouba completamente o “Óscar” é o final, em que o protagonista chora face à perda do filho. Não só assegura o melhor momento de representação para Michael Sheen, como o detalhe de ele fechar os olhos a Virginia é profundamente delicioso. Fechou com chave de ouro o melhor episódio da melhor nova série da temporada.

  • Fringe: 5x12x13 – Liberty/An Enemy of Fate

    Mais um series finale, mais um amor que parte, mais um sentimento de satisfação no coração. Não sei se foi o factor underdog da série, que resistiu constantemente às machadadas do cancelamento, não sei se foi a fantástica Anna Torv que provou ser muito mais que um cara linda ou se foi o segundo melhor Walter da televisão (só John Noble conseguia o feito de ficar mais famoso com uma série do que por um papel em “Senhor dos Anéis”), mas “Fringe” ficará para sempre marcada na minha memória com enorme carinho. No final deu tudo aquilo que os fãs pediram e quase ninguém se sentiu defraudado. Houve identidade, respostas e satisfação num desenlace que puxou mais ao sentimento do que há necessidade de esclarecer todos os mistérios pendurados. A meu ver, bem, porque a série desde cedo deixou de ser só sobre ciência e assumiu-se como uma história de pessoas e de amor, romântico e fraternal. Adeus “Fringe”, obrigado por esta sensação boa que tanta falta faz a quem vê séries.

  • Game of Thrones: 3×09 – The Rains of Castamere

    A minha imparcialidade acaba aqui. Nunca vou ser racional com esta série porque adoro-a demasiado. Já dediquei muito tempo nela e muitas horas a vasculhar na incrível história que lhe serve de base para me ser indiferente. Sim, está cheia de erros que podem ser enumerados, mas é também uma das melhores séries em exibição e não há como negar isso. Os episódios “9” já são famosos, mais importantes que os finais de temporada propriamente ditos. Depois da morte de Ned Stark e da batalha de Blackwater a fasquia estava alta, mas este episódio conseguiu superar. Já me tinha spoilado quanto à morte de Robb mas a de Catelyn (favorita minha desde o início) foi um completo choque, choque esse que me deixou doente. Nunca uma série me pôs a andar pelo quarto, a praguejar aos Velhos Deuses e ao novos e a repetir exclamações como “não pode ser”. Nunca senti um episódio assim nem algo seriólico mexeu comigo desta maneira. “The Rains of Castamere” foi também o episódio em que David Bradley brilhou mais uma vez, em que Arya sobe mais um degrau na sua conquista pessoal e em que sentimos raiva pela morte de Greywind. Mas tudo cai por terra quando a notável Michelle Fairley faz aquele brilharete no final e o episódio termina, em silêncio, como quem nos deixa cair desamparados. Ver e rever, para mais tarde recordar.

  • Breaking Bad: 5×16 – Felina

    “Pronto, lá vem este armado em hipster, a escolher o final só para ser diferente!”. Sim, ao contrário dos meus colegas de pecado não escolhi “Ozymandias” como cume este ano, pelo mesmo motivo de outras escolhas deste top: sentimentalismo. O antepenúltimo episódio é de facto o melhor episódio da temporada, da série e do ano, mas não é aquele que realmente mexe connosco. É com “Felina” que a série dá o nó e parte com a qualidade e “cabeça” características. Temos um título do episódio que representa bem o brilhantismo subliminar de Vince Gilligan, um Walter White no fundo do poço mas mais lúcido do que nunca, uma despedida de Skylar incrivelmente honesta e um pobre Jesse que tem o karma do seu lado. Quando Walter se despede do seu grande amor, do laboratório onde criou a sua Capela Sistina – ao som de mais uma música perfeitamente escolhida -, estamos lá com ele, a sentir a despedida, cientes que muito provavelmente não veremos um produto de tamanha qualidade nos próximos anos, se é que veremos alguma vez. “Breaking Bad” é a melhor série de sempre, “Ozymandias” é o máximo de potencial e “Felina” é o sabor doce que encerra tudo de modo perfeito.

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