Uma Rapsódia nada Boémia

Bohemian Rapsody tem a dificil tarefa de contar a história de uma das figuras do séc. XX. Infelizmente abraça a tarefa herculeana com a leveza de uma pena. Mas são aqueles que foram ver “The Greatest Showman” e adoraram a música e o espírito do filme?! Não deixem escapar este.

Os momentos iniciais deslizam-nos pelos olhos com uma velocidade incrível. Flui rapidamente e sem esforço, e não o digo no bom sentido. A maneira como as relações se constroem, as letras são escritas e as musicas são tocadas faz parecer que estamos a ver super-herois a funcionar sobre o efeito de ninfas. Não há profundidade numa história que dá para perceber que é rica. Há uma romantização de tudo, como uma especie de “censura”.

É claramente visivel a influência dos membros reais da banda (que tiveram decisão no argumento e direcções artisticas do filme) porque toda a gente dá peidos cor-de-rosa e come-se nuvens como algodão doce. Os momentos de inspiração de cada um são bem salientados, não há mea culpa e destaca-se bem quem não acreditou na banda. Mas fora isto, é raro o filme mergulhar no lado potencialmente mais negro da história. Tudo isto dá mais pena quando temos um senhor de nome Rami que rouba todos os segundos do filme. O melhor elogio que lhe consigo fazer é que a partir de certo ponto nem pensei que era um actor, era o Freddie, ponto. Malek aprimorou o artista ao detalhe e é um delight que tem de ser reconhecido pelos Óscares (para quem liga a essas coisas). Apesar da celeridade do enredo, este é um filme de duas horas. Isto porque decidiram (e bem) mostrar o concerto completo da banda no Live Aid… e é como tirar o leão Rami da jaula e vê-lo correr pela Savana. Não há como não repetir, é brilhante! E de pensar que o papel quase foi de Sacha Baron Cohen, que não teve paciência para os dedos da banda no projecto…

De modo sucinto, este não é um filme sobre os Queen, mas um tributo aos Queen. Tem pecados graves, como um filme mediano baseado num grande livro. Mas é um fan service para todos os milhões que vibram com a (provavelmente) maior banda de sempre. Os arrepios na espinha com We Will Rock You, ou quase todo o concerto final, dão um bom trago a um filme que só irá desapontar quem levar o filme muito a sério.

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